Me chamo Lucas Rafael Lima de Oliveira, tenho 28 anos e nasci no dia 9 de outubro, de 1990, em Fortaleza (CE). Morei lá até os 26 anos. O mais interessante é que eu tenho esse nome Lucas Rafael porque minha mãe decidiu homenagear duas pessoas, o avô dela, (meu bisavô que era Lucas) e Rafael que é o nome do meu avô. Passei parte da minha vida sem conhecer meu pai. Isso é um fato curioso, porque minha mãe, Claudete, morava em Teresina e apesar de eu ter nascido em Fortaleza, toda minha família é do Piauí, fui um dos primeiros da família a nascer em Fortaleza. Isso aconteceu, porque meu avô foi morar em Fortaleza, ele era concursado do Banco do Brasil e foi para lá.

Minha mãe é da cidade de Parnaíba no litoral, ela se formou na mesma Universidade que eu, a universidade de Fortaleza, mas ela trabalhava no Banco do Estado do Piauí e foi lá que ela conheceu meu pai e começaram a se relacionar. Não chegaram a casar nem morar juntos, mas tinham um certo compromisso. E então, ela ficou grávida e ele disse que não ia assumir, porque não estava preparado para ser pai. Na época ela tinha trinta e poucos anos e sonhava em ser mãe, eu sou filho único dela. Minha mãe trabalhou até quase o fim da gestação e aí foi para Fortaleza. 

Algumas pessoas perguntavam a minha mãe por que ela não abortava? Isso mexia muito com ela, mas por outro lado ela tinha esse sonho de ser mãe. Meu avô nos acolheu e disse que ela podia mudar para lá que ele criaria como se fosse filho dele. E existe outra questão, o meu avô teve duas filhas e o sonho da minha avó era ter dado um filho homem para ele. E eu fui o primeiro neto homem, para meu avô foi uma felicidade. Minha avó não aceitava a história tão bem assim, mas quando me viu a história foi outra, eu não fui registrado como filho deles, mas a minha guarda era deles. O que nós não esperávamos era que antes de eu completar dois anos meu avô viria a falecer. Então, eu passei uma  vida inteira sem uma presença paterna, masculina, dentro de casa.

Minha mãe me educou de uma forma fantástica. Antigamente, trinta anos atrás, você entrava numa sala de aula de 50 crianças e a maioria, para não dizer todos, tinham pai e mãe, hoje não é assim mais, mas na minha época era, não se tinha divórcio nessa proporção de hoje. Então, chegava na festa do Dia dos Pais e era horrível. E com isso, eu comecei a ficar muito tímido, com 8 anos, minha mãe me levou a um psicólogo, com quem eu pudesse falar. A terapia foi me ajudando bastante.

Eu fui uma criança que lia muito. Desde pequeno, fui incentivado a ler pela minha mãe. Ela lia histórias em quadrinhos para mim quando eu não sabia ler, me levava ao cinema, ao teatro, eu inventava muitas coisas para brincar. Eu fiz onze anos de natação, cinco anos de jiu-jitsu e sempre gostei muito de futebol. Com dez anos, meu sonho era ir no estádio e não tinha quem me levasse. No Ceará é muito forte essa rivalidade entre os times principais, o Ceará e o Fortaleza, o futebol lá é bem forte.

Quando eu tinha 13 anos tentei me aproximar do meu pai, escrevi uma carta para ele, o psicólogo me ajudou nisso, porém não obtive resposta. Então, depois de alguns anos minha mãe foi atrás dele para que ele me assumisse, judicialmente. E o processo foi se encaminhando, até essa idade eu não tinha recebido nenhum tipo de auxílio financeiro dele. Assim, o meu primeiro encontro com meu pai foi aos 17 anos, na frente de uma juíza para realizar um teste de DNA, nessa etapa do processo ele esteve presente, porque senão perderia automaticamente o processo e teria que começar a pagar a pensão imediata. Então, em setembro de 2007, eu conheci meu pai pela primeira vez, no fórum de Fortaleza.

Minha mãe ficou muito mais nervosa do que eu, o que eu tinha e sempre tive, até essa época, era a ausência de uma presença paterna, não necessariamente ele. Se eu tivesse sido criado pelo meu avô, tudo o que eu sentia seria transmitido para ele e não teria essa ausência. Como eu nunca tinha ouvido meu pai, nem a versão dele eu não tinha desenvolvido nenhum tipo de rancor ou sentimento negativo em relação a ele. Então, quando chegamos no fórum na frente da juíza ele estava de óculos escuros, bem frio, pegou o papel, assinou, jogou em cima da mesa e fez o exame, que deu positivo. E, a partir daquele momento, ele precisou assumir. Eu nunca tive essa necessidade. Não mudei meus documentos, continuei com o mesmo nome até hoje.

Minha mãe é o maior exemplo de uma mãe que alguém pode ter. Talvez quando eu for pai e ver minha esposa sendo mãe, poderei entender um pouco mais do que ela sente, mas tudo o que acontece na minha vida é potencializado nas emoções dela. É como se eu fosse aquele sonho que ela tinha quando moça de ser mãe e todas as coisas que ela não pôde ter na vida dela, ela quer ter para mim. Ela me criou com todo o carinho, amor e atenção, dando o máximo que podia dar. Ultrapassando qualquer limite de amor humano eu sei que é o que minha mãe tem por mim. Ela é assim. Ela também tem limitações, mas ela é uma pessoa impressionante. Se, por acaso, meus filhos precisassem ser criados por ela, eu sei que seriam bem criados.

Não pense que eu fui mimado. O bom de ser filho único é ter as coisas girando em volta de você dentro de casa, mas os contras é que quando você quer brincar, morando numa cidade grande é complicado. E a cobrança também acaba sendo maior em um filho único e também por ter sido o primeiro neto. Quase todo dia eu também levava uma “surra”, porque eu era muito teimoso.

Minha vó, Alzenira, sempre dizia “Nunca se esqueça que avó é mãe duas vezes” e ela é. O sentimento que minha avó teria por um filho, ela tem por mim. Hoje, ela tem 94 anos, até pouco tempo atrás, uns cinco anos atrás ela dirigia, ela está bem lúcida.

Eu nunca fui um aluno ruim, passava sempre de ano na escola, até chegar aos quinze anos, onde tive uma fase de muitas descobertas, no mundo. Eu comecei a sair, a namorar bastante e a beber também. Nessa fase houve um grande desinteresse nos estudos.

Eu queria ser policial federal e para isso precisava estudar Direito, mas no colégio meus professores diziam que seria um desperdício, pois quando liam meus textos viam que eu era muito criativo. Eles me aconselharam a fazer algo como Publicidade e eu fui na onda deles. Fiz o vestibular, mas naquele momento aconteceu algo raro e eu tive uma crise emocional, algo que nunca tinha acontecido. Eu me desesperei no vestibular, tinha 17 anos na época.

Eu tinha muita pressão do colégio para passar, eles contavam com minha vaga. Eu estava certo e muito confiante, mas quando abri a prova e vi as questões de Português tinham assuntos que os professores não tinham ensinado. Fui fazendo a prova, quase desistindo. Anularam cinco questões que eu tinha acertado e por uma questão eu não passei.

Tentei a Universidade Federal do Ceará e várias outras e não passei. Tinha uma faculdade particular muito boa em Fortaleza, em estrutura e tudo mais, mas eu nem queria fazer o vestibular, porque queria passar na Federal. Mas acabei fazendo, fiquei em décimo terceiro lugar, e comecei a fazer Publicidade. No primeiro semestre do curso, percebi que não estava gostando.

A porta para eu me aproximar de Jesus foi quando minha tia se converteu. Minha mãe e minha vó nem sonhavam com isso, porque elas não gostavam de crente. Eu comecei a assistir algumas ministrações do RR. Soares pela televisão e gostei. Comecei a ir escondido para uma Igreja da Graça. Essa igreja tinha vários cultos, eu saía da escola e ia direto para lá escondido, nos cultos da quarta-feira ao meio dia. Tinha uma igreja na quadra de casa, mas minha mãe só me deixava sair se fosse pra missa. Mas eu ia para essa igreja no domingo à noite no horário da missa. Uma vez eu me atrasei para voltar e ela já estava no portão me esperando pra saber de onde é que eu vinha. E na hora que eu falei foi como se fosse uma traição pra ela. Ela passou duas semanas sem falar comigo.

Foi uma coisa impressionante, nunca tinha acontecido algo parecido, hoje eu entendo o que realmente aconteceu. Minha conversão foi realmente sincera, o pastor começou a chamar quem queria ir lá na frente aceitar Jesus e eu estava de olhos fechados e eu fui, levantei a mão, nunca tinha escutado sobre aquilo, sobre aceitar e sobre  o sacrifício de Jesus. Quando eu vi só tinha eu lá na frente e o pessoal bateu palmas e tudo mais. Eu aceitei Jesus, mas não tinha entendimento nenhum, não houve mudança em minha vida. Na igreja que comecei a frequentar havia um pastor missionário, um homem com o coração muito quebrantado que queimava por missões. E foi lá que eu ouvi falar sobre a base “Jovens com uma Missão” (Jocum) e fiquei muito impactado. Tinha um desejo de ser preparado para alguma coisa.

Eu ouvi falar sobre a Jocum, fui muito impactado com aquilo dali, com as obras deles e eu tinha aquele desejo de ser preparado para alguma coisa, aí eu pensei: “Cara eu fiz esse primeiro semestre de Publicidade, não gostei muito, mas fiz aquele primeiro semestre, todo mundo faz né? Comunicação bem básica, aí fui falei que ia tirar seis meses da minha vida para fazer a escola lá da Jocum”. 

Tem escola de treinamento e discipulado e fui pra Goiânia, que não é a maior base do Brasil, mas é bem importante, fiz todo o contato e fui passar o segundo semestre de 2009 lá. Fiz a escola e  acredito que o mais importante aconteceu, eu tinha um problema muito grande em relação à paternidade que eu não sabia, mas paternidade com Deus, eu não chamava Deus de Pai, Deus era Senhor, certo?

Hoje eu tenho esse conhecimento que eu não tinha antes, imagina você com trauma, com coisa que você nem mexe, e lá eu não conseguia chamar Deus de Pai, mas na Jocum eu pude descobrir um pouco da paternidade de Deus, porque a minha mãe estava 3 mil quilômetros de distância, e lá eu precisava ser tratado. Lá  existem aulas falando sobre a paternidade de Deus, eu conversei com alguns pastores, e graças a Deus, esse é um ponto muito interessante, Deus sempre levantou homens para cuidarem de mim.

Eu tenho um amor muito grande e  apreço pelo pastor que me recebeu, por outro pastor de missões, pelo homem que Deus levantou dentro da Jocum para me discipular e olha, um ex-homossexual que tinha sido até travesti, um homem que era até meio afeminado, mas meu Deus, quanto amor, quanta maturidade de tratar as coisas, de cobrar as coisas, meu Deus que bênção!

Na Jocum foi assim e foi um tempo de muito treinamento para mim, muito amadurecimento, sofrimento também, porque nessa época meu pai conseguiu uma ação, não sei como ele conseguiu derrubar a pensão, foi uma coisa que mexeu comigo, um ano basicamente depois, eu estava namorando com uma menina que foi minha primeira namorada, a gente tinha se reaproximado. Essa menina era “crente”, e estava meio afastada, foi bem ruim.

Conheci uma menina da Globo São Paulo, ela falou um pouco sobre Jornalismo, quando eu voltei já foi decido, eu vou fazer esse curso, fiz deu tudo certo, e Deus foi me abençoando mais ainda. Quando voltei eu tive alguns desvios nesse caminho para poder ajustas minhas emoções.

Com relação ao meu pai, quando eu voltei, ainda arrumei o número dele, liguei, me identifiquei, mas ele desligou o telefone na minha cara, aí depois eu pensei assim: “Cara, eu tentei fazer minha parte, procurei algumas vezes, não tem nada a ver com minha mãe, acho que no meio do processo, tem a briga entres os dois e eu estou no meio da história”. Enfim, eu tentei fazer minha parte, agora estava resolvido com Deus, a situação era outra, agora eu não chamo Deus de Deus, eu chamo Deus de Pai. Hoje é assim.

Nesse tempo, a igreja que eu fazia parte acabou fechando também, muitos acabaram indo para o Verbo da Vida em Fortaleza, graças a Deus, fizeram o Rhema. Eu fiquei entre o Verbo da Vida e a Igreja da Paz. Optei pela Igreja da Paz e fiquei quase cinco anos lá. Nessa igreja fui discipulado pelo pastor de Jovens e ele me acompanhou e, de certa forma, me acompanha ainda, me chama de filho.

Eu tinha um desejo muito forte de entrar para trabalhar na televisão e sabia que no Ceará as coisas da comunicação eram baseadas no apadrinhamento. Principalmente no maior grupo de comunicação que tem lá. Existia uma TV com muita abertura no esporte e lá tinha um homem, diretor de jornalismo, nessa época, eu estudava com um menino que já trabalhava nessa emissora, e ele me deu o nome do desse diretor. Diziam que esse homem era bem ignorante e eu pensei: “Eu vou falar com ele”. Eu estava no segundo semestre de Jornalismo. Fui na TV umas oito vezes para encontrá-lo e ele nunca estava. Consegui o número do telefone da sala dele, liguei e na hora que ele atendeu eu desliguei e corri para a TV, pois sabia que ele estava lá. Cheguei e falei: “Eu vim falar com Roberto Moreira, diretor de Jornalismo”. Me apresentei na recepção e disse: “Diga que é o Lucas da Universidade de Fortaleza – UNIFOR” a moça ligou e disse-me: “Pode subir”. Quando subi ele estava brigando com um estagiário, mas me mandou entrar e entrei. Eu disse que queria uma oportunidade para trabalhar na emissora, mostrei o currículo e ele percebeu que eu estava atrasado um semestre, então expliquei que tinha ido fazer um curso.

Ele me mandou procurar a secretaria de Recursos Humanos. Fiz a entrevista, elas falaram que as vagas tinham sido fechadas já, mas eu permaneci enchendo o saco, perturbei até a mulher me atender. Passado uns seis meses, eles fizeram um teste para novos estagiários no Esporte e enquanto isso, eu orava, sem muito entendimento, mas estava perseverando. E enfim, meses depois, eu entrei nessa vaga, em uma TV comercial, sem nenhum apadrinhamento, sem saber segurar em um microfone, não sabia nada do Jornalismo na prática.

Fui trabalhar e fiquei olhando, no segundo dia, a chefe falou que não ia me ensinar e eu tinha que correr atrás, e me motivou essa instrução, procurei ser proativo, ser produtivo mesmo. Cheguei a fazer onze pautas por dia, concentrado, mas comecei. Tirei as férias da repórter e com dez meses de estágio, fui contratado. Eu estava no quarto semestre do curso ainda, hoje tenho 28 anos de idade, e oito anos de TV. Conheci as cinco regiões do país fazendo matérias.

Em meio a isso, saí da Igreja da Paz, entrei no Verbo da Vida e comecei a fazer o Rhema, ou seja, em 2016, enquanto cursava Jornalismo e ainda trabalhava na TV,  fiz o primeiro ano do Rhema e meu Trabalho de Conclusão de Curso – TCC.

Conheci o pastor Fábio no Verbo de Benfica, que também era diretor do Rhema local e líder dos jovens. Houve uma conexão entre nós. Na apresentação do meu TCC estava meu antigo pastor e o pastor Fábio juntos, e foi uma honra para mim.

Depois disso, o pastor Fábio teve uma direção de ir para Teresina (PI), até ai eu não ia para lá, estava vivendo a minha vida, fiz até um almoço de despedida para eles na minha casa, ajudei na mudança deles para lá e voltei para Fortaleza, mas quando estava no fim de 2016, algo começou a acontecer por dentro, como se meu tempo ali em Fortaleza já estivesse acabando.

Conversei com o pastor local e fui passar o ano novo em Teresina com Fabio e Samary e lá e o Senhor me falou: “Para que algumas coisas aconteçam na sua vida é preciso que você saia de onde está.” Ninguém me convidou, mas eu tinha uma instrução por dentro. Eu falei com o pastor Fábio e voltei para Fortaleza, comuniquei aos meus chefes, pedi que me demitissem, falei que queria estudar. Eles entenderam e saí em paz.

Meu chefe chegou a entrar em contato com o diretor da emissora de TV de lá e, de certa forma, fui transferido para a TV Clube (Globo local), cheguei em março e em junho comecei a trabalhar. Mas Deus estava fazendo algo, todos os dias eu conversava com Paulo Nóbrega, que é o responsável pela emissora, e eu declarava: “Paulo você vai me contratar.” Era em fé que eu falava ainda em Fortaleza, ele não me conhecia, mas me contratou, as pessoas podem até falar que pessoas me indicaram, mas para mim foi resposta de oração e fé.

Sou muito grato a Deus, por ter me dado condições de chegar até aqui, por ser meu Pai em todos os momentos. A minha mãe que foi uma ferramenta usada por Ele e soube me educar muito bem, digo sempre a ela que, até hoje, ela continua me dando suporte.

Sou grato a minha vó, hoje talvez eu me preocupe mais com ela do que com a minha mãe. Grato pelo amor, carinho e atenção.

A minha esposa que de um ano para cá se tornou muito importante para mim e em todos os momentos está comigo.

Aos meus mentores espirituais, pastor Fábio e a Samary que são meus pastores e como costumo dizer, ela é a minha “mãe branca”. Morei com eles por um ano lá e foi um tempo precioso, tenho tanta gratidão…

Sou grato a todos que estão presentes na minha vida, ou não, são tão preciosos!

Quero registrar algumas referências. Manoel Dias é um homem que, mesmo à distância, admiro o equilíbrio e a seriedade que ele tem. A mesma força que ele coloca no mover e nas manifestações do Espírito coloca na Palavra, existe um equilíbrio grande nisso. A possibilidade de ter erro é mínima.

Admiro o Pastor Douglas de Igarassu (PE), ele é um homem íntegro no ministério e gosto disso.   

Admiro muito Herênio Ramiro, por mais que não esteja tão evidente hoje, o meu primeiro contato com a Palavra da Fé foi com ele. Em uma conferência que ele fez nessa pequena igreja que congreguei e eu tinha apenas um mês de crente, não o vi apenas ministrar, mas vi colocar as mãos no ouvido de uma pessoa surda e ela sair curada, e ele rindo, eu ficava maravilhado e depois descobri que ele era um profeta.

Tenho uma experiência marcante que quero compartilhar…

No final de 2014 e começo de 2015, eu tinha um mês de folgas acumuladas, juntei com um mês de férias e fui fazer um intercâmbio no México. Trabalhei em um projeto com crianças carentes, na periferia de León. Algo totalmente voluntário, onde brasileiros vão dar aula de futebol.

Era algo que eu tinha vontade, passei três anos estudando espanhol, para me qualificar profissionalmente. Tinha um grande amigo que gerenciava uma empresa de intercâmbio que sempre me incentivou. Me programei, falei com o diretor da TV e por causa da quantidade de folgas, ele autorizou.

Foram seis semanas de descobertas, aprimoramento e dependência em Deus. Descanso. Desafios e diversão. Visitei muitos lugares no país: Guadalajara, Cidade do México, Guanajuato… Mas, o que mais tenho em mente são as crianças. A gente orava junto, falava da palavra. No fim, todos aceitaram Jesus. Até hoje eu tenho a bola autografada com o nome dos meninos, eles me deram na despedida.

Em julho completei um ano de casado. Eu sou de Fortaleza, a minha esposa Morganna é de Campina Grande e nos conhecemos em Teresina. Não fomos para lá para casar, mas estávamos com o coração disponível, cada um servindo no Verbo da Vida de lá. E assim, as coisas foram acontecendo. Nos encontramos, nos conhecemos, Deus já havia dito algumas coisas ao coração dela que eu iria encontrá-la quando estivesse no caminho certo da obediência. Então, isso aconteceu. A princípio, eu não a conhecia pessoalmente ainda, mas depois os pastores nos apresentaram, e até brincaram com a gente, começamos a conversar um pouco, e eu queria de fato casar, e logo no primeiro encontro, saímos para almoçar e eu disse isso para ela. Começamos a namorar no dia do aniversário dela,  na casa do pastor Judvan e da Rossana (onde ela morava)  e lá eu a pedi em namoro.

O tempo foi passando, fomos em frente, noivamos no dia do meu aniversário. Casamos no civil em Fortaleza e a cerimônia religiosa aconteceu uma semana depois em Campina Grande, no dia 16 de julho,  de 2018.

Morganna é uma excelente esposa. Vale ressaltar que nós nos preparamos para isso também, fomos ensinados sobre o meu papel e ela sobre o papel dela. E que existe o mínimo de cobrança em casa com relação a isso. Porque como tentamos fazer a nossa parte, então, não existe cobrança. A parte dela, ela faz muito bem. Como uma dona de casa, como cuidar de mim, como se preocupar com coisas técnicas do casamento, de tudo e como pessoa.

Deus para mim é o meu Pai. Aquele que cuida de mim, aquele que se manifesta sim! Com caráter, que me dá todas as oportunidades, que me dá condições de permanecer nessas oportunidades, Ele me mostrou seu caráter paternal. Ele não muda. Ele é o meu PAI, que me supre, que se comunica comigo, que me conhece, que sabe de todas erradas e falhas da minha vida, do passado, do presente e as que ainda vou fazer, mas que ainda assim, me olha como filho e tem prazer. Sou grato por ter esse conhecimento de quem Ele é para mim e de quem eu sou hoje. Meu relacionamento com Ele é exatamente isso. De um filho com um Pai. E na medida que esse relacionamento vai se tornando mais maduro, vai aumentando a responsabilidade nas coisas que herdei dEle.

O que mais me alegra na vida é, sem demagogia, quando vejo o ministério de Jesus se cumprindo, não existe, para mim, satisfação maior. Porque quando estamos no centro da vontade de Deus, fazendo exatamente aquilo que fomos feitos para fazer, quando você vê aquilo se cumprindo e você inserido, acredito que não existe satisfação maior para uma pessoa.

Em contrapartida, o que mais me entristece é perder o coração de pessoas. Isso é o que pode me angustiar muito, porque nós somos seres espirituais e por isso as nossas ligações são espirituais. Logo,  se você perder o coração de uma pessoa você perde tudo nela, não adianta você ter atitudes educadas, sociais, porque isso é apenas aparência. De fato, quando você perde o coração de uma pessoa, já perdeu A PESSOA. Isso pode acontecer por uma atitude voluntária ou involuntária, por isso devemos ser cuidadosos nos nossos relacionamentos.

Daqui há alguns anos, me vejo dentro do meu chamado, um pouco mais maduro e deixando, no tempo certo, o lado profissional de lado para fazer exatamente o que fui chamado a fazer. Vou levar essa palavra às pessoas, manifestando o poder de Deus, avançando com a minha esposa, não sei se com filhos ainda, mas entrando em uma nova fase do ministério, imerso dentro dele. Quero estar no local da obediência sempre. Sempre avançando em Deus, vai acontecer assim! Abrindo mão de muitas coisas, principalmente das minhas vontades, mas fazendo a vontade de Deus e chegando ainda mais perto do que Ele tem para mim. Olhando para o centro e errando menos.

Sou um sonhador! Acredito em grandes coisas e trabalho no secreto para que isso um dia aconteça. Sempre me alimentando, colocando dentro de mim um bom depósito, para que, no dia certo, Ele abra isso. Trabalho com responsabilidade, organização, segurança, equilíbrio, e com sinceridade diante de Deus.

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