Meu nome é Carlos Fontenele, tenho 44 anos, nasci em Brasília. Sou filho de José Wilson dos Santos e Janira Andrade. Meu pai é de Parnaíba, no Piauí, e minha mãe é de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Sou formado em Contabilidade, sempre trabalhei com números e, atualmente, sou tesoureiro do Rhema, em Campina Grande (PB).

Meu pai trabalha como porteiro e minha mãe é dona de casa, aprendi muito com eles. Meu pai não era muito de conversar, a cultura dele era do provedor.  Já a minha mãe era mais aberta comigo, inclusive, fui roqueiro muito tempo, meu pai ficava indignado e minha mãe dizia que isso era fase. 

Meu pai tem um coração enorme, gosta de ajudar as pessoas. Mesmo quando não tínhamos condições, ele não negava nada para ninguém. Lembro que quando comecei a fazer faculdade eu e ele acordávamos 5 horas da manhã, ele ia trabalhar com uma carrocinha de cachorro quente e eu sempre ia ajudá-lo, a casa que ele tem hoje ele construiu é fruto desse trabalho, ele também adotou uma criança que vendia rosas. Eu sou como ele, gosto de ouvir e de ajudar as pessoas.

Conheci a Priscilla quando comecei a trabalhar como office boy . Próximo de onde eu trabalhava, tinha uma loja que vendia roupa feminina. A Priscilla começou a trabalhar lá, daí começamos a nos conhecer melhor. Eu tinha saído de um primeiro relacionamento e a Priscilla estava empenhada em me conquistar.  

Eu sempre fui muito na minha, porém, um dia, ela foi à loja, me puxou pelo colarinho e me beijou. Eu não a conheci frequentando a igreja, ela foi se firmando aos poucos e, quando se firmou, botou um ponto final no nosso relacionamento, que já estava firme.

Ela falou que o nosso relacionamento tinha que ser da forma que ela pensava e começou a me dizer o jeito como deveria ser, aquilo foi mexendo comigo! Comecei a questioná-la sobre o Evangelho, por ser católico, já conhecia um pouco. Uma vez, a gente foi numa reunião de oração e fiquei durante uma hora só chorando. Eu tinha entrado no mundo das drogas através de um amigo meu que comprou cocaína, usou na minha frente e usei também. Passei 12 anos consumindo drogas.

E nesse dia, em que fui à reunião de oração e que chorei muito, ouvi uma voz muito nítida que me dizia: “Olhe eu tenho uma vida melhor para você, essa não é a vida que tenho para você”, então eu disse a Priscila que queria mudar de vida e perguntei como fazer. Depois disso, eu fiquei limpo de vez, não tive uma crise de abstinência.

Deus me limpou de tudo. Então, liguei para minha mãe e disse: “Mãe, sabe aquele seu filho? Ele morreu. Ele largou tudo e agora é um novo homem!”, depois disse a Priscila que precisava morar com ela, pois se eu voltasse para casa dos meus pais seria muito difícil, então a gente foi morar junto, na casa da minha sogra.

Nisso, nos casamos, há 17 anos, e tivemos uma filha chamada Nicole. Eu sempre tive como base o casamento dos meus pais. Meu pai era um homem de família, trabalhador, houve discussões, claro, mas tenho eles como exemplo. Tenho muitos traços do meu pai, eu sou um cara de família, se você me perguntar o que eu mais gosto de fazer eu vou dizer que é ficar com a minha família.

Desejamos e planejamos nossa filha. Falávamos que quando Priscilla terminasse a faculdade íamos nos organizar para ter o primeiro filho. Quando Priscilla me contou que estava grávida, ela me deu uma caixinha e quando abri, tinha uma chupeta dentro, eu vi aquilo, sabia o que tinha escrito, mas não acreditava, eu contei para todo mundo que seria pai.  

Com sete meses a gente estava numa consulta, a médica viu algo e resolveu internar a Priscilla às pressas.  Na hora nós pensamos que isso estava errado, Nicole ia nascer no tempo certo. Foi só a bolsa que havia rompido.

O nascimento de Nicole marcou minha vida. Depois que a Priscilla acordou, fiquei dois dias juntinho delas. Eu faço tudo por elas, quantas e quantas vezes deixei de olhar para mim, para olhar só para elas duas. Antes a gente desejava ter um filho, mas não troco minha filha por cinquenta meninos, a Nicole é muito determinada. Eu acredito que, enquanto a família não tiver ajustada, as coisas não acontecem. Como é gratificante você ter a responsabilidade e saber que não está sozinho. 

Eu tenho muitas referências em minha vida, pessoas que fizeram a diferença. Em Brasília, por exemplo, eu tenho o meu pastor Luiz Agostinho, da igreja Odre Novo, como um pai, pastor, conselheiro, sempre esteve presente. Também, Rafael Mendes, um grande amigo que sempre nos aconselhou.

O meu sonho é ajudar. Amo ensinar a Palavra. Quero ajudar pessoas a se encontrar. Para mim isso é a base, paz e alegria. Sigo vivendo assim, e aqui a cinco anos eu me vejo morando na Europa com minha família.  Esse é um desejo do meu coração, tomar conta de uma igreja. Eu amo o pastoreio.

Eu sou uma pessoa que não tem medo de nada, hoje sou muito mais forte diante de qualquer circunstância. Sou bastante observador e paciente. Minha família é a minha base. Gosto muito de estar com a Priscilla e minha filha. Sou muito simples, sempre que posso me divirto jogando bola, assistindo filme e saindo com a família, sou assim, esse é meu perfil.

Sou grato a Deus por tudo. Eu sei que Deus está comigo, sou grato aos meus amigos, a todos aqueles que nos orientaram. Sou muito grato porque entendo que gratidão não é você agradecer apenas em momentos bons, é uma condição independente das circunstâncias. Inclusive estou envolvido em um projeto de um livro chamado “Gratidão”.

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