Gabriel Araújo Medeiros tem 19 anos, é filho de Guilherme e Luci Medeiros  e membro da Igreja Verbo da Vida Sede em Campina Grande (PB), onde atua em vários departamentos. Ele foi aprovado para o curso de Medicina, na Universidade de São Paulo (USP) em Bauru (SP). Gabriel, esteve no Centro de Operações do Ministério Verbo da Vida e concedeu uma entrevista exclusiva:

Fale-nos um pouco sobre a sua experiência na escola.

Gabriel: Terminei o Ensino Médio em 2017. Diferente de muita gente, que sempre tem uma história com a Medicina, eu não vivi isso. Eu desejei fazer Engenharia, Astronomia, Medicina Veterinária, mas no terceiro ano, do Ensino Médio, descobri que era Medicina que eu queria. Quando conclui o terceiro ano, tive algumas experiências na minha vida que me deixaram com uma “pulga atrás da orelha”, percebendo que tinha uma sensibilidade para socorrer pessoas em situações específicas. Como por exemplo, quando ajudei a minha prima, filha de Cortez e Lúcia que, certo dia estava sozinha em casa e eu também, sem contato com os nossos pais e, de repente, a boca dela começou a sangrar do nada, sem motivo nenhum aparentemente. Lembro que providenciei um táxi e a levei ao hospital.

Outras situações pontuais como essa, me fizeram pensar no curso, em estudar Medicina, visando cuidar e ajudar as pessoas. Só que eu não decidi a ponto de me preparar para o vestibular para Medicina. Fiz vestibular para Engenharia Elétrica, entrei na faculdade em 2018, mas cursei apenas uma semana, logo percebi que não era ali o meu lugar. Me desliguei do curso e fui fazer cursinho para Medicina. No ano de 2018, fui fortalecer a minha base, fui atrás de material. Meus pais não tinham condições financeiras de me colocar em um cursinho de qualidade. Mas eu fiz o que pude para conseguir descontos, fiz uma prova de bolsa e consegui passar, ganhei um bom desconto e comecei a estudar ainda mais, cheguei a tirar nota mil na redação e ganhei 80% de desconto, nesse cursinho no Colégio Motiva. Tudo na minha vida sempre corri atrás, passei todo o ano estudando, fiz outros cursinhos isolados, paralelamente, durante todo o ano. No curso de Matemática, ganhei desconto do professor Anderson que também é do Verbo. Além disso fiz de Física e Química.

Como era sua rotina de estudos?

Gabriel: Em 2018, eu estava fortalecendo as minhas bases de estudo, revendo as matérias e passei a compreender o formato do ENEM, porque para se fortalecer você precisa entender esse formato e saber o que ele cobra. Assisti muitas aulas em 2018, mas não consegui passar para Medicina, eu “bati na trave”, tirei 880 sendo que uns 8 pontos a mais na média, cerca de 40 pontos a mais na redação eu seria aprovado. Se eu tivesse tirado 920 eu estava aprovado, mas não consegui. O ano de 2019 foi um ano que começou com um choque e frustração por eu não ser aprovado, meu segundo vestibular, demorei um pouco para voltar, mas quando “caiu a ficha” eu voltei, porém agora com foco e já sabendo o que precisava fortalecer. Fui estudar firmemente fazendo questão por questão. Só de Matemática eu fiz mais de mil questões ao longo do ano. Como eu sabia que a redação era determinante e por causa dela eu não passei, fui atrás de desconto em cursos de Redação. Consegui falar com Soraia Itaienne, que também é do Verbo, e foi fundamental estudar com ela. O apoio dela foi essencial e o curso foi além do ENEM. Exercitei muito as redações. Meu método de estudos era bem meu, eu estudava até perceber que estava sendo produtivo para mim, era por disciplina, quando eu estava cansado demais, parava, pois não conseguia absorver mais.

Queria destacar, também, que sou grato a Deus por ter colocado em minha vida pessoas tão íntegras e atenciosas como Ronaebson. Todos que foram seus alunos sabem o pai que ele é em sala de aula e fora dela. Seu apoio constante ao longo de 2019, me fez ter certeza de que ganhei um amigo para toda minha vida. Oro para que Deus continue o capacitando para ajudar outros jovens a realizarem seus sonhos com a sensatez, o amor e o equilíbrio que ele tanto transmite! Sua competência inigualável em sala de aula passa a ser um bônus, de tão abençoado que ele é!

Como você lidou com as questões emocionais como: tensão e ansiedade nos dias de provas?

Gabriel: Eu não troco esses dois anos de cursinho por nenhuma experiência, pois foram neles que eu percebi quem eu sou como filho de Deus. Nesses 2 anos, aprendi mais sobre Deus do que em todos os outros anos na minha vida. Não porque eu não tinha ensinamentos, mas porque pude resgatar esses ensinamentos. Aprendi a descansar no Senhor e, como Filipenses 4 diz que devo entregar as minhas ansiedades a Ele, enquanto vivia essa experiência de estudos, eu atuava no evangelismo da Igreja Sede que congrego, com atuações no Vaso Novo, além disso, ajudava meus pais no restaurante deles, e ainda atuava na sonoplastia dos adolescentes. Tudo isso é consagração para mim, servindo à igreja principalmente, eu tenho certeza de que essas coisas me fizeram viver a segunda parte de Filipenses 4 que diz que o Deus da paz está agindo, pois eu rendia ações graças sempre. Aplicar a Palavra de Deus em minha vida foi fundamental para eu ter a segurança que tive. A certeza de que eu sabia para onde estava indo, sabia quem estava comigo e sem isso eu não teria chegado nem perto.

Como foi o apoio da sua família nesse tempo?

Gabriel: Eu acredito que todo filho que quer passar em um curso concorrido como Medicina, precisa ter esse apoio que tive dos meus pais. Eu sou um filho adotivo, mas amado pelos meus pais. Tenho dois irmãos mais velhos, sou o caçula. Eles sempre me apoiaram desde pequeno, buscando me dar o melhor mesmo quando não tínhamos tanta condição, eles iam atrás, conversavam com quem podia nos ajudar, eles iam atrás das oportunidades, mesmo quando elas não apareciam, vejo o eles fazem por mim e se posso fazer algo por eles, eu farei.

Quais seus desafios nesse período?

Gabriel: Descobrir o que queria só no final do Ensino Médio, aos 45 minutos do segundo tempo, correr para fazer cursinho, com poucos amigos conhecidos, em uma sala com cerca de 200 pessoas diferentes, foi um desafio. Estar colado com meus amigos e fazer novas amizades, que me levavam ainda mais a Cristo, me ajudaram no processo.  Isso foi fundamental, mas no segundo ano de cursinho meus amigos já tinham passado no vestibular e eu estava ali, ainda tentando uma vaga, e eles me deixaram só. O fato de quase passar, foram coisas que se levantaram contra, mas eu acreditava que tudo ia cooperar para o meu bem. Tive desafios financeiros e eu tinha que estar ajudando meus pais no restaurante, em especial no ano passado, por ter tido uma redução de funcionários e eu era um pouco de tudo. Trabalhava como garçom, caixa, às vezes, como churrasqueiro, lavar banheiro, fazia o que precisava.

Por que a USP?

Gabriel: Inicialmente, eu não tinha a USP como objetivo, eu realmente não esperava alcançar isso. Meu objetivo era Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) já era bom demais, ainda foquei nisso, no máximo pensei em Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas quando vi que era possível, muitas pessoas desejam isso, e pode abrir muitas portas, então investi. Pensei em Bauru por ser uma cidade, relativamente, parecida com Campina Grande com cerca de 400 mil habitantes e também é a cidade de Juliana Borba, que conhecemos aqui no Verbo, então pensei nessas conexões. Meu pai tinha um professor da Escola de Missões que mora lá, essas coisas eu ponderei. A USP tem renome e tem muito a crescer naquela cidade.

Quais os próximos passos?

Gabriel: As aulas começam dia 17 de fevereiro, tenho pedido a quem me conhece que ore por mim, porque eu sei que não será fácil, muitas vezes posso até chorar, mas peço a Deus essa consciência de que Ele está comigo sempre. Que eu possa estar revestido com a armadura da fé.

Não posso deixar as dificuldades que se levantarão me abalar. Esses dias meu nome está em destaque, mas tenho a consciência de que foi Deus e dou toda a glória a Ele. Porque não foi crédito meu. Só de ter tudo o que eu tenho, sei que já foi conquistado lá na cruz. A vitória de Jesus é, infinitamente, maior de que a USP, Havard, Nasa ou qualquer outra coisa.

“Medicina só tem sentido se for por Jesus, nada tem sentido se não for por Ele.”

Como você se vê daqui a alguns anos? Que médico quer ser?

Gabriel: Eu vou ser um médico que dá a glória a Deus, que faz a diferença na área da medicina, até porque essa é uma área de tantos suicídios, e não vemos sentido nisso. Existem pessoas que acham que conquistaram tudo, porque passaram no vestibular de Medicina ou se formaram na área, mas que não conquistaram nada, porque sem Jesus todo sucesso é lixo.

A princípio, pensa em atuar em qual área?

Gabriel: Eu tenho algumas áreas que me atraem, por exemplo, Endocrinologia, por ter uma mãe nutricionista e ela estudou essa parte. Penso em Reumatologia, Hematologia, Neurologia, Psiquiatria, por abranger também a Neurologia…

Quais os conselhos que você daria para os jovens que estão desejando fazer Medicina?

Gabriel: Jovem, primeiro busque ser aprovado por Deus, mais do que qualquer Universidade! Uma das coisas mais importantes nessa trajetória é você descobrir quem você é. Você entender que é filho de Deus, já é mais do que meio caminho andando, talvez seja todo o caminho percorrido. Como diz o pastor Edilson de Lira: “Entenda e agarre o processo, entendendo que tudo tem o seu tempo”. Cada um tem que amadurecer,  cada um será usado como Deus quer que sejam usados. Basta aprender a, mesmo diante de frustrações, diante de aparentes rejeições, lembrar de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Aprendam com os irmãos e colem nos amigos verdadeiros, lembrando que na hora da queda, um levanta o outro. A despeito de você ter oportunidades maiores ou menores, corra atrás sabendo o que quer. Vá atrás das oportunidades e ajude as pessoas, existem pessoas que irão ajudá-lo.

Clique aqui e leia matéria sobre Gabriel Medeiros no G1.

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