Eu tenho 46 anos, nasci numa cidade bem do interior chamada Siríaco, depois, logo com um mês de idade fui pra Passo Fundo com minha família. Vivi em lá por 18 anos, até que fui servir no exército e depois fui para a cidade da minha esposa em Carazinho e lá nos conhecemos, nos casamos e depois de uns dois anos, uma pessoa apresentou para nós a solução para os nossos problemas, ou seja, nos apresentou a Jesus, o evangelho nos alcançou.

Sobre ser pai, eu posso dizer que foi um misto de alegria com sensação de desafio. Tinha 23 anos quando tivemos nossa primeira filha. Em uma época que nós não éramos cristãos, então os valores estavam um pouco invertidos e, reconheço que fui um pai ausente nessa primeira etapa da vida da minha filha. Após a nossa conversão, as coisas começaram gradativamente a mudar, quando chegou a nossa segunda filha, oito anos depois, tudo era completamente diferente. Hoje, vejo como criar os filhos no caminho do Senhor, é algo tão seguro quando conseguimos ser efetivos nessa área. Falhamos aqui e acolá, o próprio trabalho ministerial nos rouba esse tempo, mas volta e meia a gente traz a memória isso, volta para o centro e consegue dar de fato aquilo que eles precisam.

Nós mergulhamos nessa vida congregacional, servimos em todos os departamentos da igreja. Eu ainda estava no contexto comercial, era representante de uma empresa de alimentos e passei muitos anos como primeiro vendedor dessa empresa em volume de vendas, mas nessa época o Senhor nos chamou para uma capacitação ministerial. Nós estávamos financeiramente resolvidos, tínhamos uma vida estável. Depois de doze anos trabalhando na empresa, já tínhamos construído algo e, na parte ministerial também, mesmo sendo pastores leigos, tínhamos iniciado uma obra do ministério que fazíamos parte. No meio disso, o Senhor nos chamou para esse tempo de capacitação.

Me lembro que o versículo que Deus me deu foi II Timóteo 2.15, que está escrito “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Então, entendi que para manejar bem tinha que aprender com quem maneja bem e, baseados nesse texto nós começamos a procurar um lugar para estudar. Muitas coisas surgiram, mas nós queríamos algo equilibrado entre o conhecimento e o mover do Espírito, uma união da Palavra e do Espírito. Foi nesse período que a gente decidiu ir pra Belo Horizonte. Morávamos em Carazinho, até BH são 700km. Nós vendemos a nossa casa, vendemos uma empresa de transportes que eu tinha na época, me desliguei da empresa que eu tinha a representação e fomos para Belo Horizonte. Lá, cursamos o Rhema e ali o Senhor já começou a comunicar coisas no nosso coração.

Eu fazia o Carisma pela manhã e o Rhema à noite. Lembro que no primeiro ano, em uma aula, o Senhor falou comigo, eu não era membro do Verbo da Vida, nós estávamos ali com a perspectiva de aprender mesmo e de até voltar para o Sul, para servir na nossa cidade, mas ali o Senhor me disse que me tornaria um professor daquela escola. Guardei essas coisas em meu coração e não compartilhei com ninguém. No segundo ano do Rhema, o Senhor também falou profundamente ao meu coração de que eu estaria na direção daquela escola, algo que naturalmente seria absurdo porque a escola estava funcionando e tinha uma direção. Até que 3 meses antes da nossa formatura o Senhor me acordou no meio da madrugada e com uma voz audível Ele me falou que estaria à frente dessa escola e, mais uma vez, não falei isso com ninguém, somente com minha esposa. Guardamos isso em nossos corações porque não queríamos que as coisas fossem conduzidas do nosso jeito.

Nós entramos de uma forma mais plena no Ministério Verbo da Vida, o Senhor nos deu essa instrução para estarmos mais conectados com esse ministério e a partir desse momento as coisas começaram a acontecer. Após dois meses que nos graduamos no Rhema, a diretora, em concordância com o pastor da igreja local, me chamou para assumir a vice-diretoria da escola, o que parecia loucura debaixo de uma direção de Deus aconteceu. Depois de um ano, a diretora mudou para outro estado e eu passei a assumir a diretoria da escola. Mais um ano se passou e a Escola de Ministros chegou em Belo Horizonte e fui convidado pelo diretor nacional do Rhema a ser diretor dessa escola, juntamente com a diretoria do Rhema, uma coisa totalmente desafiadora. Porém, no meio de tantas coisas e desafios o Senhor nos comunicou que nosso tempo lá estava terminando.

Surgiram algumas possibilidades e convites, mas nós decidimos seguir a orientação do Espírito e terminamos aquele tempo de alunos e diretoria da Escola de Ministros. No mesmo ano, em 2013, o Senhor nos disse que era tempo de dar o passo na cidade que Ele já havia colocado em nosso coração dois anos antes, que era Caxias do Sul. Ainda cursando a Escola de Ministros e a frente das duas escolas, nós conseguimos colocar o nosso pé na terra e fizemos nosso primeiro culto no auditório de um hotel, no dia 19 de Julho daquele ano. A igreja nasceu ali naquele dia. Nós não tínhamos muito contato naquela cidade, mas depois de uma liberação do ministério criamos um perfil no Facebook para a igreja, divulgamos, começamos a trabalhar virtualmente e aquilo foi um sucesso, sobrenaturalmente aquele auditório ficou lotado. A partir daquele dia, nós íamos de Belo Horizonte à Caxias do Sul uma vez por mês para fazer os cultos.

E assim foi sucessivamente por seis meses, até cumprirmos a nossa etapa em Belo Horizonte e, no dia 17 de Janeiro de 2014 fincamos nossos pés na cidade de Caxias do Sul. Passamos a ter cultos semanais, mas ainda no auditório do hotel. Então, começamos a procurar um espaço para realizar os cultos, até que um irmão no final do culto ofertou um carro para que nós pudéssemos dar o primeiro passo em relação a isso no aluguel do novo prédio. Isso me motivou e me deixou muito animado! Na outra semana, conseguimos um espaço maravilhoso, próximo ao centro da cidade. Com um ano de isenção de aluguel para de fato estabelecer a igreja. Nós vivemos milagres sobrenaturais; pegamos um lugar destruído, nós vendemos o nosso carro, e demos o ponta pé inicial para a reforma. As pessoas começaram a se doar também e espontaneamente as coisas foram acontecendo, sem nenhuma pressão ou apelação.

Deus nos deu uma palavra: “ir para a serra Gaúcha e iluminar aquela região com a palavra da fé”, essa foi a visão que Deus nos deu, o Verbo da Vida iluminando a serra Gaúcha. Nós agarramos essa palavra, andamos em linha com ela e chegando nós vimos a Graça de Deus. A serra Gaúcha é composta por aproximadamente quinze cidades e, nós temos uma palavra de Deus para implantar uma igreja em cada uma dessas cidades e nós já temos visto isso. Hoje, são a sede, duas congregações oficializadas e dois pontos de pregação, as coisas têm acontecido de uma forma sobrenatural. Nós não temos outra palavra para dizer a não ser “Só pode ser Deus”.

Nós vemos que o sucesso da igreja em Caxias do Sul não é à toa, primeiro nós reconhecemos a graça de Deus nisso, isso nasceu no coração do Senhor e Ele é o cabeça da igreja, mas existe uma pessoa que me inspirou. Eu servi durante cinco anos na igreja em Belo Horizonte como pastor auxiliar daquela igreja e ali eu fui mentoreado pelo pastor Marcelo Carvalho. Foi ele que ativou em mim esse espírito desbravador, que tirou de mim toda intimidação, todo medo e receio. Muitas vezes, olhar para a postura dele me inspirava para quando estivesse à frente de um projeto agir da mesma forma. Eu reconheço que ele tem uma grande parcela nisso tudo. O segredo para um ministério bem-sucedido é você ser um bom ministro auxiliar; lembro que o servi por cinco anos, entendendo o papel de cada um, que eu era o segundo e não o primeiro.

Hoje, nós temos uma equipe ministerial muito fiel, mas eu tenho certeza que isso é colheita de um tempo que a gente semeou fidelidade e honra. Eu não posso deixar de falar dessas coisas porque isso funciona. Lá em Caxias do Sul eu me tornei construtor, pintor de parede e tudo que fosse preciso e, a nossa liderança nos viu fazendo isso, sair da faxina às cinco horas da tarde e estar às sete horas da noite para ministrar, limpando banheiro fazendo todas essas coisas, isso despertou algo neles. Eles viram que estávamos ali para dar e não para tirar, por isso têm sido tão fieis e se doado tanto para a obra. Um líder que sabe se submeter é um líder que vai aprender a liderar segundo o coração de Deus. Se você sabe o seu papel em cada momento da sua vida, você vai ter êxito em tudo que você fizer.

Existem pessoas, que muitas vezes, não foram tão próximas, mas a influência delas me afetou. Uma delas é o Ap. Guto. A humildade dele, na posição que ele ocupa, é constrangedora, ela nos constrange e, quando eu olho para ele e vejo a forma como ele lidera isso é inspirador demais. 

Daqui a dez anos, eu quero me tornar totalmente dispensável. Um bom líder precisa trabalhar para se tornar dispensável, quando todas as coisas funcionam sem ele e ele levantou pessoas que são melhores do que ele, então, ele conseguiu atingir um nível de liderança saudável. Estou trabalhando para isso, acredito nas pessoas ainda quando ninguém mais acredita. Às vezes, até minha esposa me pergunta o que eu vi em tal pessoa, mas na verdade naturalmente eu não vi nada, mas espiritualmente eu vi tudo. Eu tenho hoje, pessoas que são meu braço direito na igreja, pessoas que não sabiam nem falar direito e hoje estão lá ousadas ministrando a Palavra, cuidando de outras pessoas e segurando as cordas enquanto estou fora. Então, se eu pudesse me ver daqui a dez anos, eu quero ser alguém totalmente dispensável.

Quando eu vejo um ministro auxiliar que ninguém dava nada por ele, ele sobe no altar e começa a pregar, me emociono, é meu filho. É como alguém que vê o filho dando os primeiros passos, começando a fazer as coisas sozinho. Pra mim não existe nada mais gratificante do que isso. Eu quero levantar pessoas que sejam melhores do que eu, que saibam fazer o que eu não sei fazer. O Reino para que ele possa se expandir ele precisa de pessoas que se coloquem a disposição e, eu quero ser um garimpeiro de ministros, um garimpeiro de pessoas, que muitas vezes, foram descartadas. Eu sei exatamente o motivo pelo qual Deus me chamou, é para ser um restaurador de ministérios, tenho visto isso acontecer e sei que vai se intensificar ainda mais daqui pra frente.

 

Se eu pudesse me definir seria isso: alguém que, às vezes, é acelerado demais e precisa que alguém bote o pé no freio por ele e, por isso, minha esposa está aqui. Ela é o meu equilíbrio, ela me traz para o equilíbrio toda vez que percebe que estou mergulhando demais nas coisas ministeriais ao ponto de deixar a família de lado, mesmo sabendo que é errado, eu louvo a Deus pela vida da minha esposa.

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