Me chamo Cristiane Anjos, mas conhecida como Cris. Tenho quatro irmãos e sou a mais velha. Sou de Aracaju, Sergipe. Eu nasci quando minha mãe tinha 15 anos. Meus pais se divorciaram quando eu era adolescente. Durante o processo de separação, minha mãe conheceu Jesus e começou a congregar em uma Igreja Batista. O Senhor transformou a vida dela. No primeiro dia em que minha mãe me levou para a igreja, eu tinha cerca de 8 anos de idade e, quando eu cheguei lá, tive uma visão aberta. Foi a minha primeira experiência espiritual. 

O que me atraiu para o Evangelho também foi a transformação na vida da minha mãe. Foi algo muito radical. Uma mulher tão brava, se tornou alguém tão doce. Vendo ela andando na Palavra e amando a Deus, eu e meus irmãos começamos a servir a Jesus. Eu me entreguei ao Senhor aos 10 anos. O restante da minha juventude foi toda com o Senhor.

Na adolescência, eu tive um período de não me identificar na vida cristã. Foi no mesmo período da separação dos meus pais, mas, glória a Deus pela sabedoria da minha mãe que nos criou, os cinco irmãos, sendo pai e mãe. Ela é uma referência para mim. Uma mulher de Deus, de fé, que ensinou o amor e perdão na prática. O nome dela é Conceição e frequenta a Verbo da Vida em Aracaju (SE).

Nossa chegada ao Verbo da Vida foi sobrenatural. A igreja na qual estávamos passava por um momento de mudanças e o Senhor me deu um sonho nessa época. Sonhei que eu estava em uma igreja, que ficava em uma determinada avenida, e vi toda a parte da frente da igreja, o púlpito e até as cortinas. No sonho, o Senhor me dizia: “Você vai estar aí nesse ministério, participando dessa igreja e irá ministrar louvor com eles”. Então, eu despertei.

Falei com minha mãe, que nesse tempo era da liderança da igreja na qual estávamos. Eu contei o sonho para ela e disse que ele não saia da minha mente. Então ela disse: “Filha, eu sei que é do Senhor e nós vamos para lá. Vou abrir mão dos meus cargos e vamos seguir a direção”. Eu tinha cerca de 18 anos. Minha mãe conhecia muitos ministros e pastores de outras denominações. Um deles pediu ao pastor Darren, do Verbo em Aracaju, para fazer um culto lá. Esse pastor convidou minha mãe e ela me levou, pois sabia que era aquela igreja a que apareceu no meu sonho. Quando eu cheguei, disse: “É aqui!”.

Assim, fomos para o Verbo. Quando chegamos ao primeiro culto realizado pela igreja, foi lindo. A palavra… Eu lembro até hoje a música que estava tocando. O pastor Darren veio pessoalmente nos saudar e nos acolheu de uma maneira que nos marcou. 

Desde a infância, eu era muito movida pela música. Minha mãe conta que eu não podia ouvir uma música que eu queria cantar e dançar. Quando fui crescendo, a timidez e os processos familiares que eu carregava na bagagem, me faziam ter muita vergonha de mostrar que eu sabia cantar. Me escondia dos meus pais quando cantava. Eu já amava e era muito atraída pela música, pois faz parte do chamado de Deus para a minha vida.

Me lembro que, com cerca de 10 anos, fui participar de um coral infantil da igreja. A tia da salinha me ouviu cantar e pediu pra eu cantar alto. Então, eu falei que tinha muita vergonha. Ela disse que ia falar com meus pais e, apesar de pedir pra ela não contar para eles, ela disse que ia falar. Aquela professora me explicou que era algo que fazia parte do meu chamado em Deus. Assim, ela disse que iria me ajudar e me incentivar a estudar e praticar no coral de crianças. Cresci de mãos dadas com a música. Nos momentos mais difíceis, o Senhor sempre me ministrou com a música. Eu e a música temos algo muito forte.

Também componho e não consigo explicar tecnicamente como essas músicas acontecem. Não tenho as técnicas naturais. Eu vejo que é algo sobrenatural. Geralmente, as músicas que o Senhor traz ao meu coração vêm de experiências pelas quais eu estou passando. Também surgem quando alguém conversa comigo e se abre pra mim. Deus me dá uma inspiração como ministração para a vida daquela pessoa. Assim, fluem músicas sobrenaturais. O Senhor me dá a música junto com a letra, tudo completo. É algo que não se explica naturalmente. As mais marcantes vieram de grandes momentos. Vieram do fogo, do matar o leão, o gigante, enfim.

O Senhor havia dito que eu serviria na música, mas passei um tempo apenas assistindo os cultos e eu fiquei agoniada, porque sempre fui de trabalhar bastante na igreja. Mas, sabia que era um tempo de Deus para mim, no qual Ele estava me ensinando coisas. Chegou um dia em que fomos para um evento de música aberto, interdenominacional, na cidade. Era em uma praça com muita gente e uma cantora deu oportunidade para mim e uma amiga minha, Aline – que hoje também é do Verbo da Vida – cantarmos uma música. Nesse evento, os pastores da nossa igreja estavam e, naquele momento, me chamaram para fazer parte do grupo de música. Sei que não foi por causa do que eu cantei, mas o Senhor falou com eles.

Eu entrei na equipe e era muito tímida. Não olhava nos olhos das pessoas quando ia cantar e nem falava com elas direito. Foi um tempo no qual o Senhor trabalhou muito comigo nessa área. Muitas pessoas me incentivaram a seguir no meu chamado, fomentaram o que Deus tinha para mim nessa área e eu só tenho boas lembranças desse tempo. Foi de muito crescimento. 

Fui ministrar o período de música em um acampamento de adolescentes, no qual Léo estava participando e foi aí onde nos conhecemos. Através de uma amizade, começamos a nossa história. Me lembro que ele era perguntador, era chato (risos). Eu ficava sentada e lá vinha ele puxar assunto, só pra conversar mesmo e eu pensava: “Lá vem aquele menino de novo!”. Tínhamos uma amizade sem pretensões. No Rhema, eu fazia o segundo ano e ele o primeiro e, nos intervalos, a gente conversava sempre. Fomos muito amigos e com tantas coisas em comum, nós vimos que não poderíamos ser somente amigos. Casamos no dia em que completamos quatro anos de namoro. Estamos juntos há 16 anos. Quatro de namoro e 12 anos de casados. 

Eu vejo em Léo um homem que não mede esforços para amar as pessoas e trabalhar ministerialmente. Eu vejo nele aquele homem que, mesmo cansado, levanta cedo, pega o trem, metrô, para ir a outra cidade, trabalhar e ser o provedor da casa. Vejo nele uma pessoa que daria sua vida para abençoar a qualquer outra. Ele é alguém que ama ao Senhor, que ama a família e que se desdobra pra ser um pai presente. Um homem de Deus. 

Desde a infância, eu tinha a consciência de um chamado missionário, mas Léo ainda não tinha isso e eu não contava pra ele. A gente tinha começado nosso namoro há pouco tempo, quando Léo descobriu o seu chamado como missionário. Foi em um evento com Simon Potter em nossa igreja. O Senhor falou muito com ele. Foi só depois desse dia que conversamos sobre um chamado transcultural.

A Argentina foi gerada no nosso coração. Passamos mais um tempo em Aracaju, nos formamos na universidade e fomos percebendo o tempo de ir. Nossa liderança também percebeu que era o momento e então fomos para a nação que o Senhor nos chamou. 

Temos uma filha, Ana Larissa, que é argentina de nascimento. Tem muito desafio em ser uma mãe estrangeira, com cultura diferente, sem a família perto para dar um apoio. Mas, o Senhor nos surpreendeu. Ainda que com os grandes desafios da maternidade missionária, o Senhor sempre nos deu suporte. Tem aquele ditado que diz: “Nasce um filho, nasce uma mãe. Nasce um filho, nasce um pai”. Ela nasceu e o Senhor foi nos conduzindo, nos ajudando.

Não é fácil ver o crescimento dela longe dos primos, das festinhas e feriados em família. Às vezes, ela pergunta porque os avós não podem estar na festa da sua escola, no dia dos avós, por exemplo. Ter que responder essas coisas, sem que traga um peso para ela por ser filha de missionários, é um desafio. Mas, o Espírito Santo vem e nos conduz. Estava falando para ela esses dias como é legal que ela tem férias fora do tempo, têm muitos amigos, conhece muita gente de vários lugares, tudo por estar na Argentina. Sempre dizemos isso e destacamos aquilo que é possível por ela ser filha de missionários. Ela precisa se reconhecer como parte da missão e nascida na nação. Mas, tem sido gratificante ver que o Senhor nunca nos deixou sozinhos nesses desafios em família ou na missão.

Nossa filha não tem dificuldade de entender nosso serviço intenso na igreja, mas sempre quer estar na igreja também. Ela diz: “Quando eu crescer, eu já sei o que vou fazer no ministério”. Ela fala que não vai ser o que quisermos, mas o que Deus a guiar. Ela também diz: “Vou ser uma pessoa que vai cuidar das crianças e vou limpar a igreja, porque Deus merece a igreja linda”. Ela tem 6 anos, mas parece ter mais, principalmente quando se expressa sobre as ações que se referem ao Senhor. Ela tem muito temor e eu sempre oro para que conserve seu coração assim. Quem chega perto dela, de alguma forma, o Senhor ministra através da sua vida. 

Cris é uma mulher que, apesar de ter vivido muitas experiências com Deus e com pessoas e ter passado por um crescimento pessoal, é ainda muito menina. Sou muito simples e amo estar no meio de pessoas simples. Amo abraçar as pessoas. Sou doce e sensível, mas também sou firme em minhas convicções.

Sou o tipo de pessoa que não negocia os seus valores. Não negocio o que me foi ensinado da parte de Deus e em meu caráter, nem o que me foi ensinado pelo meus pais. Prezo muito, acima de tudo, a sinceridade, a clareza e a verdade. Prefiro que a verdade doa, do que algo escondido. Sou muito espontânea, apesar da timidez que estou tratando e estou evoluindo nisso. Às vezes, as pessoas confundem essa Cris, achando que eu sou bobinha. Mas. sou muito perceptiva, sou muito observadora e tenho sensibilidade. Amo os dons, amo o meu chamado, amo o fogo e também amo a calmaria.

 

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