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Tenho 40 anos com muito orgulho. Vejo as minhas amigas com dificuldades porque chegaram aos 40, mas eu me orgulho da minha idade. Sou natural de Campina Grande-PB, nasci e cresci e também casei aqui. Na cidade conheci, Samuel. Nunca tinha saído de Campina Grande até então.

A minha infância foi maravilhosa. Sempre morei na cidade, mas tenho muitos familiares na zona rural. Tive o privilégio de ter uma infância na qual de segunda a sexta eu estava estudando e na sexta a tarde eu ia com meus primos passar o fim de semana na casa da minha avó na fazenda. Por isso, convivi muito com pessoas nesse lugar e era um tempo bom. Sempre fui urbana e rural (risos), sempre amei estar nesse meio, com meus familiares que são pessoas simples.

Meu avô era fazendeiro, aprendi a ajudar outras pessoas com ele. Lá tinham pessoas que trabalhavam na área rural, ele criava gado, cavalos, e minha vó criava as galinhas. Crescer nesse ambiente foi saudável; carrego comigo essas coisas simples até hoje.

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Tive meus pais bem presentes, nunca me deixaram faltar nada. Hoje sei a importância de oferecer o melhor aos nossos filhos. Meu pai tinha quatro filhos e crescemos estudando nas melhores escolas. Ele tornou-se empresário, desde cedo eu e meus irmãos trabalhávamos com ele. Eramos funcionários dele, eu trabalhava no caixa, estudava e trabalhava. Ouvi muitos conselhos da minha mãe ao longo da minha infância. Tudo o que ela queria que nós não passássemos ela nos ensinou. Para ela, uma filha casar seguindo seus conselhos era o mais saudável.

Fomos ensinados nos princípios cristãos, minha mãe começou a frequentar uma igreja evangélica (meu pai não era crente) ele não queria que ela fosse, mas, mesmo o respeitando muito, ia e nos levava, claro que ela teve muita sabedoria com isso. Eu ia dormir com minha mãe contando histórias da Bíblia.

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Minha mãe é uma guerreira. Ela me ensinou muitas coisas, mesmo quando ela nem sabia que ensinava. Eu a amo muito. Quando cheguei no Verbo da Vida e ouvi as ministrações e a que a Palavra é a semente, percebi que vi isso na minha infância inteira… Quando eu falava algo negativo, a minha mãe dizia: “minha filha, palavras são sementes. Cuidado no que fala”. Ela não tinha muito conhecimento da Palavra, mas dizia muitas coisas sensatas. Ela casou aos 14 anos, e, quando eu nasci, ela estava com quase 16 anos. Às vezes, andávamos na rua e eu com 15 anos e ela com praticamente 30; as pessoas perguntavam se éramos irmãs, eu gostava disso. Minha mãe sempre foi muito dedicada, parecia que ela tinha tido aulas de família cristã.

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Meu pai costumava beber e, às vezes, bebia mais do que gostaríamos que ele bebesse. Minha mãe não gostava, porque fazia mal a ele. Mas ela era sempre dedicada, não importava a hora que ele chegasse, ela levantava e colocava a comida dele. Eu cresci vendo uma mulher sábia dentro de casa. Ela cuidava da casa, cozinhava, cuidava de nós, sempre estava presente. Às vezes, meu guarda roupa estava bagunçado e ela vinha tirava todas as roupas e dizia: “arrume“! Quando eu  era pequena, ela arrumava, mas, quando cresci, chegou o tempo de eu mesma arrumar. O que era para aprender na infância, ela me ensinou.

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Meu pai é fantástico. Eu sou apaixonada por ele. Pelos dois. Acho ele um homem forte, guerreiro, batalhador um homem que nunca deixou faltar nada para a família. Ele confiava nos filhos, eu cresci com liberdade para sair com as minhas amigas. Sou grata, porque aos 18 anos, já tinha um carro, sempre tivemos uma boa comunicação em casa. Lembro uma vez, quando eu ainda era caixa da loja… Na época, as pessoas chegavam lá para trocar uma nota de 50 reais, por cinco cédulas de 10, e tinha aquele que colocava no bolso e dizia: você só me deu 40 (para assim pegar mais 10). Lembro que um dia uma pessoa fez isso, e chamei logo meu pai, porque a pessoa quis ficar alterada e, quando meu pai chegou, contei para ele o ocorrido.

Então ele perguntou a mim na frente dessa pessoa:” quanto foi que você deu a ele?” Eu falei a verdade. E meu pai falou com a pessoa: “saia daqui agora, porque eu acredito na minha filha!” Isso me marcou até hoje, porque vi que ele confiava em mim. Não sei nem se meu pai lembra disso, mas, muitas coisas deles dois me marcaram. Sabia que podia contar com eles. Foram meus referenciais de trabalho.

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Minha mãe foi avó aos 37 anos, muio jovem, na minha idade ela já tinha dois netos. Aos 38 anos ela resolveu fazer supletivo porque queria fazer vestibular. Eu a incentivei muito, ela fez e passou para pedagogia na universidade estadual. Lembro quando fui para Recife que ela fez uma pós graduação e depois ela montou uma clinica, pois fez psico-pedagogia. Depois ela resolveu estudar para concursos e fez dois, passando assim nos dois; um municipal e outro estadual. Ela é uma referência de que nunca é tarde para começar! Isso serve de testemunho para mim hoje em dia e me ajuda no chamado, pois sou esposa de pastor, recebo tantas mulheres que acham que tudo já acabou para elas, porque têm 35/40 anos. Então, as lembro que sempre é tempo de começar; dou o exemplo da minha mãe. Meus pais são exemplos para minha vida e ministério.

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Meu casamento foi maravilhoso! Eu sonhava com meu casamento. Graças a Deus, eu ouvi minha mãe dizer: “só case quando terminar a sua graduação”. Vá estudar, faça cursos, fiz muitos cursos. Tanto eu como as minhas irmãs, pegamos isso de nossos pais e estudamos. Sempre quis a minha independência, mas tinha o sonho de me casar. Ainda adolescente, tive uns namoradinhos, mas não tinham futuro e minha mãe chegava e dizia logo: “não tem futuro”.

Ela me disse: “peça a Deus o seu namorado. Peça um marido de Deus”. Às vezes, conversava com ela e lembro que uma vez eu estava orando de joelhos, pai eu quero um marido um homem de Deus. E Samuel apareceu, como resposta de oração ao meu pedido. Um homem de Deus, minha mãe contribuiu para isso.

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Namoramos por 3 anos e foi um namoro saudável. Já tínhamos convicção e, com dois anos de namoro, comecei a fazer enxoval. Em 1999 nos casamos,  foi maravilhoso. Samuel foi um presente que honrou mais a minha mãe do que a mim. Eu tinha consciência de que queria a minha independência financeira e profissional, mas queria ser uma dona de casa. O casamento foi tranquilo. Tinha o sonho de ter filhos, e veio Samuel Filho e Gabriel. Dois meninos. Estou muito satisfeita reinando no meio dos homens da minha vida, meu marido e meus dois filhos.

Samuel tem 16 anos e Gabriel tem 10. É maravilhoso ser mãe. Não tive dificuldades com meus filhos mesmo agora na adolescência, tudo é você ensinar a honrar e obedecer. Às vezes, me acho meio “caxias” (rígida) e ensino que tem hora para tudo, mas graças a Deus, meus filhos são obedientes.

Eles são responsáveis, não preciso os mandar estudar, mas isso é fruto de ensino desde pequenos. Por um tempo, lideramos os adolescentes e as pessoas diziam “aborrecentes” e eu dizia: “nada disso, eles são bençãos“. Hoje, vejo que o que aprendi posso praticar com os meus filhos.

Nossos filhos aprenderam a amar e honrar o que nós fazemos. Se você perguntar a Gabriel o que ele quer ser quando crescer, ele vai dizer: “pastor”, porque tem o pai como referencial. Alguns filhos não querem nem saber de ministério. Ele já disse que quer ser pastor e diretor do Rhema. Às vezes diz querer ser mestre ou profeta (risos). Acho isso bom, porque são as referências que ele tem.

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Temos uma vida bem corrida no ministério, mas separamos um tempo e não abrimos mão das férias, de viajar, gostamos muito de viajar; em especial para o nordeste já que moramos em Brasília. Também existem os momentos das programações deles (os homens) e eu faço as minhas programações sem problemas. Outras vezes, andamos a cavalo, gostamos muito. Passeamos muito, eu vivia em parque no começo, embarcamos com eles na diversão, muitas vezes.

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Eu lido bem com a vida e com os desafios, eles chegam, mas eu vou passando. Já passei diante de tantas coisas e tenho sempre em mente que Deus está comigo nesse negócio. Sejam desafios pessoais ou ministeriais, todos passam, enfrentamos e tem sido assim. Já mudamos de lugares muitas vezes: Recife, Fortaleza e agora Brasília. Ficando cada vez mais longe da nossa família, e vi Deus nos dando a graça para cada coisa. Não me preocupo, sei que Deus está comigo.

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Tenho algumas referências na minha vida. Minha mãe é uma, minhas duas avós, carrego muitas coisas delas também. Minha avó é extremamente organizada e peguei isso dela, o espírito de excelência… Elas não tiveram muito estudo, mas eram dedicadas, minha sogra é uma mulher maravilhosa, divertida, sempre olhei para elas procurando me espelhar. Outra referencia é meu pai também. Ana Helena Barbosa é como uma mãe, lembro do primeiro abraço que ela me deu em Brasília, ela tem um brilho, foquei nela como exemplo. Samuel olhava para o pastor Joselito e eu olhava para Ana, eles são referencias de homem e mulher de Deus. Por fim, tem meu sogro, que é um homem de Deus. Sempre achei meu sogro muito culto, inteligente ao falar de Deus, eu ficava encantada vendo-o falar do Senhor, daquele jeito. Mas, quando cheguei no verbo, vi como é fácil falar de Deus.

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Eu sou uma pessoa decidida. Se eu entrar em algo, vou fazer o que preciso fazer, e sendo para Deus mais ainda. Nos últimos tempos, tenho me dedicado a fazer as coisas para o Senhor, deixei as coisas que eu me preparei para ser, tinha o sonho de ser arquiteta, me formei em arquitetura, mas, abri mão de tudo, porque Deus falou comigo. Ele me disse que me queria no ministério e, quando ouvi aquela voz, já me decidi. Às vezes sou chata porque sou exigente, não admito fazer as coisas de qualquer jeito, estou sendo treinada a ser paciente. Hoje, sou um canal para ensinar outros, muitas vezes sem falar nada, sei que as pessoas estão de olho em mim. Sou focada, mas realizada, sou feliz com tudo o que estou vivendo. Tenho os sonhos de Deus e tem muita coisa ainda para eu fazer, mas, estou vivendo cada dia, cada estação. Andando em amor e aprendendo a andar ainda mais.

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Tenho algumas amigas, algumas há mais de 20 anos. Durante uns 15 anos nos encontrávamos todo final do ano, 10 amigas de escola. Ainda tentamos nos encontrar, mas, hoje está mais difícil, porque uma está na Europa, a outra lá em Fortaleza, eu em Brasília, nos desdobramos, mas aprendi com elas que podemos ser amigas sem estar perto. Acho que amizade é um elo e a Palavra diz que existem amigos mais chegados que um irmão, as amizades à distância me ensinaram muito. Quando chegamos em Brasília, ouvíamos muito sobre não criar raízes, mas, o desejo da gente é estar grudados, perto de quem amamos. Nos juntamos com Joselito e Ana, mas tivemos que ir para Sobradinho e tínhamos que estar longe, podemos estar juntos e unidos em espirito. Eu considero os amigos e gosto de cada um, quero ter amigos em todo canto, quando nos vemos fazemos uma festa!

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