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Depois que fizemos o Rhema, ficamos debaixo da supervisão do Pr. Eliezer, durante 7 anos. A gente tinha o desejo, tinha força, mas precisava de um caráter alinhado. Alinhamos o casamento, alinhamos a família, e quando tudo isso estava organizado, surgiu Guaratinguetá-SP. Isso foi um desafio para nós, porque nunca pensamos em estar dirigindo uma igreja, meu marido nunca pensou em pastorear.

Desde que chegamos em Guará, os desafios foram crescendo…na verdade, nós não tínhamos noção do que Deus queria fazer no Vale do Paraíba, mas estamos desfrutamos de uma graça, que só entrou em operação quando chegamos lá. Na época, os nossos filhos não queriam ir, tivemos que usar mesmo as ferramentas de Deus para todos os lados.  O nosso coração já estava tão ligado a Guará, tanto que não sofremos com o desligamento de São Paulo.

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Minha mãe, Teresinha, fará 90 anos esse ano, meu irmão mais velho tem 70 anos. Eu digo que eu fui um milagre, quando eu nasci minha mãe tinha 40 anos. Meu pai já está com o Senhor, ele não desfrutou da salvação, ele se converteu e morreu logo depois. Eu sou a caçula de 6 irmãos, somos em 4 mulheres e 2 homens. José, João, Aparecida, Creusa, Edileusa e eu! Nem todos são convertidos, mas nós procuramos mais viver a Palavra do que pregar pra eles.

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A minha infância foi muito sofrida. A minha mãe conta pra gente que meu pai foi uma pessoa muito dura. Ele era mineiro, carrancudo, e quando ele tinha 11 anos ele foi morar no celeiro dos meus avós, e os pais dele nunca fizeram questão dele voltar para dentro de casa. Ele cresceu muito revoltado com isso. Não os perdoava. Foi um homem muito duro, inclusive com a gente.

Meu pai não admitia que chamássemos ele de “você”, era só “senhor”. Ele tinha um tratamento com a gente tão áspero que não tínhamos liberdade nem de dar um beijo nele, não tinha liberdade de receber e nem a gente de dar. Ele também era assim com a minha mãe. Ele batia nela. Eu lembro de uma cena do meu pai batendo na minha mãe e eu tinha 8 anos de idade.

Como ele não tinha estudado, para ele os os filhos não precisavam estudar. Quando eu fiz 11 anos meu pai disse pra mim: “filho meu nenhum estudou, nenhum passou da 4ª série, se você quiser estudar, vai ter que trabalhar”. O que uma criança de 11 anos sabe disso? Minhas irmãs, ou era empregada doméstica ou costureira. Eu presenciei as minhas irmãs mais velhas que eram costureiras chegarem em casa com o dedo costurado, ou com alguma fratura porque caíram do trem, eu não queria isso pra mim. Eu dizia para a minha mãe: “quando eu fizer 11 anos eu vou fazer um curso de datilografia e vou trabalhar em um escritório”, porque eu tinha pavor de ser empregada doméstica ou costureira, por tudo o que eu via.

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Aí eu comecei a cuidar de um bebê. Eu levantava 6:50h, ficava com o bebê que tinha 6 meses, quando dava 11h eu levava o bebê para minha casa e ele ficava com a minha mãe, porque eu tinha educação física na escola. Voltava, pegava ele, levava para a casa dele. Cuidava dele e da casa. Com o dinheiro que eu ganhei, paguei o meu curso de datilografia. Com 14 anos tive o meu primeiro emprego no escritório. Foi bom porque aquilo que poderia ter se tornado algo negativo em mim pelas coisas que o meu pai disse, foram motivação.

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O meu relacionamento com os meus pais melhorou depois de adulta, até mesmo nesta fase houve alguns desgastes, eu só vim mesmo perdoar depois que conheci a Cristo e entendi que meu pai só deu aquilo que ele tinha. No final da vida, mesmo ele internado, o Zé conduziu ele a Cristo, e meu pai perguntou ao meu marido nesse dia: “Você tem certeza mesmo que Deus me perdoou de tudo?”, aí o Zé explicou que sim, e ele disse ainda: “é que eu fiz muita coisa”. Nesse tempo, eu cuidei dele, fiquei com ele no hospital. Mesmo ele tendo maltratado todo mundo, os filhos se revezaram cuidando dele. No dia seguinte a conversão dele, nós queríamos ficar mas ele mesmo nos disse para irmos pregar a Palavra de Deus, então voltamos para Guará.

Eu estava no momento de oração que temos antes do culto e ia pregar nesse dia, quando recebi a ligação da minha sobrinha dizendo que meu pai faleceu. No entanto, somente depois do culto nós falamos para as pessoas, mas uma paz invadiu o meu coração, sabia que ele estava com Cristo.

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Conheço o Zé desde que eu tinha 12 anos, mas nos casamos mesmo 7 anos depois. Nós fizemos 25 anos de casados; A gente se casou numa fase em que ele queria sair da casa dele e eu da minha. O nosso primeiro 7 anos de casado foi terrível. Nós perdemos o nosso primeiro filho, na época foi muito triste para nós, o médico disse para mim que eu não teria mais filhos. E Jesus nos encontrou! Logo que nos convertemos, Zé me disse o que o médico falou sobre a infertilidade, porque eu perdi meu filho bem perto dele nascer, fiquei muito tempo com ele morto na barriga, mas é como se eu soubesse que não poderia mais ter filhos, mas eu dizia: “eu vou ter o meu bebe”. Esse era o meu sonho.

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O amor de Deus através dos irmãos me encantou assim que nos convertemos. A gente estava tão machucado, e o cuidado deles conosco demonstrou para mim o que era ser família. Eu lembro que um dia nos convidaram para ir ao monte orar, e a gente nem sabia o que era isso.

Nós não tínhamos condições, mas as pessoas pagaram o ônibus, levaram lanche para gente, até coberta tinha…foi incrível. E em um momento, orando uns pelos outros,  uma irmã orou por mim, falou várias coisas que eu não entendi quase nada, mas fiquei feliz (risos), quando ela ia saindo voltou, colocou a mão na minha barriga e disse: “você vai ver”, aí eu entendi tudo. Também oraram pelo Zé, e não entendemos muita coisa naquela época, mas hoje nós compreendemos. Isso aconteceu em Março e final de Abril eu estava grávida.

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Eu cheguei no posto de saúde para fazer o pré-natal, mas eu não tinha nenhum encaminhamento nem nada, aí a secretária com pena de mim, me tirou da fila e falou comigo com todo o cuidado achando que eu não estava grávida. Ela falou uma lista de exames e eu disse que não precisava porque eu estava grávida, então ela me convenceu a pelo menos fazer o teste de urina e, deu positivo. Essa mulher se tornou minha amiga. Neste tempo, ela fazia o curso de instrumentação cirúrgica, eu falei de Jesus para ela.

Depois de anos nos reencontramos no parto da minha 3ª filha. Eu estava deitada no centro cirúrgico, na hora que ela levantou e me viu, ela me reconheceu. Naquela hora começamos a conversar e eu fui usada por Deus para falar algumas coisas que ela estava vivendo e começamos a chorar, e o médico mandando a gente parar! E eu tinha contado para ela do meu testemunho, que eu não poderia engravidar.

Quando a Vitória fez 1 ano eu ganhei o Matheus, depois de 1 ano eu tive a Beatriz. Em 4 anos eu tive 3 filhos.

Meu marido é uma inspiração. Ele é intenso em tudo o que ele faz. Nas igrejas ele é conhecido como “Zé do óleo”, “Zé do fogo”. Eu sou completamente diferente dele, eu sou o freio dele as vezes. Eu o apoio, mas tudo tem que ter uma dosagem, assim como ele também me acelera.

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Até pouco tempo atrás o meu sonho era ter uma chácara, eu declarei em fé e ganhei. Eu sonhei antes de ir morar em Guará que o Zé me dava um cavalo, e para criar um cavalo precisa ter uma roça! O Senhor realizou o meu sonho; um dia no final do culto um irmão me procurou e me deu 1 alqueire de terra e um cavalo.

O próximo sonho é desenvolver um projeto social em Guaratinguetá. As coisas que eu queria Deus já me concedeu, agora eu quero pegar o vigor que eu tenho e investir em pessoas que eu nem conheço. Conheci o Projeto Pequeninos e isso encheu o meu coração. O meu desejo é um projeto para atender crianças, uma escola de música e para a terceira idade. Esse é o meu alvo e, eu vou pra cima dele! Da mesma forma que Deus liberou suprimento para as outras coisas chegarem, vai acontecer! E creio que não é somente um sonho meu, mas é o de Deus também.

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Em primeiro lugar, um homem e mulher precisam ter consciência de Deus. Às vezes, a gente investe tão alto em coisas, e não investe no mesmo nível para conhecer a Deus. No meio cristão, de uma forma geral, as pessoas estão invertendo valores. O nosso empenho era ensinar isso para os nosso filhos em primeiro lugar. Valor hoje em dia para mim, é a presença de Deus, porque as coisas externas passam.

Dirigir o Rhema foi  muito importante para a minha vida, me sinalizou, me ensinou muita coisa, agregou muitas coisas ao nosso ministério. Louvo a Deus por esse tempo que estou lá. Quando um aluno chega um pouco desanimado, ou querendo desistir, eu já animo ele! Tenho aprendido a treinar pessoas. A gente precisa treinar as pessoas de forma que elas avancem, eu preciso estar sensível para a descobrir as ferramentas que cada um tem. Estou aprendendo.

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Uma pessoa que eu admiro muito é Mama Jan. Ela é o meu referencial, no que desrespeito a postura dela. Tudo isso que vemos e temos hoje, só acontece por causa da obediência do Pr. Bud e mama Jan a uma palavra que receberam. A igreja precisa saber da história, onde tudo começou. Eu procuro sempre lembrar o pessoal da história e honrar a todos esses que começaram bem antes de nós. A nossa maior segurança é saber que as coisas não estão acontecendo por nossa causa.

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Eu rio muito. Eu aprendi que se a tristeza não vai me fortalecer, eu escolho olhar para o meu mundo sorrindo. Ele pode não estar ainda “cor de rosa”, mas vai ficar! Eu sou de me trancar de vez em quando. Eu penso muito, não que eu não seja uma mulher de fé, mas eu peso muito as coisas antes. Eu gosto de receber como eu gostaria de ser recebida. Eu gosto muito de toque, de abraçar. Não me chateio tão fácil, precisa de muito esforço para me chatear. Sou simples, não precisa de muito pra me agradar, nem ao que desrespeito a um prato de comida ou uma marca de sapato. Eu sou muito mãezona, e de todo mundo, não só dos meus filhos.

3 COMENTÁRIOS

  1. Coisa linda, essa história!
    Eu a vi pela primeira vez organizando uma fila de mulheres indo para Conf.Mulheres em C. Grande, no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 2013. A graça e a luz de Deus nela me chamou atenção e eu desejei conhecê-la.
    Esse ano tive o privilégio de estreitar amizade, foi uma honra. Sandra é exatamente como fala de si mesma… O freio, a alegria e a super mãezona!
    E o que Deus fez na vida dessa família é extraordinário.

  2. Parabéns ;que Deus o abençoe ainda mais e nos ensine nos aqui leitores à acreditar firmimente no seu poder que ele tbm possa nos transformar assim como a ti o fez .
    SENHOR FAÇA DE MIM NOVAMENTE BARRO PARA QUE VOZ SENHOR ME TEANSFORME EM UM NOVO VASO

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