Tenho 32 anos, sou de Fortaleza

Eu amo Fortaleza, é o meu lugar de origem.  É um lugar de pouso, minha base. Até por causa da minha família, meus pais. Amo o mar, as praias são lindas.

O que não me agrada lá é a violência que hoje está bem acentuada. Isso acaba comprometendo a qualidade de vida, quando vou pra lá amo ver o mar, sempre vou para a praia de Iracema.

É uma cidade linda!

Deus nos direcionou para Teresina e desde 2016 estamos morando lá.

De fato, recebemos uma palavra de Deus, uma palavra bem detalhada que dizia: “Existe uma cidade, existe um povo e existe um prefeito. Agora vocês estão aqui, mas o vento vai soprar e quando soprar, não tenham medo de soltar as raízes.”

Passou um tempo e nós ficamos com aquela certeza: uma hora isso vai acontecer. Mas éramos tão ligados em Fortaleza, a nossa realidade com o povo, com os jovens, com a igreja, era uma coisa tão intensa que era difícil imaginar que isso iria acontecer.

Quando visitamos Teresina pela primeira vez, Fábio entrou na cidade e percebeu que sentiu-se em casa, comigo não foi assim. Mas como antes de chegar lá eu já tinha tido uma conexão com a Rossana, e o Senhor havia me dado uma palavra para eu seguir e servir a ela, eu já orava por isso e disse a ela, ela encheu os olhos de lágrimas e ali eu vi que era como uma resposta de Deus para ela também.

Quando eu orava dizia: “Pai, se é isso mesmo, fale com o Fábio.” Mas eu não queria no começo. Se fosse para considerar a cidade em si não tinha nada que me atraísse, mas Fábio é apaixonado por ela, defende Teresina como se fosse a cidade que ele nasceu. Isso é uma coisa que Deus mesmo colocou no coração dele, um amor pela terra que o Senhor nos deu. E eu estou junto com ele nisso, conectada para fazer a vontade de Deus.

Quem me conhece sabe que eu sempre dizia: “Fortaleza é a minha Terra, meu lugar, eu só saio daqui se Deus falar…” Mas saí em obediência e estou no lugar certo fazendo o que Deus me mandou fazer.

Teresina é uma cidade surpreendente. É um lugar que aprendi a amar.  As pessoas falam que é uma terra quente e ela tem essa fama de ser uma terra quente por conta do forte calor, e muitos acham que é um lugar sem perspectivas, isso é o que muitos pensam e falam.

Mas, por que ela é surpreendente? Porque você chega lá e vê que não é tão quente quanto as pessoas dizem que é. Existe um período do ano que é mais quente sim, mas existem outros lugares como Rio de Janeiro, Cuiabá e outros que também são bem quentes. Mas nem diria só pelo clima, ela é uma cidade de muitas oportunidades. É uma cidade onde o que você coloca para fazer, prospera. É uma capital que tem jeito de cidade do interior, tranquila e segura. Você anda na rua tranquilo.

Dias atrás eu dizia a alguém, eu nunca preparei meu coração para ser uma missionária, mas acabei sendo, porque sai de minha terra para outra. Hoje, estou adaptada, sei onde encontrar o que preciso ou achar algo quando desejo comer uma coisa diferente, por exemplo. Deus me ensinou a viver bem lá.

Minha vida tem sido sempre bem desafiadora, e sigo com a ajuda de Deus em cada estação que vivo. Conto com a graça para vencer cada desafio. Atuamos na liderança hoje de uma igreja e não é fácil liderar. A nossa experiência com liderança foi totalmente diferente da maioria das pessoas, porque normalmente constroem ali uma história com quem elas estão liderando desde o início. As pessoas vão chegando e você já está lá na igreja. Não é você quem chega e elas já estão.

Então, isso é desafiador para nós e, à medida que o tempo tem passado, as pessoas tem tido mais facilidade de lidar conosco assim como nós de lidar com elas, as coisas vão se ajustando, umas chegaram agora, tem histórias novas sendo construídas e essas acabam sendo mais fáceis de lidar. Essas você vê a construção do zero. Você fica livre das comparações, dos pesos, “ah isso aqui era assim, agora não é mais…” acho que isso acontece também com quem ficou no nosso lugar lá na liderança dos jovens, porque foram oito anos liderando o departamento em Fortaleza.

Quando você assume a posição de alguém que não desempenha bem o papel é uma coisa, mas quando você assume a posição de alguém que desempenha muito bem, você é mais desafiado ainda. E esse é o nosso caso. Os pastores que saíram, eram excelentes pastores. Eles saíram com o povo os amando e eles amando esse povo.

Meus pais são a minha base.

Sou a filha mais nova de sete irmãos, e por causa disso, fiquei mais cuidadora dos meus pais. Tudo que eles precisavam contavam comigo. Nos últimos dois anos antes de eu sair de Fortaleza comecei a me desligar um pouco mais para ir facilitando a minha saída definitiva. Porque eu sabia que isso ia acontecer. Foi muito doloroso para eles mesmo assim. Para mim também. Meu pai diz que a minha mãe chora ainda hoje… às vezes, ela me liga e diz que está com saudades e busco me controlar para eu não chorar. Evito chorar perto dela. Mas eu sinto muita falta deles. Só que hoje eu não sofro, acredito que é a graça que me sustenta e proporciona isso. Você sente saudades, claro, como por exemplo, de tomar um simples café no final da tarde ou de estar junto no dia do aniversário.

O meu aniversário era uma data certa deles estarem presentes sempre, mas estou há dois anos sem eles, natal e ano novo também, mas hoje não dá para gente ir, porque a igreja não para e a minha mãe fisicamente não tem uma condição que a permite se locomover facilmente.

Quando eu tinha 11 anos de idade, minha mãe, Adamir, teve um problema de saúde, ela sofreu uma queda em casa, quebrou o braço, quando o médico foi operá-la ainda na anestesia houveram complicações e ela sofreu uma parada cardio-respiratória, ficou alguns minutos sem oxigênio no cérebro, entrou em coma e passou 17 dias na UTI. Tudo isso causou sequelas que ela lida até hoje. No início ela não enxergava bem, não andava, dependia em tudo de outras pessoas, foi no meio dessa situação que eu, meu pai e a minhas irmãs aceitamos Jesus.

Minha mãe é um exemplo de batalhadora, ela é uma mulher de oração, ela é a representação viva de um milagre. Quando aconteceu isso com ela, ela estava se arrumando para ir trabalhar, tanto ela quanto meu pai sempre fizeram o melhor por nós, para nos dar o melhor que podiam.

Eu, na verdade, me apaixonei por Fábio antes dele se apaixonar por mim. Quando ele chegou na igreja eu já estava. No início, eu criticava ele um pouco. Porque ele tinha acabado de chegar, era novo convertido, mas de repente, eu comecei a observá-lo, fui vendo as mudanças na vida dele e me chamava muito a atenção a forma como ele servia intensamente ao Senhor.

Eu comecei a me aproximar mais e me interessar, algumas amigas começaram a fazer algumas brincadeiras, mas chegou uma hora que a gente teve que conversar sobre isso,

Por que ele disse: olha, é verdade isso que está acontecendo?

E eu disse? Eu estou interessada, se fosse para namorar com alguém, namoraria com você.

Conversamos, mas não começamos a namorar ali, apenas sinalizamos um para o outro e dissemos que queríamos começar algo de forma correta. Procuramos os nossos líderes dos jovens, eles se alegraram com a gente. Deu certo. Namoramos dois anos e quatro meses, noivamos e após seis meses nos casamos.

Fábio é, antes de mais nada, meu melhor amigo. Ele é meu maior incentivador, quem mais acredita em mim, um suporte, ele contribui muito para que eu avance. Ele é um mentor na minha vida. Sempre está me dizendo: você vai além! Me incentiva, me encoraja, me dá segurança, me faz querer avançar e crescer. É o homem que eu preciso que esteja ao meu lado. É um presente, é meu marido, meu pastor, quem puxa minhas orelhas e me corrige também, e será o pai dos meus filhos… (risos)

 

A sensação que a gente tem hoje quando a gente fala sobre a vida de casados é de que agora é o melhor tempo, porque agora temos mais experiência, nos entendemos melhor, conhecemos um ao outro melhor, a maturidade foi trazendo pra gente isso também, embora tenhamos ainda apenas trinta e poucos anos, e muito a aprender ainda, isso representa muito pra gente, já temos bastante experiência nesses quase 15 anos de casados, sem falar nas experiências que adquirimos observando as outras pessoas, enquanto acompanhávamos os problemas delas, isso acabou trazendo pra nós um amadurecimento.

E hoje com a Palavra que temos (e que não tínhamos quando começamos) isso muda muita coisa. As fases que enfrentamos tendo como base a Palavra que temos nos ajudou bastante, meu Deus, acho que seria outra realidade sem ela… graças a Deus conseguimos olhar e ver que o melhor tempo é agora!

Eu não me via como mãe, não tinha vontade de ser mãe, mas de um tempo pra cá as coisas têm mudado.

Eu pensava: “isso vai acontecer em algum momento, se acontecer amém.” Mas hoje não, se tornou um sonho mesmo. Um desejo do meu coração. Que eu espero que Deus realize em breve, tenho 32 anos e minha mãe engravidou de mim com 32 anos, sei que vai ser um desafio, em meio as atribuições que tenho, mas eu creio que vai acontecer no tempo certo.

Casamos, nos envolvemos nas coisas ministeriais, nos estudos, mudei de curso algumas vezes, comecei Administração, parei depois de fazer alguns períodos, depois fui fazer Redes de computadores, fiz mais alguns períodos, mudei novamente para Comunicação Social – Publicidade, fiz quatro períodos e quando nos mudamos pra Teresina permaneci na mesma área, mas transferi para Jornalismo e agora estou quase concluindo, estou no sexto período do curso e vou concluir.

Hoje, concluir meu curso é a minha maior realização, as pessoas perguntam: quando você se formar quer fazer o quê? Não sei ainda o que você fazer, só quero concluir nesse momento. Para que eu possa passar dessa fase acadêmica da minha vida e possa fechar esse ciclo.

Mudar de rota foi um desafio e hoje eu preciso mesmo concluir. E não é fácil estudar, estar envolvida no ministério, trabalhar na igreja e no Rhema, porque durante uma época eu servia também no Rhema em Fortaleza e estudava pela manhã, então, tudo era desafiador…

Por isso, agora dá para eu pensar em ser mãe, porque antes era bem mais difícil conciliar.

Acredito que as nossas conexões determinam muitas coisas em nossa vida. Tem uma coisa muito certa: todo relacionamento que temos ou nos coloca para mais perto do Senhor ou nos afasta Dele. Toda estação na nossa vida tem o nome de alguém. E nessa estação que vivenciamos a pouco, os nomes foram Rossana Lira e pastor Judvan. Eles nos levaram e levantaram a uma nova estação, era necessário irmos para perto deles, e quando fazemos isso sem interesse, as coisas acontecem, nós não sabíamos o que ia acontecer quando nos aproximamos deles.

Eu sou muito cuidadosa com quem eu abro o meu coração, porque precisei aprender a ter uma vida discreta. Quem me conhece sabe que, embora eu chegue, fale e cumprimente as pessoas, eu sou mais discreta. Eu sou do povo, mas preciso guardar a minha vida, preciso conservar meu coração integro e toda relação leva um pouco de você. Quando você rompe com alguém por algum motivo, aquela pessoa leva um pouco de você com ela, da sua vida, da sua história. Aprendi a depender mais de Deus do que de qualquer pessoa, quando tenho um problema hoje não costumo sair contando para todo mundo, eu busco logo o Senhor: “Pai como vou resolver isso, não sei como fazer…”

Tenho cuidado com as associações e acho que as decepções provocaram isso. Não posso negar, à medida que o tempo vai passando aprendemos a nos preservar e ser mais cuidadosas. E pela posição de esposa de pastor preciso ter mais cuidado ainda. Gosto de receber as pessoas em casa, tem várias pessoas que moram conosco em casa, mas precisamos nos preservar.

Tenho algumas referências: Rossana Lira é uma delas, Jannayna Albuquerque, Mama Jan, é a maior referência de obediência ao Senhor pra mim… Acho que é até redundante qualquer pessoa do Verbo da Vida falar isso, mas é a verdade e não posso deixar de citar. Sylvia Lima, que mulher forte, inabalável, meu Deus! Eu não a conheço de perto, mas não posso deixar de mencionar, porque pra mim ela é uma mulher exemplar de uma fé inabalável, diante de tudo o que viveu.

Dione Alexsandra, ela nem sabe, mas há muito tempo, eu já lia os textos dela no portal, já a conhecia pelo nome há um tempo e hoje tenho a oportunidade de conhecer pessoalmente.

E tem alguém que eu amo demais que é como uma mãe pra mim, que foi a primeira pessoa que acreditou em mim, a Vera Cavalcante, ela foi uma mãe espiritual, hoje é mais fácil alguém acreditar em mim, porque tem fruto, mas ela acreditou quando ninguém acreditava. 

Eu sou uma mulher determinada, de fé, que ama o Senhor, que não tem medo de obedecer a Ele, de verdade.

Pacificadora, conselheira, que não desiste das pessoas, comunicadora, sou leve e, mesmo sendo firme, gosto de leveza.

Sou grata as pessoas que até hoje passaram pela nossa vida, pela minha vida e do Fábio.

Acho que é de extrema justiça destacar essas pessoas. Porque a nossa vida é construída com a vida de outras pessoas. Você não faz a vida e o ministério só. Às vezes a gente agradece a quem nos mentoreou e às pessoas que nos lideraram, mas não podemos esquecer das pessoas que passaram pela nossa vida que nos ajudaram, nos serviram, e ainda nos servem hoje. E, meu Deus, são tantas pessoas…

Dizer o nome de alguém seria muito injusto. Tem uma equipe de Fortaleza que foi para Teresina, que acreditou, que recebeu de Deus uma direção e está lá hoje com a gente, umas 8 pessoas. Pessoas que largaram suas vidas para irem viver junto com a gente aquilo que o Senhor tinha colocado em nosso coração.

Rossana e Judvan é um casal que somos eternamente gratos, o nome deles vai estar sempre em nossa história e na história da igreja. Eles nos levantaram quando a gente achava que já tinha chegado ao fim. Mas estávamos apenas começando…

1 COMENTÁRIO

  1. Meu senhor Jesus!! É lindo o agir de Deus né.
    Que história linda e ao mesmo tempo edificante!! Não os conheço pessoalmente mas confesso que são depoimentos assim que me fazem não desistir nunca de realmente me encontrar. Sou grata ao senhor primeiro na minha vida e em segundo a igreja verbo da vida em Petrolina Pe. Me acolheu e é lá que sinto a paz a verdadeira paz que eu precisava, é lá que eu escuto a palavra verdadeira da fé, tenho crescido com os ensinamentos de todos os meus pastores e esposas. Sou muito grata a Deus pela vida de cada um deles.

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