Rubens Nascimento fala sobre uso da internet durante o distanciamento social

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Rubens Nascimento é advogado. Há 20 anos, ele atua em diversas funções na política social, em Campina Grande (PB), possuindo larga experiência no setor. Atuou como membro voluntário da organização não-governamental “Ministério Farol – Luz para o Mundo”, conselheiro tutelar por dois mandados (2002-2008), presidente da Comissão Especial dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Campina Grande, em 2013.

Fale sobre você e suas ações na cidade de Campina Grande:

Assumi, interinamente, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), na gestão do prefeito Romero Rodrigues, permanecendo na função executiva, desde 2014, assumindo a coordenação do Cadastro Único Municipal e a gestão do Programa Bolsa Família. Sou casado com a professora Gislane de Melo, pai de dois filhos (Luiz Henrique/ 8 anos e João Arthur 2 anos), sou membro da Igreja Evangélica Verbo da Vida – Sede em Campina Grande desde 1997, graduado no Centro de Treinamento Bíblico Verbo da Vida, no ano de 1999, e na Escola de Ministros Rhema em 2015. Atualmente, faço parte da diretoria da igreja sede, compondo o Conselho Diretivo.

Atuando na SEMAS, você como advogado, tem realizado um trabalho excelente de utilidade pública com conteúdos diários. Como surgiu esta iniciativa?

Esta iniciativa surgiu nesse período de caos, quando o isolamento social recomendado pelas autoridades públicas, haja vista esse período de pandemia mundial no tocante ao Coronavírus/COVID-19, suspendeu as atividades em quase todos os órgãos públicos, escolas, faculdades e o comércio em geral; e, para tentar auxiliar o nosso público usuário, tivemos que procurar meios alternativos que pudesse viabilizar um relacionamento informativo, no entendimento de que, na nossa visão, aquelas pessoas necessitadas sofrem também pela falta de informação dos seus respectivos direitos. Dessa forma, encontramos na internet, nas suas diversas ferramentas, um meio de viabilização deste contato e, ao mesmo tempo, ir respondendo as dúvidas mais frequentes, ou mesmo trazendo novidades informativas, sempre numa perspectiva de cunho social e de interesse público.

Pela unidade que eu coordeno, com a suspensão do atendimento presencial, disponibilizamos um número de WhatsApp, no qual já devo ter interagido e respondido cerca de 3 mil mensagens, as quais vão chegando às centenas, mesmo que a grande maioria não seja da competência absoluta de nossas prerrogativas (geralmente sendo demanda de responsabilidade da gestão federal), mas, no sentido de viabilizar esse apoio aos usuários carentes de informação, pesquisamos estas demandas, criamos pautas, fazemos a gravação em áudio de mensagens ou mesmo de vídeos instrutivos, e assim temos enviado para todas as pessoas que fazem contato conosco, via digital, pelo WhatsApp. Confesso que não tem sido fácil pela elevada demanda de necessidades, em decorrência de uma crise econômica, que vai se agravando a cada dia.

Com a elevada demanda no WhatsApp, surgiu a ideia de potencializar a informação em massa, utilizando as plataformas das redes sociais, em atividade complementar e na conta pessoal do Facebook, Instagram e, também, criamos um canal no Youtube.

Interessante destacar que conseguimos aumentar, significativamente, o número de seguidores e inscritos nas nossas redes, neste período de conteúdo direcionado ao atendimento das necessidades das pessoas. No Instagram, tivemos uma elevação de seguidores em cerca de 40%, e no canal do Youtube, conseguimos alcançar a meta dos primeiros mil inscritos em apenas 3 dias de mobilização nas redes. Hoje o canal está com quase mil e 300 inscritos, os quais estão recebendo muita informação todos os dias.

Outro recurso utilizado (e algo que eu jamais tinha feito – até por timidez), são as “lives” no Instagram, mas pretendemos também realizar pelo Youtube – muito em breve.

Fale-nos um pouco mais sobre as ferramentas da internet:

Para se ter uma ideia da dimensão desta ferramenta, a qual eu posso assemelhar como sendo uma grande reunião pública de pessoas que acessam o seu conteúdo pelo interesse direto na pauta (ou por mera curiosidade), na semana passada realizamos 14 lives, sejam individuais ou lives compartilhadas com diversas personalidades locais e nacionais, sempre aproveitando as oportunidades para instruir a população especialmente no que concerne ao Auxílio Emergencial, que é um recurso público federal destinado para todos os trabalhadores autônomos/informais neste período de quarentena.

Nestas quatorze lives, utilizamos o tempo máximo de exibição, ou seja, trabalhamos 14 horas com esse conteúdo informativo, e, para a nossa surpresa, a totalização de espectadores foi de quase 15 mil pessoas que participaram destes momentos virtuais. Isso sem contar com a visualização dos conteúdos no stories do Instagram, das centenas de perguntas interativas, do bate-papo do Facebook ou mesmo do direct do Instagram completamente lotados… enfim, o caos do isolamento abriu as portas para a descoberta de novas ferramentas, o conhecimento desse potencial e a reinvenção de nossa forma de observação e atuação pessoal/profissional.

Nosso desejo é melhorar a prestação de serviço público, profissionalizando o conteúdo, apesar de, minimamente, realizarmos uma edição nas imagens – de modo ainda muito amador – já demonstrando esse nosso interesse pela qualidade visual e, principalmente, qualidade do conteúdo.

Confesso que eu tenho feito um esforço enorme no que diz respeito ao modo de comunicação (expressão e fala), tendo em vista uma característica pessoal de ser uma pessoa geralmente muito formal, no sentido de me fazer entender, uma vez que essa atividade nas mídias encontra públicos de todos os seguimentos e classes sociais, e é preciso de certa habilidade para alcançar cada uma delas com a informação que se pretende passar.

É bem verdade que cada um que se propõe à exposição pública virtual, com suas características específicas, vai também encontrar o seu público seguidor, ou seja aqueles que se identificam com a sua forma de fazer, que admiram o seu trabalho e que gostam do seu conteúdo, mas é preciso ter clareza que é impossível agradar a todos, que em alguns momentos alguém vai fazer uma provocação agressiva, mal educada, que vai dar um “deslike”, ou mesmo, se seguia antes ou era inscrito, quem sabe se desligar completamente e isso não é o fim do mundo.

Para o crescimento de qualquer iniciativa virtual, ao que eu tenho lido e para quem deseja fazer algo sério, é preciso se dedicar no que se refere ao seu conteúdo, fazer certos testes de postagens/conteúdos (ou mesmos algumas enquetes específicas) no sentido de mensurar a aceitação dos seus seguidores/inscritos, saber ler e referenciar o perfil do seu público (gênero, idade, de onde são…), ter regularidade e uma boa imagem organizacional de suas redes.

Minha proposta também objetiva a exposição do Evangelho, em rápidas ministrações, a apresentação de alguns livros – como sugestão de leitura, pequenas entrevistas e a formatação e fortalecimento de um trabalho que venha sempre a atender uma utilidade pública, sem futilidades ou mensagens supérfluas apenas com o interesse de elevação da quantidade  da comunidade virtual, sem a preocupação da qualidade desse relacionamento tão valioso.

Estamos vivendo dias atípicos nos quais precisamos estar alertas quanto ao conteúdo que consumimos na internet. Como você descreve esse tempo?

Este tempo é o que eu denominei de “Estranha Tempestade” num artigo publicado no Portal do Ministério Verbo da Vida.

A internet é um espaço muito democrático. Nela é possível acessar conteúdos para todos os (des)gostos, dependendo do interesse do pesquisador.

Alguns, infelizmente, buscam a futilidade, a alimentação carnal através de conteúdos inapropriados “para todas as idades”, pois em nada acrescentam na vida de qualquer um, antes sendo uma algema para uma imaginação impura ou mesmo uma vida dedicada ao pecado e suas sérias consequências. Ao contrário, existem aqueles que sabem abstrair algo que possa trazer crescimento, muitas vezes em cursos online – alguns completamente gratuitos, noutras tantas em pesquisas para a fundamentação de artigos, de teses, e, claro, criar uma rede de contatos sociais, interação e amizades.

O modo de utilização e aproveitamento da internet quem decide é aquele que consome esta ferramenta, para o seu bem ou não.

Neste tempo atípico, é possível se encher de notícias trágicas, conteúdos pesados pela negatividade e certas intenções, acentuando a pressão pessoal e no ambiente familiar, muitas vezes promovendo depressão, conflitos e, em certos casos, até agressões/crimes.

Quando falo de intenções é no sentido de entender que não existe “imparcialidade plena”, aquele que comunica sempre o faz com um direcionamento posto, mesmo que seja pela via subjetiva. Então, é sempre interessante buscar fontes, evitar as “fake news”, ou mesmo o acreditar “na boa-fé” sem ter a percepção dos interesses escusos de alguns, em querer manipular nossa opinião de acordo com suas tratativas obscuras.

Na internet também é possível ter acesso a tantas mensagens positivas, testemunhos vivos, algo que possa ser edificante, educador, que alimente nossa fé e que promova reflexão e mudança comportamental – amadurecimento.

Procure, pois, o bom alimento!

Internet não é pecado, o seu mal uso é o que desagrada Deus, pois Ele abomina essa relação mundana e carnal, também, acessível via internet.  

Você tem feito lives com instruções sobre auxilio emergencial e outros temas, como o crente deve se portar diante disso tudo, posições do governo?

As lives são reuniões públicas muito interessantes, e olha que é preciso muita coragem para colocar seu rosto e opinião para todo mundo ver. Minha experiência ainda é inicial, mas contabilizamos um número alto de espectadores e uma excelente repercussão e interação popular.

O crente, como em tudo, deve se comportar com prudência, evitando ridicularizar sua própria vida, de sua família e também o Evangelho que diz viver e pregar. Para tanto, é preciso evitar as discussões tolas e absurdas, as quais geram sempre contenda e divisão.

Eu sei que cada um hoje, num mundo globalizado, se sente habilitado a opinar sobre tudo, mesmo que na maioria das vezes abrindo as portas escancaradamente para manifestar seu pouco conhecimento – ou mesmo ignorância em determinados temas. Vale, portanto, aquela sugestão apontada em Provérbio 17.28, que diz que até um tolo pode passar por sábio e inteligente se ficar calado. Então, seja prudente.

Tem recebido feedbacks de suas lives?

Sempre após uma live ou mesmo uma simples postagem, o direct recebe um oceano de perguntas, de interação. Antes, quando eu era menos intenso no uso das redes sociais, as minhas postagens recebiam uma média de 30 curtidas e poucos compartilhamentos. Agora, mais dedicado e cuidando do conteúdo, a média de pessoas que sinalizam a provação cresceu mil por cento e isso é fantástico, apontando que estamos acertando o caminho, mesmo nesse início de estrada, de uma estrada muito longa.

Deixe uma mensagem para os cristãos em todo o Brasil.

Primeiro, dizer que você não está falando com um youtuber famoso (apesar de eu ter sido reconhecido numa padaria – mas não foi para me pedirem autógrafo – risos, foi alguém dizendo que me segue e que gostaria de uma resposta para uma dúvida pontual – e minha vida tem sido esta, responder a dúvida de todos, naquilo que posso).

Também quero dizer que a internet é um campo aberto, com vagas para todos e que você pode ser um bom instrumento para levar algo positivo para as pessoas. Conheço amigos psicólogos que abrem suas lives e ficam dando tantos e importantes aconselhamentos; outros ensinam um pouco de culinária; conheço um canal de um rapaz que ensina a fazer trabalhos domésticos; ou seja, cada um na sua habilidade pontual transmitindo ao mundo esse seu talento, multiplicando o dom.

E, por fim, seja você mesmo. É certo que você poderá ver outros canais, se inspirar em aspectos relacionados ao cenário, qualidade de imagem e som e, quem sabe também, em conteúdos de seu agrado, mas nunca tente imitar o trabalho de outra pessoa, inclusive no campo cristão, quando muitos imitam seus pregadores preferidos e acabam mudando o foco do conteúdo que se pretende passar, para sofrer uma ridicularização desnecessária. Seja você mesmo, no seu ritmo, procurando melhorar, fazer algo com qualidade na medida do que é possível e saber também se comportar quando algumas críticas surgirem.

Sobre as críticas, já que falei nisso, eu sempre procuro ver outras opiniões no sentido de “um olhar esférico” sobre o ponto levantado; ou seja, às vezes, outras pessoas podem ver determinados assuntos de um ângulo diferente, e quando expõem suas opiniões, esta crítica é construtiva pois nos permite crescer, ver de outra forma, e quem sabe mudar. Agora críticas injustas e negativas devem ser desconsideradas, jamais respondidas com rispidez, muito embora também sirva de elemento avaliador interno neste termômetro vivo da interação virtual.

Avance!

Se você não segue ou ainda não está inscrito, já fica o convite para conhecer as minhas mídias sociais:
Facebook: Rubens Nascimento
Instagram: @rubensnascimentoadv

Assista, abaixo, um dos vídeos do canal de Rubens Nascimento!

 

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