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Sou de Caruaru, tenho 28 anos. Casado há um ano com Renaly Albuquerque. Nesse período, desenvolvemos uma amizade muito intensa. Já éramos amigos, mas ao longo desse tempo, desenvolvemos muito mais. Andamos muito juntos, vamos ao médico juntos, no mercado, na padaria. Não existe aquela história de: “Tu vai e eu fico”. Gostamos de estar juntos. Nos programamos para fazer algumas coisas quando saímos do trabalho. Conversamos sobre tudo. Vivo mais leve hoje com a companhia dela. Acho que enxergo as coisas de forma diferente e mais fácil. Achava que seria mais difícil, o juntar contas, adaptar-se a costumes diferentes adquiridos na família.

Eu já morava fora de casa há algum tempo e me adaptei rápido ao estar casado. Sai de Caruaru e vim morar em Campina Grande, ainda solteiro, em 2013, aqui morava sozinho e vivi como itinerante no ministério. Ou seja, não parava em casa. Sei do peso da responsabilidade, que não é ruim, porque tem uma graça. Às vezes, paro e penso, tenho 28 anos e já sou casado. Me acho novo, mas não me arrependo de ter casado. Estou bem. Após o casamento, não mudei meu comportamento, mas confesso que fiquei mais seleto com as minhas amizades.

2Renaly, minha esposa, é uma mulher simples, e gosto disso nela. É uma pessoa que gosta dos bastidores, ela gosta de pessoas simples, a criação dela é assim, a minha sogra é assim, a família em si. Ela é um apoio para mim. é um alivio para mim, não me pressiona, não me cobra, sabe viver com o pouco, sendo feliz. Somos felizes comendo algo simples ou indo a um restaurante fino. Somos simples na verdade, isso realmente é algo de família. Por ter uma família grande, eles se reúnem e fazem programações juntos e participo com alegria, porque a minha família também é assim. Renaly é uma mulher forte, bem mais forte que eu. Engraçado que quem vê de fora pensa que quem mantém o negócio bem sou eu, mas é ela. Minha esposa é crente, uma mulher de fé e perseverança. A fé dela é firme e isso é um ponto de apoio.

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Como falei, sou de Caruaru, gosto da minha cidade. Vivi um tempo muito bom, mas sei que não volto a morar lá mais. A minha família está lá, é um lugar importante. Mas, hoje, a minha casa é Campina Grande, gosto muito daqui.

Meus pais moram lá. Eles são separados há muitos anos. Eu tinha 11 anos quando eles se separam. Foi nessa época que a minha mãe recebeu Jesus. Lembro que ela ia passando na frente da Igreja Verbo da Vida em Caruaru, era o começo da igreja lá, ainda liderada pelo Pastor Isaac e Sayonara. Minha mãe entrou e resolveu ficar naquele culto. Por coincidência (se bem que não acredito em coincidências), tinha uma amiga dela do tempo de faculdade que estava indo para a igreja também, essa amiga era Fabiana, esposa do pastor Cid. Com o apoio de Fabiana, que a chamava para igreja, a minha mãe permaneceu. O Rhema estava começando. Lembro que Fabiana me chamava muito para ir e eu não ia e ainda fazia birra (risos). Eu era coroinha e tinha um discurso programado sobre a igreja evangélica.

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Mas, um dia, eu resolvi ir, e foi logo em um dia de mover do Espírito. Muita gente caindo (risos). Renan, filho de Cid e Fabiana, me levou lá para frente e fiquei olhando tudo aquilo e perguntando: “O que é que está acontecendo com esse povo caindo?” mas ele não sabia responder, porque também era tudo novo para ele.Depois desse culto, falei que não voltaria mais. Porém, no culto seguinte eu estava lá e foi quando aceitei a Jesus.

A igreja passou a ser o lugar onde eu me sentia em paz. Eu estava em um lar com meus pais se separando. Minha mãe estava em depressão, a minha irmã também e, eu acredito que quem me visse de fora diria que eu estava em depressão também.

Lembro que, no primeiro ano de convertido, eu só queria estar na igreja. Foi o ano que mais me envolvi, não queria ficar em casa.

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Posso dizer que Magna, a minha mãe, foi a pessoa que me pastoreou. Eu tive bons pastores, mas ela me pastoreava. O casamento dela destruído, mas ela me projetou e me guiou mesmo para eu construir a minha família. Minha mãe me apontou o caminho da fé e o desejo pela Palavra. Ela foi pai e mãe e sempre foi muito forte. Lembro dela colando versículos em vários lugares em casa. Tinha um papel que dizia: “Deus não me deu espírito de medo, mas de amor, intrepidez e moderação“. E nós (eu, ela e a minha irmã) estávamos debaixo de medo. Quantas vezes acordávamos assustados e aquele verso estava sempre lá e ela nos chamava para ler. Tudo isso era novo demais, para ela também.

Eu tinha um perna maior que a outra, um problema na coluna (ainda sou meio torto, mas era bem pior). Certo dia, minha mãe chegou do Rhema, e estava recebendo a Palavra através do pastor Sêmio. Ela segurou na minha perna e orou, comecei a rir, e ela disse: “Não ria, estou falando sério”. Mas eu ria porque a minha perna estava crescendo. Então, quem se movia nos dons, de fato, era a minha mãe, e era na nossa necessidade que as coisas aconteciam. Não era teste, chamado desenvolvendo, era necessidade, era tudo muito perdido dentro de casa era a necessidade de nos encontrar que explica essas coisas.

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Minha mãe é uma mulher muito forte, meu exemplo.

Sou apaixonado por Maria Luiza, a minha irmã é mais nova. Ela é uma jovem determinada. Está cursando Direito também e termina em breve. Tem coisas que eu sonhei e não alcancei, mas tenho certeza que ela alcançará. É muito focada no que quer. Conversamos e brincamos bastante quando estamos juntos. e foi a minha mãe quem construiu esse clima bom. Somos uma família de três que vive bem. Somos bem resolvidos.

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Vou falar do meu pai. Hoje, amadureci, constitui uma família, e, com isso, a minha visão de algumas coisas mudou. Hoje, tenho uma boa relação com meu pai, coisa que não acontecia tempos atrás. Embora distantes, em cidades diferentes, mas no reaproximamos e, algumas coisas que ocorreram cooperaram para isso. Eu sonhava com isso, me via me aproximando dele. Foi aberto um diálogo que há muito tempo não tínhamos. Não vejo mais condenação e culpa nele. Meu pai me ensinou muitas coisas e seria injusto se eu não fosse grato por tudo. Mesmo que o casamento dele não tenha tido sucesso, existem coisas que ele me ensinou. A parte de ser um supridor, vem dele, embora ele tenha se ausentado, nunca deixou de suprir, não era o tudo, mas era a forma dele amar.

Outra coisa que ele me influenciou foi o desejo pela profissão. Meu pai é advogado, e eu também sou…

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Sempre gostei do Direito, mas acredito na influência dele. Lembro eu ainda pequeno e ele se vestindo e saindo de casa com a pasta na mão. Lembro de ir algumas vezes no escritório dele, ver os amigos advogados, então, isso de certa forma gerou em mim o desejo, mas, como profissional, o jurista que mais admiro é o meu pai (isso está inclusive em minha monografia). Meu pai é muito bom no que faz. Ele atua na área trabalhista e civil muito bem. É concursado, funcionário público federal, trabalha na AGU (Advocacia Geral da União), mas advoga também.

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Quando eu estudava na sétima série, já queria fazer Direito. Ainda oscilei um tempo entre o Direito e Jornalismo. Na verdade, ainda quero fazer Jornalismo. Lá em casa, todos gostam de estudar, a minha mãe é funcionária pública municipal e meu pai conseguiu passar em um concurso muito jovem. Eu entrei na faculdade com 18 anos e conclui aos 22 anos.

Durante a faculdade, eu tinha muito certo que queria a magistratura do trabalho, queria ser juiz do trabalho, mas fiz a faculdade, desenvolvi meu chamado juntamente e Deus já ia acrescentando algumas coisas ao meu coração.

O povo diz que estudante de direito vai mudando suas perspectivas. No primeiro período ele quer ser juiz, quando chega no quinto quer ser promotor, no sexto muda novamente e no último ele só quer passar na OAB (risos).

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Então, eu fui mudando, mas acho que nem foi por isso, mas porque queria encaixar a minha profissão ao meu chamado. A magistratura e o chamado, por exemplo, não teria como. porque você tem que viver para a magistratura. Precisa estar sempre estudando.

Quando conclui o curso, comecei a advogar. Fiz escola de ministros paralelamente a isso. Quando conclui a Escola tive a direção para vir morar em Campina Grande e, com isso, precisei deixar o escritório. Fui para o ministério itinerante e fiquei apenas com os clientes que já tinha.

Hoje, continuo advogando, mas resolvo as coisas em casa, não mais em escritório.

Acredito que ainda poderei conciliar a profissão e o ministério por um bom tempo. Gosto do direito, de advogar, tenho alguns sonhos em cima disso. Eu deixei o sonho da magistratura, por entender que não daria para conciliar, mas sei que chegará um momento de deixar, por aquilo que Deus está me mostrando.

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Eu não gosto quando vejo jovens focando em uma carreira ministerial e, digamos assim, deixando de estudar, de se aperfeiçoar. Quanto mais jovem você é, maior é a sua capacidade de aprender coisas novas e desenvolver mais rápido. Seja em uma universidade, um curso profissionalizante, o importante é estar crescendo. Ou seja, estar se desenvolvendo intelectualmente. Claro que não podemos levar para extremos.

Vejo muitos em “confusão”. Quem tem um chamado e tem o desejo de estudar, como se uma coisa impedisse a outra e isso não é verdade. Eu acredito que Deus deseja que os jovens estejam dentro das Universidades. Afinal, estamos diante do último avivamento. Nós jovens devemos alcançar outros jovens em ambientes que eles não poderiam ser alcançados se não fôssemos até eles. Não dá para alcançar pessoas que gostam de estudar, intelectuais, se não for no ambiente acadêmico e você tem que ter o mínimo de conhecimento, e estar no meio deles…

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Paulo fazia isso, ele se envolvia com a cultura, o ambiente e a história do povo, para então, poder alcançá-los. Se os jovens ficam apenas de fora, perderão esses. Sem falar que eu acredito que, durante a Universidade, eles irão desenvolver habilidades que os ajudarão em seus chamados.

Isso aconteceu comigo. O curso de direito te ajuda a falar, se expressar corretamente, e isso me ajuda hoje, a ministrar a Palavra. Eu sou tímido. Quem me conhece fora do púlpito sabe disso. Eu não tenho facilidade de entrar em uma roda de conversas. Sou inseguro para começar uma conversa do nada e isso não é visto no púlpito, porque eu me domino. Eu desenvolvi isso na Universidade.

Sou tímido no dia a dia, mas, debaixo da unção, me movo no chamado e no púlpito. Alguns não entendem e pensam que é dupla personalidade, mas, quando você está no ofício do chamado, tem algo que lhe acompanha: o favor de Deus.

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Tenho um sonho que é meu e Renaly também o tinha, vejo que isso vai casar também. Tenho muita vontade de desenvolver um trabalho na área social. Deus já me mostrou e já me vi dentro de centros de reabilitação, orfanatos etc. Acredito que possa ser aí que o meu chamado se una à minha profissão de vez.

A nota que vem ao meu coração é que, quando estiver nesse lugar, estarei no centro da vontade de Deus. Pastor Jairo é um dos bons exemplos que eu tenho nessa área.

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O que mais me entristece no ser humano é a forma fria com que muitos agem hoje em dia. Nisso vem junto a injustiça, julgamento, acho que a frieza é o mais triste na humanidade. No mundo tem muita gente fria. É tudo muito calculado. É o “eu” em primeiro lugar, são pessoas egoístas demais e que não se preocupam umas com as outras. A perda da sensibilidade.

Fico bravo com isso e, às vezes, falo demais. Esses dias, estava em uma fila da lotérica e não estavam respeitando a fila preferencial. Tinham idosos e mães com crianças de colo esperando e fui falar que era necessário ter a fila preferencial, que é uma lei, deve ser cumprida… Me responderam: “mas é apenas um caixa“, E eu disse: “então tinham que atender todo o preferencial para depois nos atender”.

Fui tratado com frieza e arrogância pelo próprio pessoal da fila preferencial… (Isso acabou comigo).

Vejo frieza no apontar do dedo e no acusar facilmente. Muitos crentes falam muito sem pensar, são frios. Não pensam na dor do outro. Não se pensa naquilo que o outro está passando. Tem horas que estamos pior que os do mundo.

O que mais me chama a atenção é a simplicidade. Gosto de gente simples, que começa a conversa do nada, sem pretensão nenhuma, sem olhar cargos, nem posição. É isso, gosto de gente simples.

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Eu vinha há dois anos vivendo no ministério itinerante, mas tomei uma decisão muito séria para 2017. Não viajarei este ano. Sei que isso parece loucura, mas tenho isso muito firme em meu coração. Vou ficar ensinando só aqui por perto de Campina Grande. Cidades próximas que possa ir dar aula e voltar para casa.

Eu tenho a necessidade de construir uma rotina, estou casado há pouco tempo.

Tenho uma saudade…. da casa de praia da minha avó que íamos na infância em Pitimbu, Paraíba. A família cresceu e se espalhou por vários lugares. Hoje, isso é muito raro… a família junta, os rios, primos, todo mundo.. Isso faz falta.

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Sou determinado, mas ansioso e isso, às vezes, me atrapalha. Essa minha determinação é boa, porque me move e não fico parado. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho o desejo que as coisas aconteçam muito rapidamente. Se não consigo, fico frustrado e, às vezes, eu desisto de algumas coisas.

Eu desisti de fazer inglês aos 13 anos, e me arrependo disso hoje. E lá eu nem precisava pagar, meu pai pagava, desisti de fazer alguns concursos, se voltasse, eu faria hoje, porque se eu passasse me daria mais estabilidade hoje. Me arrependo de não ter feito.

Sou muito caseiro. Gosto de viajar, mas entre viajar e estar em casa, prefiro estar em casa. Minha casa é um lugar de paz, gosto de ouvir música, um bom filme, de ficar de pijama o dia inteiro, acordar e não ter uma programação exata a fazer.

Um defeito… Acho que devia medir mais as minhas palavras. Tem coisas que deveriam ser ditas, mas não do jeito que eu disse, e, às vezes, eu digo e me arrependo. Já feri pessoas e preciso me controlar. Eu gosto das palavras do domínio dessas palavras. Mas você pode levantar ou derrubar pessoas com palavras.

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No Direito você é estimulado todo tempo a saber argumentar e questionar. A não aceitar tudo de bandeja. É uma busca e a argumentação faz parte. Alguns, ao ter contato com a lei, querem aplicá-la a todo custo em qualquer momento e não é assim. Tudo depende da motivação. Quer fazer direito pra que?

Tem gente que quer fazer direito para ter uma posição, status que o curso trás; e tem gente que quer fazer direito pra fazer justiça. O que me levou a cursar esta faculdade foi combater a injustiça, principalmente no que diz respeito às crianças, mulheres e idosos. Que são os mais fragilizados.

O que me move a estudar, é saber que ainda não sei de nada…

Só tenho 28 anos, aprendi o que da vida?

4 COMENTÁRIOS

  1. Um homem de Deus, tive o prazer de conhece-lo pessoalmente e pude ver um homem que ama a Deus de fato.

    Uma luz nessa geração para levar o conhecimento de Deus para todos.

  2. Estudo e ministério. Isso é de Deus! O Senhor sempre quer nosso crescimento. Linda história Erick! Sucesso em sua carreira com o Senhor! Desejo que mo momento certo você possa atuar na obra social!

  3. Estudo e ministério. Isso é de Deus! O Senhor sempre quer nosso crescimento. Linda história Erick! Sucesso em sua carreira com o Senhor!

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