Nasci na cidade de Bastos, em São Paulo (SP). Mas sou da segunda geração de Japoneses. Vim de uma família que cultivava frutas. Meus pais e meus avós eram agricultores e depois também foram sericicultores, que envolve o desenvolvimento de tecidos. Com 16 anos, passei por um a experiencia que me marcou. Nessa época, eu tive um namorado que faleceu. Eu era católica, mas não praticante, então, quando eu sofri com a perda desse namoradinho, comecei a conhecer o budismo. Foi lá que conheci também o Nelson, que era um líder dentro da religião. Ele já era aquele rapaz que chamava atenção por ser inteligente e porque conhecia bem do budismo. Nelson veio me falar palavras bonitas e eram as que eu estava precisando. Ele também sempre me olhava de um modo diferente. Foi aí onde fomos nos conhecendo e começamos a namorar. 

Casei com o Nelson em 1990, ano em que ele também se formou na faculdade. Quando voltamos ao Japão, já casados, foi porque tivemos uma dificuldade financeira, quando tentamos começar um empreendimento que não deu certo. Também nessa época, o meu pai faleceu. Assim, Nelson e eu viajamos para o Japão. Lá, continuamos no budismo. Eu fiquei 15 anos nessa religião e o Nelson ficou 35 anos no total. 

Me converti no tempo em que minha filha, ainda pequena, estava doente e teve que ser submetida a uma cirurgia. Vejo que, nessa época, Deus se moveu através de pessoas para que Nelson e eu fôssemos salvos, porque Ele sabia do nosso chamado. Cristãos que trabalhavam para o Nelson no Japão, se aproximaram de nós e sempre oravam por nós. Vieram as irmãs da igreja deles e até o pastor. Quando o pastor veio, eu pedi oração, mesmo ainda sendo de outra religião. Eles me fizeram o apelo dizendo que só orariam se eu aceitasse Jesus (risos). Me colocaram contra a parede e então eu disse que iria aceitar.

Mas, aquelas palavras do pastor e a oração foram bem fortes dentro de mim. Faz 15 anos. Visitei a igreja evangélica e aceitei a Cristo sem o Nelson saber, porque ele não permitiria, já que éramos tão religiosos e ele era um líder budista. Enquanto eu ouvia a Palavra e estava sendo aconselhada pelos que me acompanharam na igreja, comecei a demonstrar o Evangelho no meu dia a dia e em atitudes. Ele começou a ver as diferenças em mim. Então, chegou o dia em que falei que havia me convertido e expressei que estava muito feliz com isso. Mesmo assim, ele não concordava. Nelson visitou a igreja somente depois, quando veio um juiz à cidade para ministrar. Eu o convidei e ele quis ir para saber o que aquele juiz tinha a dizer sobre o Evangelho. Ele foi muito tocado por Deus naquele dia. Passou por uma experiência sobrenatural e chorou em todo o culto. No segundo dia, visitando aquela igreja, ele se converteu. 

Ficamos naquela igreja e, em algum tempo, passamos a congregar em outra bem tradicional. Porém, nós começamos a ficar confusos com as doutrinas que tínhamos contato e estávamos dispostos a estudar a Bíblia de maneira independente.  Eu trabalhava o tempo todo na igreja, como voluntária. Servia de maneira integral, porque queria ser missionária. Mas, chegou um ponto no qual a igreja que congregávamos deixou de lado os projetos com missões. Nesse tempo, eu fui estudar mais o idioma japonês em um curso oferecido pelo governo, já que ainda não falávamos tão bem. Foi nesse curso que eu tinha uma amiga que nos apresentou Jusciê e Joanice Arcanjo.

Já bem decididos a estudarmos a Bíblia de maneira independente, Nelson e eu começamos a realizar reuniões de estudo. Alguns amigos se uniram a nós, inclusive convidamos Jusciê e Joanice para participarem conosco. Também pedi para Jusciê explicar ao Nelson sobre a escola que ele mencionava sempre: o Centro de Treinamento Bíblico Rhema. Dessa maneira, fomos da primeira turma no Rhema no Japão, a de 2013 a 2014. Jusciê e sua família estavam congregando na nossa igreja, que depois se tornou associada ao Verbo da Vida. Éramos um ministério independente, mas, em 2017, nós visitamos a Sede do Ministério Verbo da Vida em Campina Grande (PB). Lá, percebemos que esta é uma grande obra e com várias igrejas. Depois que viemos do Brasil e oficializamos nossa congregação como Verbo da Vida, tivemos muito crescimento. Hoje, já estamos na quarta turma do Rhema. Estamos crescendo!

O meu esposo é um “pastorzão”, ama o convívio com muitas pessoas e se comove com elas. Ele é uma pessoa muito boa, muito amorosa e somos uma família bem unida. Minha filha vê muito “love love” entre nós (risos). Eu sou aquela que vai mais na razão, já o Nelson é mais na emoção. Vejo as coisas nos detalhes e sempre dou uns toques a ele. Em Cristo, é tudo feito com muito amor em nosso lar!

Larissa nasceu no Japão e é nossa única filha. Quando pequena, eu fazia dela uma preciosidade. No tempo em que ficou doente, eu me converti por ela, porque eu estava sofrendo com aquilo. Minha mãe morou conosco por dois anos depois que voltamos para o Japão. Ela cuidou da nossa filha e conversava com ela em português na nossa casa. Na época de entrar na escola, Larissa foi para um colégio Japonês. Para ela foi um choque cultural. Quando começamos a congregar na igreja, novamente só se falava em português. Ela sofreu com essas mudanças, mas hoje o Senhor a fez superar e tem se desenvolvido muito bem nas suas atividades, inclusive na igreja.

Para o futuro, temos um projeto de desenvolvermos um asilo para cuidar de idosos, tanto brasileiros, quanto japoneses. No japão, vemos uma população muito envelhecida fisicamente, mas também pobres espiritualmente. Eles são cheios do que é material e não têm falta, mas são solitários. A taxa de suicídio é uma das mais altas, cerca de 250 mil pessoas por ano. Queremos alcançar aquele povo. Meu sonho é ver essa situação mudando, ver o Japão avivado. Se meu esposo que era líder budista se converteu, creio que qualquer pessoa de lá, pode se converter.

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