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Eu nasci no dia 27 de setembro de 1964, em um vilarejo chamado Arabixí, no Município de Chaves, que fica na ilha de Marajó, na cidade do Pará. Sou o último de uma família de 7 filhos, não cheguei a conhecer meu pai, ele faleceu quando eu tinha 9 meses, minha mãe, por decisão pessoal, não se casou novamente e dedicou a vida para criar os filhos. Na época, ela tinha 38 anos, esse ano ela fez 90 anos.

Minha infância foi indo para o rio, caçava passarinho com estilingue, com os primos que eu tinha. Eram pouquíssimas pessoas que moravam lá, na verdade, eram somente 10 famílias. Então, eu brincava com poucos primos que moravam lá. Tenho lembranças muito boas, mesmo tendo as limitações, como a alimentação que era muito básica. Era basicamente a farinha, que até hoje gosto muito, peixe e o açaí. Para mim, era muito bom viver a margem do rio.

Saímos da ilha de Marajó em 1973, eu tinha 9 anos de idade, e fomos para Belém, porque a dificuldade para estudar era muito grande, então minha mãe decidiu ir para Belém para que eu e meus irmãos tivéssemos a oportunidade de estudar. Lá, era um mundo totalmente diferente, eu já tinha ido a Belém, quando tinha 7 anos de idade, foi a primeira vez que assisti TV. Mas, sair da beira do rio e ir para lá foi uma mudança muito grande para mim, eu ficava meio assustado, pois era muita gente, e minha mãe, por ter ficado sozinha para nos criar, nos criou de forma rígida, mas isso foi muito bom.

Com 10 anos, conheci o evangelho. Cinco anos depois, em 1979, viemos para Brasília e desenvolvi minha vida aqui. Com 15 anos, comecei a trabalhar, continuei meus estudos e continuei congregando na Igreja Quadrangular.

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Minha mãe é linda. É uma mulher muito firme, eu vejo nela integridade, amor, do jeito dela, essas decisões que ela tomou eu vejo amor, ela fala que ela olhava para nós, os 7 filhos, a mais velha ficou com 13 anos e eu o mais novo com 9 meses, quando meu pai faleceu, e pensava: “Como vou cuidar desses meninos?”. Ela fala que não conhecia o Deus que eu conheço hoje, mas sabe que foi Ele que me deu todo suporte para que eu conseguisse criar e pensava em não procurar outra pessoa que vá maltratar meus filhos, principalmente porque são 4 meninas e 3 meninos.

Vejo nisso expressão de amor, cuidado, é o amor de Deus, que abre mão de algo que ela poderia pessoalmente como mulher, reconstruir a vida dela junto de alguém e abriu mão disso, para mim isso é amor puro, e até hoje ela é uma mulher firme, está com 90 anos mas acho que ela chega a 100 anos sim, porque ela é muito agarrada com a Palavra. Na época que estávamos na igreja, ela foi diaconisa por muito tempo, ela sempre foi muito ativa, de oração. As duas características bem marcantes nela são o AMOR e a FÉ.

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Em relação aos meus irmãos por eu ser o mais novo, tenho uma gratidão por eles, pois todos participaram da minha criação e da formação, eles me ajudaram muito com conselhos, financeiramente, eu não trabalhava, mas eles trabalhavam, então eu era sustentado por eles. Tenho essa gratidão por eles em meu coração. A mais velha, Carmen, depois veio Virgíneo, Vanda, Benjamin, Ágna, que é o mesmo nome da minha mãe, depois vem Vanderlí, e por último eu, Jorge.

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Cheguei em Brasília e senti o choque com o clima, pois saí de um lugar que fazia 32 graus e em Brasília estava 15 graus. Nós viemos de ônibus, 36 horas de viagem, viemos 6 filhos pois Benjamin ficou, ele estava trabalhando lá, mas depois de 4 meses ele foi para Brasília.

Eu comecei como office boy em 1980, e aprendi muitas coisas boas, depois fiz concurso para bombeiro, passei e em fevereiro de 1984 ingressei no Corpo de Bombeiros, eu tinha um tio que era da Marinha, então isso também me ajudou a me interessar para fazer concurso para Bombeiros.

Lembro que em meio a uma festa regional na ilha de Marajó, esse meu tio estava de férias e foi para lá e no meio da festa, já estava tarde e minha mãe disse que estava na hora de ir dormir e, lembro que ele me pegou no colo e me levou. Essa foi a referência que tive de uma figura paterna, ou seja, de cuidado. Meu tio era um homem sorridente, de caráter, me espelhei muito nele.

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Eu entrava no Corpo de Bombeiros às 22h do domingo e só saia às 18h da sexta e, mesmo assim ia à igreja. Eu ministrava o louvor e era só nas palmas acompanhando os corinhos, depois que chegou uns meninos que trouxeram o violão. Tinha 16 anos e era diácono e também dava aula na Escola Dominical. Lembro também que íamos com o pessoal da igreja para praça, levávamos um pandeiro e começava a cantar os “corinhos”.

Na academia tinha recessos e um deles eram as férias de julho, era quando eu conseguia participar de eventos e da reforma na igreja. A maioria das pessoas que convivi na igreja, hoje são líderes de igrejas também, e o nosso pastor atualmente está nos Estados Unidos, creio que ele tinha um chamado apostólico.

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Nessa mesma igreja em 1988, entrou uma menina muito gente boa na igreja, estava de rabo de cavalo, com uma roupa listrada, quando eu a vi foi como ver o mar pela primeira vez. Porém, logo em seguida, fiquei triste porque havia uma criança e pensei que ela era casada, mas depois soube que ela tinha a menininha linda e que era divorciada, ou seja, ela estava disponível e eu estava pedindo a Deus uma companheira, porque se você tem um chamado ministerial sozinho é muito complicado, eu acho que o projeto de Deus é um casal, mesmo que a mulher não seja tão ativa como a minha é, era uma necessidade para mim, eu creio que a visão fica mais aberta e fica mais fácil de você caminhar. Fiquei observando ela por um bom tempo, pois não queria só tentar, eu queria acertar, pois Deus não quer que a gente erre.

E dia 7 de Fevereiro de 1991, eu cheguei até ela e convidei para jantar, a pedi em namoro e dia 21 de Julho ficamos noivos. 7 de Dezembro nos casamos.

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Iranice é a base para o meu ministério. Às vezes eu não sei se eu sou mais para ela ou ela é mais para mim, eu sei que Deus nos dá uma interação muito legal e, ela para mim é uma balança para equilibrar as coisas, ela me traz segurança, ela tem uma palavra que acalenta e, quando não tem, tem um olhar que fala ou uma ação que corresponde a altura.

Seria muito difícil hoje, se não fosse ela especificamente, ela me acrescentou muito mesmo, principalmente na parte afetiva, de saber lidar com as pessoas; comecei a abraçar as pessoas depois que eu aprendi com ela, eu era muito seco igual a farinha do norte, aprendi a amar mais Deus e sua Palavra, eu já amava, mas com ela aprendi mais. Eu pedia a Deus uma companheira que amasse a cima de tudo a Ele, e tenho isso hoje.

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Gaby é uma benção. A primeira vez que a vi toda branquinha, cheia de cachinhos, pegava no colo e ela vinha, ela foi nossa daminha, na época que casamos ela estava de janelinha, estava trocando os dentinhos, muito linda, ela é minha filha, eu aprendi muito com ela e com meu genro também, ele é uma benção. Tenho dois netinhos, Arthur e Katharina, são lindos. Katharina está começando os cachinhos, ela é muito linda, tem um olhar encantador e Tutu é muito inteligente já está falando inglês, ele gosta de viajar e ama a África, é muito lindo, sei que Deus vai usar muito os meus netinhos!

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Depois que eu casei, conversando com Iranice que eu percebi alguns detalhes, um deles foi falta de uma figura paterna, de formação, como eu não tive, acredito que Deus providenciou, no meu caso foi através do livro de Provérbios que tem ensinamentos tremendos de pai para filho, que orienta o filho a fazer isso e aquilo, vai por aqui ou não vai por aqui, evita isso… Assim, eu aprendi orientações de pai, isso não quer dizer que alguém que tem seu pai físico vá abrir mão dos ensinamentos dele, a figura paterna é muito importante, faz parte do projeto de Deus, pai e mãe cada um no seu papel, desenvolvendo o que Deus tem para desenvolver.

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Meu tio Arivaldo, que faleceu ano passado, como já falei antes. O pastor Edenir Evangelista da Silva, da Igreja Quadrangular teve uma influência muito grande na minha vida, pois foi na fase da adolescência que eu entrei na igreja dele,e foi onde aprendi muita coisa, sempre serei muito grato por tudo o que ele fez por mim, foi uma figura muito importante na minha vida. Admiro muito o pastor Vilarito, da Igreja Batista de Taguatinga mesmo não tendo muita aproximação com ele, admiro-o, ele tem a mesma idade da minha mãe, começamos a igreja na garagem da prima da minha esposa, nessa época eu tocava violão, então começou com a gente, ele é um ministro do evangelho que admiro muito, uma benção.

Hoje, meu pastor Joselito, admiro demais, existe uma unção que está na vida dele, se você quiser você aprende, se você observar você aprende, mesmo se formado no Rhema, posso dizer que aprendi a orar com ele. Ele me convidou, perguntou se eu estava fazendo alguma coisa as quartas-feiras à tarde, vem aqui orar com a gente, que tempo maravilhoso, foi o SIM que nunca vou me arrepender de ter dito, aprendi a me posicionar em oração, essa aula prática juntando com os livros de Kenneth W. Hagin, foi uma benção, é lógico que você tem que melhorar cada vez mais, a vida cristã não para, você vai melhorando a cada dia.

Admiro o Apóstolo Guto, desde muito antes, a primeira vez que o vi ministrar, me marcou muito a maneira como ele falou do apóstolo Bud, o proceder dele sobre o testemunho dentro da casa do apóstolo Bud, e eu fiquei impactado com isso, terminou a ministração e ele estava lá fora, e falei pra ele que amava o coração dele e amo o coração dele até hoje, não sei nem se ele lembra disso, ele olhou pra mim e riu, a liderança do Ministério Verbo da Vida para mim são preciosos, poucas vezes eu tive lá, mas eu os amo, é algo que só me fez bem, assim como o Rhema, essa palavra me salvou da religiosidade e continua me salvando, a maneira de como eles pregam a Palavra, como são fiéis e sinceros a Palavra, caráter íntegro. A liderança é uma benção a forma como eles trabalham são referência para mim.

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Eu nunca quis sair do Brasil, nem passava na minha cabeça. A primeira vez que saímos do Brasil foi para os Estados Unidos no final de 2009, quando fui tirar o visto na embaixada americana, vi tanta burocracia que pensei que eles não me queriam lá e eu estava muito bem no meu país, então nem fazia muita questão de ir para fora do Brasil, mas depois você vai entendendo o porquê dessa exigência, o papel deles no cenário mundial, tem que ter essa exigência e você vai tomando mais consciência de nações.

Em 2011, fomos para Timor Leste, mas antes disso nós tínhamos a intenção de irmos para Índia ajudar no projeto As Meninas dos Olhos de Deus, do pastor José Rodrigues, é um trabalho que procura casais para cuidarem de crianças e esses se tornam pais e mães em uma casa, é um trabalho lindo, mas não era o tempo. Contudo, em 2011, fomos para Timor Leste e trabalhamos na Casa Vida que também cuidava de meninas com histórico de abuso, eu ministrava a Palavra para os obreiros da Casa Vida e Iranice ministrava a Palavra em um curso de discipulado baseado nas apostilas do Rhema para as meninas, falando do amor de Deus, identidade, pois muitas meninas chegam cheias de questionamentos.

Depois saímos, pois precisávamos renovar o visto e fomos para Indonésia, renovamos nosso visto,  fomos também ao Vietnã, Tailândia, Austrália, Nova Zelândia, então destravou todo aquele meu protocolo de não querer sair do Brasil e deu início a percepção das necessidades das nações. Você vai na Ásia, onde uma ave é um deus, uma pedra é um deus, um rato é um deus, é onde você vê como estão tão longe do que diz a Palavra, onde você tem a verdade e vê um povo sofrendo no engano, é muito egoísmo, você com tanta palavra e eles não tem uma gota. E pode ser que se eles tivessem uma gota do que nós temos aqui, estariam fazendo mais do que eu estou fazendo, porque você percebe tanto na Ásia quanto na África a intensidade deles no engano, na mentira, e você para e pensa: “quanto eu estou sendo intenso na verdade que eu tenho?” É quando você lembra de Jesus o primeiro missionário da história, ele tinha tudo para não se envolver com a gente, Ele era Deus, Ele era completo em tudo, então nós devemos ser intensos em levar a Palavra.

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Quanto a Moçambique meu coração está em paz e tenho certeza que Deus tem grandes coisas preparadas para aquele lugar e, graças a Deus que Ele pode contar com a gente, eu me sinto honrado por Deus. Não sei quanto tempo vamos ficar lá, mas independentemente se vamos colher ou não, é uma honra obedecer a vontade de Deus, é Ele quem está fazendo. É como o pedreiro, chega uma hora que ele para de usar a colher e pega a desempenadeira ou a régua, nós estamos sendo as colheres, quando chegar a hora de não usar mais a colher, Ele vai nos levar para outro lugar e vai usar a régua, ou se Ele quiser nos transformar em régua estamos dispostos, a obra é Dele. Cada dia fica mais forte essa certeza de que ali é o nosso lugar, hoje nós sentimos que a igreja de Brasília é a base e se eu ficar só na base é como se eu estivesse desobedecendo, e desobediência traz dor.

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Um cara amigo, confiável, ama a Palavra, eu não sei o que seria de mim sem essa Palavra, eu não teria vida; sou sincero, se eu falo sim pode acreditar que vai ser sim, mas se for não, pode esquecer; honestidade, uma pessoa de princípios, pode confiar. Se eu empenhar minha palavra, pode confiar, pois Provérbios me ensinou isso, eu penso muito antes de falar, as pessoas podem até me achar lento, mas é porque penso muito antes de tomar qualquer decisão. Eu não era mas eu aprendi a ser mais amoroso e compreensivo depois que casei, o casamento trouxe um equilíbrio, eu sou fiel.

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