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Com muita honra farei esse ano 50 anos. Estarei comemorando minhas bodas de ouro, meu jubileu, com muita alegria e não me sinto nessa idade, me sinto muito mais jovem.

Nasci em Campina Grande. Sou de uma família simples, humilde, de 8 filhos, sou a primeira filha mulher. Tenho uma história na minha criação. Na verdade, eu não fui criada pela minha mãe e meu pai. Apesar de nascer em uma família grande, fui criada por duas tias, irmã do meu pai. Esse fato fez toda a diferença na minha vida em todos os sentidos. Mas, sou muito feliz e muito grata a elas duas, por tudo o que fizeram.

Tenho um bom relacionamento com meus pais e meus irmãos. Todos moram em Campina Grande.

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Meus pais moravam bem próximos das minhas tias, então eu estava por lá também. Na minha infância, antes de conhecer a Jesus, as coisas eram bem complicadas, porque o fato de não ter sido criada pelos meus pais acabou nascendo em mim um complexo de rejeição. E isso eu só passei a compreender depois que recebi o Senhor.

Indagações do tipo: “por que meus pais não me queriam?’ Surgiram dentro de mim. Detalhe: todos os outros filhos foram criados por eles e, inclusive, eu sou gêmea com um rapaz e, eles ficaram com ele e, eu com as minhas tias.

Agora, tem toda uma história… Era uma época na qual as pessoas não costumavam fazer pré natal, ultrassom e minha mãe não sabia que estava grávida de gêmeos. Ela já tinha três filhos antes de mim e quando ela foi ter a gente que descobriu que eram dois filhos. Eu sei que para ela foi difícil. Ela já tinha três filhos. Um de três anos, um de dois anos e mais um com apenas um ano de idade. E de repente, chegam mais dois filhos. E nós chegamos em uma família que vivia uma realidade bem simples, que precisava criar muitos filhos e, com isso muita gente ajudou.

E, por ser gêmea, de baixo peso, tinha dificuldades na saúde, desde pequena, o diabo sempre investiu nessa área da minha vida. Já meu irmão, era saudável. Mas eu não. Eu vivia em médicos. Aos 2 anos de idade, fiz uma cirurgia de amídalas e eu pesava apenas 8 kg.

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Hoje, eu sei que foi o agir de Deus em meu favor o fato de eu ter ficado morando com as minhas tias, porque a minha tia era técnica de enfermagem (hoje ela é aposentada) e com isso, ela tinha abertura nessa área para me ajudar. Lembrando que eu não tinha o Senhor ainda. Não conhecíamos a cura, não sabíamos que as coisas poderiam funcionar pela fé. Eu tinha acesso a médicos, a hospitais, acesso as medicações e isso foi o que me salvou naquela época. Mas, eu cresci e passei por muitos processos de saúde, mas Deus cuidou de mim em todo tempo.

Costumo dizer que esse processo foi parecido com o que aconteceu com Moisés. Porque Moisés saiu do âmbito da sua casa, de perto da sua mãe e foi criado por alguém, mas isso teve um propósito. De salvar a vida dele. A partir daí eu parei de sofrer, de me achar uma coitadinha, mas não posso deixar de reconhecer que teve danos em minha vida. Nas coisas do meu dia a dia, nas inseguranças, mas conhecer a Jesus me sarou. Hoje, sou sarada disso. Mas, é algo que precisa se trabalhar constantemente.

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Uma coisa eu sei. Minhas tias fizeram o melhor dentro das condições que haviam na época. Me deram o melhor que podiam… estudei, me formei e só sai de casa para assumir um emprego fora da cidade, no Rio de Janeiro, e lá passei 5 anos.

Sou formada em serviço social e fui fazer pós graduação em saúde pública no Rio. Mas, em meio a essa história, eu conheci Isaías. Ele estudava Direito com o meu irmão, eu o conheci através dele quando vim para casa de férias. Comecei a gostar de Isaías e conversávamos de vez em quando, não tínhamos a facilidade de comunicação, eram cartas, que escrevíamos, ele um é poeta e me conquistou pelas poesias. Assim, iniciamos o relacionamento

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Quando voltei para casa, eu e Isaías decidimos casar. Foi meio de repente, casamos, mas ainda não eramos cristãos, com menos de dois anos de casada tive meu primeiro filho, Lucas. Foi quando algumas coisas começaram a complicar, porque eu tinha uma vida com ele antes, saíamos muito e, quando Lucas nasceu precisei parar. Ele não tinha sido um filho programado, porque eu não queria ter filho cedo.

Começou a complicação… ele tinha a mesma vida de sair e se divertir, mundano ainda, que eu acompanhei o tempo todo, mas agora eu tinha que ficar em casa.

Minhas tias eram católicas e eu fui criada no catolicismo. Nem sei como foi que eu casei com Isaías, porque eu não gostava de crente e a família dele era toda crente, embora ele fosse desviado.

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Do meu jeito, da minha forma, eu amava ao Senhor. E eu disse a Deus: “Senhor, eu não aguento essa vida mais…”, ele bebia muito, era de festas e eu já não era mais a mesma. E um dia ele foi na casa da irmã dele e na casa ao lado morava uma menina que era do Verbo, e ela tinha uma ficha para o encontro. Ela ouviu a voz de Isaías e Deus disse a ela que aquela ficha era dele. Ela não o conhecia, e bateu na porta, chamou a irmã de Isaías e disse: “quem é que está ai com você?” E ela respondeu: “meu irmão“. Ali ela comentou sobre o Encontro de Casais com Cristo do Verbo da Vida, questionou se ele já havia feito, e perguntou: “você gostaria de fazer?” E ele disse: “vou falar com a minha esposa”.

Ao chegar em casa e compartilhar comigo, eu fiquei chateada porque era numa igreja evangélica, mas percebi que poderia ser uma proposta de melhorar a minha vida e o relacionamento poderia melhorar e, fomos fazer isso foi em 1998. Já no encontro ele voltou para o Senhor, mas eu levei um tempo, era tudo um processo, eu estava aprendendo coisas novas, tinha resistência demais. No decorrer do tempo, em uma das reuniões, Gilson e Sylvia ministraram e eu entreguei a minha vida ao Senhor, foi quando a mudança começou.

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Isaías na minha vida foi um presente de Deus. É muito bom estar no ministério junto com ele hoje. (me emociono com isso). Sei que ele foi escolhido desde o ventre materno mesmo. Mesmo quando ele estava sem Jesus, ele já era diferente. Eu aprendo todos os dias com ele, até quando ele está calado. Temos crescido, mas não somos um casal perfeito, ele é uma inspiração para mim, ele é uma das pessoas mais íntegras que conheço, é honesto. Depois do Senhor, ele melhorou muito mais. Ele não consegue mentir, danificar, ele tem um cuidado de não me machucar, de não tomar a vez, passar por cima, de me machucar psicologicamente, nem de forma nenhuma, ele é maravilhoso.

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O grande presente para uma mãe é você ver seus filhos amando o Senhor. Quando Lucas nasceu eu ainda não tinha o Senhor em minha vida e um dos motivos de ter problemas com Isaías era exatamente isso, porque ele queria ter aquela vida que estava vivendo antes do filho nascer e eu comecei a ver tudo diferente. Eu não queria o meu filho naquele ambiente.

Quando você se torna mãe, até atravessar a rua você faz de forma diferente. Nunca mais é do mesmo jeito, você não pensa mais em você, mas naquele ser que veio ao mundo através de você. E eu não queria que meus filhos crescessem em um ambiente ruim.

Quando cheguei na igreja, Lucas tinha 3 anos e, quando olho hoje para Lucas e Sarah, vejo que valeu a pena. Olhando para meus dois filhos vejo como eles são diferentes…

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Lucas tem muita coisa parecida comigo. Ele é mais reservado, calado, mas ele tem uma nobreza fora do sério, é integro com o Senhor, não abre mão das convicções, é consagrado, avivado, cheio da palavra e da unção, é disciplinado, é o melhor guitarrista para mim. Mas, ele não se contenta com o que ele já tem, todos os dias ele estuda, ele busca coisas na internet e corre atrás. Ele é tão jovem, 21 anos, e sei que já estou entrando na fase do ninho vazio. Sei que eles são do Senhor. Lucas já está caminhando. E ele vai correr, será rápido e não vai nem olhar para trás.

Sarah já tem outra particularidade, ela é mais companheira, é de estar junto, apegada, tem muito cuidado comigo. Como eu estou, o que estou querendo, ela será aquela que mesmo que saia não vai me deixar. Muito inteligente.

A Lucas, Deus deu a habilidade para a música e a ela Ele deu a habilidade para escrever. Ela escreve muito bem. Ela consegue captar a alma. E eu acho lindo isso, ela faz coisas que poucos conseguem por causa da sensibilidade.

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Deus é a minha fonte. Eu não sei o que seria de mim se não fosse o Senhor. Mesmo com todas as minhas limitações e uma delas é um lado bem tímido que eu trabalho todos os dias, falar em público por exemplo, é desafiador, mas Deus colocou algo em mim, que mesmo diante de desafios, eu enfrento. Não gosto de dizer “não”.

Mato um leão por dia, com a certeza de que Deus é maior e enfrento as minhas limitações todos os dias. Eu não desisto, e assim eu enfrento todas as coisas que chegam em minhas mãos sejam coisas simples, pequenas, ou coisas grandes.

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No Rhema, os alunos são como filhos para mim. Eu sempre trabalhei com a educação e, em 2008 eu cheguei no Rhema em Campina Grande, porque Deus me chamou mesmo. Fui voluntária para a secretaria para fazer qualquer coisa, depois de pouco tempo fui convidada por Jannayna para fazer parte da diretoria e, comecei como secretaria, eu gostava muito daquilo. Na verdade, eu conhecia cada aluno pelo nome completo, como eu lidava com as listas o dia todo, decorava os nomes deles. Eu fiquei responsável pelo segundo ano, então esse relacionamento de mãe eu comecei a desenvolver daí, eu cuidava deles, tinha muito cuidado, o fato de ser casada com um pastor desenvolvi em mim uma capacidade de apascentar, de cuidar, e isso eu levei para o Rhema.

Um tempo depois fui chamada para ser vice diretora. E hoje, eu sou a diretora. Não são só os alunos, cada funcionário, voluntário, monitor, cada pessoa que trabalha no Rhema faz parte dessa grande família. Enquanto eu estiver ali, farei tudo com muito amor.

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Deus trata muito comigo sobre boas associações. O estar associado é muito importante. Quando somos mães, temos um sensor dentro de nós e quando um filho está se associando com alguém que você percebe que não é uma associação correta é incrível como isso fica estimulado. E isso funciona para você também. Ou seja, estar associado com as pessoas certas é essencial.

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Não posso deixar de registrar a importância de algumas pessoas na minha vida. Na família a minha tia que foi muito importante na minha vida. Hoje, ela é a minha filha de 90 anos. Ela não tem marido, filhos, ela tem a mim. Muito do que eu sou devo a ela, não desistiu de mim, cuidou de mim e me amou. Eu cresci e devo muito a ela.

Outra pessoa é Isaias, ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida. Depois do Senhor é ele, é meu porto seguro, acredita em mim mais do que eu mesma. A nossa vida teve um rumo bem diferente depois que Jesus veio fazer parte dela. Se eu tivesse que casar, casaria de novo com ele.

Quanto ao ministério, preciso citar Jannayna, ela foi muito importante para mim, me ensinou muitas coisas, ela me levantou ministerialmente, ela é aquela pessoa que vê por trás das malhadas, e eu amo isso nas pessoas.

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Eu sou uma pessoa simples. Não preciso de grandes coisas para estar feliz. Uma vez li um livro de Augusto Cury e ele fala sobre contemplar o belo e, eu ando nessa linha. Existem coisas que são belas e não se compram. Então, muito mais do que uma mansão, contemplar o belo é ver o brilho nos olhos dos meus filhos. É estar bem com meu marido. É poder ser uma ajuda para as pessoas ao meu lado, pronto, isso é Ana Fábia…

2 COMENTÁRIOS

  1. Olá Ana Fábia! Sou Lindeti da Verbo Macapá. Obrigada por compartilhar um pouco da sua história. Tocou meu coração pois este ano também estarei fazendo 50 anos. Estou em um momento de grande reflexão sobre a vida e o que está por vir. Aqui ainda não temos o Rhema. Mas cremos no agir e na provisão do Senhor para este lugar. Nosso pastor Thiago e Esther tem nos ensinado a acreditar e a confiar na palavra de Deus. Enquanto isso, quem sabe teremos a oportunidade de visitar a escola de Campina Grande ou lhe receber aqui? Paz!!

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