Nasci em Arcoverde (PE), estou na casa dos 40 anos, sou casada com Jaelson e, há sete anos, moro em Parnamirim (RN). A família de onde venho, não é aquela de modelo convencional. Minha mãe teve oito filhos e meu pai não nos assumiu. Fui criada sem a presença dele.  As minhas primeiras duas irmãs são de um casamento que não deu certo. Eu e meus outros cinco irmãos somos de outro relacionamento, que novamente não deu certo!

Minha mãe nunca casou-se com meu pai e ele nunca assumiu nenhum dos  filhos. Todavia ela foi forte e guerreira, lutou muito para criar todos os filhos sozinha, com muitas limitações, fez o papel de provedora, mas não soube dar carinho e afeto a nenhum de nós. Todo amor e afeto que conheço e venho conhecendo é o de Deus, através desta grande família em Cristo. Desde pequena tive que aprender a ter muitas responsabilidades, aos 7 anos eu já fazia todas as tarefas de casa, exceto, lavar roupas. Nós cuidávamos uns dos outros, pois a minha mãe trabalhava fora de casa. Ela trabalhava em uma fábrica de doces, saia ainda de madrugada. Nós íamos para a escola e nos revesávamos no cuidado uns com os outros.

Assim fomos vivendo. Ela sempre fez o que podia para nos manter alimentados e com o básico. As duas irmãs mais velhas saíram de casa muito cedo. Éramos quatro mulheres e quatro homens, a irmã mais velha já está com o Senhor. Graças a Deus que antes de partir, recebeu Jesus e fez o Rhema.

A minha mãe se chama Socorro, ela sempre foi uma treinadora de ministros e ela nem sabe… (risos). Fomos criados sem moleza. Com ela não tinha essa questão de: “Ah ele é muito novo e frágil para isso…” Ela sempre exigiu muito da gente. Talvez, pelo despreparo e pela trajetória de vida dela mesma. A minha avó morreu muito cedo, aos 43 anos. Então, a minha mãe foi criada pelos irmãos mais velhos e pelos vizinhos também. Ela não recebeu e não nos deu carinho.

Na escola a gente não tinha esse negócio de não passar de ano, tinha que ser aprovado, se não fosse, levava uma surra (risos). Não tinha bônus, só tinha ônus na história. Durante a minha adolescência eu tinha uma certa revolta e cresci meio ofendida, justamente, por sentir falta de afeto, carinho, esse amor que normalmente acontece nas famílias. Mas depois de me converter e do Rhema, estudando a matéria Fruto do Espírito, é que fui aprender a respeito dessas coisas sobre amor e perdão. Aprendi durante essa matéria que eu tinha uma ofensa guardada e nem sabia que tinha, foi ai que consegui perdoá-la. Eu via a maneira que as outras mães lidavam com os filhos e o fato de não ter aquilo, o carinho, afeto, cuidado, proteção, o se importar, isso me gerou sentimentos ruins, como a ofensa. Só fui liberta quando a verdade chegou através da matéria estudada no Rhema.

Em 1999 eu fui convidada para vir ao Acampamento da Igreja Sede, em Campina Grande, no período de Carnaval. Fiquei desejosa em conhecer o lugar do qual me disseram que a gente colocava o pé e o poder descia ( risos), e sempre gostei muito do poder e por causa disso, eu vim. Chegando no evento, o Espírito Santo falou fortemente que eu tinha que vir para cá fazer a escola, o Rhema.

Nessa época o centro de treinamento ainda era Verbo da Vida, passando a ser Rhema no ano 2000. Eu tive menos que 15 dias para voltar e resolver toda a minha vida, não havia mais prazo. Pedi demissão do emprego, me despedi da família e amigos e vim para um lugar que eu nem sabia como seria, nem como me mover. Eu não conhecia sequer a igreja, pois o acampamento aconteceu na Universidade Federal. Não sabia o que eu ia aprender, só sabia que era para vir e por não querer desobedecer a Deus, eu vim. Vim em um ato de obediência.

Foi no Rhema que conheci Jaelson, meu esposo, e  tem algo que considero importante. Nós éramos da comissão de formatura estávamos sempre próximos, mas quando eu cheguei no Rhema que eu fui recebendo a Palavra ministrada, fiquei tão apaixonada por essa Palavra, por Deus, por aquele tempo, que quando os amigos falaram: “E aí, já achou alguém interessante na sala? Fique ligada!” Eu cuidadosamente orei: “Senhor, se esse homem estiver aqui, não me mostre. Porque esses dois anos eu só quero você. Não quero me distrair apaixonada, suspirando até meia-noite (risos) pensando em alguém”. Eu já sabia, porque quando me apaixonava era assim. Eu não queria dividir esse amor tão grande que eu estava pela Palavra. De fato, eu nasci de novo no Rhema. Foi um amor tão grande que eu só queria estar lendo a Bíblia, os livros indicados e prestando atenção ao que estava recebendo e não queria dividir a minha atenção com mais nada.

Deus ouviu a minha oração, pois ele, Jaelson, estava dentro da sala de aula, nos conhecemos, mas nos dois anos de curso não aconteceu nada entre nós. Depois que terminou o Rhema, eu viajei com a Missão Bolívia, em 2001, fiquei fora um período. Em 2002, de volta a Campina Grande, entrei no departamento de Conselheiros e Jaelson já fazia parte e a partir daí começou a surgir um sentimento entre a gente.

Ele me chamou a atenção demais quando entrei no departamento. Era o jeito dele de amar o Senhor que me encantou. Ele chegava todo desarrumado nos cultos de oração, pois trabalhava em uma panificadora e entrava lá bem cedo, saía direto para a igreja e depois ainda voltava lá para fechar, por ser gerente. Suas atividades eram das 5 da manhã às 23 horas. Às vezes, havia até um pozinho de farinha de trigo na roupa, eu sabia que ele era um homem muito trabalhador. Ele fazia tudo o que precisava no estabelecimento onde trabalhava.

O culto de oração era o que ele nunca perdia, chegava, levantava as mãos, adorava intensamente ao Senhor, sempre concentrado, nem se importava se não estava arrumado e bem vestido como os demais. Ele orava em línguas com tanta intensidade! Isso me chamava a atenção. Ele focava no espiritual, sua devoção a Deus me encantou. Eu tinha orado a Deus em favor do meu marido e falei: “Pai eu quero um homem de caráter, que ame ao Senhor acima de tudo e que seja trabalhador”. Deus é tão exagerado que nem precisava que ele fosse tão trabalhador do jeito que ele é. (risos)

Ele é muito dedicado. Mesmo entrando no trabalho às cinco horas da manhã até as onze horas da noite, ele não achava que era demais. E hoje, mesmo não estando naquele trabalho, ele permanece assim, muito ativo. No pastoreio ele mantém o mesmo ritmo de trabalho, dentro da igreja, para o Senhor. E hoje, ele diz que nem trabalha tanto, para ele, o trabalho que realiza hoje para o Senhor, em comparação ao trabalho pesado do passado, é como se não trabalhasse! Ele se mantém trabalhador e muito intenso no que faz.

Uma coisa que me chamou a atenção nele era a segurança que ele tinha em ministrar nos conselheiros o batismo no Espírito Santo. Eu tinha segurança no novo nascimento. Mas ele me impressionava. Toda escala dele era uma ousadia, ele dizia as pessoas: “Levantem as suas mãos para o alto, nem vou tocar em vocês”. E as pessoas eram cheias, todas recebiam. Lembro de uma vez que tinha 17 pessoas para receber o batismo e o pastor Bud estava presente no culto. E ele costumava dizer que não deveríamos passar de 10 minutos para ministrar o batismo ou novo nascimento, por ser no final do culto.

Ali eu lembro que pensei: “Meu Deus, em 10 minutos precisamos orar por esse povo todinho. Como vai ser?”. Quando chegou na sala, Jaelson alinhou as pessoas em uma fila de frente para ele, citou uns dois versículos, pediu que todos levantassem as mãos e que nós, os conselheiros, orássemos em línguas. Ele disse: “Sejam cheios!” e todos foram batizados sem a ajuda da gente. Aquilo me impressionou e vi a ousadia dele no Espírito. E até hoje ele é assim, tem uma facilidade de orar pelo batismo no Espírito.

Começamos a namorar, em outubro de 2002, e dois anos depois casamos. Passados mais dois anos , nosso único filho, Gustavo, nasceu. Gustavo era aquela criança elétrica que eu dizia que valia por dez. Ele requeria tanto atenção que por mais que a gente o treinasse, ele era sempre muito elétrico, até os 6 anos ele corria demais pela igreja!

Hoje, aos 12 anos, ele acabou amadurecendo precocemente. É um menino maduro emocionalmente, espiritualmente, já fala sobre chamado e ministério. Ele gosta de orar com imposição de mãos pelas pessoas, cresceu evidenciando muita fé. Já orou por chuva e choveu. Os brinquedos mais caros que ele tem, recebeu tudo pela fé.

Alguns de seus testemunhos são impressionantes. Certa vez, (ele tinha sete anos) e queria um Xbox e esse era um brinquedo caro para a nossa realidade, especialmente, naquela época, mas ensinamos que tudo o que papai e mamãe não pode lhe dar, Papai do Céu pode! Então, ele orou dizendo: “Papai do Céu muito obrigada por meu Xbox, já te agradeço por ele em Nome de Jesus, amém!”. Eu fui ministrar no aniversário de uma igreja em Brasília, não era uma igreja Verbo da Vida, mas o pastor dela foi meu aluno no Rhema e me convidou. Quando terminou o evento a dona da casa que me hospedou chegou com uma caixa de presente e disse: “Você tem um filho, Gustavo, pois eu pesquisei nas redes sociais e vi”.

Ela disse: “O Senhor mandou que eu desse esse jogo (Xbox) de presente para ele”, e falou que Deus estava satisfazendo o desejo do coração dele, porque ele me liberava para fazer viajar e realizar a obra  de Deus. Eu fiquei tão emocionada, pois era a oração de uma criança sendo atendida. Quando cheguei em casa escondi e esperei ele voltar da escola. Ele ficou muito feliz e achou a coisa mais normal Deus dar a ele aquele presente, pois sabia que Papai do Céu sempre atendia as suas orações. Ele amadureceu muito rápido espiritualmente, é independente, se eu deixar ele vai para o outro lado do mundo.

Eu sou uma mãe que não tem o coração mole demais, eu amo, dou proteção até certo limite, quem faz o papel do coração mole é o pai. Quando ele quer algo que não acho legal, ele vai ao pai. Eu sou a mãe que insiro a Palavra, caráter e limites. Quando precisa de algo que se resolve em oração, ele vem a mim. Quando ele quer algo, e não posso dar, encaminho para Deus, mas às vezes, o pai dá um jeito. (risos)

Estamos vivendo tempos em que as mulheres precisam estar mais posicionadas em fé, sendo mais agressivas contra as circunstâncias. Não podemos nos permitir ser tão passivas e, às vezes, até mesmo nos colocar como vítimas de situações que a Palavra já nos garante sermos mais que vencedoras. Precisamos ser mais guerreiras, pois possuímos um poder de influência que, quando bem canalizados , não tem inferno que resista!

Gosto da companhia de mulheres bem posicionadas e firmes na fé, pois dificuldades, todas enfrentamos, mas vencemos, nos erguemos, nos reconstruirmos e logo estamos prontas para dar conta do que nos foi confiado! Não tenho muita paciência com “mi mi mi”. Mas existem muitas mulheres fortes, fiéis, de fé e que me inspiram.

Eu gosto muito da bravura de Joyce Meyer. Aquela mulher teve tantas oportunidades de fazer as escolhas propostas pelo diabo, como  tirar sua própria vida ou viver eternamente mergulhada nas emoções, em lamentos e depreciações. Teve tudo para ser derrotada, mas escolheu  botar força, vencer e tornar-se um modelo das fiéis. Sua  influência vem alcançando  povos de todas as  nações!

Jan Wright, a nossa mama, sabemos que ela passou por circunstâncias tão difíceis e desafiadoras e ela se manteve firme guerreira e com aquele coração enorme. Seu abraço faz com que nos sintamos filha, ela tem uma firmeza na fé, demonstrou bravura quando precisou superar a dor da perda do Apóstolo Bud Wright, ela é realmente uma inspiração para nós. Essas  mulheres representam todas as demais que me inspiram.

No ministério, a minha primeira referência é Kenneth Hagin, pelas muitas revelações que recebeu e pela simplicidade e praticidade que transmitiu, é muito fácil aprender sobre fé com ele. Em seguida, a influência do Apóstolo Bud,  que por sua obediência eu conheci a Palavra da Fé. Por estar debaixo da sua influência eu consegui abraçar coisas que ele falou tantas vezes. Por exemplo: “Irmão, não tem segredo em você abrir uma igreja. Se Deus te mandou para algum lugar, seja uma pessoa de caráter, viva a Palavra e pregue a Palavra. É só isso e Deus tem tudo para fazer de você um sucesso”.

Eu guardei isso há muitos anos e nem imaginava que, um dia, Deus nos confiaria uma igreja. Ele simplificou tanto que eu pensava: mas é só isso? Caráter, viver e pregar a Palavra? E assim tem sido, quando a igreja nasceu, porque igreja não se abre, nasce.

A gente via a seriedade do pastor, o que ele disse e como ele vivia era a nossa melhor referência. Ele nos marcou pela integridade e firmeza. Para mim, ele nunca foi duro, mas firme. Pegamos essa firmeza, e há 7 anos, estamos em Parnamirim (RN). Começamos só a gente, algumas poucas pessoas se juntaram em um pequeno grupo, e hoje a igreja cresceu e  está firme, graças a Deus.

Outra pessoa que me influenciou foi o pastor João Roberto, com seu pastoreio de treinador, me ensinou muito! Em meu coração existe muita gratidão.

Quero destacar essa gratidão a todas as pessoas na Igreja Sede, em Campina Grande, que me ajudaram tanto nesse tempo de treinamento. Cada departamento, as lideranças que tive no geral. Enfim, ao pastor João e sua equipe da época em que estive aqui. Ao mestre Canrobert, um pai para mim, um homem íntegro que faz sempre o possível para me ajudar com as demandas do Rhema. Ele é sempre muito acessível e disposto também a ajudar no que está em seu alcance.

E ao casal Guto e Suellen Emery que nos deram (a meu marido e a mim, ainda solteira) a  oportunidade ministerial. Guto é muito admirável por sua generosidade e por sempre acreditar nas pessoas, é uma grande referência para nós. Sua humildade simplesmente nos encanta e inspira a querer ser como ele. Quando comecei a ensinar no Rhema, fiquei muito surpresa em saber que foram eles que me indicaram. Eu achava que tinha sido alguém da igreja mesmo, alguém mais próximo a mim, afinal, nessa época, Guto e Suellen estavam morando em Fortaleza (CE). Eu viajei com eles na missão Bolivia 2001, tivemos um bom tempo de comunhão juntos, mas depois não nos vimos mais. Até hoje, não sei como foi que Deus falou com eles, mesmo distantes e com suas muitas ocupações. Coisa de Deus mesmo! 

Ainda na época do Rhema,  foi dito pelo profeta Herênio que duas professoras seriam levantadas naquela turma. Guardei aquela Palavra no coração e comecei a estudar com o propósito firme, e aqui estamos nós, Dione e eu. Lembro que quando estava no Rio já dando as primeiras aulas, mandei um e-mail, para Suellen, contando os detalhes desse novo tempo como professora, achando que estava contando a novidade, toda feliz. Ela me responde: “Fui eu e Guto que te indicamos!”. 

Existiram muitas pessoas que Deus usou para me preparar, mas teve aquelas que acreditaram em mim, quando eu nem imaginava, foram eles!

Eu sou uma pessoa que procuro ser disciplinada, gosto de rotina, não gosto de perder tempo com bobagens. Gosto de fazer coisas que tragam acréscimo a minha vida. Sou muito sincera, direta, as pessoas que convivem comigo já me conhecem.

Eu considero importante a sinceridade dita em amor. Gosto de aproveitar as oportunidades que surgem para instruir pessoas com o que sei, para que se tornem pessoas melhores. Não sou do tipo que dá muitas voltas quando algo precisa ser ajustado, minha maior alegria é ver o crescimento de pessoas.

Gosto de servir pessoas, não importa o nível delas. Hoje não precisa mais, porém se precisar lavo banheiros, sirvo na cantina ou em qualquer lugar, gosto muito do trabalho também de bastidores.

Sou verdadeira, sou da fé, ouvir incredulidade me incomoda.

Falar o que penso, sobre mim mesma, é complicado. Posso dizer que alguns me consideram  uma mulher de fé. De fato, se eu não tivesse aprendido a fé, não estaria nem aqui. Vir para um lugar sem conhecer ninguém, deixar emprego, parentes e vir para o desconhecido, só pela fé.

Campina Grande me ensinou a depender de Deus, até nas coisas mais simples da vida. Mas também, depois que eu desenvolvi esse hábito da fé, tudo ficou mais fácil e melhor. Eu me cobro muito, nas mínimas coisas.

Não gosto de me ouvir pregando, nem em vídeo, acho que me mexo muito enquanto prego. Mas às vezes, escuto os meus áudios para corrigir erros e melhorar a maneira de me expressar.

Gosto de amizades, de estar no meio do povo, gosto de gente. Amo me comunicar.

1 COMENTÁRIO

  1. Que mulher linda por dentro e por fora, uma mulher ungida cheia do favor de Deus, como é maravilhoso ter conosco e aprender com ela a palavra mama Cida Claudino eu amo a sua vida a do pastor Jaelson o que teria sido da minha vida se vcs não tivesse sido guiado por Deus pra vir a Parnamirim e trazer essa palavra .
    Amo amo amo demais essa palavra

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