Tenho 37 anos, nasci em São Paulo.

Sou apaixonado pela minha cidade, São Paulo é grande e tem muitas coisas. Se você pensar em cultura, tem muitos teatros, museus; pontos bacanas que admiro. Gosto do movimento, se eu fosse para um lugar tranquilo, teria que me acostumar. Quando vou para uma cidade do interior, fico três, quatro dias e já desejo voltar, porque é muito parado.

Tudo passa por São Paulo, mas nós, paulistas, não aproveitamos direito a cidade. Vem gente de todo canto e elas aproveitam mais as coisas da cidade do que os próprios paulistas. Isto por causa da correria que vivemos mesmo, a cidade tem bons parques, muita diversão para fazer.

Meu pai faleceu eu era muito novo. Acho que eu ia fazer três anos. Lembro-me apenas de uma cena nessa época, quando me levantaram para vê-lo no caixão… Não lembro de mais nada. A minha mãe não teve muitos recursos para nos dar as coisas, mas tínhamos uma vida feliz mesmo assim, porque éramos muito envolvidos com a igreja. Éramos uma família grande, com muitos irmãos e nos divertíamos com o que tínhamos; somos sete irmãos. A nossa casa sempre foi muito cheia. Ainda tenho um irmão do segundo casamento da minha mãe que consideramos nosso irmão mesmo. Fomos criados juntos. Mesmo coma a perda do meu pai, não tive uma infância sofrida não.

Não senti tanta falta do meu pai como os meus irmãos mais velhos, pois eu era muito novo quando ele faleceu. Me apeguei muito aos meus cunhados, na ausência do meu pai, eu olhava para eles e os imitava; eram referenciais para mim. Eles ajudaram a minha mãe nesse papel de “pai”.

Minha mãe é minha Rainha! Acho que guerreira é uma palavra que a descreve bem. Ela passou por momentos bem delicados e uma coisa que é um destaque na vida dela (fora o carinho) é que, uma vez que ela não podia nos dar luxos, ela nos manteve focados em Deus e na sua Palavra. Hoje, vemos os resultados disso. Olhar para todos e os verem bem, servindo ao Senhor, isso é fruto da persistência dela.

As pessoas da igreja que congregávamos queriam estar lá em casa, ela fazia muitas comidas, os nossos sábados eram com a casa cheia; as pessoas queriam dormir lá em casa. Ela nunca nos privou das coisas. É uma guerreira mesmo.

Hoje, ela está muito feliz, principalmente depois que ela fez o Rhema, minha mãe se levantou muito em Deus. A Palavra da fé faz a diferença.

Eu me dou muito bem com os meus irmãos, acho que sou próximo de todos. Claro que acontece de ter mais afinidade para conversar com um ou outro, mas não existe uma diferença exagerada com os outros não. Me dou bem com todos. Como sou o caçula, tiro muita onda com eles. Eu falo: “gente, não esquece que eu sou o caçula. O menor é abençoado pelo maior. Deus quis assim, então, me encham de mimos, de presentes, senão irão se arrepender lá na frente”.

Eles tiram onda, porque, quando minha mãe engravidou, ela já era operada e digo: “gente, vocês têm que perceber que foi uma intervenção divina.”

Todos eles, pela ausência do meu pai, me fizeram aprender muito. (se bem que depois eu tive um padrasto maravilhoso que foi uma benção para mim)

Meus irmãos homens se chamam Esdras, Amós e Neemias, com uns nomes desses, chegamos na igreja e ela pega fogo (risos), mas todos são referências e muito queridos.

Quando eu era adolescente, dizia aos meus dois amigos que andavam muito comigo. Alexandre e Fabi. Na época, estávamos no Departamento de Jovens, hoje, tem uns nomes bonitos “freedom”, “conectados”,  na época eram “mancebos” (risos), todos de terno e gravata. Lembro-me que falávamos que tipo de pessoa a gente queria casar e eu dizia que queria uma loira e magra, eu era muito magro.

Conheci Patrícia na igreja eu que fazia parte. A primeira cena que eu lembro dela foi quando eu estava tocando eu olhei, ela estava cantando e falei: “Oh Deus aquela loirinha ali é uma benção, ela é bonita”.

Só que ela sempre foi muito na dela, isso também me chamou a atenção. Ela não era atirada para todos os rapazes da igreja. Então, nos conhecemos na igreja. Eu não tinha muito contato com ela, mas a minha irmã tinha contato com ela e ganhou uma foto dela. Eu dormia no quarto com os meus irmãos, duas beliches e eu dormia na parte de cima. Peguei um quadro e coloquei na parede com a foto dela. Nunca imaginei que futuramente, depois de anos, ela seria a minha esposa.

Um tempo se passou…

Em um desses encontros dos Mancebos tive a oportunidade de conversar com ela, mas ela sempre se mostrou muito séria, e dizia: “quero um namoro sério” e falei: “vamos namorar, glória a Deus” (risos) Começamos a namorar e era em um ambiente da igreja, isso foi bom.

Uma vez eu ouvi de um irmão algo interessante: “O casamento vai ficando melhor com o tempo”. Quando ele me falou isso, eu estava no início do meu casamento e eu não entendia, mas, hoje, eu compreendo isso melhor. Porque você amadurece, se equilibra.

A Paty literalmente me completa. É um apoio total, porque eu sou de um jeito e ela de outro. Eu gosto de falar, conversar, se eu chegar em um deserto, e você me der uma semana eu estou conversando com todos os animais, fazendo amizades com todos eles. Mas a Paty já não é assim.

Ainda no namoro, eu olhava e pensava: “acho que não vai funcionar, porque ela é muito diferente de mim”. Depois eu percebi que eu precisava de uma pessoa assim, porque ela me equilibrou, me podou em algumas coisas que eu tinha em excesso e eu também a equilibrei trazendo um pouco para perto de mim e do meu jeito.

Ela é uma excelente auxiliadora, mãe, uma excelente esposa, ama cuidar dos filhos. Fomos pais muito jovens, mas pelo ambiente, da família que tínhamos, irmãos, sogra, sempre nos apoiaram muito e foi tranquilo.

Eu não viajo muito, mas, quando estou foram ministrando, dando aulas, sinto mais falta dela do que dos meninos. Claro que sinto falta deles, mas ela é em primeiro lugar.

Como falei, fui pai muito jovem. Meu filho, Matheus, completou 18 anos agora. Até hoje, às vezes, acordo pela manhã, olho para os meus filhos, e fico um tempo pensando: “sou pai…”

Às vezes, eu falo: “Patrícia, tu já vu o tamanho daquele menino?”

Um dia, eu liguei em casa e a voz dele engrossou e ele falou: “Alô”

E falei: “Sai da minha casa! Quem é você?” (risos)

Quando m tornei pai, na hora eu fiquei meio sem noção, até o momento que o peguei no colo e cai na real. E pensei: “é meu, eu tenho que cuidar”.

Lembro que eu orei: “Deus, me ajude a cuidar dele, porque eu não sei”.

E, de fato, Ele ajudou, porque a gente não consegue ser perfeito e pleno em tudo. De uma maneira geral, a gente consegue olhar e ver que temos conseguido criar os nossos filhos bem e com equilíbrio.  

Mesmo jovens, após o nascimento do nosso filho, tomamos algumas decisões.

Vamos cuidar bem.

Eles vão aproveitar a vida e a gente também.

E tem sido assim. Hoje tenho 3 filhos. Quero ajuda-los a trilhar um bom caminho.

O Matheus tem 18 anos, é muito queridão, amoroso, ele evita dizer não, quer ajudar, agradar.

Já o Davi, tem 15 anos,  se ele quer, ele quer, do contrário, fala na hora. “Eu não quero”.

A Yasmim, tem 12 anos, é um mix, por ser menina, eu mimo muito ela até hoje. Minha princesa, quando a mãe a corrige, ela já corre para mim. Ela é o meio termo dos meninos e tem um pouco de cada um deles. Também é mais flexível.

Tive que aprender a discernir o jeito de cada um, sem compará-los uns com os outros e nem com ninguém. Entendendo a personalidade de cada um.

Desde pequeno, quando a minha mãe ia para a igreja, lembro que tinha ensaio do coral.  E eu já era atraído pelas músicas, acho que ninguém suporta ficar acompanhando ensaio, a não ser que o cara tenha desejo pela música. Eu ficava parado, observando; isso quando eu tinha cinco para seis 6 anos, e já era nítida a minha paixão pela música.

Lembro de pegar o cabo de vassoura e ficar simulando que estava tocando. Até que eu aprendi com meu irmão três acordes. Quando percebi que eu conseguia tocar, me empolguei. Com 11 anos, eu comecei a tocar na igreja. Era bem limitado ainda, mas a pessoa que me deu a oportunidade, Marcelo Pereira, ele enxergou em mim algum talento musical. Sempre falo para os músicos que precisamos enxergar os talentos em nosso meio. Porque o musico tem essa percepção.

Fui pegar repertório, corri atrás. Depois meu irmão que estava em um nível muito mais avançado (ainda está) continuou me ensinando, até que eu entrei na ULM (Universidade Livre de Música Tom Jobim). Lá, estudei seis anos. Na verdade, o músico nunca para de estudar, porque ela tem infinitas possibilidades.

Ouço música todos os dias. Tanto quanto estou estudando, quando deito, não estou com sono, gosto de filmes com boas músicas, escuto muito instrumental. Jazz, ouço boas músicas do nosso meio. Algumas não escuto, não tenho medo de falar, porque não me edificam. Minha esposa, as vezes, pede para eu desligar um pouco.

Tenho vários referenciais na minha vida. A minha mãe, meus irmãos, cunhados, são três cunhados: Valdir, Marcos e Alberto. São pessoas muito queridas.

Tem pessoas que marcaram a minha vida, por exemplo, um amigo chamado Idamar, que na época, quando eu era adolescente, ele me ajudou com muitas coisas. Hoje, tenho pouco contato com ele, mas sou muito grato a Deus.

Na música, minhas primeiras referências foram, meu irmão Neemias, e o Marcelo Pereira que foi quem me deu oportunidade.

Após a perda do meu pai, Deus sempre levantou figuras paternas para me ajudar e cuidar de mim.

Uma fase importante na minha vida foi a chegada de Eliezer Rodrigues que certamente é uma das pessoas que mais marcou e impactou a minha vida. E continua marcando. Temos uma boa amizade.

Embora eu não tenha muito contato, mas existe uma pessoa que admiro demais que é Guto Emery. O pouco contato é pelo fator distância, porque sempre que eu posso estar perto, procuro estar. Ele é uma das pessoas mais sensacionais que já conheci na vida. Falo isso com muito equilíbrio.

Através do Eliezer conheci pessoas maravilhosas: Andrezinho, Beto; a equipe que hoje pastoreia, na sua maioria, como José Roberto, Alex Konig, Vavá, essa turma toda marcou a minha vida de alguma forma.

Quando estudei no Rhema, fiz a Escola de Ministros e comecei a me encontrar e me valorizar como pessoa comecei a entender que eu estava crescendo e tinha que procurar compreender a vontade de Deus para a minha vida. Atentei aos ensinamentos do irmão Hagin, orei ao Senhor, e fui ficando focado em ser fiel ao que chegava em minhas mãos e não em títulos. Isso foi algo que aprendi com o Eliezer. Três coisas vieram ao meu coração: música, a Palavra de Deus e estudar inglês.

Já faz uns 10 anos que sou focado nessas coisas e, de alguma forma, elas se completam, se unem. São o que Deus tem para mim.

Existem coisas em meu coração, em Deus, e que sei que vão acontecer. Essas três inspirações são necessárias para eu cumprir essas coisas. Me vejo mais maduro fluindo na música, na pregação da Palavra e me vejo ajudando músicos.

Atualmente, meu trabalho é na igreja do Morumbi, São Paulo. Minha família me acompanha sempre.

Para 2018, meu foco de vida é a minha família conseguir aproveitar um pouco mais a minha cidade, conhecer lugares que ainda não conheço.

Quero me empenhar bastante no que está acontecendo no Morumbi; vai ser um ano de muito trabalho.

Quero fazer bem feito o que o Senhor tem colocado nas minhas mãos. Mas não vou esquecer que sou jovem ainda e tenho muito para aproveitar. Existe um equilíbrio nisso e quero mantê-lo; desejo acompanhar as fases dos meus filhos.

Sou brincalhão, sou uma pessoa que talvez não pareça, mas, na infância, por vários motivos, teve até complexo de inferioridade, porque vinha aquela sensação de que todo mundo ia conseguir e eu não. Ao mesmo tempo, sou aquele cara alegre, que gosta de música, eu sou uma pessoa simples, gosto de estar no meio das pessoas, gosto de ter amizades, mas isso precisa de equilíbrio, porque não é em todo momento que podemos ficar conversando.

Uma coisa que admiro em mim é que consigo focar muito mais rápido na qualidade da pessoa do que em qualquer defeito. Isso faço rápido.

Sou muito grato a Deus por pessoas que Ele colocou no meu caminho. Pessoas que me impulsionaram.

 

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