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Família são pessoas que fazem parte da nossa vida. Se eles não estão bem, isso reflete em nossa vida também. De um tempo para cá, tenho observado que eu sempre estava cuidando das coisas da igreja e havia deixado essa parte um pouco de lado. Mas, vamos caminhando para a maturidade e só a maturidade nos diz o que realmente é importante na vida. De um tempo para cá, comecei a despertar para essas coisas. Se a sua família, que é a tua base não está bem, tudo que você construir, vai ruir. E claro, isso vai acabar refletindo mais adiante. É interessante que, por mais que as pessoas queiram fugir dessa base, nos grandes eventos da vida, você espera que essas pessoas  estejam lá com você.

Quando nasce um filho, você espera que a sua família esteja lá. Quando alguém morre, você espera que a sua família esteja lá. Quando todas as pessoas estão reunidas na noite de natal, você quer que a sua família esteja lá. Então, eu acredito que temos que voltar para a base, a família. Precisamos ver como está a nossa base, como está o nosso fundamento. Se as paredes estão ruindo, é porque o fundamento precisa ser melhor embasado. Talvez, você precise cavar mais.

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Zenaide, minha mãe, é a minha referência de força. Ela nos criou sozinha, eu e meus dois irmãos. Quando ela estava grávida de mim, separou do meu pai, porque ele tinha problemas com o alcoolismo. Ela não conseguiu segurar a barra. Na época, ela não tinha estudos e nem uma base para ajudá-la dando um suporte necessário. Morava em Recife e, depois disso, voltou para Campina Grande, para a casa da sua mãe com nós três. Minha mãe superou muitas coisas, inclusive o preconceito da época. Precisou lidar com muitas dificuldades, era tudo muito mais difícil do que é hoje em dia. Ela fez o que pôde, viveu trabalhando os três expedientes para dar conta de três filhos.

Todas as vezes que precisei de resistência na vida, sempre me lembrava das coisas que ela tinha passado para mim. No dia a dia mesmo, ela nunca dizia: “você tem que ser forte“, ela fazia. Eu via e não tinha como uma pessoa não se tornar forte a observando.

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Sou casada com Tânio Abílio. Ele é um misto (risos), tem horas que parece uma criança, faz o que dá na cabeça, é super sincero. Brinco com ele que ele é o mister sincero. O que mais aprendi com ele, ou melhor, me esforço para aprender na verdade, é que ele é uma pessoa equilibrada com as coisas da vida. Com a questão financeira, administração, essas coisas. Eu não sou muito boa nisso… Graças a Deus ele é. Tânio é um homem valente. Ele passou por dois relacionamentos antes de mim, teve filhos desses relacionamentos, mas sempre foi um pai presente. Apesar dos relacionamentos não terem dado certo, ele não deixou os filhos de lado.

Sempre gostou de ser aquele super pai.

Quando nos casamos, ele ainda tinha lembranças do período escolar dos filhos mais velhos dele. Tinha cadernos de desenhos dos meninos, ele é uma pessoa muito emotiva, apesar da aparência forte; é super sensível, é ligado às coisas que passaram, ao carinho e amor. Admiro isso nele. Porque me faltou isso quando meus pais se separaram. Eu não tive a presença do meu pai, e ele é exatamente o oposto. Me tirou aquela impressão de que aquilo era normal.

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A maternidade na minha vida foi esperada e desejada demais. Quando casei, queria ser mãe de quatro filhos. Depois, eu descobri que não ia ser fácil (risos). Com pouco tempo de casada, vi que tinha que me adaptar a uma pessoa. Logo, pensei: “não vai dar certo ter quatro filhos agora”. Conversamos, eu queria ter algumas conquistas profissionais ainda, mas,  nesse ínterim, não tive muito sucesso. Percebi que, se eu não tomasse uma decisão, não ia resolver aquilo que queria na vida profissional e nem ia conseguir ser mãe.

Era algo que vinha de dentro. Eu sabia que precisava ter um filho. Sabia que era o tempo de Deus para aquilo. Mas eu ficava constrangida de dizer as pessoas: “estou tentando ser mãe, ficava envergonhada“. Certo dia estávamos em uma reunião do louvor e decidimos orar por coisas que estavam em nosso coração.

Falaram para mim: “Qual seu pedido de oração?”

Respondi: “Quero ser mãe”.

Disseram: “Então vamos orar”.

Então, nós oramos.

Naquela época, tinham muitas meninas do louvor que estavam engravidando e aquilo que me trouxe um sofrimento. Eu não tenho palavras para definir como eu ficava… Perguntava ao Senhor dentro de mim: “Senhor, quando vai vai chegar o meu momento?”

Eu notava que Tânio não queria muito e eu também pensava: “não quero ter um filho para eu curtir sozinha. Eu quero que ele queira também”. E eu vi que Deus foi trabalhando.

5

Um dia, depois do Dia dos Pais de 2013, eu estava fazendo alguns exercícios em casa e pensei: “minha menstruação está atrasada e ela nunca atrasa, por que será?” Na verdade ela sempre se antecipa. Fui no laboratório para fazer o exame e, na quarta a noite, eu sai do trabalho para pegar o resultado e gritei lá mesmo. Sai saltitando, todos rindo. Cheguei em casa, Tânio silencioso perguntou: “E ai?”

Respondi: “e ai que você vai ser pai de novo”.

Eu não me importava se seria menino ou menina, eu queria ser mãe. Observando o histórico do pai, pensei: “ele já tem três meninos, vai ser outro menino”. Já estava pensando em tudo azul. No dia que soubemos o sexo do bebê eu fiquei bem surpresa.

Hoje ele diz: “se eu tivesse a oportunidade de ter uma menina mais cedo, acho que queria outra (risos)”

Minha filha, Constance, é uma alegria. É a nossa satisfação de todos os dias. É maravilhoso ser mãe. Sou realizada e muito grata a Deus.

6

Por 23 anos, fui envolvida com o Ministério de Música na igreja Verbo sede em Campina Grande. Eu também era envolvida em outros departamentos. Especialmente no início da fé, nos envolvemos em várias coisas. Até porque não sabemos com clareza o que Deus quer para nós. Ao longo do tempo aquilo vai se descortinando.

Comecei cantando nos adolescentes, acho que em 1994. Cobríamos as escalas algumas vezes na igreja, mas estavam precisando de um pessoal para o domingo. Depois que cobrimos algumas escalas, começaram a nos chamar para cantar na sede. Era tudo muito simples, não víamos grandiosidade naquilo. Nunca quis saber de ibope, queria fazer para Deus e ser fiel. Passamos por várias fases. Houve um tempo que havia apenas um grupo de louvor na igreja. Toda igreja que inicia passa pela fase de ter poucos músicos.

Passamos fases que cantávamos em dois cultos no domingo a tarde, além da escola dominical. Mas era maravilhoso. O Pastor João queria que chegássemos as 16 horas para orar aos domingos, aquilo era feito com muita alegria, satisfação e prazer. O nosso galardão, o meu presente, era ver o quanto as pessoas se envolviam e se entregavam à adoração.

7

Tem pessoas que se converteram no louvor e, hoje, estão atuantes na igreja. Lembro de profecias no meio do louvor. Pessoas que estavam em momentos difíceis e o Senhor levantou-as e confiou coisas a elas também. Foram momentos preciosos. Lembro, com gratidão, mas tudo tem um tempo, são ciclos, e o ciclo precisou se fechar. E quando ele se fecha, você precisa iniciar outro ciclo de outra coisa. Esse é o tempo que preciso dar atenção a minha igreja – a minha casa.

Não é penoso, pelo contrário. Mas fica a saudade… quando lembramos as histórias, os momentos dá saudade, mas me sinto bem, leve, feliz. Posso dar assistência ao meu marido e a minha filha, dar um tempo de qualidade a eles, aos meus irmãos e à minha mãe.

Muitas coisas foram depositadas nesse tempo. E elas me dão estrutura para viver esse momento que vivo hoje. Eu sei que, se não fosse o Senhor, se não soubesse entender que essas coisas vieram do Senhor, é dEle não é meu. O chamado é dEle. Talvez eu não iria saber largar, poderia causar dor e sofrimento, mas, graças a Deus, o Senhor me pegou pela mão e me conduziu e está tudo bem.

A música nunca vai sair da minha vida, é gostoso cantar, adorar. Percebo que, quando paro e começo a cantar, trazendo a música que está no meu coração, em meu espírito, é realmente como se o Senhor se inclinasse do trono. Percebo o Senhor tão perto, me sinto tão aconchegada por Ele. O que me sinto aliviada é da responsabilidade de liderar. Percebo que saiu de mim o ter que cumprir aquilo que está estabelecido. Claro que não vou deixar de amar o meu Senhor. Ele me trouxe até aqui, e, como disse o salmista, Se Ele me fez ser alguma coisa que sou é porque O considerei, porque tudo vem Dele e volta pra Ele

Eu precisava desse tempo com Deus, sem aparecer, para que, nesse tempo, algo seja forjado em mim para o novo que virá; que nem sei ainda o que é.

Meu sonho é ter a minha família unida. Cada um deles entendendo o chamado de Deus para a vida deles. Cada um tem seu chamado nos cinco dons e, talvez, em alguns momentos, estão em crise com eles mesmos. Quando a gente não entende o nosso lugar em Deus, vivemos uma crise existencial.

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Sobre o momento de transição que passei, foi tudo tão maravilhoso, delicado. É incrível como Deus fez as coisas. Como Deus remove uma pessoa de um lugar e coloca outra, foi uma coisa suave. Foi assim que Deus tratou comigo a saída do Ministério de Musica. Ele não me arrancou de lá. Lentamente, o Senhor foi me tirando. Ele foi trabalhando no meu coração, mudando o desejo, o gosto por aquilo, calmamente.

O Senhor foi me mostrando três anos antes, a pessoa que iria ficar em meu lugar. Que no caso, era o casal Wivian e Jason. Vi a destreza que Deus trabalhou na a vida deles e na minha vida. Quero deixar registrado que eles são pessoas maravilhosas, tratáveis. Pessoas dedicadas, amigas, eles merecem. Sei que Deus tem mais para a vida deles. Eles vão avançar mais, estou feliz por ter passado o bastão para pessoas tão valorosas. Eles são, na musica, bem melhores que eu e o Ministério de Música só tem a ganhar com isso.

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Outro dia recebi uma mensagem falando sobre valorizar os nossos amigos, porque são poucos…

Não sei se foi pela minha criação, mas nunca fui uma pessoa muito aberta. Nunca fui de me entregar a relacionamentos de amizade. Então, as poucas amizades que tive na minha vida inteira, sempre foram conquistadas. As pessoas tinham que me conquistar como amiga. E elas eram insistentes. Tinham pessoas que chegavam para mim e diziam: “queria muito ser sua amiga”, eu ficava com medo de gente que falava essas coisas (risos).

Já na igreja, uma das pessoas que insistiram muito foi Patrícia Alves e ela me ajudou demais. Muitas vezes, eu não conseguia enxergar a importância das coisas que Deus estava me oferecendo para o meu crescimento. Ela me ajudou a abrir os olhos.

Me recordo quando eu não via a importância do que era uma Escola de Ministros. Logo que ela começou. Eu tinha outras expectativas e perspectivas, mas ela começou a me mostrar o que Deus tinha para mim, ela começou a me dar as placas para o caminho que Deus tinha para mim, e aquilo trouxe paz ao meu coração. Me lembro o quanto eu também não achava importante uma Conferência de Ministros. E ela me esclareceu a importância disso.

Me lembro dos lugares de oração que galgamos juntas. Buscávamos o Senhor em oração juntas. Aquilo foi selando a amizade. Apesar de hoje ela estar em outra cidade, fazendo coisas diferentes do que eu estou fazendo, existe um respeito entre nós. Existe uma proximidade que a distância geográfica não tira. É como se nunca colocássemos um ponto em nossa conversa. Sempre há uma virgula, uma conexão no espírito.

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A amizade é uma conexão que realmente precisa começar no espírito. Quando ela vem do natural apenas, é cercada de cobranças, exigências que acabam trazendo conflitos e dificuldades para a amizade.

É bom quando temos uma amizade na qual temos liberdade de dizer a verdade. Isso é amizade verdadeira, aquela que diz a verdade ao outro. Quando não consegue, é porque ela não é honesta.

Acredito que todo relacionamento precisa desse elemento: Você conseguir ter a liberdade de dizer ao outro o que o deixa desconfortável. E o outro aceitar de uma maneira correta.

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Em 2017, espero que eu consiga fazer as coisas do coração do Senhor mesmo sem ser vista, minha expectativa é que as minhas forças sejam renovadas para fazer a vontade de Deus.

Não quero desanimar e não vou desanimar. Não quero que o púlpito seja a minha única motivação para fazer as coisas para Deus. Quero dar aquele suporte para o Senhor agir. Quero ver milagres e curas. Tem pessoas doentes na minha família, quero ver cura, restauração, essas coisas acontecendo; que o rio de Deus passe na minha família.

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Eu sou a mãe que se cobra muito, sou aquela pessoa exigente comigo mesma. Chata com as coisas de casa, para que fiquem em ordem. Sou meio desorganizada, preciso crescer nisso. Quando organizo alguma coisa, quero que aquilo fique organizado e não se desorganize nunca mais (risos). Sei que isso é um trabalho continuo, aprendi a exigir menos dos outros. O ministério de música me ensinou isso. Me ensinou a compreender mais as pessoas, relevar mais.

Eu era muito “caxias” (rígida). Aprendi, no ministério que você precisa ter muita paciência com as pessoas. Porque Deus está exercendo paciência comigo, que estava lá na liderança errando também, observo muito meus erros. Quando existe algum conflito, procuro observar e perceber se não fui eu quem errei. Sempre procurei trazer a responsabilidade do erro para mim, sei que existe um equilíbrio nisso, para não haver condenação.

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Acredito que, de maneira geral, a mulher tem que ser conciliadora. Mulher que é barraqueira, que faz questão por tudo, é complicada. Se a mulher conseguir amenizar as coisas, não tornando mais turbulento do que já está um conflito, as coisas tendem a se resolver. Mas, se ela for aquela que sempre esta levantando questões sobre algo, nunca vai ter paz e nunca vai ter ambientes de paz.

Mulher é criadora de ambientes, então ser pacificadora é essencial. Você será uma pessoa querida, desejada nos lugares, por ser assim, você tende a se sair bem se é pacificadora. Isso é uma característica maravilhosa em uma mulher e ela só tem a ganhar com isso.

2 COMENTÁRIOS

  1. A todos que formamos o Ministério de Música, nos resta honrar o legado precioso que essa mulher de Deus nos entrega. Vc é preciosa Cris. Te amamos.

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