Tenho 38 anos. Eu sei que não pareço ter essa idade (risos). O Senhor tem renovado espírito, mente, corpo e alma. Sou natural de Recife. Eu gosto da minha cidade, da parte do Recife antigo; gosto dessa estrutura. Gosto de apreciar o antigo junto com o novo. Olhar o Recife antigo me leva a ver a criação, como ela foi crescendo e aprimorando. Sempre é bom perceber onde estivemos e onde temos chegado.

Eu gosto de praia, de andar e de ver a beleza da praia. Gosto de correr na praia; isso tem me feito muito bem. Antes, eu apenas caminhava; e a corrida está me ajudando. Algumas pessoas me incentivaram na corrida. Marcos Honório, Jaqueline Nascimento e a personal também. Eu gosto de me cuidar e de me aprimorar. Precisamos estar bem espiritualmente, mas emocionalmente e fisicamente também. O nosso corpo precisa estar bem e descansado.

Eu amo a minha família. Ela é a base de toda estrutura da minha vida. Sou muito família, muito caseira; falo e brinco com todo mundo, mas, na minha casa, tenho o senso de estar guardada e protegida. Eu gosto disso. Gosto do colo e do carinho dos pais, pois isso é importante. Eles são pessoas que me apoiam, mas fui criada com pais separados, desde quando eu tinha 3 anos de idade.  Não lembro direito como foi a separação deles, mas, como senti muito, meu pai voltou para casa e ainda se reconciliou com a minha mãe. Ele ficou mais um tempo em casa, e, depois disso, a minha irmã Iris nasceu. Depois, eles se separaram novamente.

Meu pai, Paulo, se casou novamente e teve outros filhos. No entanto, mantivemos um bom relacionamento.

Eu sou, hoje, a conselheira da casa e todos me escutam. Existe amizade e amor entre nós.

Minha mãe, Neide, é cristã, mas, no começo da minha vida cristã, ela não me entendia bem. Para a minha família, foi um choque quando eu vim para o Verbo da Vida, porque eu, na época, passei no vestibular da universidade federal, para cursar jornalismo e, certo dia, de repente, escutei uma ministração em um congresso. Nela, uma missionária falou: “Se você ouvir hoje a minha voz, não endureça seu coração”. Ali, eu abri o meu coração de vez. Nem cheguei a me matricular na faculdade. Fui para o seminário.

De fato, eu já era convertida. Sou convertida desde os 10 anos de idade. Fui criada pelo meu padrasto, Milton. Toda a educação que eu tenho foi dada pela minha mãe e pelo meu padrasto. No entanto, de certa forma, meu pai me acompanhava.

Tenho uma boa relação com meu pai; nos ligamos e nos vemos. Eu não tenho muito contato com meus irmãos por parte de pai, mas com meu pai tenho um bom contato.

Sou formada em teologia com especialização em missões transculturais. Cresci na Igreja Batista e sempre fui muito curiosa; sempre gostei de aprender coisas novas.

Fui batizada no Espírito Santo sozinha, porque a minha igreja não acreditava no batismo. Foi muito bom ter estudado; hoje, vejo que algumas das coisas que estudei me ajudam no ministério. Tenho uma bagagem. Hoje, conhecendo a nossa vida no Verbo da Vida, eu percebo que existem coisas que eu não passaria hoje, mas foi maravilhoso ter estudado. Conheci muitas pessoas; tenho uma porta muito aberta no seminário.

Vou falar como conheci o Verbo. Certa vez, fui em uma viagem missionária e conheci a missionária Selly. Na época, ela estava começando a conhecer o Verbo da Vida. Eu tinha uma vida muito ativa. Toda semana, eu viajava, seja viagem missionária ou para pregar em alguma igreja. Eu não parava e não estava mais na Igreja Batista; estava apenas nas atividades do seminário e não congregava em nenhuma igreja. Eu sentia muita falta de congregar, mas trabalhava no secular e, nas férias, passava 30 dias no campo missionário. Isso durou 9 anos.

Foram 5 anos de estudos e, depois, atividades missionárias na missão transcultural. Nos encontrávamos em São Paulo e íamos para o campo. Nesse meio, eu conheci a Selly que já estava indo para a Igreja verbo da vida em Paulista; ela me convidou para ir até lá e dar um treinamento, e eu fui. Nesse primeiro momento, eu me aproximei muito deles; com o passar do tempo, eu passei a gostar muito da igreja. No entanto, eu não morava perto da igreja. Eu morava no centro da cidade.

Enquanto eu vivia essa realidade de viagens, meu padrasto adoeceu, piorou e, em um mês, foi para a UTI. Nessa época, eu estava viajando; quando voltei, minha mãe havia se mudado para a zona norte, para uma casa com estrutura para UTI. Então, eu só queria ficar em casa, cuidando dele. Ele era meu segundo pai para mim. Eu orava para ter uma igreja perto. Eu estava cansada e o via sofrendo com aqueles aparelhos; ele tinha acompanhamento diário e constante. Eu sofria com isso, com o desgaste de vê-lo sofrendo naquela cama.

Nessa época, ainda não tinha Igreja Verbo da Vida na Zona Norte. Um dia, eu recebi um convite para ir a um aniversário. Quando chegamos na casa da pessoa, vi, perto da casa, uma faixa dizendo Igreja Verbo da Vida. E, quando vi, estavam inaugurando. Uma semana depois, eu fui na igreja. Isso foi há 12 anos.

Eu estou na igreja desde o começo… lembrando que, quando fui para lá, o meu padrasto estava doente e eu não queria me envolver em nada. Porém, eu não parava; eu fazia um trabalho com meninas de rua – um trabalho que fazia parte do seminário. Era mensal. Eu pregava e ensinava a elas, além de tratá-las e orientá-las.

Quando cheguei na igreja, eu ficava lá atrás. Com quinze dias, o pastor Humberto me chamou e disse: “Você não veio para cá para ficar sentada atrás”. Eu queria ficar escondida, pois estava cansada de trabalhar muito, de viajar e de cuidar dele. Queria ficar quietinha…

A menina que trabalhava na minha casa também ia para a igreja e já auxiliava lá, varrendo a igreja. Deus começou a falar comigo que era o tempo de entrar naquilo que Ele tinha para mim, mas, nessa época, eu ainda trabalhava no secular em um laboratório. No começo, quando entrei nesse emprego, eu era a segunda pessoa negra a entrar lá. Havia muito preconceito nessa época. Os pacientes sempre me queriam para atendê-los, mas Deus falou comigo que, depois de 9 anos lá, era hora de sair. Portanto, falei com a dona; ela me entendeu, e eu sai do meu trabalho. Isso foi em novembro. Eu tinha uma viagem muito importante marcada para janeiro e, em dezembro, meu padrasto faleceu. Ele já estava bem desagastado, e eu sabia que ele iria partir. Detalhe: meu pai tem uma funerária e ele me ajudou a cuidar de tudo. Eles eram super amigos. Meu pai se dá muito bem com a minha mãe. Eu fiquei muito arrasada com a morte do meu padastro.

No dia seguinte à morte do meu padrasto, teve um evento na igreja com Herênio e Vânia. Eu nem queria ir, mas fui. Estava bem abalada com isso ainda. Eu fui, e Vânia deu uma palavra para mim: “Se eu continuasse do mesmo jeito poderia morrer, não só espiritualmente, mas fisicamente…” Aquilo tudo estava mexendo comigo. E, ali, eu tomei uma posição. E falei: “Pai, eu já entendi. Parou.” Minha mãe ainda ficou um pouco em depressão por causa disso, mas, hoje, graças a Deus, ela está bem. Ela ainda sente falta dele, mas as coisas estão caminhando bem. Não cheguei a ir para a viagem. Não porque desisti, mas, na verdade, houve um grande livramento. Deus não coloca doença, mas acabei adoecendo; peguei uma infecção na garganta três dias antes da viagem e fiquei impossibilitada de falar e proibida de viajar. Vi que não dava para ir. Eu já estava com a mala arrumada, mas, dentro de mim, eu tinha uma nota que eu não ia mais. Nesse tempo, eu não entendia bem a Palavra da Fé. Hoje, tudo é mais claro para mim. Fiz meu último ano do seminário, fazendo o Rhema Aleluia! Fazia o seminário pela manhã e o Rhema à noite. Eu soube filtrar e celebrar cada diferença. A Palavra da Fé me transformou.

Lembra que eu pedi demissão do meu emprego, e a minha mãe falou: “Eu não acredito que você fez isso”. E, de certa forma, ela disse: “Te vira; não me peça nada. Você está vivendo a Palavra da Fé; eu já falei para seu pai…” e eu falei: “Está tudo bem”. Minha mãe ficou chateada mesmo, porque ela não entendia minha decisão, mas Deus falou comigo. O telefone de casa não parava de pessoa me ligando para trabalhar, e isso era difícil para mim.

Foram cinco meses de aprendizado de total dependência do Senhor, de orar e dizer: “Pai, você me chamou, e agora?” Não que a minha família não pudesse me manter, mas eu era independente. Não era de pedir dinheiro aos meus pais, mas eu vi diante de mim toda a provisão.

Cinco meses depois, o pastor Humberto me ligou para eu ir lá na igreja e me disse que Deus tinha falado para ele que eu precisava estar lá na igreja, de certa forma, o ajudando. Eu disse “amém”, chorando muito. Ele me chamou para o auxiliar na secretaria; fiquei tão feliz… Eu não queria saber de dinheiro, mas de estar, ali, servindo. Que privilégio! Minha primeira oferta foi R$50,00. Que alegria! Eu ganhava tão bem lá fora, mas aqueles R$50,00 me alegraram tanto! Meu Deus!  Celebrei muito. Ea diferente. Quanto prosperou…

Eu queria estar ali, fazendo alguma coisa. Eu estou na igreja desde o começo. Por nove anos, fui secretaria do pastor Humberto e de Cris. Aprendi a trabalhar com eles.  

A minha ligação com eles não foi algo que eu procurei. Houve uma paternidade; aprendi muito com ele. Ele me tem como uma filha. Amo a vida dele. Eu o sirvo como serviria ao Senhor mesmo. Honro a vida dele. Ele é um homem muito íntegro. Minha conexão foi espiritualmente; não foi forçada. Tem coisas que ele pensa em falar e não fala, e Deus começa a me falar. Quando a gente vai se falar, é a mesma coisa que eu pensei, porque é uma conexão divina de pai para filha. Muitos dizem que o pastor Humberto é meu pai. Isso é lindo! Comigo existe uma conexão no espírito e pelo espírito. Ele é um homem honesto, cheio do espírito, cheio de fé, generoso; é um pai! Falo dele e me emociono. A gente não se fala todo dia, mas tenho uma convivência excelente.

Tenho livre acesso à casa dele, mas o respeito. Às vezes, as pessoas se perdem sobre a intimidade que têm, pois têm tanta intimidade que perdem o respeito. Então, eu sempre oro para nunca perder esse respeito. Eu conheço Humberto e Cristiane Albuquerque, como ministros e homem e mulher de Deus que são, mas também como seres humanos. Eu os respeito muito. Estou aqui para honrar e protegê-los.

Falar de Cris é uma honra, pois ela é uma pessoa maravilhosa. Algumas pessoas comparam o pastor Humberto com Cristiane, mas são unções completamente diferentes em pessoas diferentes. O que o pastor Humberto é hoje é muito do que Cristiane segurou. Ela é um exemplo. Ela é uma supermãe e uma esposa espetacular. Ela cuida dele; estão há 22 anos de casados, muito bem casados. Ela é forte, cuidadora e trabalha muito nos bastidores. Tudo que eles fazem é excelente. Tenho gratidão por eles. Sempre me emociono ao falar deles.

Eu sou uma pessoa muito decidida. Não sou muito de falar sobre mim. Sou tímida. (risos) Sou desenrolada para resolver as coisas, mas, para falar de mim, sou tímida. Sou teimosa; alguns dizem que sou brava, mas é só porque pareço ser barulhenta. Sou muito forte; acho que por ser decidida mesmo. Quando decido algo, não abro mão. Sou rápida para resolver as coisas; por isso, às vezes, pode parecer que nem tenho sentimentos; parece que vou atropelando as coisas, mas sou uma pessoa e tenho sentimentos. Eu amo pessoas. Amo cuidar de pessoas. Amo viajar; meu lugar predileto é o aeroporto. Tenho aprendido que, onde você vai, os lugares se transformam só porque você chegou, por causa da presença que você carrega.

3 COMENTÁRIOS

  1. Cris é linda! Uma vida de abnegação, consagração, obediência e serviço ao Senhor , aos seus líderes e às pessoas! Com um coração servil e amável! Nunca esqueço como fui tocada através de sua vida, na primeira conferência missionária realizada aqui na igreja Verbo da Vida em Garanhuns, de como você me acolheu e me aconselhou. Talvez nem lembre bem. Mas foi importante para tudo que tenho vivido em Deus nesses anos! Abraço

  2. Meu Deus!!!!! Como é tocante sua história de vida e quão grande o seu chamado Diretota Cristina. É assim que a conheci no Rhema onde sou aluna do 2º Ano. Sua dedicação e respeito quando se trata do trabalho ao Senhor é contagiante! Faz tudo com excelência e honra. Tenho aprendido muito com essa Mulher de Deus que nos inspira a cada dia a extrair o nosso melhor para ao bem servir. Obrigada por tudo Diretora Cristina Santana !

  3. Que honra para mim poder dizer: Conheço essa grande mulher e ministra da Palavra de Deus! A Revdª Cristina Santana é uma reverência de vida cristã, ama e serve a Deus amando e servindo às vidas, e isso faz de forma amorosa, sem acepção de pessoas. Recebe-nos com um sorriso largo, franco e acolhedor. Ter o privilégio do convívio dela, pelo menor tempo que for, nos faz ver o verdadeiro amor ágape nela. Onde Cristina está, há brilho, há alegria, há soluções porque ela carrega tudo isso nela em abundância porque ela tem tudo isso e muito mais coisas boas porque busca na fonte divina! Como essa varoa é valorosa! Feliz e sábio é o varão que a escolher como esposa, porque terá junto a si a mulher de Provérbios 31! Estando ela onde estiver não há competição e sim compreensão e muito amor de Deus para ser doado sem reserva e sem espera de ser aplaudida, de galgar postos ou posições de destaque! É uma vida muito preciosa! Amo e honro demais a vida dessa grande mulher de Deus!

DEIXE UMA RESPOSTA