Meu nome completo é Georgia Sousa Oliveira Rodrigues da Silva, fiz, em 24 de Setembro, 41 anos. Nasci em Alexandria, no Rio Grande do Norte, como nós nordestinos falamos, fica bem “na ponta do elefante”, ali pertinho de Tenente Ananias, Paus dos Ferros, por ali.

Nasci em uma família de cinco irmãos, um faleceu com seis anos e, eu sou a caçula dessa família. Meu pai e minha mãe sempre foram muito católicos. Meu pai tinha um vício… ele bebia muito. Eu era muito retraída, muito calada, eu evitava falar, porque, quando eu era criança, evitava falar muito para não irritar o meu pai que era alcoólatra. Eu era a pessoa que menos irritava a ele.

Fui crescendo embaixo disso, dessa pressão e, aos onze anos, minha mãe decidiu separar do meu pai, porque ele bebia muito e ficava descontrolado quando bebia. Nesse período, ele ficou em Alexandria e a gente foi para Natal, morar com o meu avô. Meu avô sempre foi um grande pai para nós. Nesse período, meu pai se arrependeu de ter separado, parou de beber e foi morar com a gente novamente, mas eu cresci debaixo dessa influência. Em Natal, eu morava em frente a uma igreja evangélica e tinha ódio, tinha raiva, para mim era ver o satanás. Achava eles muito arrogantes e pretensiosos, porque só quem tinha Deus era eles, então, eu ficava com ódio. Se viesse um crente, que eu conhecesse ele, eu desviava a calçada, ia pra outro caminho pra não encontrar.

Um dia, a vizinha, que era minha amiga e era crente, me convidou para ir à igreja. E era justamente a igreja na frente da minha casa. Lá, eu tive esse encontro marcante, vi que não era nada daquilo que eu imaginava.

Nunca fui de me “estourar”, eu sempre controlava tudo dentro de mim, então, aprendi a lidar com os meus sentimentos muito fácil, amo o Fruto do Espirito! Quando me converti, comecei a entender a Palavra, mesmo sem uma revelação, comecei a ouvir aquelas verdades, via Deus me cercando e me guardando. 

Nessa igreja que me converti, foi onde conheci o Eliezer. Ele fazia o louvorzão para os jovens. Ele era assembleiano e ia toda Segunda-feira para o louvorzão da Igreja do Nazareno, onde eu frequentava. Eliezer era o vocalista e tecladista da Banda Canal; ele sempre passava na rua de casa com o violão nas costas para is ensaiar, porque minha casa era na rua da igreja. Eu ficava na banca de jornal (a gente chama de cigarreira no nordeste) que minha mãe colocou para eu cuidar. Um dia, ele passou mais cedo para o ensaio e eu estava lá na banca do jornal, ele parou lá e disse: “e aí menina?”, começou a puxar assunto. Naquele período, eu nem pensava em nada, não tinha interesse nenhum, só que ele, ao contrário né, já tinha algum interesse. Minhas amigas, que eram vizinhas, ficavam “oh… oh, lá vem o cantor, lá vem o cantor da Banda Canal” e eu nem aí com isso. Só que ele parava, soltava umas conversinhas e ia embora.

Um dia, ele parou na banca do jornal, e disse “olhe, gostei muito de você, queria namorar com você, queria conversar com você”. Para mim não era o melhor naquele momento, mas era como se fosse, se eu quisesse estar mais na igreja, me motivaria, entende? Então, foi por isso que começamos a conversar e namorar foi só quando eu fiz quinze anos. A gente começou com quatorze, lembro até hoje, foi dia 24 de Abril e, eu fiz aniversário dia 24 de Setembro, fazia pouco tempo que eu tinha feito quinze anos.

Três anos depois, nos casamos. Eu tive que ser emancipada, porque ainda tinha dezessete anos, no dia 5 de Maio de 1995.Nesse tempo, meu pai voltou a beber, meu avó faleceu, meus quatro irmãos estavam morando lá também, os meus sobrinhos. Era aquela coisa, muita gente dentro daquela casa; acho que eu tinha um nível de maturidade que algumas adolescentes, naquele período, não tinham. Eu queria de alguma forma sair de casa. Então, eu não tinha perspectiva de como sair e aí pensava “ah, acho que se eu casar logo eu vou sair de casa”, pensamentos errados, claro né. Um ano e meio a gente passou namorando, um ano e meio noivos e, com três anos, a gente casou. Três aninhos.

Ah, a minha família, contexto de família é tudo, é a estrutura de toda a nossa vida. Como eu não tive uma família, minha mãe fazia sempre o possível, o que dava e o que não dava, para a gente manter essa estrutura de família, eu via o esforço da parte dela. Meu pai, quando não bebia, era um ótimo marido, sempre teve tudo dentro de casa, mas não tinha aquele acompanhamento, aquela pessoa que estava presente nos momentos que a gente queria.

Entrei no casamento com essa cabeça, mesmo conhecendo um pouquinho a Palavra, fazia pouco tempo que tinha me convertido e Eliezer veio de um contexto de família que o pai abandonou ele com sete anos. Assim, a gente entrou em um relacionamento muito cedo, muito jovem, tendo ainda que ajustar muita coisa. Passamos por grandes problemas, difíceis de lidar e, como eu era muito contida, evitava muitas coisas, guardava tudo aquilo dentro de mim.

Nesse período, fomos para a nossa casa. Três anos depois, Gabriel nasceu (eu ainda ia fazer 21 anos). Hoje, eu entendo o que é família, depois de tudo o que passei, o valor que ela tem para mim e o que eu posso passar para a igreja, o que é a estrutura da família e como Deus pensa a respeito dela. Mas, enquanto não tinha essas verdades estabelecidas, a gente discutia muito. Chegamos a nos separar. Eliezer era muito esquentado. Ele era pavio curto, na verdade, não tinha nem pavio né. Enquanto o meu era longo, só que o meu era longo no sentido de guardar isso dentro de mim, eu não expunha, mas eu vi que isso também não era um lado muito bom, quando começava a sair, saía muito entulho Ele não suportava, porque eu era muito ciumenta, discutíamos muito.

Estávamos começando a conhecer a Palavra da fé com o pastor Marquinhos, a gente estava fazendo o Rhema, mas só que ele perdia muitas aulas, por causa das faltas ele chegou a ser reprovado. Eu continuei, mesmo com Gabriel pequenininho, me formei, e ele saiu de casa nesse período. Ele já estava conhecendo a Palavra, mas não suportou a pressão. Então ele saiu, passou três meses longe de casa, mas o Senhor encontrou o coração dele. O Senhor o trouxe.

Eliezer passava o dia ouvindo umas fitas K-7 da Sâmia Rocha, Pr. Bud e Herênio. Ele disse que, um dia, acordou com Gabriel tocando nele e chamando “Papai vamos brincar?”, isso ele longe de casa, ele disse que aquilo foi tão real que percebeu que os olhos dele se abriram, a revelação chegou e, um dia, ele ligou dizendo “eu quero voltar pra casa, eu quero ficar com você e com Gabriel”, aí eu disse: “tem uma condição: a gente vai esquecer tudo o que passou e vai começar agora de novo, tudo de novo”, aí ele disse: “tá bom, tá feito”. Voltou, mas voltou sem nenhum sentimento, eu ainda muito machucada por dentro ele, sem sentimento nenhum por mim, mas a gente voltou e começou a perseverar na Palavra e hoje, eu posso dizer que o meu casamento é muito, muito, muito, muito melhor do que quando iniciou! Graças a Deus.

Eliezer tem um coração enorme, maior do que ele, mas ele é bem firme naquilo que crê. É bem firme nos propósitos que Deus tem colocado no coração dele, ele não negocia isso. E, para mim, ele é tudo que eu pedi ao Senhor. Eu gosto de seguir o exemplo dele, gosto de olhar para ele e, às vezes, pensar: “Meu Deus, o que é que Eliezer faria nesse momento?”. Ele me traz essa paz, me traz segurança.

O Gabriel, hoje, está com 19 anos; quando ele nasceu, eu pesava 49 Kg, era magrela de tudo, só tive a barriga. Nossa! Enorme para o tamanho que eu tinha, porque ele nasceu com quase 5Kg!

Hoje, ele é bem entroncadinho, sempre foi daquela forma. Não teve uma fase que eu dissesse “Gabriel, você é magro”, não. Ele sempre teve uma “estruturinha” firme, mas olha o que eu falava, aprendendo a Palavra da fé, estava grávida e dizia: “meu filho vai ser grande e vai ser forte. Vai ser grande e vai ser forte”. Não saiu outra coisa (risos). Grande e Forte. Ele era aquela alegria contagiante. Eu era a que dava carinho e Eliezer aquele que brincava. Então, ele brincava muito. Eliezer sempre foi muito brincalhão, para ser sincera, muito mesmo, até a mãe dele falava: “meu filho, leve as coisas a sério, você só leva na brincadeira”, mas isso é dele.

Gabriel fez 19 anos e é músico, desde pequenininho. Eliezer sempre o colocava no colo e tocava. e sempre tivemos instrumentos dentro de casa. Eu nunca fui aquela mulher “Ah… para de tocar, que som alto, baixa esse som, desliga…” Nunca mesmo, porque eu gosto muito de música, apesar de não tocar nada, eu compreendo a música. Eu não sei tocar, mas eu sei quem está desafinado, quem está fora, por causa da influência do Eliezer. No Namoro, ele me ensinava a perceber os instrumentos com o ouvido, brinco que passei todo o meu talento musical para eles. Não fiquei com nada (risos). E Gabriel ficava dedilhando no tecladinho que a gente comprou para ele, procurando as notas, os sons. Perto dos 9 anos, ele já tocava algumas notinhas, mas Eliezer viu interesse maior dele, ele deixava o Play Station para tocar agora. Então, ele começou a tocar assim, de uma forma autodidata mesmo.

Hoje, nós estamos em Taubaté e, fazem dois anos e meio que a gente está lá. Até um tempo atrás, não tinha chegado nenhum músico. Então, ele estava escalado em todos os cultos, durante dois anos e meio fielmente ali e fazendo com o coração envolvido.

Para a minha filha, que foi todo o meu talento mesmo, não fiquei com nada (risos). Ela tem uns traços meus. Ela tem algumas coisas minhas, eu creio que tem muito mais de Eliezer. A tia dela também, Eliana. Tem muitos traços, ela tem uma misturinha. Estamos sempre os instruindo, a gente não é aqueles pais chatos que fica no pé. A gente instrui, corrige, corrige bem, disciplinou no tempo certo, as disciplinas reais mesmo, com varinha. A gente tinha uma varinha pra Gabriel que o nome dela era “amoroso”.

Quando Gabriel fazia alguma peraltice, alguma desobediência, eu falava assim “Gabriel você quer amoroso?”, falava assim para não espantar ou assustar as pessoas que estavam ao redor dizendo que era uma vara,  ele olhava com os olhão arregalados “Não mãe, quero não” (risos). E a Emelly por ver Gabriel sendo corrigido, não apanhou tanto, não foi tão disciplinada quanto ele. Ela era mais geniosa, ela sempre foi mais geniosa. Eliezer tem uns videozinho com ela, que ela quando ficava brava ela corria pra cima de Eliezer com as unhas, querendo beliscar. Foi corrigido, passou essa fase. E ela sempre gostou, desde pequenininha, e eu creio que o meio que vivia também, muita música, muito instrumento. Os tios cantam, a avó canta, o pai. Ela já cresceu debaixo dessa influência da música, então ela ouve muita música durante o dia, durante a vida toda.

Ela vai completar 15 anos no final do ano. Mas, ela começou a cantar, literalmente cantar, aquela desenvoltura mesmo com a voz a partir dos 11 anos. Lembro que uma vez a gente foi fazer uma conferência do Adora a Deus, em BH. Ela tinha 9 anos, só que ela era muito tímida. E aí o pai dela perguntou: “Filha vamos cantar nessa conferência e tal”, aí ela “Só se eu ficar só no vocal pai”, “tudo bem Emelly”, tem até uma foto dela cantando. E ela percebeu, que realmente aquilo era Deus com ela. E começou a se desenvolver nisso. Aí começou o processo. Ela era muito prestativa, ajudava na salinha das crianças no início das obras, cantava com as crianças, ficava sempre envolvida com aquilo.  Quando a gente foi pra Taubaté, começou a colocar ela no vocal.

Teve um período que ele tava saindo bastante, viajando, ensinando e tudo mais. Ele ficou rouco, com a voz muito cansada e, pediu “Emelly dá pra você cantar hoje?”, e ela muito tímida tentou argumentar, mas Elizer disse:  “Eu preciso que você cante hoje, ministre o louvor. Você não precisa falar nada, mas só cantar”. Aí ela foi e disse “Não pai, eu tenho vergonha”, aí disse, com toda aquela sabedoria que a gente usava com Gabriel pra não deixá-lo em casa, aí a gente pediu a ela “Filha ajuda o seu pai, ele está rouco”, com todo o jeito e eu via Deus nos instruindo. Assim ela começou a cantar. Depois que começou não parou! Não tinha chegado nenhuma cantora em Taubaté. Fazem dois anos e meio. Eliezer tem vontade de fazer a gravação do CD dela, o primeiro álbum dela e ela já tá começando. Ela compõe, desde pequenininha ela já tinha essa disposição.

Os principais valores que uma mulheres precisa ter são: um coração manso e humilde diante do Senhor; Ela tem que se adornar, a beleza dela tem que ser a interior e não deixar o exterior, pelo amor de Deus, ficar uns frangalho, faz bem pra o casamento, faz bem pra própria mulher. São valores que a bíblia me dá e é o que eu pego. Eu entendo esse como o principal valor da mulher, um coração ensinável, humilde, um espirito manso, tranquilo e fazer a vontade de Deus em primeiro lugar, que Ele vai realizar os seus sonhos.

Eu tenho algo que desejo bastante, que é abrir uma obra fora do Brasil. Eu tenho, eu amo missões, amo. Me realizo em ver missionários alcançando aquilo que Deus colocou no coração deles. Meu coração arde por missões. Talvez eu não vá, por causa de todo um contexto hoje, mas meu coração arde nisso. Geralmente, chegam os ministros na igreja querendo falar “Quem tem um chamado pra missões?”, eu gostaria de levantar as mãos (risos) porque eu me sinto assim, missionária. Sou uma missionaria no Brasil, do estado de São Paulo.

Acho que uma das qualidades que eu possa ter é de acreditar nas pessoas, de ver aquilo que elas não estão conseguindo ver delas mesmas. Eliezer até brinca comigo, porque desde que a gente namora ele sempre me pega nas brincadeiras dele, porque eu acredito. Eu caio em todas, é verdade. 23 anos caindo nas mesmas brincadeiras. Porque eu acredito. Eu não desisto fácil. Por mais difícil que seja, eu não abro mão. Gosto de uma boa conversa, gosto de instruir as pessoas, gosto desse “tete a tete”, olho no olho. Eu gosto mais disso do que estar ministrando no culto. Você pode me ver no culto, mas não é a minha veia, mas eu vou. Quando ele me escala, eu vou, ministro, faço o que Deus quer, mas eu gosto da instrução pessoal. 

Georgia é sinônimo de serviço… eu prefiro servir, prefiro estar nos bastidores. Eu prefiro ser a resposta, eu prefiro ser é o auxílio. Prefiro ser o suporte. Eu prefiro isso. Então Georgia é serva. 

1 COMENTÁRIO

  1. Sou imensamente grata a Deus por ter Geórgia como nossa líder querida Mama Gê!!! Pensem em uma pessoa que transpira AMOR!!! A obediência dela e do Pastor Eliezer fez com que muitas vidas fossem alcançadas… Nossa mama querida, nossa diretora do RHEMA amada… Firme, forte e doce e suave!!! Quanta sabedoria!!! Sou imensamente grata a sua vida!!! Como aprendo com essa mulher abençoada e sabia!!!

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