Moro em Campina Grande há muitos anos, mas nasci no Rio de Janeiro, sou carioca. Cheguei em Campina Grande em 1977 e sou grata a Deus, porque Ele tinha planos para a minha família aqui. Principalmente na minha vida.

Minha mãe teve 9 filhos, quando cheguei em Campina eu tinha 10 anos, Meu pai veio fazer um trabalho em um hotel como técnico de lavanderia; conheceu a minha mãe e se apaixonaram; se casaram, tiveram 2 filhos aqui e 7 no Rio de Janeiro.   O pai de minha mãe  pediu que ela voltasse para Campina Grande. Mas, meu pai relutou muito, então, meu avô fez uma proposta: colocar uma lavanderia para ele aqui, na terra da minha mãe; Só assim que meu pai aceitou.

Depois de muita perseverança do meu avô eles vieram e, meu avô o ajudou a montar essa lavanderia. E já se passaram 40 anos que estamos aqui.

Meu pai não era tão presente, porque ele vivia trabalhando e gostava de jogar as noites. Sempre tem um dos filhos apegados ao pai, eu era uma delas. Sempre o esperava chegar dessas “noites”.

Ele era um homem muito carinhoso. Ele não era crente. Jogava muito, o que ele ganhava durante o dia, jogava à noite. Eu observava ele tingindo, passando roupas, queria aprender. Ele sempre dizia: menina vai pra lá, você é muito nova.

Mas, eu fui tão perseverante que ele terminou me ensinando;  E ele dizia: “você é meu braço direito”. Eu nem sabia que iria tomar conta, anos depois, da lavanderia e de meus irmãos.

Meus pais se separaram, a minha mãe reencontrou o seu primeiro namorado e se casou novamente anos depois. Esse foi o grande amor da vida dela.

Lembro de uma mulher indo na lavanderia e me dizendo: “Você é uma missionária”. Eu pensava: “Essa mulher não sabe nada de mim”. Eu via aquela situação toda cuidando dos meus irmãos, da empresa, da família, depois meu pai voltou para o Rio com outra esposa, e a minha mãe para João Pessoa. E ainda tive 2 irmãos por parte de meu pai.

Após esse tempo eles colocaram a empresa no meu nome. Nisso fiquei quase 21 anos trabalhando muito. Em 1970, eu conheci o Senhor e, em 1998, fiz o Centro de Treinamento Verbo da vida e entendi muitas coisas na minha vida. Vivia situações muito pesadas apesar de todos os irmãos ajudarem na empresa, mas eu era a líder, tinha a voz das situações. Eu era muito coração. Anos se passaram e a Palavra de Deus me ajudou a entender que em uma casa é necessário ter as colunas e, vejo que o inimigo tirou meu pai e a minha mãe e queria ver totalmente a destruição da família.

Deus estava me estruturando lá no começo e eu não entendia, quando eu ficava com meu pai o observando trabalhar, era um treinamento para o que estava por vir. Só vim entender depois. Mas, quando entendi, decidi pagar um preço de oração pela minha família. Porque é princípio de Deus: honrar a família.

Lembro que renunciei meus estudos, ia fazer vestibular para Administração, mas deixei de lado e ingressei nessa missão. Tinha vontade de fazer muitas coisas, mas a minha vida não me permitia. Fui assediada, se sou bonita hoje, imagina naquela época (risos). Nem parece que eu tenho 51 anos de idade e, que vivi essa história toda… Mas, Deus é um Deus que preserva a nossa vida. Ele me restituiu tudo o que não tive.

Anos se passaram… já graduada do Rhema, eu fiz a Escola de Ministros e Missões e, nessa escola eu tinha que fazer uma viagem missionária. Sempre gostei de missões.

A primeira viagem era para o Chile e, era para passar 20 dias e Deus me permitiu ficar mais de 6 meses, para me mostrar que agora quem cuidava da minha família era Ele. Ali Ele tratou tantas coisas em mim…

Eu não pensava que poderia ir às nações, mas ofertar e orar eu sempre podia e fazia. Comecei a orar fielmente toda segunda-feira na igreja com um grupo de pessoas e, isso durou uns 8 anos. Eu não sabia orar pelos missionários quando comecei, mas orava e aquilo estava me estruturando por dentro , vi isso depois de algum tempo.

Aquela lavanderia parecia meu “marido” e meus irmãos, eram como meus filhos e, isso eram raízes que precisavam ser arrancadas. Eles até me chamavam de mãe.

Lidei com crises na empresa, mas elas não me abalavam, porque elas vinham e passavam e o meu Deus era o mesmo. Em certo momento de muito trabalho e já bem cansada, chamei um consultor para a empresa para saber a situação, porque certa vez, li um livro que dizia: “sempre tenha outros olhos olhando por você, nunca fique só numa situação”. Eu chamei Jusciê, que hoje está no Japão, nessa época ele era consultor.

Ele observou tudo e disse: “Ana, o problema está na sua família”. Ele foi em cima do problema. E falei: “E agora, como resolver?”, Ele disse: “Você é a cabeça da casa, ore e peça  a Deus que Ele lhe dará uma direção”.

Orei, foram muitas lágrimas, passei por muitas dores, mas o amor vence as situações. O amor pela minha família, pela causa, pela renúncia, venceu.

Veio a direção: “Separe os seus irmãos, fique com os caçulas e, os outros seguirão fazendo outras coisas”, e a empresa sobreviveu.

Eu me sobrecarregava muito, mas descobri que a gente não sabe de tudo. Não queria levar as cargas para a minha mãe.

Tenho nove irmãos, mas sempre temos o mais chegado, no meu caso, a mais chegada é Bianca Brasil. Ela é a caçula dos 9. Mas, sempre tratei todos igualmente, agia em amor. São 5 mulheres e 4 homens. Um já partiu e somos 8 agora. Mas, Bianca sempre foi meu xodó, acho que por ser a mais nova. Meu sonho era vê-la salva e casada. Eu pedia ao Senhor que me concedesse esse sonho. Bianca foi salva e casou. Hoje, tem dois filhos maravilhosos, sou grata a Deus, mas sei que ela é grata também, a gratidão é muito valiosa.

Tem um irmão que se converteu antes de mim e ele era de outra denominação, ele também era o meu xodó, ele me chamava de “filhinha” e eu o chamava de “filhinho”. Ele me ensinou a orar, a dirigir, ele me ensinou muitas coisas. Sou grata pelos meus irmãos pois todos me ajudaram em algum sentido da minha vida. Hoje, sou tida como uma mulher de oração.

Depois de muito tempo, a minha mãe voltou, mas eu não guardei tristeza nem mágoa dela. O maior desafio do homem é conviver com as pessoas, em especial a família, porque cada cabeça era um mundo, eu podia agradar a um e a outros não.

Fui consagrada a Deus ali e Ele me tirou as raízes da empresa, eu saí de lá. Hoje, um irmão cuida da lavanderia. Mas, sempre estou por perto. Decidi crer que tendo o que comer e vestir devo ser grata a Ele.

Tudo passa! Eu achava que aquilo não ia passar na minha vida.

Um dia uma mulher me encontrou no banco e me deu uma palavra dizendo que aquilo tudo ia passar e eu questionei dentro de mim: “essa mulher não sabe o que fala…”, mas o tempo passou e aquela palavra se cumpriu. Uma palavra profética. Precisamos dar crédito as palavras que recebemos…

Hoje, sou uma mulher solteira, com 51 anos, resolvida, a alegria do Senhor é a minha força, tenho vigor e força mesmo vivenciando uma das maiores experiências da minha vida, porque o dia mal chegou até mim, eu enfartei…

Acredito que ao longo da vida um dos órgãos da gente sofrerá um impacto e no meu caso foi o coração, por estresse vivido. Não culpo ninguém nem a Deus. Porque Ele me livrou da morte e sou muito grata ao Senhor. Eu subi mais um degrau em Deus, porque eu decidi ficar firme no Salmos 27. Quando o dia mal chegou.

O cirurgião chegou e me falou que eu iria passar por tal procedimento; Falei: “Vai ser simples”. Ele olhou para mim e disse: “Simples não, você pode morrer”.

Uma palavra dessa poderia ter me matado. Não o infarto, mas a palavra dele, só pelo susto. Mas, glória a Deus pela Sua Palavra: “O Senhor é a minha luz e salvação. De quem terei medo. O Senhor é a força da minha vida, a quem temerei ?”

Sei que negligenciei áreas da minha vida, uma delas foi o meu corpo, a minha saúde, porque sou uma mulher intensa e isso é um problema muitas vezes, mas não sou perfeita, ainda tenho muito a melhorar. Mas, estou caminhando. E o diabo viu essa área da intensidade aberta e, veio com essa situação.

Em 2016, acordei com uma dor nas costas, estava dirigindo e senti uma arritmia e dores de cabeça. Como tenho problemas de coluna por causa do trabalho, tomei uma injeção para dor. Pressão normal, fiquei melhor, segui para o trabalho.

E nesse dia um irmão me ligou e me deu uma palavra dizendo que Deus estava preparando uma mesa perante os meus inimigos. Eu não sabia ali que a morte estava me rondando.

Horas depois, a dor voltou e fui ao hospital, lá, o médico achou que podia ser coluna também, sentia uma dor no peito rasgando, quando chegou umas 6 horas da noite passei mal no estacionamento. Um homem viu e chamaram o Samu, Deus colocou um anjo no local para me ajudar. Esse homem era um sargento, dono do estacionamento, me levou para o hospital.

A igreja quando soube começou a levantar um clamor por minha vida;  sou grata pelo clamor do povo. A oração livra pessoas.

O médico decidiu operar e foi claro que não garantia que eu sobreviveria… Ele disse: “Milagre, só Deus”. Realmente, Deus fez esse milagre.

Deus me deixou viva com um propósito. Graças a Deus estou bem hoje, muito mais ousada. Não por causa disso, mas por causa da Palavra. Deus não mudou.

Quero contar os feitos de Deus e não as ações do diabo.

Cinco meses depois tive que fazer outra cirurgia, porque o stent fechou; mas, glória a Deus deu tudo certo. Sou grata a Ele que usou meus familiares para ajudarem nas cirurgias, meus líderes, pastores e irmãos em Cristo, o Ministério e meus amigos, pelo apoio, visitas e ofertas, até de outras nações. Sou muito grata a todos.

Hoje, a minha mãe está morando comigo, é a minha melhor amiga, não casei, não tive filhos naturais, mas tenho muitos filhos na fé. Se a minha missão for cuidar da minha mãe que hoje está com 74 anos, eu farei. Eu cuidarei.

Quero viver o dia de hoje como se fosse o último dia da minha vida. Nasci para fazer o bem. Se o meu dom é esse, eu farei.

Passei um bom tempo trabalhando na igreja, servindo os pastores que me acolheram, confiaram, sou grata a todos os pastores e líderes, mas, agora vou seguir em frente, vou seguir meu caminho.

Tive muitas perdas financeiras, não culpo a ninguém, nem a meu pai e nem a minha mãe; meu pai recebeu a Jesus, eu o perdoei, perdoei a minha mãe, não guardo mágoa de ninguém, guardei meu coração.

Eu me vejo em uma nação pregando a Palavra, melhor do que estou hoje, para as pessoas. Vou ajudar aos que me pedirem ajuda. Você vai me encontrar a mesma Ana com o coração sincero e contrito que Deus não despreza.

Eu sou uma mulher generosa, que aprendi a dar, ofereci a minha vida como sacrifício muitas vezes, sou uma mulher valente que da fraqueza tirou forças.  Uma mulher que não desistiu.

Sempre estarei  disponível para a obra e para as pessoas, dentro dos meus limites.

Busco viver contente tendo ou não tendo. Nasci para ser o que Deus me designou para ser, a voz que clama no deserto, a voz para ajudar pessoas e orar por ministérios de pessoas.

Há um ano e meio fiz a segunda cirurgia e estou bem, meu lema é a alegria e não a deixo por nada.

“Missionário bom é missionário vivo”, gosto de obra e de gente. Aprendi a me cuidar, quero ser sábia, ainda não sei contar os meus dias, mas quero ser sábia para isso.

Estou dando mais frutos hoje do que dava antes…

O Senhor me deu uma vida, eu acordo sorrindo e me deito com fidelidade. Quero respeitar os meus limites e amar as pessoas independente de qualquer coisa.

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