Me chamo Scheilla Kelly Guimarães de Azevedo, tenho  40 anos, 6 irmãos e sou a filha mais nova da casa. Na infância, para meus irmãos era, basicamente, como se eu fosse filha deles mesmo. Nem tinha essas coisas de irmã não, é tanto que eu sou mimada por eles até hoje. O afeto e convívio com eles sempre foi muito bom. Tenho irmãos formados e com doutorado em grandes universidades. Devido a minha criação tive que aprender em Deus os “nãos” e isso, foi o mais difícil porque antes eu não tinha o “não”.

Com 15 anos, comecei a ter experiência com Deus em um encontro de jovens que participei. Eu nasci em um lar espírita, e não conhecia a Jesus, mas nesse encontro de jovens tive o real encontro com Cristo. Após o meu aprendizado e experiência com o Senhor nesse encontro, eu sugeri a meus pais ir embora para João Pessoa (PB), para assim me aproximar mais do evangelho, meu pai era aposentado, eles venderam todos os bens e fomos morar lá.

Passei um ano na cidade e foi onde comecei a conhecer o meu lado voltado para missões. Lembro de que eu estava na calçadinha de Intermares, um bairro de João Pessoa, caminhando com meus pais e encontrei uma senhora, uma senhora de Deus, e ela olhava para mim em todas as caminhadas e eu dizia: tem algo diferente nessa mulher daí, na penúltima caminhada, ela me parou e meus pais continuaram. E daí ela me chamou e começamos a conversar. Ela perguntou meu nome, o que eu era, e essa mulher simplesmente era a fundadora do Betel Brasileiro, Lídia Almeida, muito conhecida na nossa região, e aquela mulher naquele dia disse: “Quando eu te olhei Deus disse que tinha algo da minha vida para compartilhar com você” e ela mulher simplesmente me adotou.

Então, passei a ter acesso ao Instituto Betel Brasileiro, que embora fosse regime de internato, mas eu tinha entrada livre aos cultos de missões e treinamentos, eu saía da escola e ia pra lá almoçar com os missionários, e aquilo ia acendendo uma chama missionária em mim. Quando eu era criança, a gente  morava perto de um terreno baldio e, de vez em quando, se não era os circos, eram os  ciganos que montavam as tendas lá e aí eu entrava e ficava por lá com eles  e daqui a pouco o circo estava prestes a ir embora, e eu estava arrumando as minhas malas, criança, tinha 8 ou 9 anos, e mamãe perguntava para onde você vai menina? Eu dizia, eu vou embora com o circo, porque era assim que eu queria viver, daqui a pouco eram os ciganos e eu queria ir embora com eles.

Eu sei que a gente nasce para cumprir um propósito, cumprir algo que Deus tem na nossa vida, e ainda no ventre somos chamados para algo, mas, como eu falei, nem tudo é revelado a princípio, mas algo sempre me chamava muito a atenção e quando eu estava, por exemplo, nas férias na casa de praia eu estava lá no meio dos índios e quando acabavam as férias eu ainda queria estar lá, no meio dos índios, queria ficar com eles, assim fui motivada, levantada. Quando eu conheci aquela mulher, que foi exatamente alguém que me inspirou para o campo missionário, e eu voltei para Campina Grande, já estava firme e forte no Senhor,  vim convicta que ia voltar para Betel no regime de internato.

Em  1999,  conheci  Leonildo. Meus pais diziam que em primeiro lugar os estudos, e meu pai como sempre foi um homem que não teve acesso aos estudos, e tem essa característica de que quando o pai e a mãe não conseguem algo para si eles querem colocar os sonhos deles para serem realizados pelos filhos. Meu pai sempre deu o melhor para nós e, a princípio, os estudos nunca foram minha prioridade, meu maior interesse eram as etnias, as culturas, os tipos de índios existentes. Eu cheguei a estudar até o terceiro ano científico, que foi exatamente o meu último vestibular, e que meus pais me colocavam em cursinhos e escolas boas, outra coisa que me chamava atenção era o mar, Oceanografia, estudava as profundezas do mar, isso sempre me chamou muito a atenção, e o curso que parecia com isso era Biologia.

Eu passei no vestibular, mas fiquei na lista  de espera para Biologia. Nesse período, quando eu conversei com meus pais e disse que se fosse para uma universidade iria por eles, mas não era o que eu queria, isso foi um choque para minha família, para todo mundo, mas eles aceitaram. Então eu fiz a ficha, em 2000, para entrar no Betel Brasileiro.

Na época, o meu cunhado trabalhava em um laboratório farmacêutico e a minha irmã passou por um momento bem difícil, de septicemia e derrame, os médicos e as pessoas ficavam assustados, ela perdeu os cabelos, a memória, mas foi curada. E certo dia, quando ela foi chegar no aeroporto em Campina Grande (PB), eles escolheram um representante do laboratório e, nesse dia, Leonildo estava com um buquê de flores esperando ela para representar o laboratório, foi quando eu olhei para ele e senti algo diferente, nesse dia eu não sabia, mas meu projeto de regime de internato seria impedido.

Em um certo dia, nos encontramos em um consultório médico e aí eu estava indo para casa e ele me ofereceu uma carona. No caminho, a gente conversando, ele me chamou para jantar e decidimos nos conhecer melhor, quando fui conversar com a minha família foi outro choque, porque Leonildo é treze anos mais velho, e já vinha de um casamento destruído, eu era a menina da família, e hoje eu entendo em Deus que o homem que Ele tinha para mim, no propósito, era Leonildo.

Nesse tempo, ele não conhecia Jesus, mas começou ir comigo para os cultos aos domingos, e recebeu um convite de Paulinho Egito para uma aula demonstrativa do Rhema, fomos e gostamos. Leonildo aceitou a Jesus dentro da salinha dos conselheiros Então, nos matriculamos no Rhema e eu por causa disso fui expulsa da minha igreja, eles não concordavam com os ensinos do apóstolo Bud Wright, mas nós seguimos firmes, com o nosso amado e saudoso Ap.Bud como nosso primeiro professor.

Nós casamos em agosto de 2000, após 9 meses de namoro. Completaremos 20 anos de casados, temos três filhos e eu sou a única da família, dos irmãos, que estou no primeiro casamento e vou ficar até o arrebatamento. Para minha família foi um choque no começo, mas hoje para glória de Deus eles veem que deu certo.

Eu amo pessoas, mas decidi por causa do chamado não me apegar nem a lugares, porque eu sei que Deus nos cria para um propósito. Quando mergulhei no meu chamado, a primeira cidade que eu fui, não tinha muitos recursos, todos já viam como era nossa vida de evangelismo. 

Após quase 2 anos indo semanalmente a cidade de Livramento (PB), em 2005, fomos morar lá, onde ficamos por 6 anos fazendo o maior trabalho realizado até hoje, pois de lá saíram muitos ministros. Esse tem sido o nosso chamado, chegamos em lugares sem perspectivas e a gente cuida, desbrava, enche, prepara, para outros colherem, então eu digo a Leonildo que nós vamos colher agora aqui em Marabá (PA) tudo que plantamos e assim tem sido.

Entendo hoje o que Deus faz, enfrentamos o bulling com nossos filhos quando chegamos aqui por causa do nosso sotaque, aquilo que para mim era angustiante, no começo, hoje nós somos altamente conhecidos na cidade (os Paraíba) a gente se destaca aonde chega.

Entre Livramento e Marabá, temos uma estação que vivemos em Patos (PB), lá servimos ao Senhor quase 6 anos, lá tive a minha primeira experiência na direção do Rhema, foi um tempo maravilhoso. Nesse período, tivemos um grande passo na nossa vida e ministério, em 2015 fizemos a Escola de Ministros.

Foi lendo o livro “Seguindo o plano de Deus”, que meu marido teve a convicção que o nosso tempo na Paraíba tinha se encerrado e em seguida compartilhamos com Ap. Guto Emery, a Escola de Ministros Rhema nos preparou muito bem para o que iríamos viver nesse período. Agora nós vamos abrir o Rhema indígena, estamos com uma proposta da EMR e vamos abrir o Rhema, em Parauapebas (PA). Estou escrevendo o livro “Fechados para balanço”, esse título Deus me deu no tempo da Escola de Ministros. 

Leonildo representa pra mim um sacerdote, eu sou hoje o reflexo de ter um marido sacerdote, ele é o meu pastor e nós conseguimos alcançar isso. Ele me presenteou com tudo que eu poderia ter de melhor, nossos filhos Isaac, Lídia e Jônatas.

Hoje eu analiso onde nós chegamos e tudo o que aconteceu em nossa vida, só podia mesmo ser Deus. Eu me realizo nos meus filhos e eu sei que cada um deles irá cumprir o propósito do Senhor.

Quem é Scheila? Uma mulher sem medo de recomeçar, sou uma desbravadora e me transformo em quem Deus quer para o lugar que Ele me chamou. Uma qualidade minha é confiar em Deus. E meu defeito é que eu sou muito acelerada. Daqui 5 ou 10 anos eu me vejo com vários Rhemas indígenas na nossa região, vestida de cacique (risos).
Vamos avançar! 

 

 

3 COMENTÁRIOS

  1. Lindooo.
    Como sou abençoada, convivendo com os protagonistas dessa história. Nunca esquecerei o primeiro abraço. Sem nenhuma palavra você me disse: Bem-vinda ao tempo de milagres, tempo de conquistar nossos territórios, tempo de viver o sobrenatural . Tempo em que eu, você e as nossas casas serviremos ao Senhor. Muito obrigada por tudo.
    Estarei lá, trabalhando junto no Rhema Indígena e onde mais precisarem de apoio.

  2. Lindo. Historias de conquistas. Trabalhei também com índios e aprendí muito com eles no Amazonas. Desbravar amo essa palavra.porque os desbravadorez plantam, porém nem sempre colhem. Mas Deus é o grande agricultor. Parabéns.

  3. Olá, graça e paz!

    Eu fiz parte desta história em Patos.

    Infelizmente, (rsss) o chamado os levou para longe.
    Que bom, hoje temos esta ferramenta para encurtar a distância e nos manter informado das pessoas que passaram por nossas vidas e que deixaram boas lembranças.
    Lindo percurso de vida e ministério

    Abraço💖

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