Eu sou de Campina Grande, a primeira filha e primeira neta de uma família bem estruturada, apesar de meus pais não serem evangélicos. Casei jovem, apesar de meu casamento não ter sido bom, devido aos ciúmes de meu marido, passei quatorze anos e nove meses casada e tive quatro filhos e com 27 anos eu fiquei viúva. Meus filhos são a minha vida. Eu sou apaixonada por eles.

Quando casada, eu tinha muita vontade de ir para a igreja, mas meu marido não gostava de crente. Então, eu escutava as ministrações de Valnice Milhomens e desejava ir, mas eu não podia. Às vezes, eu podia ir à escola dominical, levava as crianças e era o único dia que eu ia para a igreja. Então, quando ele morreu, para mim foi uma libertação, porque ele partiu para a glória, eu não o perdi para o mundo. Ele disse que estava vendo o outro mundo, queria partir e que os filhos iam ficar bem. Agora eu tinha motivo de viver na igreja, de viver com os meninos. Foi tudo que eu quis, então eu peguei esse desejo e fui me aprofundar. Entreguei-me de vez, graças a Deus, me formei no Rhema e depois eu fui me envolvendo na igreja com os meninos. Já faz mais de 20 anos que eu sou viúva e sou muito bem resolvida graças a Deus. 

A minha filha mais velha é Tecia, ela é casada com o pastor Flávio, são meus amores. Eu amo meu genro. Quando ele chegou na nossa vida, os meninos eram pequenos, eles têm muito respeito por ele. Tem Kelly, que é a segunda, ela é muito quieta, é uma mestra e ministra muito bem, tudo dela é na Palavra, tudo dela é doutrina, também sou apaixonada. Ela mora em Teresópolis, já foi casada mais está solteira. Tem Taiane, a filha caçula, ela e o esposo dela Tiago,  cuidam da igreja de Petrópolis no Rio de Janeiro e ele é meu outro filhão. Ele é de Monteiro, conheceu Taiane e Deus os uniu. Meu filho caçula é João Bosco, eu o chamo de “meu tesourinho”. Eu sou apaixonada por Bosco. Ele é muito organizado, tudo dele é bem certo e ele é casado com Natália, uma filhona que eu tenho, sou apaixonada por ela, agora mesmo nasceu o filho deles, o João Henrique. Eles moram em Petrópolis também, eu tenho dois filhos em Petrópolis e dois em Teresópolis. Tenho cinco netos.

Quando olho quem eu era e quando eu vejo quem eu sou hoje, vejo como Deus é maravilhoso. Quando eu fiz o Rhema, essa Palavra  me impactou. Ela é muito poderosa e a gente tem que correr com velocidade, eu a agarrei. 

Eu conheci sobre missões assim que eu me converti. Cheguei numa igreja que o pessoal falava sobre o assunto e, quando chegou uma turma da JOCUM, decidi que queria fazer parte, eu queria ser treinada, mas as crianças eram pequenas e eu tinha o meu marido na época. Um dia, quando saí da escola dominical, Deus me disse: “De que adiantaria você ganhar o mundo e deixar meus filhos e sua família”. Naquela hora eu fiquei um pouco revoltada com Deus, porque quando recebi Jesus já sabia que tinha que fazer alguma coisa, mas depois que Deus falou comigo eu disse ao Senhor que ficaria aqui. 

Quando meu marido morreu e eu vim para o Verbo, ainda não se falava em missões. Daí chegou Simon Potter e pensei:  “Meu Deus! Aqui fala sobre missões e sobre os missionários Pr. Bud e Jan. Estou no lugar certo”. Como as crianças eram pequenas, eu fiquei envolvida no departamento de Missões e os meninos envolvidos nos departamentos de Adolescentes e Infantil. Um dia, na segunda viagem à Bolívia, Suellen Emery me convidou para ir junto. Quando ela terminou de fazer o convite, eu disse que ia! Fiquei feliz demais com o Senhor, de Ele ter me escolhido, porque muitas vezes as pessoas são viúvas, separadas do marido acham que elas não podem fazer nada. Elas criam esse pensamento que não podem fazer nada por ser separada e ter filhos. Eu fiquei envolvida com missões até hoje, e depois de 20 anos é que eu estou pisando em uma nação para morar.

Foi muito interessante, porque eu não sabia o idioma, foi muito bom pisar  numa terra nova, ver pessoas. A gente tinha oportunidade de fazer evangelismos. Foi como se fosse Deus acreditando em mim. Eu era uma pessoa que tinha medo de tudo, muito tímida. Quase não falava e quando recebi Jesus, o medo acabou. Hoje, não tenho medo de nada, gosto de desafios, de desbravar, de fazer.

Às vezes, eu vejo as pessoas falando como é difícil criar os filhos sem pai, mas nunca tive nenhuma dificuldade porque, como os meninos já eram envolvidos na igreja, sempre fiz a minha parte em casa. Sempre dei tarefas para eles. Não foi difícil, eles foram criados dentro dos limites. A gente sempre teve muito respeito. Graças a Deus eles eram e até hoje são muito unidos.

Antes de mudar para Petrópolis, eu já estava envolvida na secretaria de missões e nós viajávamos muito, porque a gente tinha um grupo de teatro de evangelismo. Um dia,  a gente foi fazer um evangelismo em Monteiro e Deus começou a me mostrar aquela cidade, e Ele me disse o quanto seria bom um trabalho com mulheres lá. Ele me perguntou se algo me impedia de ir para lá. Como nada me impedia, na mesma hora, eu já liguei para a minha filha. Ela trabalhava na igreja, já era casada – a Tecia -, e conversei com ela. Ela disse: – “Mãe, o crente é guiado pelo Espírito e se a senhora sente paz, é Deus falando”. Eu também liguei para Flávio, ele trabalhava no ministério e falei a mesma coisa.

No outro dia, eu fui para o Ministério Verbo da Vida e disse ao Ap. Guto Emery que Deus tinha falado comigo sobre Monteiro. Depois disso, fui morar lá com os meninos e foi o melhor tempo da minha vida.

Depois de um tempo o Pr. Francimar veio morar em Monteiro e Deus disse a mim que era tempo de ir embora. Eu não queria deixar aquela gente. Deus disse que a unção estava na vida do Pr. Francimar e Edna, e eu tinha que voltar. Eu não queria voltar para Campina. Então, fiquei orando e foi mesmo no tempo em que meu genro morava no Rio e Deus estava tratando com ele para morar em Petrópolis e começar uma obra lá. Ele me fez o convite e eu entendi que foi Deus mesmo, porque Ele tinha falado comigo que já era o tempo e eu tinha orado para que Ele me mostrasse a cidade. No meio do ano, parti para o Rio, onde ficamos por seis meses, que foi o tempo de a gente arrumar a casa e conhecer Petrópolis. Foi lá que meu primeiro neto nasceu, foi lá que meus filhos se formaram, prosperaram e trabalham até hoje.

Eu sempre digo às pessoas para não ter medo de ir para lugar nenhum. Quando você tem uma família, naquele lugar que Deus está mandando você ir, quem vai ser mais abençoado é você. Às vezes, achamos que vamos deixar pai, mãe, filho e família, tudo por amor a Jesus. Não é isso não, pois Deus já tem naquele lugar, um lugar melhor. Ele já vê à frente, Ele já vê o seu futuro. Lá, estava tudo pronto pra mim, se eu não tivesse ido eu teria perdido as bênçãos. 

Quando já estava tudo muito bem em Petrópolis eu queria vender minha casa em Campina Grande e comprar um apartamento lá, mas o Senhor disse a mim que não.  Eu tinha ficado à frente do Rhema, uns quatro anos, e quando já estava tudo bem e os filhos todos casados, Deus falou comigo que era tempo de voltar. Vim para Campina Grande conversar com Guto e ele me disse que eu tinha que fazer a Escola de Missões. 

Eu achava que estaria perdendo tempo, passar um ano na escola para fazer missões. Mesmo assim, voltei para Petrópolis decidida a entregar o meu apartamento, a me desfazer de tudo que eu tinha e vir para cá. E no ano passado, vim morar aqui foi o melhor tempo da minha vida.

Quando a Espanha chegou no meu coração, foi interessante, porque quem começou a obra lá na Espanha foi Kátia José Alegria, ela era minha amiga e eu orava muito por aquela obra. Kátia veio da Espanha para o Brasil e ficou hospedada na casa da minha filha, eu comecei a perguntar como era Madrid  e criei muitas expectativas. Então, fiz o Rhema pensando em ir pra lá. E em conversa com o meu Pastor, disse que meu tempo de ir embora tinha chegado, e ele me perguntou como eu iria embora. Respondi que iria juntar dinheiro, iria para Espanha e em qualquer lugar onde Deus me mandasse ficar eu ficaria. Na realidade eu não tenho uma nação no coração, eu tenho povos, lugares, pessoas, que estão precisando.

Este ano, conversei com Guto e disse que a igreja de Madrid estava bem, que eu queria ir para um lugar que estivesse começando e precisando de trabalho. Como ele tinha ministrado que precisava de muitos obreiros, eu disse que a obreira estava aqui e perguntei pelo trabalho. Guto riu dizendo que se eu quisesse trabalho ele tinha um bom, lá em Moçambique. E hoje meu coração é Moçambique.

A minha gratidão a Deus é tão grande! O que eu tenho de mais precioso são os meus filhos. Têm pessoas que querem um carro. Eu não preciso de nada material. A minha gratidão é de servir ao Senhor, eu sou grata por Ele, pela minha vida, pela vida dos meus filhos. Se os meus filhos estão cada um no seu lugar, e hoje sou livre, posso ir para onde Deus me mandar. Eu tenho o Senhor que vai comigo, então não me sinto só, não tenho medo de nada. E acho que não sou muito emotiva não, sou muito prática. Portanto, o que me emociona é a gratidão que eu tenho ao Senhor. Essa gratidão é o que me move para levar a Palavra de Deus às pessoas e para chegar em Moçambique. O que Deus colocou no meu coração foi de servir a Guto. Eu sou grata por essa Palavra, por esse Ministério, eu amo Guto, Suellen e Pr. João. Eu sou apaixonada por eles e, no que eles precisarem de mim, eu estou disponível. 

Estou indo para Moçambique representando o Ministério. É uma honra, sou grata por eles confiarem em mim. Essa honra é gratidão mesmo, pela Palavra que chegou na minha vida. Acho que eu quero ser uma Daisy Osborn, chegar num lugar, orar por uma criança, ressuscitar os mortos. Eu quero ver o poder de Deus, ver essa Palavra acontecendo. O Senhor está voltando e quanto mais eu puder fazer para que Jesus volte e para que as pessoas sejam salvas, vou fazer a minha parte.

Esse ano eu completei 50 anos, em junho, a idade não é uma limitação para mim. Vou servir a Deus e quando eu estiver velhinha, não puder mais, Ele pode me levar para glória.  A minha mãe não entende meu chamado, ela diz que estou deixando filho, neto e mãe para ir embora. Os meus filhos têm a vida deles, os netos têm os pais e minha mãe tem a mim, porque eu não estou indo embora de vez, eu vou e volto. Hoje, Campina Grande vai ser a minha base, vou para qualquer lugar e volto para a casa dela.  Eu tenho três irmãos, mas minha irmã sempre fez tudo pela minha mãe, ela é minha parceira, a gente se divide. Há coisas que ela tem vontade de fazer e hoje não pode por ter a família dela. Então ela me dá o suporte, cuida da minha mãe, faz tudo por ela, então ela não estará só.

1 COMENTÁRIO

  1. A Paz do senhor Jesus Cristo o nosso redentor, estou muito cheio pela palavra de Deus que ministrou no seminário dos pastores do Búzi durante quatro dias, é uma bênção missionária Célia, depois do grande siclone idae cheias os ficamos traumatizado, mas entregamos nas mãos de Deus e o senhor nós ouviu e enviou a sua filha Célia com tema fé fiquei consolado encorajado para continuar com a obra de Deus com mais expectativas de alcançar vidas para Jesus, mais outra vez obrigado mulher de Deus o senhor te usa mais e mais benção Amém.

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