Meu nome é Arthur Silva. Nasci em Campina Grande; na verdade, fui de Campina durante toda a minha vida. Por coincidência, nasci e cresci no bairro Catolé. A história no Verbo da Vida começou muito cedo. Meu pai era músico profissional e, nos anos 90, ele deixou de tocar bateria e começou a viver somente da vida profissional que ele tinha na área eletrônica. Um dia, um grande amigo dele o convidou para ir para a Igreja Verbo da Vida. Isso foi em 1994; eu tinha 11 anos. Quando chegamos na igreja, eu era criança, mas vi todo o inicio da igreja, pois ela tinha sido criada em 1992. Não tinha como eu fugir da área musical, pois tinha a figura do meu pai, apesar dele nunca ter me ensinado nada. Na verdade, o que ele falava muito era: “Sai daí, menino! Isso é para adulto!”

Então, desde cedo, eu já comecei a servir nos adolescentes, em uma época em que só havia umas 20 pessoas na sala dos adolescentes. A quantidade que temos hoje é até de assustar. Sempre, ao longo desse período musical, Deus falou a respeito de missões de uma forma muito forte. Sempre vinham profecias e confirmações a respeito de que até os toques dos tambores eram tambores missionários. Ao longo de todos esses anos de amadurecimento, eu fui adotado por alguém muito especial; o nome dela é Elia Nicholas. Em 2007, ela se identificou muito com esses tambores que sempre tinham essa inclinação missionária. E aí foi onde tudo começou de uma forma mais evidente na minha vida. Ela sempre falava para mim: “Você precisa ter um relacionamento com alguém que tem um chamado missionário”. Se você não tiver um relacionamento com uma pessoa que tem um chamado missionário, você será uma pessoa frustrada. Em 2008, eu conheci Camila. O Orkut dela tinha tudo da Itália que você possa imaginar! Então, eu e Camila começamos a ter uma amizade muito grande. Era uma amizade tão sincera que cada um falava de suas paqueras.

Certa vez, algo estalou realmente entre a gente com relação a querer se conhecer mais. Em maio de 2009, nós conversamos e começamos a pensar alguma coisa em direção a um relacionamento. Tudo que existia na forma missionária de se pensar foi conversado nesse período. O período em que você está fazendo Escola de Ministros é um período em que você é bastante observado. O solteiro é muito vigiado; então, estávamos muito preocupados em dar os pontapés no tempo certo e na forma certa. Conversamos no finalzinho de maio. Foram seis meses conversando e se conhecendo.

Depois que oficializamos nosso relacionamento, tudo da Itália ainda era um sonho meio que intangível aos nossos olhos. Como dois jovens poderiam ir para a Europa? Naturalmente falando, era meio sem lógica isso, por causa de todo contexto que nos cercava. Ainda tinha a questão do nosso próprio relacionamento se firmar. Tinha também a questão de ter uma carreira acadêmica. Porém, Deus foi nos proporcionando tudo isso. Depois de uns quatro anos namorando, noivamos. Quando veio o noivado, vimos a fidelidade de Deus com relação à minha carreira profissional na área de vendas. Deus, com o Seu favor, nos presenteou com casa e com meio de transporte. Fomos galgando e crescendo nos propósitos; Deus foi dando confirmação ao longo desse período. A veia mesmo da questão missionária em nossas vidas foi, de fato, em 2016, onde conhecemos o projeto do Curso de Oração e quisemos nos envolver totalmente nisso.

Servindo no Curso de Oração, Deus foi trazendo convicções e vislumbres de coisas que não pensávamos que teria condições de acontecer naquela época. E Deus fazia questão de deixar claro que pisaríamos na Itália naquele ano. Mesmo assim, eu ainda tentei ir com a força do meu braço, com as férias da empresa. Tínhamos determinado que iríamos em setembro, durante as minhas férias. No entanto, por conta da crise financeira, acabaram me dando férias em abril.

Quando eu disse isso para Camila, eu lembro, como se fosse hoje, as lágrimas dela descendo. Isso tinha frustrado totalmente a questão da viagem da Itália. Quando tentamos refazer os planos, não deu certo; acabamos decidindo usar as férias para passear em outro lugar; no entanto, quando eu voltei para o trabalho, em maio, na segunda semana, o diretor da empresa, vindo de João Pessoa, olhou para mim e me disse: “Arthur, eu estou com uma missão tão difícil para fazer hoje!” Eu já sabia que eles iriam me desligar da empresa. Voltei para Camila, para dar a notícia. Ela estava lavando os pratos e me disse antes que eu pudesse dizer algo: “Você foi desligado, não é, Arthur?” Ela estava bem tranquila, pois o Espírito Santo já tinha avisado a ela.

No entanto, com a demissão, começamos a entender os propósitos da viagem, mesmo com o dinheiro das rescisões sendo usado para quitar carro e deixar tudo organizado. A partir daí, eu fiquei dando aula de bateria e mergulhei de cabeça em servir no Curso de Oração. Em uma das aulas do Curso, Humberto Albuquerque estava ministrando a aula, quando ele disse: “Os sonhos de Deus na sua vida, quem financia é Ele”. Quando chegamos em casa, fomos orar sobre a viagem para Itália. Nossa oração foi bem franca: “Senhor, é Teu! O Senhor está nos dizendo; então, o Senhor terá que nos levar”. Resolvemos, então, descansar com relação à viagem. De repente, as passagens chegaram. Conseguimos juntar mil euros, pois tínhamos trocado todo o dinheiro que tinha restado da rescisão, como nossa semente para a viagem. Pessoas também começaram a ofertar. Deus veio trazendo a Sua graça. Deus foi confirmando e nos fortalecendo por dentro. A quantidade de oferta foi tanta que, de mil euros, fomos para a Europa com dois mil euros. Fomos do norte ao sul da Itália, passando de três a quatro dias em cada cidade, como forma de termos convicção e de observarmos a questão cultural. Quando eu olho para a Itália, eu penso em paternidade. Eu vejo os italianos como filhos que devem ser cuidados.   

Minha mãe, dona Socorro, possui uma história e uma vida de oração sobrenaturais. Ela é uma rocha inabalável. Ela é uma mulher de oração; alguém que tem o pulso forte na Palavra; ela está congregando na igreja Palavra e Poder, em Campina. Nessa igreja, ela á líder de oração e já faz parte da diretoria da igreja. Então, ela está bastante ativa. Muitas pessoas são apegadas a ela, e eu tenho muitas tias que moram perto dela no Catolé. Ela não fica isolada. De uns tempos para cá, com essa correria da viagem e com a Escola de Missões, eu não tenho conseguido vê-la frequência. Com isso, hoje, ela já está resolvendo situações de banco e pagando contas sozinha. O velho Orlando Silva, meu pai, era um homem que chegava com as sacolas! Então, ela teve que aprender muita coisa depois que ele faleceu. A sensação que eu tinha da minha mãe era de ver uma criança com uma nota de cem reais na mão. Meu pai faz uma falta grande, mas temos crescido e avançado com relação a isso. Minha mãe é uma rocha inabalável e, hoje, ela está muito bem. Está se adaptando muito bem e está feliz. Quando falamos da Itália, ela é incentivadora e ora muito por nós. Creio que, em breve, ela estará conosco passeando pela Itália. 

 

Meu pai era uma pessoa diferente, mas ele ficava muito feliz e bem alegre com relação ao nosso crescimento. Ele era bem desprendido, do tipo: “Se Deus falou; então, vá!” Ele era bem parecido com o apóstolo Bud na forma como ele agia e na forma de ser pontual em tudo que fazia. Ele era muito engraçado. Esse meu jeito brincalhão é dele; nos divertíamos muito juntos. Quando eu ficava próximo a ele, era para brincar mesmo. Mesmo no período da doença, ele saía com cada uma! (risos) Então, os momentos de muita alegria em que eu estive com ele, podendo brincar muito, me marcaram. Eu também era fã de vê-lo tocar. Eu parava tudo que estivesse fazendo e ficava fascinado o vendo tocar. Era uma alegria imensa que eu tinha. Quando ele tocava na igreja, eu amava! Tirava foto atrás de foto! Ele tocava divinamente; era algo muito sincero dele. Eu acho que uma das coisas que o ajudou a se entregar na hora de falecer foi quando o médico disse: “Você não pode tocar bateria com o coração do jeito que está”. Acredito que, ali, a vida dele acabou. E foi bem rápido! Descobrimos em abril e, em agosto, ele partiu. Sentimos saudades demais! Durante todo o velório, eu estava anestesiado pela graça e pelo favor de Deus. Hoje, ele está bem melhor do que nós; eu sei que ele está muito bem! Quando terminarmos nossa carreira, nos encontraremos com ele. Vai ser festa eterna!   

A obra missionária acaba tomando uma proporção tão forte em nossas vidas que até os nossos sonhos acaba girando em torno do propósito. Então, o sonho que eu tenho é que a Igreja da Verbo da Vida na Itália cresça e que possamos nos estabilizar naquilo que tanto sonhamos. Eu também tenho o sonho de ser pai e de adotar crianças. No entanto, nosso sonho mesmo é o propósito para o qual fomos chamados. É o cumprimento desse propósito. É olhar e sentar em uma cadeira e ver que tem a Itália inteira sendo alcançada por essa Palavra que nos libertou.

 

Arthur é um eterno menino que sempre está buscando aprender mais e que sempre está buscando desenvolver aquilo que Deus sempre quer para ele. Arthur é uma pessoa que ama gente, de uma forma que ele está disposto a perder algo para não perder as pessoas. Ele perde para ganhar pessoas. Camila tem um ponto de equilíbrio que me ajuda em algumas situações. Camila me ajuda muito, porque, por mim, eu me dava. Eu me entrego mesmo para ajudar desde as mínimas coisas. Por mim, eu dava dinheiro para todo mundo, porque o que eu quero mesmo é ajudar! Eu sou desprendido! Quero ver pessoas felizes.

 

Camila é meu presente. Camila é tudo que eu desejei em uma pessoa do meu lado. Ela é meu ponto de equilíbrio, me trazendo de volta para ter uma vida equilibrada e tranquila naquilo que eu vou fazer. Ela chegou no momento certo na minha vida; sem Camila, o cumprimento desse propósito missionário seria muito difícil! Eu iria alcançá-lo, mas passaria por todos esses caminhos e chegaria em Roma todo quebrado! (risos) Ela é como algo precioso que eu abri e me descobri naquele presente. Foi algo que chegou no momento certo e na hora certa. Ela me ensinou a dar muito valor a coisas que eu não dava. Camila com toda essa vivência, me trouxe um lado que eu deveria descobrir e que eu deveria saber que existia. Camila é muito importante na minha vida; eu a amo muito!   

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA