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Tenho 38 anos, sou de Recife, Pernambuco. Tenho uma família abençoada.

Perdi meu pai em 1999. Ele era industrial e, no final da sua vida, enfrentou várias situações de crise na empresa, mas sempre foi batalhador. Ele me pressionava muito por causa do evangelho, dizia que preferia que eu estivesse em um prostíbulo do que estar dentro de uma igreja. Ele dizia que, se eu fosse para a igreja, lá eu seria obreiro, ele pagava pesado mesmo. Como pai era um homem firme, introspectivo. A firmeza dele foi a marca que me deixou.

A minha mãe é uma batalhadora. Está com 73 anos. Me lembro da infância… Ela tinha uma amiga que disse: “por que você não começa a vender coisas?” Foi um tempo que meu pai estava com algumas dificuldades financeiras na empresa e ela começou vendendo joias, roupas, arranjos. Lembro ainda pequeno de ir com ela segurando as sacolas, acompanhando ela nas vendas e ali ela conseguiu, com muita luta, junto com meu pai, construir a casa. Quando meu pai faleceu, ela se tornou pai e mãe. Tempo depois, ela teve nódulo na mama e os médicos disseram que teria que tirar o seio, ela era envolvida no espiritismo na época; a cura dela foi fundamental na minha conversão.

Alguém disse a ela: “Vai para a igreja que tem um pastor colocando a mão na cabeça do povo e eles estão sendo curados”. Ela foi para a igreja, ainda envolvida totalmente no espiritismo, mas aberta à instrução do Senhor. Ali começou a libertação dela. Depois de um tempo, ela voltou ao médico e ele disse: “Não sei o que aconteceu, mas você não precisa fazer cirurgia nenhuma”. Ela foi curada completamente.

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Naquele dia, eu me posicionei. Na verdade, desde os meus 12 anos eu sabia que tinha algo com Deus. Lembro também eu bem pequeninho a minha mãe dizia: “Esse menino vai ser padre ou pastor” (risos). Olha que coisa! Ainda bem que eu tinha uma opção e fiz a escolha certa.

Hoje, a minha mãe é a minha ovelha, senta na cadeira atrás de mim nos cultos. Eu acho lindo. Quando vim dar aula no Rhema em Capina Grande-PB eu vi a mesma cena com o pastor João Roberto, a sua mãe sentada atrás dele e pensei: “meu Deus que coisa linda!”. Dona Sônia tem a cadeirinha dela reservada até hoje.

Tenho três irmãos. Por parte do meu pai, um irmão e uma irmã e, por parte da minha mãe, uma irmã caçula. Os irmãos por parte de pai são bem mais velhos, porque foram do primeiro casamento dele. Não tínhamos convivência. Essa convivência só aconteceu após a morte dele. No dia da morte do meu pai, especificamente no sepultamento, eu que faço muitos sepultamentos, pensei: “não posso deixar de fazer o do meu pai, pelo amor de Deus”. E fiz. Quando dei a palavra o impacto foi grande, coisas foram quebradas ali e até amigos meus pastores, perceberam isso. Depois de um tempo, fiquei sabendo que meu irmão, quando saiu do velório, foi para o almoço e começou a chorar. Hoje, meu irmão é convertido. Viajo muito e eles me acompanham pela internet. Se passo muito tempo sem falar, eles ficam chateados. Atualmente, temos um bom relacionamento graças a Deus!

Minha irmã mais nova Carlinha é meu xodó. Como irmãos no tempo de crescimento, tínhamos muitos conflitos o que é normal. A diferença de idade é relativamente pequena. Ela também é convertida. É líder do Departamento Social de um grupo é bem envolvida nas suas atividades.

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Conheci a minha esposa Catia tivemos três anos de amizade. Éramos bem amigos, mas não havia envolvimento físico. Pessoas diziam: “ah que amizade era essa? Dava uns beijinhos?” Não. Nada. Éramos amigos mesmo e eu tinha outras amizades também com outras meninas. Mas era todo um processo de preparação, tanto da minha parte quanto da parte dela. Eu gosto de dizer que quando a posse é antecipada, a herança no fim não é abençoada. Quantos casamentos, namoros que até seriam grandes bençãos não se transformaram em um casamento bem sucedido por conta da precipitação. Leia Provérbios 19.2 “Peca quem é precipitado”.

Só comecei o namoro com ela quando tinha tranquilidade, paz no coração. Começamos a namorar, passamos três anos entre namoro e noivado. Casamos e vamos completar 13 anos de casados. Então se somar três anos de amizade, mais três de namoro e noivado e mais 13 de casamento; o resultado são quase 20 anos de convivência. Quando a conheci, ela já era concursada do Exército, funcionária civil.

Durante essa construção de namoro, noivado e casamento a gente conversava muito. Catia é uma guerreira, batalhadora. Na época de namoro já eramos envolvidos na obra. E eu ainda fazia faculdade. Liderávamos os jovens, a música, estávamos em todas as programações. Me lembro que, às vezes, estava chovendo e nós dois pegávamos ônibus e íamos fazer compras para os eventos da igreja.

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Quando fui namorar com ela fiz uma pergunta: “quero saber se você estará feliz seja no deserto ou no castelo?” Se você estiver ao meu lado feliz em qualquer um desses lugares, iniciamos o namoro. E ela disse sim! Isso já foi quase um pedido de casamento. Passamos por muitos desertos e eu sempre vi Catia feliz. Ao meu lado, sorrindo e me dando esse apoio que é tão importante para um relacionamento como o casamento.

Catia é uma coluna imprescindível e importantíssima na minha vida. Com a vida corrida que eu tenho, posso exercer as minhas atividades tranquilamente. O pastoreio com ela ao lado se torna fácil. Inclusive as minhas atividades profissionais também. Não preciso me preocupar se ela está estável, eu não tenho uma mulher rixosa, graças a Deus, mas ela é uma mulher firme e expressa seus pensamentos. Ela sabe abrir mão quando há necessidade, acho que o contexto de vida dela a ajudou. O pai dela militar, ela estudou muitos anos no colégio da polícia e tem mais de 20 anos no Exército. Ela trabalha no setor pessoal.

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Primeiramente, quero destacar que eu não queria ter filhos… por que? Porque, no meu pensamento, eu tinha uma vida muito ativa, corrida, mas conversávamos sobre a questão de ter filhos. Ela tinha certa vontade de ter, mas estava aberta a não ter. Eu estava mais resistente, por conta das atividades. Em 2007 eu tive uma liberação em meu coração. E disse a ela: “vou ser pai!”

Engraçado que já tinha acontecido algumas vezes, de eu olhar para uma irmã, sem perceber indício algum (inclusive teve um caso de uma mulher estéril), e dizer a ela: “você está grávida”. E a irmã responder: “pastor, não tem condições”, no fim, ela estava grávida mesmo. Isso aconteceu algumas vezes. E não foi diferente com Catia . Olhei para ela e percebi que ela estava grávida.

Foi uma revolução. O primeiro filho, Gustavo, significa ‘cetro de justiça’. Nasceu pequenininho, no tempo certo de gestação, porém, em sofrimento. Porque Catia teve perda de líquido, mas logo foi feito o procedimento de cesariana e graças a Deus deu tudo certo.

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Gustavo, 10 anos, é um rapaz desenrolado, mas tem uma personalidade introspectiva, parece com Catia , gosta de futebol e é meu parceiro. Eu tenho puxado mais dele e ensinado as coisas, porque o mundo está ai para querer ensinar erradamente algumas coisas. Sentamos juntos e conversamos sobre vários assuntos. Ele é muito dinâmico, feliz e gosta de fazer mágica. Às vezes as pessoas chegam lá em casa e ele vai chegando de mansinho com o jeito dele, mas já vem com as cartas nas mãos para fazer as apresentações dele (gosta de brincar de mágica). É muito divertido. Mas acho que ele será da linha militar. Ele é baterista, ama tocar e eu fiz bateria por um tempo.

Isabela é a caçula, está com cinco anos. Ela é comunicativa, grava vídeos e está começando a fazer sucesso na internet. Eu gravo muita coisa dela e saio postando. Ela parece comigo, espontânea, brincalhona, sensível, ela é da comunicação. Gosta de cantar, ama a música. Isabela diz que é guitarrista, pronto, acho que tenho quase uma banda dentro de casa (risos).

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Antes da minha conversão, eu tinha muitas dúvidas sobre qual área atuar profissionalmente, até achei que seria músico. Eu já tinha convicção do meu chamado, mas a questão da profissão deveria pensar bem, inclusive pela questão do chamado. Sempre gostei e gosto de evangelizar e dizia: “Senhor, me ajuda, me mostra”. Não queria pescar de vara, mas de rede grande. Então, comecei a ver a área da comunicação e sabia que precisava de outra formação. Então, meu primeiro curso foi história, que me ajudou muito; ampliou meu universo, minha visão de mundo, entrei na faculdade crente, eram muitos confrontos, mas eu entrei crente e sai da universidade mais crente ainda. Foi uma experiencia maravilhosa.

Em 2000, comecei a dar aula, de geografia e ética – isso para prefeituras e cursos do governo federal além de escola particulares. Antes, trabalhei em uma multi nacional, mas, após sair, enveredei no universo da sala de aula. Meu tempo como professor me ajudou muito, porque haviam salas com turmas muito difíceis, era desafiador. Comecei a criar meus métodos para que eles aprendessem, criei a minha própria didática, essa construção me serviu para a vida até hoje. Minha primeira turma foi de quinta série. Haviam professoras que saiam dessa turma chorando, porque a turma era pesada. Em determinado período, a turma chegou a ser totalmente suspensa. Eu consegui chegar em um ponto de dar as minhas melhores aulas daquele tempo para aquela turma. Hoje em dia, quando vejo alguém dizer: “essa turma é difícil” eu penso: “você não sabe o que é uma turma difícil…”, isso era nos anos 2000. Imagina hoje…

Tive a experiência de rádio e TV e, depois, veio uma pós-graduação. Ainda tentei fazer direito. Cheguei a pagar alguns períodos, mas, dando aula no Rhema, já apascentando, trabalhando no Senac no curso de rádio e TV, escrevia livros e ainda tive tempo para ‘fazer’ os meninos (risos) e com a mulher feliz… tudo é questão de administração de tempo.

Não quero parar. Já estava observando agora uma especialização na área de Gestão de Negócios. Fiz uma na área de Gestão de Pessoas, é um ambiente de mudança constante. Por conta de todas as experiências em rádio e TV, eu ingressei no ministério do trabalho e consegui o registro de jornalista pelas atividades na área. Eu já trabalhava com jornalismos em diversas áreas.

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Cristiano escritor… Eu comecei a perceber algumas necessidades em áreas específicas. Por exemplo, como professor, eu tinha muito material preparado para diversas aulas e me esmeava nessa preparação, passava para os alunos, mas, ficava faltando algo para deixar uma marca maior para eles. Era algo que marcasse mais, então nasceu o meu primeiro livro: “Grandes Gestores Excelentes Comunicadores”. Foi meu primeiro filho literário, porém, eu já tinha uma construção do segundo e ficava na dúvida, qual lanço primeiro? Decidi por aquele, porque já estava imerso na prática há muito tempo, não apenas fora da igreja, mas dentro também.

Esse livro tem sido um divisor de águas, ele não tem uma bandeira evangélica, muito embora os princípios que estão nele são os básicos cristãos, mas tem muitas experiências no campo do trabalho, pessoal, ministerial e no campo acadêmico. Tenho feito palestras em várias cidades para muitas pessoas. Fiz uma para mais de 1200 pessoas durante o dia inteiro para os profissionais de educação de Olinda-PE. E foi ali que comecei, na prefeitura. Dezessete anos depois, fui convidado para voltar lá, para dar a palestra. E fui convidado pela gestão municipal. Juntei gestão de pessoas e comunicação e trouxe isso para o ambiente de trabalho. Estou desenvolvendo essas palestras para igrejas, mas fora também. Então, nisto entra o escritor e palestrante ao mesmo tempo.

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Atualmente eu apascento uma igreja, em plena reforma, com expansão, escolas, Rhema, palestra, minha vida é bem intensa. Meu processo de escrita é pró-propósito. Por exemplo, o livro “grandes gestores”, é para alcançar esse público. Nesse momento, entra as aulas do Rhema fora da cidade como algo bom, porque nesses aproveito para escrever, é difícil eu escrever muito em Recife. Por causa das muitas atividades. O primeiro livro, escrevi a maior parte em Angola e Campina Grande-PB. O meu segundo livro: “Vou ministrar a Palavra e agora?”, meu segundo filho literário, escrevi no Rio de Janeiro e em Campina Grande novamente. Normalmente, preparo o material para palestras e aulas e esse mesmo coloco no livro.

Quando vou escrever, começo a olhar meu mundo, as coisas ao meu redor, a temática vem e, quando percebo os principais temas a serem abordados, reúno isso e anoto as ideias. Em cima disso, vou desenvolvendo o assunto. O tema do livro nasce na base, depois, vou pensando o que vou escrever e no título. Meu próximo livro é sobre amargura. Só lanço um livro quando percebo que ele está maduro completo para aquele tempo.

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Eu sou um grande entusiasta da vida, por tudo aquilo que eu faço. Sou de me lançar e dou graças a Deus por ser assim. Desde adolescente, quando me converti sou assim, me lanço nos projetos, dou o meu melhor. Me dedico. Sou assim no trabalho, em casa, em todo lugar: no púlpito, na sala de aula, em uma palestra, no gabinete pastoral, em um estúdio de TV, em uma avaliação de professores para ingressar em uma instituição, em tudo sou o mesmo entusiasta. Como pai, também sou assim. No período desta entrevista, estou viajando, mas assisti a minha filha pelo Facetime, gosto de estar presente nas vivências deles. Me divirto com eles, me realizo no que faço e não dá pra ser diferente.

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Quero ser lembrado como um bom cristão e todo esse entusiasmo que faço as coisas é para deixar essa marca: um bom cristão. Seja onde eu estiver, quero deixar a marca de Cristo nas pessoas. Tive alunos que vieram até mim agradecer pelas marcas que deixei na vida deles, e não foi apenas algo de professor, algo a mais ficou. Tem um fato que nunca vou esquecer. Eu estava dando aula em um curso técnico e um aluno que não era crente, com quem eu estava tratando um assunto técnico, ele parou, levantou as mãos, disse: “eu preciso e quero o que você tem professor”. Eu sei que a unção de Deus está comigo. Conheço muitos crentes que acham que alcançarão seu propósito apenas ministrando dentro da igreja, no púlpito. Posso dizer, diante de Deus, que lá fora eu consigo alcançar o propósito do meu ministério. Quero deixar essa marca para meus filhos, minhas ovelhas, alunos e, se eu conseguir isso, estou feliz.

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O significado de Cristiano é ‘discípulo de Jesus, seguidor de Cristo’. Se pensar nessa construção, do significado de Cristiano, certamente o resumo de toda a minha vida é deixar essa marca. Antes de entrar na faculdade, ainda nos cursinhos, eu fazia estudos bíblicos e, em 1997, Deus falou comigo através de duas pessoas no mesmo dia. Ele disse: “Você já é um pastor. Você vai pelo Brasil, ensinar a Palavra”. Isto era a mesma palavra da minha mãe, dizendo que eu seria pastor. Olho essa construção e posso dizer que cada uma dessas coisas têm se cumprido; tudo com o propósito de deixar as marcas de Cristo por onde eu for. Não tenho distância de aluno, porque a distância também distancia a construção e o conhecimento. Se você vai construir algo naturalmente, você não pode estar ausente da obra. Da mesma forma é com uma ovelha ou com o aluno, filho, o casamento, a esposa. Tem pessoas que dizem que é difícil fazer homenagem para mim, porque estou tão presente que, às vezes, até viajando, eles têm dificuldade, porque eu sou feliz e realizado em ser assim. Espontaneidade me define, isso é a minha marca.

6 COMENTÁRIOS

  1. Como foi bom o tempo que fui pastoreada p o senhor, vejo Deus acrescentando vinho novo em sua vida e sei q coisas novas estão por vir, tempo novo.Obrigada, por cuidar tão bem da igreja do Senhor, amo sua família! Homem de Deus, aleluia!

  2. Que linda história. Cheia de entrega e dedicação, parabéns Pastor Cristiano,que o Senhor continue a obra na sua vida e a lhe usar, nas mais variadas formas, para sua honra e glória.
    Um abraço fraterno.

  3. Pastor Cristiano é una honra ser pastoreada pelo senhor! Sua vida é um belo exemplo de Cristão! Aonde ando, dou testemunho de nossa querida igreja Verbo da Vida e do homem íntegro que você é. Sua vida e família são exemplos. Estar debaixo da visão que Deus lhe deu, é bênçãos para a nossa vida. Obrigada pelo carinho e cuidado c nossa família.

  4. Há muitas pessoas, que com certeza pode e vão dar o aval de tudo que esse grande homem de Deus falou, mas eu como ovelha já me sinto inserida nesse contexto de pessoas que podem dizer: ESSE É VERDADEIRAMENTE UM HOMEM DE DEUS, UM PASTOR VOCACIONADO, UM AMIGO EM TODOS OS MOMENTOS! Sim, amigo presente em todas as horas, e chama-se amigo aquele que quando sabe que o outro precisa de ser ajustado, chega perto pra fazer isso… E esse meu amado Pr. Cristiano Arcoverde sabe fazer isso com muita sabedoria, amor e eficácia! Homem íntegro que por nada negocia valores e princípios cristãos! Sou honrosamente pastoreada por esse varão valoroso! Parabéns grande pastor, escritor, professor tudo feito com puro amor de Deus!

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