Eu nasci em Brasília-DF. Morava na Vila Planalto com minha mãe, meu pai e dois irmãos – o Alexandre e o André. Nós éramos três filhos. Eu sou a filha do meio; o Alexandre é o mais velho e o André é o caçula. Meu pai era desenhista copista. Hoje, isso nem existe mais. Os engenheiros faziam os projetos e ele colocava a planta naquele papel vegetal, com todos os detalhes. Atualmente, isso se extinguiu e é tudo é no computador.

Meu pai era alcoólatra. Veio de uma família complicada, a mãe se suicidou. Quando ele veio pra Brasília, conheceu a minha mãe. Ela era professora do governo e se aposentou como diretora de escola. Eles tinham um casamento bem conturbado por conta do alcoolismo do meu pai; ela aguentava aquela situação por causa dos filhos. Então, ela assumia a casa; a gente passou por bastante aperto financeiro por conta dele. Ele nunca dava nada. Quando estava bêbado, era aquele paizão. Pagava tudo! Íamos atrás dele nos botecos e ele enchia a gente de balinha. Se você pedisse qualquer coisa, ele dava. Quando ele não estava alcoolizado, ele estava de ressaca em casa. Era muito nervoso; qualquer coisinha, ele jogava na parede. Eu lembro de brigas, porque ele era muito machista, e a minha mãe é uma pessoa que sempre gostou muito de estudar, de crescer. Ela falou que, dentro dela, ela pensava: “Alguém nessa família tem que crescer”.

E ela começou a fazer cursos e a estudar. Fez a UnB 4 vezes. Cursos de administração, pedagogia…. Eu lembro que a gente morava na Vila Planalto. Estudávamos na Asa Norte e íamos encontrar com ela na UnB. E ela trabalhava em uma cidade satélite que, hoje em dia, é perto, mas, na época, era muito longe – o Gama. Antigamente, a gente ia naqueles ônibus velhos, ônibus que quebrava, lotado. Ela era diretora de uma escola lá. Nós ficávamos sozinhos durante o dia. Teve um tempo que não teve mais empregada; aí, a gente comia de marmita. Ela fazia o almoço enquanto fazia o jantar. Éramos muito independentes. Quando chegávamos da escola, não tinha mãe para receber a gente, não tinha aquele almoço quentinho. Só víamos ela à noite; então, tínhamos consciência de que tínhamos que arrumar tudo. Quando ela chegava à noite, terminava o que não tínhamos dado conta de fazer.

Meu pai sempre puxava ela para trás. Por exemplo, se ele chegasse e ela tivesse estudando, ele rasgava todos os livros dela. Ela tinha que estudar depois que ele dormisse; ela enfrentou essa barra durante 15 anos. Até que um dia a gente cresceu, e a gente começou a perguntar para ela porque que ela ainda estava com ele. A gente lembra de brigas que, assim, ele nunca chegou a bater nela, mas já jogou uma mesa de jantar em cima dela. Ele já quebrou tudo na cozinha. Ele não agredia diretamente batendo, porque ela não deixava. Ele achava que a mulher tinha que ser inferior ao homem em tudo. Ela via que tinha 3 filhos para criar. Ela via que dele não ia vir nada; então, ela precisava estudar, batalhar e tudo. Ela foi crescendo na rede pública de ensino federal, até se tornar diretora e ter uma boa aposentadoria hoje.

Minha mãe sempre foi evangélica. Na família dela, não tem outra religião. Todos são crentes, por causa da minha avó, que morreu com 104 anos. Quando ela tinha 9 anos, ela morava em um sítio, e um cacheiro viajante crente pernoitou nesse sítio. Ele pregou a Palavra, e família toda se converteu. Então, do lado da família dela, todo mundo já nasceu para o Evangelho. Minha mãe não frequentava igreja por que ele não deixava. A gente ia esporadicamente na igreja. Ela não se envolvia em nada na igreja, porque, para se envolver em alguma coisa, precisava receber os irmãos em casa. Então, a gente não tinha contato. A gente tinha contato com a Tia Elisa. Ela sabia de toda a situação, e, mesmo assim, visitava a gente. Era bom quando ela ia visitar. Minha mãe conversava; elas eram muito amigas, pois eram primas. Moramos na Vila Planalto por uns 10 anos, até a nossa casa pegar fogos. Depois, viemos para Taguatinga, e, então, eles se separaram.

Eu lembro uma vez, quando eu tinha uns 9 anos, em que, no dia do pagamento dela, a gente foi com ela. No dia do pagamento, a gente tomava sorvete na Asa Norte. Então, fomos com ela e, quando a gente foi sacar o dinheiro, lá no Conjunto Nacional, ela voltou e mandou a gente voltar para casa. Depois, eu a vi chorando na cama. Ele tinha falsificado a assinatura dela e tinha feito um cheque no banco, para pegar todo o salário dela. Eu lembro que, nesse mês, a gente comeu farofa de banana todos os dias – era o que tinha. A luz e a água iriam ser cortadas até o próximo salário. Mesmo assim, ela se virou. Não sei como que ela arrumou um dinheiro, mas ela foi lá e pagou as contas de água e de luz, para sobrevivermos ao mês.

Muitas coisas aconteceram. Uma vez, ela ouviu, no rádio, que tinha ocorrido um acidente e falaram o nome do meu pai. Ele estava todo arrebentado no hospital, por dirigir bêbado. Quando ela se separou, conseguiu comprar um apartamento financiado no Guará. Nós já podíamos levar amigos e frequentar a igreja. Ela nunca mais se casou. Fomos criados na igreja tradicional; portanto, não tínhamos Palavra, só religião e muito legalismo. Na adolescência, nós nos desviamos. Na verdade, nunca fomos convertidos, pois nunca tínhamos aceitado Jesus. Era aquele negócio: minha mãe é; então, eu sou também. Com os 15 anos, eu lembro que a igreja foi fazer um evangelismo, e eu gostei do mundo. Meu irmão foi fazer faculdade, e eu achei o mundo colorido e divertido. Eu achei o mundo mais interessante. E, com 15 anos, eu era muito contestadora, era rebelde na escola, sempre participando de grêmio estudantil. Fui entrando na política nessa época. Eu participei muito desses movimentos de Diretas Já, fim da ditadura, participei de muitas passeatas. Eu era bailarina; sempre gostei de dançar. Dava aula de balé para crianças e para adultos também. Tínhamos um grupo profissional de dança que viajava, para se apresentar. Minha vida era essa.

Eu conheci drogas e álcool. Parei de frequentar a igreja. Meu irmão mais velho era sério, ele namorou uma menina por 10 anos, ela engravidou e eles se casaram. Depois, ele passou no vestibular e eles foram morar em Goiânia. Na faculdade, ele descobriu que tinha uma vida; acabou se separando dela já com uma menina de 1 ano e pouco. Meu outro irmão era também “doidinho” como eu.

Com 17 anos, eu conheci o meu marido, o Marcos. Ele era baterista de uma banda de punk rock; era separado e tinha dois filhos. Era 11 anos mais velho que eu. Eu fui ser produtora musical, produtora de banda. Então, durante aquele “BUM” que Brasília teve do rock, aquelas bandas, como Legião Urbana, Paralamas, frequentavam o mesmo lugar. Eu participei de tudo aquilo e vivia esse mundo. Eu gostava de beber e cair. Minha vida era entre o grupo de dança, política e rock.

Tinha 23 anos quando me casei. Namoramos por cinco anos e decidimos nos casar. Ele vinha de um casamento; então, eu assumi que não ia me casar só com ele, mas com ele, com dois filhos e com a ex mulher. Eu adotei os meninos dele. Falo que tenho quatro filhos – dois do útero e dois do coração. Desses dois do coração, um é o Rhavi. Ele é casado e tem uma menina chamada Geovana, de oito meses. A Ranne, a Caçulinha, é mãe solteira. Ela tem a Bia, de sete anos. Saio para passear, pego para mimar, para fazer as vontades quando posso. Minha família é essa: o Marco, meu marido, Calebe, de 18, Amanda, de 21, o Ravi e a Rani. Tem também a Bia e Geovanna, que são as minhas netas.

Quando eu estava grávida da Amanda, tive o meu primeiro contato, a minha primeira experiência com o Senhor. Eu fiquei amiga de uma assembleiana das pernas cabeludas, do cabelão lá no pé (risos). Ficamos cinco anos sem ter filhos, curtindo o casamento; então, quando a Amanda veio, nós tínhamos uma loja de discos usados. Quando ainda namorávamos, Marcos tinha um teatro de bolso, histórico, chamado “Rolla Pedra”. Essas bandas famosas tocaram nesse teatro, em Taguatinga-DF. Nossa vida cultural era bem agitada. Nós nos casamos, tínhamos esse sebo, e, do lado da loja, tinha uma livraria de gente crente, assembleianos daqueles “de raiz”. Conheci uma menina assembleiana bem diferente de mim, mas a gente começou a conversar. Nem sempre tinha cliente na loja; então, a gente conversava. Ela começou a falar uns negócios de “Deus falou comigo”. Eu comecei a ficar curiosa com a vida dela, e ela ficou curiosa com a minha vida. Ela nunca tinha ido ao cinema, nunca tinha ido a um teatro. Eu a convidei para assistir uma peça de balé. Ela nunca tinha entrado em um teatro. Ficou maravilhada. E a gente foi criando uma amizade. Quando eu engravidei da Amanda, eu me vi com ela sendo a minha melhor amiga. Nós conversávamos e ela frequentava minha casa. Na minha casa, entrava bebida. Eu dava festas para o pessoal se drogar. Era comum receber amigos. Nós tínhamos fechado a loja e nós tínhamos em torno de 4 mil discos; então, as pessoas gostavam de ir para lá, para ouvir música.Nossa casa sempre estava aberta para isso.

Eu fiquei amiga dela, e, em um dia desesperado, quando a loja tinha quebrado, eu fui até a casa dela. Ela era filha de um Pastor da Assembléia. Tinha 3 dias que ela não ia na loja e eu fiquei sabendo que o pai dela estava doente. Fui, então, visitá-la. Eu estava no quarto dela, quando uma irmã da igreja entrou. Eu nunca mais vi essa mulher. Ela entrou, olhou para mim e disse que eu estava grávida de uma menina. Eu comecei a chorar e me senti, naquele momento, em um grande colo. Eu estava em um colo, e esse colo me abraçava. Ele era quente. Eu chorava muito; ela fez o apelo, e eu aceitei Jesus naquele momento, naquele lugar. Lembro que foi uma segunda feira à tarde. Cheguei em casa, fui para o quarto, e o meu marido foi atrás de mim, porque ele viu que entrei estranha. Quando foi na sexta feira, ele entrou do mesmo jeito em casa. Ele tinha saído de manhã e passou na frente da igreja. Entrou e encontrou uma prima. Ela o convidou para ir à igreja. A moça que estava ministrando contou o testemunho dela – testemunho que eu nunca tinha escutado na minha vida, apesar de ter frequentado uma igreja evangélica. Daquela sexta feira em diante, nunca mais deixamos de ir à igreja. Tudo quanto era buraco que tinha culto, eu ia; então, eu cresci muito. Eu aprendi a ser uma mulher de oração, uma mulher da fé, mesmo ainda não tendo contato com a Palavra da fé. Eu aprendi a declarar e ver acontecer e a impor as mãos em enfermos. Fiquei maravilhada.

A partir de então, me afastei totalmente dos amigos do mundo. Eu não quis mais. Meu marido ainda encontra. Ele até prega para eles. Então, hoje depois de tanto tempo (já tem 21 anos que eu me converti) agora que eu estou me abrindo para as antigas amizades, procurando no Facebook. No início, eu fui bem radical. Eu precisava ser radical. E nós abrimos um trabalho na nossa casa, onde vinha gente de todo o Distrito Federal e até de Goiás. Eu comecei a querer mais!Saímos da igreja em que eu estava, porque eles não aceitavam esse movimento todo. Para mim, ficou difícil entrar nos departamentos, pois era boicotada, porque eu queria o fogo; lá, a visão era mais tradicional. Era uma igreja onde duas ou três famílias tomavam conta da igreja. Eu não queria isso. Íamos para vigílias; era poderoso!

Conheci uma pessoa que começou a me falar do Verbo da vida e do Rhema. Eu fazia evangelismo de Carnaval e era responsável pela parte da oração. Sem entendimento, brigava com o diabo; depois do carnaval, ficava doente uns 3/4 dias. Comecei a entrar em contato com essa Palavra através dessa pessoa. Eu lia os livros do irmão Hagin e achava lindo; eu achava engraçado que eu dizia que o Rhema podia ir para onde eu morava. Um dia, fui no Verbo da Vida no Guará (antes da igreja ser em Taguatinga-DF), e eu lembro que quem ia dar uma semana de Realidades da Nova Criação era a Sâmia Rocha. No começo, não gostei muito do Pastor Joselito. Um dia, estava caminhando – Calebe tinha quatro anos, e Amanda tinha sete – e eu sabia que precisava criar as crianças na igreja, pois não queria que elas se tornassem o tipo de adolescente que fui. Eu precisava de um pastor.

Comecei a ir no Verbo quando e uma vez, fui de férias para a Bahia e, quando voltei, a igreja tinha se mudado para Taguatinga-DF e tinham aberto um Rhema lá. Aí, eu fiquei doida! Quando voltei de férias, me matriculei no Rhema. Aquela Palavra foi “pegando” e, dentro de mim, o Senhor falou para eu frequentar o Verbo da Vida. Porém, eu queria uma confirmação do meu marido. As crianças perguntavam para qual igreja iríamos; elas queriam que fôssemos para lá. Um dia, meu marido falou que o Senhor tinha falado com eles que devíamos frequentar o Verbo da Vida. Essa foi a confirmação! Quando entrei lá, “entrei de cabeça”. Começamos a desenvolver uma fidelidade; porém, eu precisava ser muito treinada, porque, na igreja que eu frequentava antes, o Pastor era uma figura decorativa. Ele não decidia nada, e sua opinião não valia de nada. Aí, começaram os meus choques com o Pastor Joselito. O primeiro choque foi ver o Pastor governar a igreja, como ela deve ser governada.

Eu “peguei no pé” do pastor Joselito mesmo! “Grudei nele”! Eu ia para igreja e ficava lá à tarde. Eu queria aprender com o pastor. Eu ficava atrás dele, ouvindo a oração dele. Eu falava: “Senhor, eu estou desconfortável!” Ele falava: “Fique atrás dele!” Algumas vezes, ele olhava para mim e eu trombava com ele. O Espírito já estava falando com ele. Ele precisava ser esse homem de fé, e eu penso que Deus me colocou como uma lixa muito grossa, para ele aprender a andar em Fé. Ele teve que ter fé para me amar, para desenvolver o que Deus mostrava para ele na minha vida. Deus falou comigo que eu ia dar aula lá. Quando eu terminei o Rhema, ele me colocou para ministrar o dízimo e a oferta. Eu passei dois minutos, e ele me deu uma bronca. Fui para casa e não queria mais voltar. Cheguei em casa e o Senhor dizia que me queria lá. Aí, eu me formei. Já estava “enfiada” na igreja. Perguntava para o pastor o que tinha para eu fazer. Um dia, ele disse que era para eu visitar e ajudar uma moça que tinha acabado de ter bebê. Eu ajudei essa irmã. Mas, mesmo assim, eu e o pastor ainda batíamos muito de frente. Eu estava sendo moldada pela Palavra.

Um dia, ele trocou uma liderança e não teve votação. Na outra igreja que eu frequentava, tudo tinha votação. O pastor não tinha essa autoridade. Então, questionei o pastor Joselito se ele tinha autoridade de colocar alguém em um cargo. Ele olhou para mim, e eu acho que o Espírito Santo disse para ele contar até 10 e sair. Ele virou as costas e saiu. Eu terminei o Rhema em 2005 e comecei a ser treinada pelo pastor. Porém, ele sabia que o Senhor estava o treinando também, porque eu questionava demais. Eu colocava a fé dele à prova o tempo todo. Eu fui monitora do Rhema, mas fui expulsa. Porque, se era para cumprir o regulamento, eu passava por cima de tudo e de todos para cumpri-lo. Para mim, não tinha esse negócio de amor. Então, ele me mandou ficar apenas na igreja. Eu fiquei muito triste e chorei muito.

Em 2008, o pastor Joselito me chamou no gabinete dele e falou: “vou te treinar mesmo agora! E você vai voltar para o Rhema”. Meu coração se acendeu! Eu sou muito grata ao pastor Joselito e à Ana Helena. Ele me ensinou a ser essa mulher firme, a ter “a pegada”. Deus mostrou para ele o que estava dentro de mim; aquilo que eu ainda não sabia. Ele podia ter deixado para lá, mas ele quis e apostou. Sabe o que é você ir para casa e ficar com a voz dele na cabeça? “Ana Cláudia, não faça isso!” Quando eu viajo, faço as coisas e penso no que ele faria. Ele me treinou em tudo e nunca desistiu de mim. As pessoas iam falar mal de mim para ele, e ele me contava. Por que isso era um tipo de termômetro, né?Em 2009, ele falou com o Canrobert e me colocou na grade do Rhema e comecei a viajar.

Meu pastor é meu referencial de tudo – de pai, de pastor, de homem de Fé… em tudo que eu vou fazer, observo ele. A igreja, agora, é grande; então, eu quase não conheço as pessoas. Eu fico tentando ajudar na minha igreja local. Um dia, cheguei para ele e disse: “Vou largar tudo e vou te ajudar”. Ele disse: “Não faça isso pelo amor de Deus!” Deus abriu portas para mim, através da vida dele. Eu fui ministrar no Canadá, no Rhema de lá. Ele não podia ir na viagem; então, me colocou para representá-lo. Ele confiou em mim para isso. Em 2015, ele me mandou para o Japão, para dar aula lá. Quando eu voltei, ele brincou que ia me mandar para a China! Eu até brinquei que, um dia, eu iria, mas não voltaria. Mas ele não deixa isso acontecer! Agora, eu estou indo para Angola. Eu sei que tudo isso vem de Deus! Ele confiou a minha vida ao pastor Joselito; estou servindo ao Senhor através dele. Dentro de mim, tenho a consciência de que que faço tudo para promover o ministério, promovendo o ministério desse casal, dessa família.

Eu viajo e me hospedo na casa de pastores. E a gente observa mais de perto. Fico olhando a vida daquelas crianças, filhas de pastores. Uma menina de 7, 8, 9 anos de idade, dividindo quarto com uma mulher de 40, 50 anos – não é sobre o que elas escolheram fazer. Eu comecei a olhar a Kamylla e o Jonathas (filhos do pastor Joselito) e para a quantidade de vezes que eles dormiram em lugares que não eram os deles. Sou muito grata! Eu queria fazer tanto por essa família! É uma família linda demais! Às vezes, penso que ainda não faço nada. Eu trabalhei na livraria do Rhema; depois, fui para a secretaria, trabalhar lá dentro. Trabalhei também no setor pedagógico do Rhema. Todas aquelas pessoas me fizeram crescer. Lucileia foi outra lixa; enquanto o pastor lixava de um lado, ela lixava do outro. Ela é uma amizade para a vida toda, para a eternidade mesmo! Quando eu deixei o Rhema, em 2011, meu coração partiu. Às vezes, eu chegava de viagem e queria correr para lá. O Senhor foi me freando e eu fui aprendendo.

Hoje, eu tenho algo tão maravilhoso: meus dois filhos trabalham com a Ana Helena e com o pastor. A Amanda trabalha no pedagógico do Rhema; o Calebe trabalha com o Design. Eu fico tão maravilhada! O Pastor abriu os braços de uma forma tão grande para os meus filhos! Minha filha tem um chamado para o Japão. E o pastor Joselito e a Ana Helena estão com os pompons na mão. Se eles pudessem, já tinham mandado ela. Amanda já está terminando a faculdade de letras Japonês e está fazendo a Escola de Ministros Rhema. Estamos crescendo! Meu marido fez a Escola em 2014, e eu fiz em 2010. Tenho dois jovens que amam a Palavra, que amam servir ao Senhor.

O Calebe é grande, literalmente. Tem quase dois metros de altura e tem 19 anos. É um menino doce; puxou muito ao Pai. Eu só percebo quando meu marido está nervoso quando a ponta da orelha dele está vermelha; ele não sai da pose. O Calebe veio como uma promessa. Eu estava traumatizada, e o Senhor falou comigo, por meio de uma Profeta amiga, que, em 1 ano e meio, eu ia engravidar de um menino.

A Amanda foi uma gravidez muito complicada. Ela foi um bebê que me deu muito trabalho; então, eu fiquei um ano com depressão pós-parto. Eu era recém convertida quando ela nasceu. Com o Calebe, eu já sabia declarar a Palavra. Com a Amanda, eu não queria me arrumar. Foi muito complicado. Então, quando eu engravidei novamente, eu fiquei muito triste; depois, eu lembrei que o Senhor falou que ele teria a unção de João Batista, que ele me daria muito orgulho. Até hoje, eu agarro isso na minha vida. Eu falo para ele: “Você é do Senhor! Você é aquele que vai abrir os caminhos!” Ele é extremamente inteligente, além do normal. É talentosíssimo e toca o que vier na mão dele. Faz tudo sem dificuldades – o que pode atrapalhar um pouco ele. Ele também é muito carinhoso e gosta de beijar e abraçar.

Já a Amanda tem a minha personalidade. Ela tem atitude e é tão convicta da salvação e da Palavra, que, às vezes, tenho que dar um toque. Eu falo: “Amanda, eu perdi amizades por causa desse meu jeito. Não quero que você tenha as decepções que eu tive”. Ela é minha companheira; tem convicção da Palavra e do chamado. Às vezes, eu brinco com ela que ela tem que namorar. E ela diz: “Mãe, eu tenho um compromisso com o meu chamado! Então, para que eu vou arrumar alguém daqui se eu não sou daqui? Eu vou morar no Japão!” Ela é muito firme. Ela deu muito certo trabalhando com a Lucileia, pelo fato da Lucileia ser tão perfeccionista quanto a Amanda. Às vezes, eu até estremeço diante de tanta convicção que ela tem. Ela é muito séria, tímida no geral, mas, na família, ela fala alto. Fala pelos cotovelos! Com quem ela conhece, ela se solta. Eu vejo que é a Palavra trabalhando dentro dela – uma amigona e uma filhona.

Meu marido é um homem da fé e intelectual. Ele se esforça muito por conta da lógica e da intelectualidade dele. Em 2013, ele teve uma doença muito grave. Era um caso perdido, mas a fé aflorou dentro dele. Foram 68 dias no hospital, ouvindo que não tinha mais jeito e que ele morreria. Ele foi declarando e eu peguei junto com ele. Ele teve alta, e foi como havíamos declarado. Isso mexeu muito com a vida dele. Essa experiência de ter que crescer naquele momento; ele teve que tirar fé de onde não havia naquele momento. Ficamos resistindo na fé, porque, todos os dias, era um diagnóstico. Algumas vezes, ele não conseguia declarar com a boca por causa da debilidade, mas ele declarava na mente. Ele saiu dessa um novo homem! Às vezes, eu falo alguma coisa, e ele fala: “Não! Não é assim! Vamos declarar e vai acontecer!” Isso passa uma paz muito grande para mim. Ele também é muito de conversar. É de uma educação sobrenatural; não fala alto com as pessoas. Isso quebra as pessoas! Enquanto o Calebe parece comigo fisicamente, a Amanda é a cara dele. Porém, na personalidade, é o oposto. Eu vejo ele com as netas, sempre conversando. Ele também gosta de pedalar! Às vezes, no domingo de manhã, ele sai por Brasília de bicicleta. Estamos casados há 26 anos; já passamos por muita coisa, mas a Palavra tem nos sustentado.

 

A Ana Cláudia é uma mulher que vai fazer 50 anos. Ela tem responsabilidades, mas, é uma eterna adolescente! Disputa brigadeiro com a filha; disputa o controle com o filho… Quando a galera vai lá para casa, ela está no meio, como se fosse da mesma idade. Sou firme. Gosto das coisas diretas, mas gosto de confiar. Vou para alguns lugares com eles, em que as pessoas não entenderiam. Quero que meus filhos saibam que Deus é um Deus maravilhoso. Então, eu tenho esse negocio dentro de mim da eterna adolescente – aquela coisa gostosa de rir de tudo. Sou chorona, mas, hoje em dia, sou menos. Gosto de estar perto dos meus filhos, com amigos na minha casa. Eu gosto que seja uma porta aberta! Eu sou uma mãe e uma mulher madura de 50 anos. Sei separar bem isso, mas, gosto de estar antenada nesse mundo jovem, para acompanhar meus filhos.

Sou simples! Às vezes, as pessoas, quando eu chego, falam: “Nossa! que extravagante” Porque eu gosto de me vestir bem, e cabelo está sempre diferente, mas, quando elas veem, eu estou sentada no chão. Também sou muito bem resolvida. Quando eu gosto daquele brinco ou daquela roupa, eu não estou muito preocupada com o que o fulano vai achar! Eu lembro de uma vez em que eu descolori o cabelo e deu errado, mas, comigo, não tem problema. Isso espanta um pouco as pessoas; então, de vez em quando, preciso me controlar um pouco.

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