Eu sou de São Paulo. Nasci em um lar evangélico; minha família toda é cristã. Portanto, já crescemos no caminho do Senhor. Brincávamos, na maior parte das vezes, de igrejinha entre os primos; já nos víamos como nossos pais. Minha família é de pastores e músicos; por isso, nossas brincadeiras já eram de igrejinha, em que um era o pastor, o outro era evangelista, a outra era a esposa do pastor… era muito interessante! (risos) Nossa igreja (Evangélica das Nações) foi fundada por um dos meus tios; crescemos envolvidos nos departamentos. O meu tio saiu da Batista e, logo em seguida, conheceu os ensinamentos do irmão Hagin; portanto, já estávamos influenciados nessa Palavra que vivemos hoje. Minha juventude toda foi dentro da igreja; depois, eu passei um tempo afastada. Hoje, nós já somos mais maduros; porém, antigamente, se nós faltássemos na escola dominical, minha mãe já falava: “Vai desviar!” Era tudo muito obrigatório. Isso nos pressionava um pouco.

Eu acabei me distanciando da igreja por bobeira de jovem; eu queria conhecer o outro lado. Eu falava para minha mãe: “Como eu vou saber se é certo ou errado se eu não conheço os dois lados!?” E eu acabei me afastando. Porém, Deus é misericordioso, e o temor dEle não sai quando saímos da igreja. Isso me segurou! Eu não fazia muitas coisas, porque eu ficava com medo. Eu falava: “Se a minha mãe me ver aqui… O que estou fazendo aqui?” Eu voltava para a casa rapidinho! (risos) Nesse período, eu conheci o Alex; nós começamos a namorar, e estamos casados há 22 anos. Uma vida! Aprendemos muito juntos.

Quando eu tinha 16 anos, meu pai faleceu; ele teve uma pneumonia muito forte e foi tratado da doença, mas teve que tomar penicilina e era alérgico. Ele foi tratado em casa pelo médico, pois não queria ir ao hospital. Nunca tinha ido ao hospital. Minha mãe não imaginava que ele era alérgico, e o farmacêutico também não fez o teste.

Como meu pai não era muito firme na igreja, na época, nós, sem muito entendimento, acreditávamos que Deus havia recolhido ele. Minha mãe sempre foi uma evangelista nata dentro da igreja. Ela trabalhava no diaconato e sempre tinha um caderninho em que anotava os nomes das pessoas que haviam faltado aos cultos. No dia seguinte ou no domingo seguinte, ela procurava as pessoas que haviam faltado, para saber as razões pelas quais não foram à igreja. Eu amo multo o diaconato! Eu aprendi, dentro de casa, que o diaconato é o cartão de vistas da igreja; se você está na recepção e não recebe o novo convertido com toda a atenção, ele não vai ficar na igreja! Essa recepção faz toda a diferença!

O Alex representa tudo. Nós, juntos, mudamos nossas vidas da água para o vinho. Ele tinha problemas com drogas e era roqueiro; eu era extremamente tímida, tanto que eu tinha que estar entre amigos para me soltar um pouco. Éramos água e óleo; não somos parecidos em nada! Ele fala com todo mundo, extremamente extrovertido e desenrolado; eu era extremamente tímida. Quando eu o conheci, ele tinha muitos problemas com drogas. Foi quando eu decidi voltar para a igreja. Eu não fiquei muito tempo afastada, menos de um ano. Nós já estávamos juntos nessa época. Voltei para a igreja, mas ele não ia de jeito nenhum. Nos domingos, eu saía, e ele ficava na minha casa. Um dia, ele se arrumou e trocou de roupa; eu perguntei: “Você vai embora ou vai para outro lugar?” Ele disse: “Vou com você nessa igreja aí. Vou ver o que tanto você vê nela”.

Quando chegamos, minha mãe o colocou na segunda fileira, lá na frente. Ele encontrou o que estava procurando: Jesus Cristo! Desde aquele dia, nunca mais saiu da igreja. Isso foi uma mudança para nós dois. Nos posicionamos e casamos; hoje, temos três filhos – Karen (22 anos), Davi (19 anos) e Manuela (16 anos). Aprendemos a ser pais e a conquistar nossas coisas na caminhada com o Senhor. Ele me ensinou a me soltar mais Eu falava: “Eu faço o que for para o Senhor na igreja; trabalho em todos os departamentos, mas jamais vou subir no púlpito!” E ele falava: “Você está muito enganada! Você vai ter que aprender!” Era engraçado, porque, quando íamos ao hospital, para levar as crianças ao pediatra, ele sumia e saía para evangelizar. Sempre foi um evangelista nato! Vendo ele falando, eu fui me soltando. Hoje, quem me vê não me reconhece. Meus próprios tios falam que, depois que eu fiz o Rhema, eu sou outra pessoa, pois eu sempre fui a prima mais quietinha.

Eu achava que jamais sairia de São Paulo, pois foi lá que eu cresci e é onde está toda a minha família. No entanto, depois que eu me casei com o Alex, eu percebi que algo iria mudar. Eu sempre falo que eu tive que aprender e entender o chamado dele – o que era ser um evangelista e o que era ser um missionário – para poder aceitar esse chamado. Eu nunca gostei muito de viajar ou de ficar muito tempo longe da minha família. Eu era filha caçula; então, dependia muito da minha mãe e era muito apegada aos meus primos. No entanto, minha família já era uma família de missionários.

Depois que eu comecei a entender e a aceitar o chamado dele, eu sabia que eu tinha que mudar em alguma coisa. Desde o inicio, então, eu comecei a me desprender da minha cidade e da família. Isso foi uma fase bem difícil para mim, pois eu casei e os filhos vieram logo em seguida. Eu e o Alex tivemos que aprender a sermos família juntos e a educarmos os nossos filhos, enquanto ele estava naquela empolgação do evangelismo. Quando ele fazia aniversário, preparávamos toda uma festa, e ele saía para fazer visita no dia do aniversario dele. Fomos aprendendo e crescendo nisso. Queríamos fazer viagens a passeio, e ele já marcava culto no lugar para onde estávamos indo. Desde o inicio de sua conversão, ele foi assim. Para mim, isso foi desafiador, pois eu era uma pessoa extremamente reservada. E ele era uma pessoa pública. Se ele não fosse evangelista, seria jornalista ou político, pois ele gosta muito de falar e de estar com as pessoas.

Minha mãe sempre gostou de receber as pessoas em casa e de levar pessoas para a igreja; então, creio que parcela desse aprendizado sobre como receber as pessoas veio da minha mãe. Ela nos ensinou a ter um coração de compaixão pelos outros. Porém, minha vida foi totalmente revolucionada quando eu conheci o Alex, pois tive que aprender a falar com as pessoas. Ele sempre me estimulou muito a isso. Na igreja, eu agradeço muito a participação da Geórgia Rodrigues, pois ela me ensinou muito. Com seu jeito todo reservado, ela deu liberdade para aprendermos, nos impulsionando a crescer. Tudo o que eu faço no Paraguai, eu devo a ela; hoje, eu sei o que fazer, pois aprendi com ela. A amizade e o convívio com ela foram muito importantes para mim. Ela sempre falava para mim: “Galega, pregue aqui, pois, depois, quando estiver sozinha, você vai ter que fazer tudo sozinha”. Às vezes, eu falava: “Não preciso pregar! Eu já estou ajudando na igreja!” E ela falava: “Você vai sim!” Sempre me estimulando a acompanhar o Alex e a estar junto dele.

Sobre os meus filhos, cada um tem a sua própria personalidade. Eles foram criados da mesma maneira, mas são pessoas totalmente diferentes. Karen foi uma lição de vida para mim. Eu cresci muito com ela, pois foi a minha primeira. Ela tem a personalidade muito parecida com o pai, sendo bem extrovertida. As professoras falavam que eu tinha que colocá-la no teatro. Tem também uma personalidade muito forte; quando ela quer uma coisa, é aquilo que ela quer.

Como ela é a nossa primeira, quando nós descobrimos o nosso chamado missionário, ela era muito apegada à família do Alex. Na nossa ida ao Paraguai, ela acabou se rebelando um pouco, pois não queria ir. Ela não queria que nós fôssemos. A vida de um missionário não é fácil! A vida de um missionário não começa quando ele vai para o campo, mas quando ele descobre que foi chamado para isso. Então, você começa a passar por situações, em que você fala: “Dessa, eu não consigo passar!” Você está naquela empolgação da mudança e do ide, mas, se não for forte, não consegue enfrentar isso, pois também tem seus filhos e a família. Meu sogro era muito grudado com a Karen e com os meus filhos. A Karen queria de qualquer maneira que desistíssemos de ir.

O Alex, durante a infância, morou no Paraguai. Então, por causa desse tempo, minha sogra tinha um pouco de resistência com relação ao Paraguai; isso acabou influenciando a Karen. Ela é muita intensa nas coisas que faz! Então, quando fomos para lá, ela não foi. Foi uma cena muito forte para nós, pois é como se pegássemos toda a nossa bagagem, mas deixássemos um pedaço para trás. Deus colocou no meu coração para falar para ela que, por mais que a minha outra metade estivesse ficando, eu preferia obedecer ao meu Pai. Chegamos lá, 15 dias depois, ela estava desesperada, pedindo para ir. Como era menor de idade (tinha 17 anos na época), foi até Foz e, lá, o Alex foi buscá-la. No entanto, ela só ficou conosco por seis meses, pois acabou não se adaptando. Temos que aprender que, por mais que nossos filhos sejam nossos, não os estamos criando para nós mesmos. Estamos criando nossos filhos para o mundo. Eu não queria ver minha filha sofrendo lá. Ela acabou voltando, mas sempre teve o temor de Deus no coração dela. Hoje, está casada e grávida. Ela está bem tranquila agora.

O Davi e a Manuela nos acompanharam; eles são nossos ajudantes lá, pois, por mais que ainda estejam se desenvolvendo na descoberta do chamado, eles são nossos melhores auxiliadores, por estarem sofrendo junto conosco. Às vezes, nós visamos somente o missionário e nos esquecemos dos filhos, que são os que mais sofrem os danos. Eles ainda são crianças e jovens e estão longe de toda a família. Eles têm que criar um novo ciclo. Graças a Deus, existe uma graça disponível. Antes de ir para o Paraguai, Davi já estava criando toda uma historia do que ele iria fazer e do que não iria fazer.

Ele viu a necessidade de ajudar no louvor e já tinha um desejo no coração dele; então, acabou aprendendo a tocar bateria sozinho pela internet. Eu falei: “Comece a aprender e a bateria vai chegar!” Uma irmã de Campo Grande nos abençoou com uma bateria para ele. Ele nos ajuda muito no louvor e já está aprendendo guitarra e violão. Também nos ajuda muito na organização da igreja. Eles nos ajudam muito, nos forçando a fazer sempre melhor. Ele já está trabalhando e já terminou os estudos. Está se desenvolvendo! No Paraguai, não é somente o espanhol, pois também há o Guarani. Dependendo da cidade, eles preferem falar somente o Guarani. Os mais velhos não gostam de falar o espanhol, somente o Guarani. Hoje, quando eu vejo meu filho conversando com um amigo dele na igreja, se eu estiver apenas ouvindo os dois conversando, eu já não sei quem é o meu filho, pois ele fala de forma bem fluente. Ele conversa muito bem em Guarani.

Manu é aquela que está ali do lado sempre. Ela parece ser bem calma, tranquila e tímida, mas é a minha diaconisa mais atuante na igreja. Às vezes, eu tenho que falar para ela: “Manu, você não é o pastor da igreja e nem a líder do diaconato! Você é a filha do pastor!” Ela é muito responsável, sendo o oposto da Karen. A Karen é toda moleca; a Manuela é reservada e não é de muitas amizades. O Davi costuma falar para ela: “Você escolhe tanto as suas amigas que vai acabar ficando sozinha”. Por um lado, com relação ao mundo, isso é ótimo, pois, desde que chegamos no Paraguai, ela tem uma amiga. Do tipo de amiga que ela convida para ir em casa e que vai para casa dela. Porém, ela escolhe muito as amizades dela. Eu vejo que é o cuidado de Deus por ela. O que ela tem para fazer em Deus é muito grande; então, não pode se envolver com muita coisa fora do contexto.

De referenciais, eu tenho o Marcos Honório e a Eunice. Deus é tão bom comigo que os colocou como nossos supervisores. Eu já cresci sendo inspirada por eles. Eles nos trouxeram para o Verbo da Vida e praticamente nos obrigaram a fazer o Rhema. E não há somente o cuidado como líder, mas como tio e como família. Eu me sinto prestigiada por Deus, por esse cuidado.

O Paraguai já tomou conta do meu coração, desde o dia em que Deus colocou no nosso coração para irmos para lá. A primeira vez que eu cheguei no Paraguai, já me senti em casa. Mesmo com toda a dificuldade do idioma e de não conhecer as pessoas, eu me senti acolhida pelo país. Quando eu venho para o Brasil, sinto falta de lá, pois lá é a minha casa no momento. É um país lindo, que muitos brasileiros deveriam de fato conhecer. É uma realidade que o mundo não conhece ainda. É um país com muitas dificuldades, pois ainda está em fase de crescimento, mas tem o seu encanto, tendo também muita necessidade dessa Palavra. Eu acredito que a Palavra da Fé vai transformar esse país por completo, pois há uma grande necessidade.

 

 

Fabiana é uma pessoa que aparenta ser muito tímida e tranquila, mas que é forte. Eu gosto de fazer as coisas de forma que eu consiga fazer o meu melhor. Eu não gosto de fazer as coisas para ser corrigida ou para ter que fazer de novo; eu quero fazer com perfeição para outras pessoas. Eu gosto muito de receber pessoas; mesmo, às vezes, não tendo tudo que é necessário para receber a pessoa, eu gosto de fazer com que ela se sinta, dentro da minha casa, a pessoa mais importante do mundo. Ainda tenho muitas coisas para aprender, mas, quando eu olho para trás, sei que avancei muito em Deus. Eu sei que Ele tem muito mais ainda para mim e para a minha família.

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