Tenho 23 anos. Nasci no Rio Grande do Norte. Meus pais são de lá e são militares. Porém, apesar de ter nascido, eu não fui criada lá. Fui criada pelo Brasil inteiro! Morei em São Paulo, no Mato Grosso do Sul, no Distrito Federal, no Rio Grande do Norte e, agora, na Paraíba. A maior parte da minha infância foi em São Paulo. Para mim, foi um tempo bom, apesar dos meus pais contarem que foi um tempo mais complicado, pois foi no início do tempo que meu pai entrou no exército. No entanto, eu gostava de tudo que eu vivia lá; minha irmã nasceu lá. É difícil ter uma lembrança específica de alguma coisa daquela época, porque, mesmo lá, nos mudamos de casa diversas vezes também. Então, eu não tinha um amigo certo ou uma escola certa. No entanto, eu posso dizer que o que mais me marcou daquele tempo foi o meu amigo Mateus – meu amigo mais fixo lá. Nós brincávamos juntos e eu adorava fazer o topete dele! (risos)

Por causa de tantas mudanças, eu aprendi a absorver um pouco de todas as culturas, estando sempre aberta para algo novo. Eu acho que isso tem um pouco a ver com o meu desejo de seguir o chamado; acho que, pelo fato de me mudar muito desde criança, eu fui treinada a me adaptar fácil em qualquer lugar. No entanto, o lado negativo dessas mudanças é que eu nunca tinha me identificado com um lugar; eu achava que nunca iria conseguir parar e me fixar em um local ou criar raiz e entender quem eu sou. Todo mundo tem uma raiz! Todo mundo tem suas origens e uma identidade formada, mas eu não. Eu sou aquela mistura de lugares, sempre com novos amigos e com aquela coisa de sempre deixar alguém para trás. Sempre tive um melhor amigo em cada canto e, depois, acabava não sabendo mais quem era o meu melhor amigo por causa das mudanças. No entanto, quando eu cheguei em Brasília, isso mudou. Identifiquei Brasília como o meu lugar. Eu cheguei em 2013, com 18 anos. Quando eu cheguei em Brasília, senti que pertencia àquela cidade, mesmo não tendo nascido lá. Como é um lugar multicultural, eu me identifiquei com as pessoas de lá.

Se eu pudesse atribuir uma palavra para cada cidade em que eu passei, eu acho que falaria que São Paulo representaria inocência. Brasília seria identidade. Mato Grosso do Sul seria crescimento. Já, para o Rio Grande do Norte, a palavra seria descoberta, pois eu acabei descobrindo um pouco dos meus avós. Eu não morava na mesma cidade que eles, mas eu morava próximo; então, eu consegui criar um pouco mais de laços e descobrir um pouco mais da minha família. E Paraíba seria formação.

Meu pai se chama Carlile. Minha mãe é Cláudia. Meus pais se casaram quando minha mãe tinha 15 anos e meu pai 18. Eles eram bem novinhos. Quando eles se casaram, meu pai entrou na Aeronáutica e, nesse tempo, ele era soldado, mas queria passar para o Exército, para ter condições melhores e cuidar da família. Ele fez o concurso e passou. Eu sou extremamente grata a ele, por ter ampliado minha visão de mundo, pois eu acho que, se ele não tivesse entrado para o Exército, eu teria nascido e ficado no mesmo lugar, sem ter a visão de mundo que eu tenho hoje. Com certeza, eu não teria as oportunidades que eu tenho hoje em dia.

Minha família é minha verdadeira existência. Eles me moldaram. Meus pais acreditam plenamente em mim. Eles são as pessoas que mais investem na minha vida. Eles fazem todo o esforço para que os meus sonhos se realizem. Meu pai, desde novinho, sempre gostou de praticar esportes. Ele é todo malhado. Morando fora da casa dos meus pais, eu descobri que sou muito parecida com ele. Minha mãe fica: “Meu Deus! Nunca vi pessoas tão parecidas!” Tanto eu como ele não nos abrimos com todo mundo. Nós nos guardamos; somos reservados. Eu fui criada de forma a não sentir saudades. Como tanto meu pai e a minha mãe são do Exército, eles sempre estiveram viajando; então, eu e minha irmã fomos criadas desse jeito, de forma a não sentir saudades. Sentimos falta sem sofrermos com a distância. Aprendemos a viver longe, mantendo a conexão sem o sofrimento. Eu aprendi que o momento passará e eu voltarei a vê-los novamente; então, é manter o foco e seguir em frente. Quando estamos juntos, nós gostamos de fazer tudo junto! Almoçamos juntos, jantamos juntos, saímos juntos… 

Minha mãe é o tipo de pessoa durona. Meu pai é mais carinhoso, mas a minha mãe foi criada de um jeito mais sério, mais bruto. Eu acho que é por isso que eu tenho essa personalidade um pouco mais fechada. Mesmo sendo bem fechada, às vezes, em casa, ela vem toda desconfiada, para fazer um carinho. Essa é uma expressão de amor e de cuidado. Com o nascimento do meu irmão, ela ficou mais solta. Como ela me teve quando era bem nova, sua personalidade já mudou muito da minha época para a época do meu irmão. Ele tem quatro anos, e eu tenho 23. São 19 anos de diferença; então, muita coisa já mudou de lá para cá.

Eu acredito que todos nós temos o dever do ide. Todos nós temos o dever de ir, nem sempre necessariamente para outro país, mas, no seu local, onde você estiver, você tem a missão de levar Cristo. Para outros jovens com o coração voltado para Cristo, eu diria para eles manterem o coração correto, mantendo o foco certo e olhando sempre para a eternidade. Eu acredito que você deve ter sua vida natural mantendo totalmente o foco em Cristo e fazendo o que Ele fez aqui na Terra – demonstrar o Pai. Devemos continuar o que Ele veio fazer aqui na Terra. Não devemos nos apegar no retorno que, porventura, teremos. Eu acredito que, quando estamos no centro da vontade de Deus, tudo flui. Tenha sua vida focada no Reino. No entanto, muitos jovens possuem uma ideia errada; eles querem deixar a faculdade com o foco em cargos ministeriais. No entanto, Cristo não veio com a visão de que você tem que ter um cargo ministerial para fazer a obra dEle. O foco é alcançar vidas, ser real e verdadeiro para poder transmitir a verdade de Cristo. Devemos cumprir aquilo que Deus tem para cada um nós, sem ficarmos encantados com a beleza do status.       

O que mais queima no meu coração são vidas. Esse é o meu foco; é o que mais importa para mim. Eu acredito que esse deve ser o foco de todo cristão. Eu acho que, se você não está com foco em vidas, mas em posições ou cargos, você não está seguindo verdadeiramente a essência de Cristo. Cristo, quando esteve aqui na Terra, possuía um foco total em vidas. Seu objetivo era mostrar completamente quem Deus é. Ele não possuía o objetivo de impor nada; o foco não era transformar as pessoas por meio de religião ou da imposição de um modo de conduta.   

Eu tenho a sensação de que Deus nunca me deixou passar na faculdade em Brasília! (risos) Todas as vezes que eu passei na faculdade, eu passei na Paraíba. Quando eu saí de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, eu tinha acabado o Ensino Médio e fui para Brasília. Então, eu já fui para lá com o foco de entrar na faculdade. Como eu queria fazer arquitetura, achava que Brasília era a cidade certa para isso. No entanto, eu nunca consegui passar no vestibular na Universidade de Brasília (UnB)! (risos) Uma vez, eu consegui nota suficiente para passar nas vagas de arquitetura da UnB, mas eu perdi o dia de fazer a prova específica de desenho. Tentei quatro vezes; em todas elas, eu nunca passei para a UnB, mas sempre passava para a Paraíba. Lá, passei em arquitetura, engenharia de petróleo e, agora, para design.

Em 2017, eu percebi que aquele era o momento de ir para a Paraíba. Eu não tinha ido antes, pois meu irmão tinha acabado de nascer; então, eu tinha duas opções: ou ele não saberia muito a meu respeito ou eu ficaria ajudando a cuidar dele por um tempo. Por isso, fiquei em Brasília até minha mãe sair do Exército. Essa foi uma decisão minha; eu queria participar da criação dele. Hoje em dia, às vezes, ele me obedece mais do que à minha mãe! (risos)

Na minha igreja em Brasília, eu já tinha um envolvimento com algumas coisas: eu estava na equipe que estava sendo treinada pelo meu pastor e era líder da comunicação. Eu já estava muito envolvida na igreja. No entanto, eu estava me sentindo muito confortável onde estava. Eu queria algo novo. Eu acho que, quando não é mais o tempo, você não sente mais aquele fluir. Eu continuo conectada ao meu pastor em Brasília. Eles me apoiam e continuamos tendo contato. Quando foi o meu tempo de sair, eu falei com o meu pastor e ele também teve a confirmação no espírito dele a respeito disso. Eu precisava de algo novo. Tenho certeza que, se eu tivesse insistido em ficar em Brasília, eu não estaria feliz como estou em Campina. Eu amo Brasília; é a minha cidade dos sonhos, mas eu gosto de tudo que eu estou vivendo em Campina.

Quando eu sinto que eu estou no lugar certo, fazendo a coisa certa no momento certo, eu me sinto feliz e me adapto fácil. Se esse local é onde Deus quer que eu esteja, eu verei somente coisas boas lá. E isso aconteceu comigo em Campina Grande. Eu gosto do clima, da comida e das pessoas de lá. Deus tem feito conexões divinas. Quando as pessoas ouvem sobre conexões divinas em Campina, as pessoas tendem a pensar logo em ministério, mas as conexões que Deus tem me trazido são de pessoas simples, mas que abriram os meus olhos. Deus ficou muito mais nítido para mim, através dessas pessoas. A essência dEle e o amor dEle por pessoas ficaram mais claros. Essas conexões aguçaram meu amor por Deus. A Camila que foi para lá era um pouquinho mais religiosa; ela não possuía a visão tão expandida sobre Deus. A Camila que está na Paraíba agora é uma Camila muito mais com a essência de Cristo.

Para mim, a missão também começa na igreja local. Lá, é um passo para se começar a entender o conceito de missões. Na igreja local, você deve se envolver e se doar. Eu acho que o Verbo da Vida amplia a nossa visão a respeito de missões. Quando eu era de outra denominação, eu não entendia muito sobre chamado. Eu não sabia sobre a existência dos dons, por exemplo.

Eu era de uma denominação evangélica, mas muita coisa ainda não era muito clara para mim. Eu sempre me envolvi muito na igreja. No entanto, eu ainda não entendia a respeito de chamado. Quando eu estava morando em Ponta Porã, eu tinha uma amiga que eu conheci na escola, no tempo de ensino médio – o nome dela é Michaela. Nessa época, o Verbo da Vida ainda não existia na cidade; a igreja começou com reuniões na casa da bisavó da Mica. E eu comecei a ir nas reuniões. Isso foi em 2010. A visão era totalmente diferente da igreja que eu frequentava. Eu ficava um pouco dividida; entretanto, nessas reuniões, eu comecei a ter experiências com o Espírito Santo, percebendo, então, que aquilo era verdade. Não tinha como ser mentira, pois eu estava experimentando daquilo! Então, foi ela que me levou para o Verbo da Vida; foi lá que eu comecei a descobrir sobre o meu chamado. No começo, eu não migrei totalmente para o Verbo, pois, na outra igreja, eu, mesmo muito nova (com 14 anos), era líder da Igreja de Crianças. Como essas reuniões não eram no domingo, eu conseguia conciliar os dois. Até que chegou o momento que eu realmente não estava mais me identificando com o que era falado lá; a partir daí, decidi de vez me mudar para o Verbo da Vida. Lá, eu descobri o que era chamado e o que Deus tinha para a minha vida; coisas foram reveladas no decorrer do tempo que eu estive lá. Eu comecei a entender mais sobre missões também.

A Camila designer está se descobrindo agora, pois, antes, meu foco era arquitetura. Agora, fazendo design, eu estou descobrindo que o que eu gostava sempre teve o nome de design, mas era eu que achava que era arquitetura. Eu gosto muito do design, pois ele pode ter um lado espiritual. Deus é o maior designer; então, podemos fazer muitas associações. Você pode colocar no design a sua espiritualidade, pois Deus é o verdadeiro e maior criador de todos. Eu gosto do design, pois eu posso realmente ver Deus por meio do que eu aprendo. Existe algo chamado “proporção áurea”. Isso seria a assinatura de Deus em tudo que vemos. Então, quando você cria algo, usando as regras dessa proporção, você consegue deixá-lo mais belo, pois se parecerá mais com a natureza de Deus. Existem estudos científicos que comprovam a existência dessa assinatura até no nosso DNA. Então, tudo está relacionado com o design inteligente de Deus. O próprio design afirma que existe um criador maior.

 

 

Minhas maiores referências são os meus pais. Eles são quem eu mais me espelho. Meu pai é o tipo de pessoa que consegue tudo que ele precisa. Ele sempre alcança o que quer; então, além do seu caráter, eu o admiro muito por isso. Minha mãe também é muito perseverante; ela é uma pessoa que nunca está cansada. Chega ser impressionante! Se ela estiver em casa, sempre arranjará algo para fazer. Eu nunca a vi cansada. Ela não para. Às vezes, isso até me constrange um pouco! (risos)

Outra referência é o meu pastor do tempo em Brasília. Ele é uma pessoa muito íntegra, muito certa. Ele não gosta nem de aparecer. Ele nunca gosta de ter o foco para ele; eu acho isso muito bonito nele. Ele sempre coloca o foco em Cristo; não possui soberba nenhuma. Ele possui o foco certo de fazer tudo por Deus e para Ele. Outra referência é o Simon Potter, pois ele não perde a essência e o desejo por vidas, independentemente de onde estiver.   

Quando eu comecei o Rhema, tinha 17 anos. Eu tinha esse objetivo de fazer o Rhema nova; não queria esperar para fazer depois da faculdade. Sempre quis fazer antes da faculdade. Meu pastor do Verbo da Vida em Ponta Porã sempre dava o exemplo de um jovem que sempre falava que, na faculdade, há muitos questionamentos; portanto, ele dizia que deveríamos estar prontos para mostrar a razão da nossa fé. Então, eu sempre quis estar preparada para não perder a minha fé no meio acadêmico. O Rhema nos fornece bases espirituais, mas também nos fornece respostas relacionadas ao natural. Então, eu sempre quis fazer o Rhema antes da faculdade, para ter as minhas respostas, para saber defender a minha fé. Por isso, decidi fazer durante a minha adolescência. E, realmente, agora, me sinto muito mais preparada para defender aquilo em que acredito. Eu creio que, se eu não tivesse feito o Rhema, não teria preparação para defender a minha fé. 

Eu acredito que a resposta para qualquer questionamento é o amor. Não devemos julgar nem afastar as pessoas. Eu acredito que, quando você cria a mentalidade de, por ser cristão, você deve se afastar e se excluir das pessoas, é como se você dissesse que elas não são dignas de Cristo. Uma vez que você é representante de Cristo na Terra, é como se você dissesse que essas pessoas são dignas de Cristo. Então, nossa forma de responder deve ser sempre o amor, mostrando que todos são dignos de Jesus. Muitas pessoas acabam não se achando dignas de Jesus; elas costumam falar que têm que mudar várias coisas antes de receberem a Cristo. No entanto, a verdade é que é Cristo nelas que transforma tudo. A mudança não começa de fora para dentro, mas de dentro para fora. Mostrar Cristo é amar pessoas.

 

Sobre sonhos, eu tenho o desejo de ser uma designer renomada; no entanto, eu tenho o desejo maior de seguir os planos de Deus. Então, se for da vontade de Deus que eu abra mão disso para ir para outro lugar ou para fazer outra coisa, eu estou à disposição. Meu maior alvo é cumprir o que Deus quer que eu faça.

Camila é uma pessoa apaixonada por Cristo. Camila é alguém que, quando as pessoas olham, quer que elas enxerguem Jesus. As pessoas dizem que eu sou uma pessoa que ri demais! (risos) Eu levo a vida sempre vendo o lado bom de tudo e sempre procurando extrair o melhor de tudo. Camila é uma pessoa que tenta sempre enxergar o melhor das pessoas. Camila é uma pessoa apaixonada por Deus, pela arte, pela vida, pela verdade, pela liberdade e pelos detalhes.     

               

                      

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns Camila, minha irmã, você é um sucesso. Avança em todos teus empreendimentos. Seja uma bênçao para essa geração, expressando a Glória do Pai que está na sua vida.

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