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Tenho 37 anos, nasci em Campina Grande-PB. Estudei em escola pública, lembro de ir para a escola pegando carona eu e meus irmãos em eixos de caçamba, a gente gastava o dinheiro com besteiras e tínhamos essas aventuras. Tomávamos banho coletivo na rua com os colegas com shampoo de piolho (Deltacid) (risos). São cenas que marcaram; lembro da hora da merenda, do dia que as fardas chegavam, lembro do kichute.

Em casa, lembro dos cuidados de minha mãe. Ela é da área de educação, a formação dela é em pedagogia, ela sempre foi muito cuidadosa, sensível e carinhosa, meu pai era mais grosseiro. A parte carinhosa da gente, com certeza, vem da mãe (risos). Meu pai era mais a parte da disciplina. Lembro da gente andando uns 3 km para ir a igreja, às vezes, o culto terminava umas 22h da noite e voltávamos andando; queríamos ir no braço, éramos pequenos ainda e, às vezes a gente chorava…

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Minha família … É difícil falar deles sem me emocionar, graças a Deus nasci em uma família muito abençoada. Eu amo meus pais e meus irmãos, tudo que faço, penso neles. Às vezes, deixo de investir em coisas para mim e penso neles primeiro, penso em uma forma de abençoá-los também. Meus dois irmãos me têm como um pai, até mais do que irmão. Acho que pode ser também por eu ser o mais velho.

Thiago tem um coração do tamanho do mundo. Ele é aquele cara que, se você compra um relógio novo, todo mundo chega e diz: “que relógio bonito”; mas ele diz: “cara, que relógio!”, abraça você e diz: “você merece!” Ele é explosivo e intenso.

Jack já é mais parecido comigo. É um amigão, é sensato tem um coração enorme também.

Minha mãe é uma mulher de Deus. Mulher de oração. Minha esposa a chama de madre Teresa de Calcutá, porque ela é muito doadora, se ver alguém necessitado, ela pega as coisas em casa e dá aos pobres, ela hospeda pessoas, ela é assim.

Meu pai já é mais fechado, mas é uma pessoa que eu me inspiro muito. O pessoal diz que pareço com ele, pela seriedade em algumas coisas. Ele é muito disciplinado, correto em suas coisas.

Meu filho é um espetáculo. Quem tem filho sabe. Pedro é uma benção de Deus para nós. E minha esposa Wivian, é uma mulher de Deus. Foi um presente de Deus para mim. E para a nossa família como um todo. Estou me referindo aos mais próximos, porque se for falar da avó, primos, cunhadas; teria muito a dizer.

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Nasci e me criei na igreja. Meus pais se conheceram em uma igreja no alto sertão da Paraíba, em Catolé do Rocha, e, aos 7 anos de idade, eu comecei a tocar. Isso significa que já toco há 30 anos. Comecei tocando para um conjunto de senhoras, para você ter ideia do quanto de música antiga que já toquei (risos), mas foi meio que a necessidade. Quando eu ainda era bebê, a minha mãe já orava por alguém que pudesse ajudá-la. Ela era regente do conjunto e sempre passavam músicos lá, mas nunca ficavam e ela meio que mendigava para que eles ficassem. Porque a igreja não favorecia muito também. Ela conta esse testemunho que começou a orar para Deus mandar músicos para a igreja. Ela conta que dizia na oração: “Deus, manda músicos, pode ser até de Recife. Mas pode ser daqui também e eu debaixo dos bancos brincando. Sete anos depois, comecei a tocar. Lembro que, naquela época, era muito difícil. Não pense que tinha essa facilidade que hoje se tem.

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Naquela época, para você aprender uma nota era a coisa mais difícil do mundo. Você tinha que pedir emprestado métodos de violão. Não existia internet. Ou você aprendia com alguém que soubesse ou seria complicado. Eu comecei aprendendo trompete na igreja, porque violão era difícil alguém que ensinasse. A nossa igreja era voltada para o âmbito de banda marcial, instrumentos de sopro eram mais comuns e lembro que, com uns 8 anos, eu já estava indo os ensaios na igreja sede a noite .

Lembro de um dia que fui para o ensaio e ele demorou. Cheguei onze e meia. Era assim: eu voltava do ensaio e me encontrava com meus pais na congregação de onde éramos e de lá íamos para casa. Nesse dia, o ensaio demorou mais, meu pai foi para casa, eu não consegui chegar a tempo de ir com ele, meus amigos disseram: “fica por aqui em casa mesmo, a gente dorme aqui”. Naquela época não tínhamos a facilidade do telefone, redes sociais e nem Whats. Só era ‘sinal de fumaça’. Resultado: A fumaça foi no outro dia dos couros esquentando (risos), porque eu apanhei muito. Sai da banda nesse mesmo dia e acabou a minha carreira de trompetista.

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Mas painho tinha um violão guardado a sete chaves no guarda roupa e ele não nos deixava pegar, porque eramos crianças ainda. Quando ele viajava, nós (totalmente condenados), “furtávamos” aquele violão de dentro do guarda roupa e ficávamos mexendo nele. Certa vez, ele fez uma viagem mais longa, passou um mês em São Paulo e, quando ele voltou, eu já sabia tocar umas besteirinhas. A minha mãe disse: “olha os meninos pegaram o violão”. Quando ele estava pronto para brigar com a gente ela disse: “mas, eles já aprenderam a tocar umas coisinhas”. E ele disse: “quero ver”. Lembro que toquei parabéns pra você e foi assim que começou a minha história na música.

A partir daí, ele começou a me levar para uma aula de violão. Só que eu achava muito chato, porque o professor não ensinava de forma animadora, não me empolgava, não era uma abordagem própria pra crianças, de forma lúdica, era uma coisa desconectada. Ainda assim, eu dizia: “meu Deus isso é fantástico quando é que vou aprender a tocar isso?” E ele dizia: “ah meu filho, isso aqui… só com muito tempo…”. Lembro que eu fazia perguntas sobre coisas que estavam além do meu tempo de aprendizado e ele dizia: “ah meu filho, essas notas, esses tons, esse campo harmônico você só pode aprender em dezembro do ano que vem, quando estaremos na escala de fá”.

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Aquilo me desmotivava e eu disse a meu pai: “quero sair e vou aprender sozinho”. Eu sai das aulas e, um ano depois, aquele mesmo professor me chamou para gravar o CD dele. Eu me desenvolvi bastante de forma autodidata e também com outras pessoas que me ajudaram muito. Não posso deixar de citar Samuel, um cara que me inseriu na música. Hoje ele está em São Paulo.

Quando comecei a tocar foi o tempo que pastor João era dirigente da mocidade na Assembleia de Deus no Pedregal. Lembro dele sempre arrumado, de gravata, eu indo tocar na igreja dele. A guitarra era maior que eu e, claro, o dirigente dizia: esse menino toca e o instrumento é maior que ele, mas é uma benção. Lembro do pastor João atravessando a linha do trem naquele matagal, junto com uma caravana indo evangelizar. Essas são cenas que ficam na mente. Eu tinha muito contato porque era de outra assembleia.

Em 2002, me tornei membro da igreja congregacional central e eu gostava muito da igreja e do pastor Samuel. Cheguei lá, mas não queria tocar, não queria que achassem que eu estava lá apenas para tocar já que lá era uma igreja que oferecia uma estrutura bem melhor do que eu tinha antes. O estilo de musica lá era mais solto, e aquilo que aparentemente me animava eu queria frear, eu não queria ser levado por isso. Mas isso não durou muito, porque os músicos me descobriram lá. Principalmente Erik e Vanessa que hoje estão em Natal. Eu já tinha tocado na banda de Sinara e gravado o CD com ela. Então, ele me chamou para tocar no grupo dele.

Enfim, em um sábado pela manhã, foi marcado um ensaio e eu lembro eu entrando na igreja e indo para o departamento. Entrando a sala onde o grupo ágape estava ensaiando e, ao chegar, me deparei com Wivian, cantando, loirinha. Lembro como hoje, meu coração gelou e em minha mente eu disse: “Meu Deus, eu queria casar com uma menina como essa”, simples assim… Fiquei tecendo elogios intimamente: “como ela é linda!” Mas exteriormente disse: “oi, a paz, tudo bem?” Com aquela formalidade.

Lembro que no final do ensaio eu fui para o ponto de ônibus cheio de instrumentos, e a vi passando e, na minha cabeça ela tinha um jeito de Patricinha, ela era bem diferente do estilo das meninas que eu estava acostumado a me relacionar lá na minha antiga igreja. Ela se maquiava, usava brincos, usava calça, isso era um perfil totalmente diferente. Nesse dia ela passou e voltou para falar comigo. Ela muito simpática e me disse: “você é muito legal”. Nos tornamos amigos, mas ela tinha namorado.

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Um ano se passou. Ela não estava mais com o namorado e lembro que eu vinha de uma gravação em uma moto velha com o cabelo enorme, com um capacete sem viseira, sambando na minha cabeça, suado, e Miqueias vinha pilotando a moto. Ele parou, eu desci da moto e de repente ela apareceu e disse muito feliz em me ver: “Jason”, e me abraçou, eu pensei: “oxe, tá doente?” Me senti tão feio, tão horrível que nem tirei o capacete. E beijei a mão dela por dentro do capacete e ela falou: “Jason, eu queria mandar no meu coração para me apaixonar por você”. A partir daquele dia eu pensei: “opa, será que pode vir algo bom lá de Bodocongó?”

Pronto, a partir daquele dia fiquei com uma “pulga atrás da orelha” e meus colegas diziam: “Ela te olha e te abraça diferente”. Algumas outras meninas que se aproximavam de mim me diziam para não me aproximar dela e esse foi o momento que eu me senti “o cara” e começamos anos aproximar.

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Nessa época, eu dava aulas de português no Caic. Lembro que cheguei e um colega meu disse: “Cara, ligou uma menina chorando dizendo que estava totalmente apaixonada por você”, ela ficou de ligar daqui a pouco porque eu disse que você iria chegar. Daqui a pouco quem é que liga? Wivian e diz: “Jason…”, e falou comigo normalmente, afinal, éramos amigos e ela me ligava às vezes, eu claro, não perguntei se era ela quem tinha ligado a pouco tempo. Fiquei naquela dúvida. Marcamos para nos encontrar na praça da bandeira e eu a convidei para ela me ver gravando o CD de Serginho Brito. Era tudo invenção, eu queria que ela estivesse junto comigo. Gravamos o CD e ela ficou lá, na volta ela dizia que achava tudo legal na gravação no estúdio, sempre muito intensa, e eu curtindo aquele momento. Tínhamos combinado de ir comer uma tapioca, aí, quando chegamos mais na frente, encontramos duas colegas da igreja e elas nos chamaram para ir comer tapioca. Ao mesmo tempo dissemos: “Não” ai ficou claro que a gente queria ficar só. Aquilo ali foi revelador, agradecemos e fomos comer pastel. A partir daí, nos aproximamos ainda mais.

Quanto a ligação que citei acima, não foi ela quem me ligou, foi a minha prima de São Paulo que tinha me ligado passando um trote e coincidiu que ela me ligou.

Começamos a namorar e em 2008, víamos que estava na hora de dar o passo mais importante, o casamento, mas o homem sempre quer dar o melhor, pensa em um palácio e tal a melhor casa, a melhor estrutura, eu sempre queria dar o melhor e entendi isso e casamos em 3 de outubro de 2009. Foi maravilhoso. Eu trabalhava em Caruaru, passava a semana lá e voltava no fim de semana. Mas, quando descobri que eu poderia continuar trabalhando no tribunal de justiça em pernambuco, morando em Campina foi uma festa. E em uma conferencia de homens, Deu me deu uma direção e tive a ideia de vir trabalhar em Santa Cruz do Capibaribe. Isso foi um passo de fé e eu não sabia se as pessoas que iam e voltavam todos os dias iriam me aceitar junto com eles, porque era um carro já fechado, mas deu certo. Foi o passo crucial para eu me casar.

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Pedro, meu filho, representou um momento de renovo em nosso casamento. Passamos cinco anos aproveitando muito do nosso casamento. Só que chegou um tempo que começamos a investir muito no lado profissional. Teve uma época que eu saia de casa 6 horas da manhã e chegava em casa as 11h da noite. Wivian saia antes das 5 da manhã para dar aulas e a gente praticamente não se via na semana e no fim de semana era uma correria louca. Porque tocávamos em muitos casamentos e ainda tinham as escalas da igreja e isso foi enfraquecendo o nosso casamento.

Como salas, estávamos buscando o lado profissional e esquecendo de regar mesmo o nosso relacionamento e chegou um momento que estávamos a ponto de desistir e abro um parênteses para agradecer muito a Deus pelos nossos líderes que nos ajudaram demais: Cristiane Estefani, pastor Perilo e Pastor João Roberto. Lembro que, quando entramos no gabinete do pastor João, já tinha me acertado com ela. Mas isso era por uma decisão minha de fazer tudo certo.

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Essa experiência que eu tive com Deus foi algo que vi no mundo espiritual nitidamente Deus respeitando a minha decisão, mas torcendo para que acertasse e os meus sentimentos naquele momento não era de continuar com Wivian. Eu estava seco por dentro, mas, graças a Deus pela Palavra que nós temos, porque eu decidi: “eu não sou movido por sentimentos. Sou movido pela obediência a Palavra. Sei que o certo a fazer é isso“. Decidi ficar com ela, fazendo o certo, mesmo sem sentir. É impressionante que, quando decidimos fazer o certo, Deus pega junto.

Ela também decidiu o certo. Eu lembro ela chorando e dizendo a mim: “eu quero ser pra você a melhor esposa do mundo e lhe amar como ninguém amou você, ainda que você não sinta nada por mim”.

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Nesse momento, realmente eu estava oco por dentro, ou pelo menos, eu achava que estava. Quando eu decidi, veio um renovo. Foi algo perfeito feito por Deus. Quando fui ao gabinete com ela, me senti no melhor consultório médico que você possa entrar. Com a mais alta sabedoria. Lembro de uma palavra do pastor João: “Olha, quando a gente quebra o braço, ele pode sarar sem gesso, mas ele sara torto. Por isso, a gente precisa imobilizá-lo para poder ele sarar de forma correta”. ele me perguntou algumas coisas e disse: “eu estou vendo sintomas e a gente vai diagnosticar com base nesses sintomas”. Foi espetacular isso.

Vejo a sabedoria na vida do meu pastor. E fomos muito abençoados em ouví-lo. Abençoados pelos conselhos de Perilo também. Foi nesse contexto que Pedro veio. A partir dai, decidimos mudar. Wivian saiu de parte das atividades dela para ficar em casa. Eu sai de parte das minhas coisas para ficar em casa e começamos a regar o nosso casamento. Era um novo contexto, um novo relacionamento, um novo casamento. Quando colocamos Deus no negócio.

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Eu sou uma pessoa que gosta de aprender. Sou cuidadoso com relacionamentos, eu priorizo pessoas, gosto muito de estar com pessoas, de amá-las, eu amo a minha igreja, amo a minha família, sou grato a Deus pelas pessoas que me cercam e que me consideram. Amo a música, amo as oportunidades que Deus me concedeu através da minha família e da música.

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