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Tenho 45 anos, sou natural de Vertentes-PE, uma cidade próxima a Santa Cruz. Porém, há 44 anos, moro em Caruaru, juntamente com a minha família. Sou a única mulher entre quatro irmãos, dois mais velhos e dois mais novos. Não tive tanto tempo de convivência com eles, pois casei muito jovem, com apenas 14 anos. Aos 12 anos comecei a namorar com Cid, noivei aos 13 e, aos 14, já estava casada. Esse ano completamos 30 anos de casados. Mas lembro que, quando eu estava com 24 anos de idade, e já tinha dois filhos, nos separamos e ficamos dois anos e meio afastados. Não éramos crentes naquela época. Meu marido era locutor de rádio e TV e, em Caruaru, uma cidade pequena, trabalhar em rádio e TV era semelhante a artistas de TV hoje em dia.

Todas as pessoas solteiras queriam estar perto dele. Ele estava no auge da carreira com uma vida social ativa. Por dois anos foi reconhecido como a melhor voz do Nordeste. Como era muito conhecido apresentava festas, estava em todos os eventos da cidade. Eu, jovem dona de casa, com 18 anos tive a primeira filha, Renata e, aos 21 anos, tive Rhenan. Mas aos 24 anos decidi me separar dele. Ele seguiu sua vida e, naquela época fazia pedagogia e morava sozinha com meus filhos. Um ano depois, Cid conheceu Jesus. Depois de outro ano e quatro meses eu me converti, no Verbo, sem saber que era a mesma igreja onde ele se convertera.

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Essa história é interessante. Eu me converti em um culto exclusivo para mulheres. Eu não queria voltar mais para meu marido, mas queria ter paz, viver a minha vida e sabedoria para cuidar dos meus filhos.

Cid frequentava a igreja que era liderada pelo pastor Isaac cujos  cultos eram aos domingos. Estávamos indo para a mesma igreja, no mesmo local, em dias diferentes e não tínhamos mais contato um com o outro. Meses depois, Cid foi à chácara dos meus pais. Ele estava manso, querendo ficar com os filhos. Deixei e, no final do dia, pedi uma carona até Caruaru, pois a chácara ficava afastada da cidade. No caminho, ele me pediu para, algum dia, levar os filhos na igreja dele, pois todos sabiam que ele tinha filhos. Falei que ia pensar. Naquele dia ele passou na frente da igreja e falou, “Fabiana essa é a igreja em que congrego”. Era um galpão ainda, sem placa e, quando vi, era a mesma igreja. Fiquei brava, mas acabei indo para a igreja com ele e as crianças, naquele dia.

A pregação naquele dia foi sobre família, tocando meu coração e, meses depois, decidimos voltar.

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Cid é um homem corajoso, determinado, um companheiro de vida. Ensinou-me muitas coisas.

Sou uma mãe responsável. Fui mãe muito jovem e, mesmo sem conhecer o Senhor, na época, sabia que filho era um presente e aquele que recebe esse presente sabe da grande responsabilidade não apenas de criar, mas em preparar aquela pessoa para ser feliz, de bem, resolvida.

Eu dizia que Renata, a minha primogênita, era uma princesa, mas depois de estar 70 dias, em uma UTI, junto com ela, cuidando do meu neto, digo: ela é uma rainha. Uma menina valente, com princípios. Seu sonho era casar, ser dona de casa, cuidar do marido e ter filhos. Nasceu para ser mãe. Uma guerreira. Ainda não consigo descrevê-la bem.

Rhenan, um presente, um jovem cheio de sonhos. Na infância, teve asma alérgica e sofreu por sete anos. Disseram-me que o colocasse na natação e os medicamentos o deixavam agitado. Ele passou a fazer esportes, judô, basquete. Sempre amou esportes. Mas não gostava de estudar. Aos 7 anos, em um culto de cura, o pastor Isaac fez o apelo para cura e Renan foi, sozinho, receber oração. Todos olharam me perguntando o que ele tinha e ele foi curado. Ele está com 23 anos e nunca mais teve problemas. Na escola, nada chamava atenção, a não ser esportes. Rhenan fez faculdade de educação física, passou, concluiu e, seguindo um mestre que ele admirava, fez a prova de mestrado e passou. Ele está em Portugal há mais de um ano fazendo mestrado na área. Eu declarava a palavra dizendo que ele ia se formar e ele se encontrou.

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Fabiana avó… Sou feliz. O amor de avó é um amor diferente, sem cobranças. Quando a gente é mãe, a responsabilidade é maior. O que acontece com os filhos é nossa responsabilidade. Mas, aos netos, podemos nos entregar de forma mais descansada. Só tenho que dar amor a ele.

Benjamim é valente demais. Um menino que lutou pela vida.

A partir de agora vou relatar um pouco do muito que vivemos nos últimos meses.

Acredito que muitos sabem o que aconteceu com o meu neto. A fisioterapeuta que acompanha ele disse, recentemente, à minha filha Renata: “As pessoas vão perguntar o que Benjamim está fazendo hoje. Posso ajudá-la a responder. Bebezinhos com 5 meses estão aprendendo, Benjamim está ensinando.” Eu gostei disso…

Com 2 meses e 19 dias de vida Benjamim estava na igreja. A mãe, minha filha Renata, estava pregando sobre o caráter de Deus, o caráter de um pai bom, que nos protege. Quando o culto terminou fomos para casa e, horas depois, ela me ligou dizendo que Ben estava com febre; foi a primeira vez que ele teve febre. Levamos ao hospital, mas não diagnosticaram nada. Medicou e mandou para casa. No dia seguinte, ele vomitava e voltamos ao médico. Ainda no carro, eu olhei para meu neto, o qual estava com aparência de um bebê morto, olhos parados, boquinha e mãos escuras. Eu não sabia o que era, mas sabia que era grave.

O médico, ao olhar, deu o diagnóstico: “É meningite”. E, na hora me lembrei do Deus que cura. O médico disse que tinha que medicar e pediu autorização aos pais para o procedimento. Caio autorizou e ele medicou, quando isso aconteceu, Benjamim gritou das 11:00 da manhã às 9:00 da noite sem parar, só parou ao ser fortemente sedado. Ao saber do diagnóstico, todo mundo sumiu do hospital, porque meningite tem vários tipos e, a maioria, é transmissível. Os médicos todos vestidos com roupas especiais e máscaras (essa é uma das imagens que mais marcaram a minha filha).

Pregamos a palavra e falamos de um Deus que cura, Deus de milagres, Deus do impossível, Deus presente, pregamos crendo, Ele é assim para mim.

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Comecei a falar com o Senhor e falar comigo mesma: “Fica tranquila Fabiana! Uma coisa é você saber da palavra outra é a doença estar gritando para você: eu estou ‘matando!’” A meningite grita estou matando e é rápido. Nessa hora quis vir o desespero. Caio e Renata são muito jovens, primeiro filho, eu precisava me manter calma. Eles esperavam a minha reação. A primeira pessoa que pensei em ligar foi Suellen. Lembro que entrei no banheiro para ligar. Nem sei se ela me entendeu direito, mas falei apenas: “Preciso de socorro! Benjamim está morrendo…  e eu preciso que vocês orem, avisa a Guto…” não consegui dizer mais nada.

Ele teve muitas convulsões, fizeram tomografia, foram os primeiros procedimentos, o diagnóstico: era a meningite mais severa e eles não tinham o que fazer, era necessário aguardar para uma possível transferência, todos nós (eu, Cid, Caio e Renata) tomamos uma medicação, pois éramos os que tinham contato com ele. No final da noite ele foi transferido para um hospital público de Caruaru que tinha UTI pediátrica.

Ali, só Renata teve acesso. Ficamos orando. Na madrugada, fomos para casa. Até ali ainda estávamos muito “inocentes” quanto à gravidade da situação. Sem experiência, nunca vimos um quadro desses. Fui ficar com ele para a mãe descansar. A médica veio falar comigo e disse como era grave o quadro do bebê: “Ele teve falta de oxigenação no cérebro pelo tempo de convulsão sem ter tido o socorro adequado, teve hemorragia intracraniana, isquemia cerebral, danos em várias partes do cérebro. A meningite dele é letal, os poucos casos de sobrevivência deixaram muitas sequelas, meningite pneumocócica. É questão de horas ele falecer. Essa meningite mata em quatro horas e esse tempo já passou.” Ali Benjamim estava sedado e em coma já.

Falei: “Doutora, me dê um percentual. Quantos por cento de chances Benjamim tem de sobreviver?”.

Ela respondeu: 0%

Falamos sobre graça, mas só vim entender o que é a graça nessa situação… Veio uma tranqüilidade, por dentro. No meu espírito havia paz, mesmo que o que via por fora fosse desesperador.

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Começamos a tentar uma transferência para outro hospital, em Recife, mas os médicos falaram que ele nem sequer podia ser transferido de uma sala para outra. Em todo tempo tínhamos que lidar com o quadro que víamos de Benjamim, a incredulidade dos médicos e a burocracia do sistema. Para eles era impossível ele sequer sair do hospital porque ele tinha convulsões  se tocasse nele. A médica disse: “Só um milagre tira esse menino daqui, com vida, hoje.” Eu disse; “O Deus a quem eu sirvo é especialista em milagres. Ele vai sair vivo. Prepare a documentação.” Ela mandou providenciar um helicóptero mas não deu certo por causa dos horários. E, acabamos levando ele de ambulância com UTI e um médico. Conseguimos uma vaga no hospital Corrêa Picanço, em Recife, e o levamos para lá.

Os médicos disseram que ele não iria sobreviver à viagem que durou cerca de uma hora e vinte minutos de trajeto. Ele teve convulsão até a hora de entrar na ambulância. Chegamos com Benjamim ao hospital. Até então, para nós, ele só tinha meningite, isquemia, hemorragia intracraniana. Esse era o quadro dele. Logo, descobrimos que a meningite que ele tinha não era contagiosa. Eles não entendiam como um bebê tão novinho estava em um quadro daquele. Citaram o exemplo de um adolescente com o mesmo problema que, ao ser feita a punção, 30% do líquido era bactéria. Você sabe como está a situação do seu neto? 80% do líquido é bactéria.

O laudo de Benjamim é um laudo aberto. Não existe uma explicação para o que aconteceu com ele. É como alguém ir à padaria e tomar um tiro perdido na cabeça.

Os médicos não sabiam como iria ser o tratamento, não garantiam êxito algum, nem sequer sabiam a quantidade de mediação a ser prescrita. Mas tentaram. Ele permaneceu dias lá, em coma, sem reação. Passávamos os dias lendo a Bíblia, livros, orando, agradecendo a Deus pela cura.

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Aos nossos olhos ele estava progredindo. Os médicos diziam: “Ele está estável”. Enquanto estávamos por lá, evangelizávamos, orávamos pelas mães e crianças; crianças receberam alta e foram para casa e Benjamim ficando. Eu numa quarta-feira fui ficar no lugar de Renata. Quando ela saiu, paralisada, disse: “Mainha, a senhora não vai ficar a noite com Benjamim, ele teve um probleminha e está fazendo um procedimento e não me permitiram ficar lá”. Começamos a orar e ela voltou para dentro do hospital.

Eu não sabia explicar, mas em meu coração tinha uma nota de paz. Eu acalmava Caio e  lembrava a ele da fidelidade de Deus.

Lembrei-me de algo que o pastor Isaac me falou certa vez: “Quando uma situação estiver se levantando, tenha raiva da situação. É a situação que você enfrenta, não vá procurar saber o porquê, enfrente a situação”

Eu fiquei com muita raiva e comecei a orar no pátio do hospital e falei: “Satanás você não vai me causar medo, porque o que eu tenho em mim é alegria, hoje é noite de festa. Meu neto vai sair desse hospital.”

Renata voltou e disse que eles mandaram a família entrar para se despedir dele. Ninguém queria entrar, mas eu enfrentei e fui. Descobri, nessa situação, que eu sou crente, que a Palavra de Deus funciona. Nunca mais serei a mesma. Falei para Caio que só entrasse se ele estivesse convicto de que sairia dali com seu filho nos braços e bem. Eu aprendi que ele é o pai, com isso, a autoridade espiritual sobre Benjamim, eu sou apenas a avó. “Quando estiver pronto, entre”, falei para ele.

Entrei naquele enorme corredor do hospital e lá sentimos cheiro de morte, porque é o território de satanás, e nós não pertencemos aquele lugar, é um local que se “vê” nas paredes na atmosfera, a dor das pessoas, ali o inimigo ri da situação das pessoas.

Fui até a médica para saber o que estava acontecendo. Ela disse: “Chamei vocês para se despedirem de Benjamim, ele tomou todos os medicamentos, mas o organismo dele está rejeitando, o coração dele não vai resistir e a qualquer momento pára. Então, vejam ele ainda vivo…”

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Entrei naquela UTI e não podia sequer chegar perto dele, não podíamos falar alto. Ali 16 aparelhos o monitoravam. Lembro que a médica se aproximou e disse: “Vó, pode falar com ele o que quiser”,(afinal, para ela eu iria me despedindo), nessa hora, peguei a Bíblia, passei pelos equipamentos, cheguei no ouvido de Benjamim, segurei a cabeça dele e gritei: “Benjamim! Você é curado! Você não é o que eles estão dizendo, o Senhor já te curou, eu não vou sair daqui com você se não for curado”.

Lembrei do que está escrito em Jeremias capítulo 33: “Clama a mim e eu te ouvirei.” Orei dizendo: “Deus, eu falo de você, eu acredito em você”, duas médicas me olhavam, as mães nos outros quartos também, mas eu não via nada disso, e dizia:“Deus agora somos eu, você e a Tua Palavra.  Eu estou clamando a vida de Benjamim”. Eu declarava a Palavra e voltava para ele, declarando vida. A pressão dele estava um por um, as maquinas se desligando, ele cinza, com aspecto de morte. Eu acho que declarei tudo o que eu sabia da Bíblia e o que o Espírito Santo me inspirava. De repente, vi os equipamentos começando a responder, a pressão dele subindo. Falei com as máquinas para que funcionassem, falei com as defesas do corpo dele para reagirem.

Nesse momento, Caio entrou e fui lembrá-lo da autoridade espiritual que ele tem como pai. Animei-o a falar a Palavra e declarar vida sobre o seu filho. Renata também entrou e a partir daquele momento estávamos em uma batalha pela vida de Benjamim. Eu sei que toda a guerra já foi ganha há muitos anos atrás, mas era o nosso bom combate da fé, como disse Paulo.

Já havia um quadro, mas tínhamos que crer. Declaramos vida. Falei de cada órgão e ia perto do frágil corpinho dele, eu dançava e orava, (os médicos nos olhavam pelo vidro), depois ficamos sabendo que entre eles disseram que achavam que iam nos tirar de lá em choque e o bebê morto. Mas isso não aconteceu. graças a Deus.

Me lembrei de todos os salmos e um deles diz: “De noite a misericórdia de Deus te cobrirá e de manhã você vai dizer as pessoas da fidelidade de Deus”, olhei para o relógio, eram 2h da manhã e falei: “quando amanhecer teremos um quadro transformado”. Foram 9 horas orando sem parar dentro da UTI, sem sentar, comer, sem sequer beber água, eu Caio e Renata, ninguém teve coragem de nos parar.

Essa foi a forma que tínhamos de expressar aquilo que acreditamos. Começamos por volta de 10h da noite e uma hora depois pressão dele começou a reagir e, por isso, os médicos disseram que podíamos permanecer lá dentro. Isso o sustentou vivo.

Teve uma hora que eles começaram a aplicar a injeção direto na veia de Benjamim eu estava tão imersa na fé que disse: “Pai eu te rendo graças pelos remédios. Agradeço porque esse remédio é a FIDELIDADE DE DEUS DILUÍDA.” E a enfermeira não queria aplicar mais não, ela falou:”Eu não sei aplicar a fidelidade diluída”.

Se isso tudo tivesse sido filmado, talvez fosse até engraçado, mas, na hora, foi desesperador.

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Amanheceu… às 8h da manhã eu estava rouca e rendendo graças a o Senhor. Quando parávamos um pouco de orar, a pressão dele que estava em 6 por 5, ia para 1 por 1 e os médicos diziam: “Não parem de orar! Porque esse menino escuta a voz de vocês. Quando vocês falam, o coração dele acelera os batimentos”. Ele seguia naquele quadro, gravíssimo, mas estável. Continuamos ali, lutando pela vida dele. De 8 horas em diante, permanecemos dando graças.

Os pais foram para casa descansar um pouco e eu fiquei com ele. Eu estava exausta. Peguei um lençol encostei a cabeça no vidro e cochilei. De repente, o médico me acordou e disse: “você não está vendo o que aconteceu?”. A pressão de Benjamim foi para 1 por 1 imediatamente o médico me tirou do quarto. E me falou: “Fique tranquila, você já fez o que tinha que fazer”. Me mandou ligar para os pais, porque ele não resistiu. Deu falência nos órgãos.

Voltei no quarto e olhei para ele, do pescoço para baixo ele estava escuro. A cabeça branca. Eu corri chorando pelo corredor, entrei em desespero. E quando cheguei na porta do hospital para sair, Deus falou comigo: “NÃO DESISTA!”

Voltei correndo e continuei dizendo: “Benjamim, você não vai embora”. Eles ligaram para Caio e ele rapidamente chegou desesperado. Tocou Benjamim e disse: “Senhor, eu te sirvo desde criança. Eu não faço isso por obrigação, mas por amor. Você é o dono da vida, eu não vou sair desse hospital com o corpinho do meu filho morto, não serei envergonhado por satanás, ele não vai sair daqui dessa forma. Eu ministro a unção de cura”. E continuamos orando, mas não era mais nas nossas forças, porque estávamos exaustos.

De repente, Benjamim, começou a clarear, não fizeram nem massagem cardíaca nele. O coração estava bem fraquinho, mas estava pulsando e ficamos de 9h da manhã às 15h da tarde orando intensamente por ele. A tarde a médica fez um eletro, a cabeça dele estava inchada e disse que ele estava com hidrocefalia, ele precisava de uma cirurgia.

Tínhamos que  transferi-lo mais uma vez.

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Apareceu uma vaga no hospital Esperança em Rio Doce, mas era particular, tínhamos que levá-lo imediatamente, o plano de saúde era de Caruaru e em Recife não iam cobrir, era necessário um valor alto de calção. E não tínhamos o dinheiro. O Ministério Verbo da Vida através de Guto nos auxiliou e conseguimos transferi-lo para esse hospital. Ele está vivo por causa desse socorro. Teve a ação sobrenatural de Deus, essa é inexplicável e milagrosa, mas não podemos esquecer a ação do amor que nesse momento também foi imprescindível. Somos tão gratos pelo nosso Ministério e por essa liderança…

Conseguimos transferi-lo. Ele tinha um diagnóstico de uma hidrocefalia e precisava de uma cirurgia. Ao chegar havia uma junta médica o aguardando para operar. E ele entrou no hospital Esperança com um corpo de uma criança de dois anos, a cabeça enorme, um corpo deformado, foi direto fazer a tomografia, viram que ele não tinha hidrocefalia, mas uma infecção grave pela meningite. A única explicação é que ele foi curado da hidrocefalia nos 25 minutos de trajeto na ambulância.

Ele ficou vários dias na UTI e aos poucos foi desinchando. A cabeça dele foi diminuindo e ficou bem pequena, com fissuras uma imagem bem deformada. Hipotensão craniana. Colocávamos uma fralda para não assustar muito Renata, temos tudo registrado em fotos e vídeos. O diretor do hospital tirou fotos e também registrou. Segundo ele, era impossível aquela cabeça ser preenchida, mas eu dizia: “Eu sirvo a um Deus que preenche todas as coisas”. Ele ainda estava em coma induzido. Então, eles o tiraram do coma, mas meu neto não acordava, examinaram ele e disseram que os exames mostravam algo ruim. Mesmo sem sedação, ele não acordava, não tinha movimentos. Decidiram fazer um eletro. No resultado não deu nenhuma atividade cerebral, mais uma vez disseram que ele estava com o quadro grave, o corpo estava normal, mas a cabeça não estava, era o inicio de morte encefálica.

Ao dizerem isso a Renata, a postura dela era de fé, ela não aceitou o diagnóstico e disse que seu filho sairia dali vivo. A medica insistiu: “Quem entra em início de morte encefálica, não volta. Se prepare”.

Fiquei com ele na UTI e deixei Renata descansar. Estávamos com o diagnóstico de Deus e tínhamos que permanecer com isso.

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Sempre respeitávamos os médicos, mas decidimos ficar com a Palavra. Sabemos que a medicina é um braço de Deus aqui na Terra e queremos que eles permaneçam trabalhando e cuidando do Benjamim, mas existe uma limitação humana. De fato, o Deus que fez a cabeça dele trás vida e não morte, Deus é especialista no ser humano. Falei para a médica: “Benjamim vai sair desse hospital vivo e sem sequelas”.

A médica respondeu: “Se isso acontecer, eu caio no chão e rasgo as minhas roupas”.

Nesse momento eu falei: “Benjamim, escute o que essa médica está dizendo. Você vai sair desse hospital vivo e vai voltar andando, entrará nesse hospital com um presente para ela e vai perguntar: ‘onde está a médica que disse que vai se jogar no chão?’”.

Ela disse: “Vó, é tão bonita a sua esperança”.

Respondi: “Esperança é o nome desse hospital, o que eu tenho é fé”.

Ela saiu. No outro dia, Benjamim bocejou pela primeira vez e fez isso o dia todo. Para mostrar a todos os médicos que estava vivo. Fizeram outro eletro e alguns sinais voltaram. Então, foi diagnosticado que ele reverteu o quadro de morte encefálica. Ele foi acordando aos poucos, abriu apenas um olho e disseram que ele não iria abrir mais o outro olho, mas nós criamos que ele abriria os dois olhos e iria enxergar, eles não acreditavam.

Eu dizia: “Benjamim, abra esse olho. Você tem olhos lindos, abra esse olho para mostrar a esse médico”. Seis dias depois, ele abriu o olho.

Eu sei que fomos carregados pelas orações. No grupo dos diretores do Rhema oravam por nós 24 horas. Eu sentia as orações de todos. Estávamos sendo literalmente sustentados por elas.

Não estávamos nas redes sociais, mas sabíamos que muitas pessoas estavam orando por ele. Decidimos nos trancar nesse momento e orar, tínhamos autorização de ficar os três no hospital, revezando. Quando vinham os relatórios tínhamos que estar juntos, porque se um se balançasse, os outros levantavam e ajudavam.

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O médico oftalmologista fez um exame e disse que ele estava enxergando melhor que todos nós juntos. Ele é um menino que vai contra todos os laudos médicos. Todas as vezes que os médicos viam os avanços, diziam que ele era uma interrogação, que os laudos não fechavam. Ele tinha altos e baixos graves, e isso traria a nós outro diagnostico de que, se ele sobrevivesse, teria que ter uma UTI em casa para acompanhá-lo.

Mas ele respondia contra tudo o que diziam. Fizeram uma ressonância com dopler. O médico nos explicou que este exame é realizado por meio de um líquido aplicado que acende luzes nos lugares onde há algo errado no cérebro. Eu disse: “Se prepare, vai ter uma floresta florescente”, e, segundo o exame, esse menino não era para estar enxergando, nem respirando, nem se mexendo, o laudo era contraditório, mas o neuro que o acompanhava disse:“Eu vou ser claro. Divida a cabeça de Benjamim em 30 pedaços. Desses, 26 foram afetados, só restam 4 pedaços. Não conte com esses 26 pedaços eles morreram”.

Respondi: “Eu não sei como vai ser esse milagre doutor, mas Deus nos disse que ele será curado. Não sei se esses quatro pedaços valerão pelos 30 ou se os 26 irão voltar a funcionar. Mas Benjamim não é vegetativo, ele vai ser curado, Deus tem planos para esse menino. O Deus que o trouxe até aqui o curará por completo”.

Somos tão gratos pelos médicos, enfermeiras, técnicas de enfermagem, fisioterapeutas que cuidaram dele, elas choravam nos últimos dias, quando Benjamim chegou naquele hospital ninguém acreditava ver ele tão bem um dia, sem nenhuma bomba de medicação, acordado, respirando sozinho, escutamos da boca deles muitas vezes, ele é um milagre!

Foram 70 dias de experiências profundas, ainda tivemos problemas com taxas alteradíssimas, mas ele saiu do hospital e está em casa.  Benjamim é um milagre.

Semana passada fizemos mais um eletro, o exame diz que Benjamim pode vir a ser vegetativo, o exame diz que ele teve coleções de sangue na cabeça, isquemia, na parte frontal da cabeça. Diz que isto afeta a área cognitiva, a parte motora do seu corpo. Esse é o exame médico que temos dele. Mas, diante de nós vemos um bebê com movimentos normais inferior e superior. Um bebê de 5 meses não anda, Benjamim ainda não anda, um bebê de 5 meses não fala, Benjamim ainda não fala, ele ainda está usando a sonda, porque passou quase 30 dias entubado. A fonoaudióloga está acompanhando e ele está começando a sugar a mamadeira, como ainda está sem o ritmo normal, engole e respira ao mesmo tempo, sem o ritmo correto, mas está sendo estimulado e daqui a uns dias ele estará sem a sonda.

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Ele reconhece alguém estranho a nós, se eu Cid, Caio ou Renata estivermos perto, ele fica tranqüilo, mas se ele ouvir uma voz diferente, chora. Ele dorme, mas se ele ouvir outra voz fecha o olho e chora sem parar, porque ele associa tudo a dor. Ele pensa que é um medico e que vai ser furado. Eu sei que ele sentiu muitas dores, a médica disse que as dores que ele sentiu foram alucinantes. Para fazer a cabeça crescer e diminuir tanto.

Então, quando vou trocá-lo falo com ele: “Benjamim, vovó vai trocar você e ele fica tranqüilo”. Preparo ele para tirar a blusa e trocá-lo. O braço dele ficou preto por dois meses, ele foi muito furado. Para ajudar a relaxá-lo, quando vamos dar banho, colocamos música. É sempre a mesma música. E isso acalma ele. A musica é: “Ninguém explica Deus” do grupo Preto no Branco. Ao ouvi-la, ele fica tranqüilo. Normalmente ele associa banho aos procedimentos e isso à dor, mas estamos mudando a associação. É uma nova vida, uma readaptação.

O que Deus fez foi um milagre!

Benjamim NÃO é um diagnostico, ele é tudo aquilo que Deus o criou para ser.

A Bíblia diz que um coloca mil para correr e dois colocam dez mil, imagina três? Tudo era eu, Caio e Renata. Em meio aos relatórios terríveis, celebrávamos a vida. Nós colocamos trilhões para correr.

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Hoje, tenho plena convicção que Deus está 24 horas nos ouvindo. Ele está pronto para cumprir a sua Palavra. Deus só precisa de uma pessoa doida para crer no que Ele diz. O que a Palavra diz eu acredito firmemente.

Voltamos ao hospital esses dias e conversamos com o neuro que acompanhou o caso de Benjamim e eu perguntei: “Doutor, o que aconteceu com Benjamim?”

Ele disse: “Eu não sei o que dizer, porque é um caso aberto”.

Eu disse: “Foi um milagre, porque Deus tem um plano na vida daquele menino”.

Então ele falou:“Deus tem um plano na vida daquele menino e de muitas pessoas que passaram na vida dele durante esses dias, porque você não tem noção. Eu tenho, porque sou diretor desse hospital. Quantas pessoas vieram aqui para conhecer Benjamim, para saber do caso. Pessoas que não eram crentes. Isso não é normal, mais de 2 milhões de pessoas viram o vídeo de vocês na internet. Aqui muitas pessoas foram afetadas, médicos foram afetados, eles vão acreditar que Deus existe”.

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Muitas pessoas têm ligado, pedindo para vê-lo, mas no momento não podemos liberar as visitas. Existem pessoas que precisam ver, porque é tão inexplicável. Algumas emissoras de TV pedem para fazer matérias sobre o dia a dia de Benjamim. Mas é um dia a dia normal, de cuidados de um bebê de cinco meses. Ele toma banho, dorme, toma mamadeira.

Diante de tudo o que relatei, afirmo, eu posso passar pela experiência que eu passar, mas nunca vou esquecer aquele dia que Deus respondeu de uma forma palpável à minha oração.

Renata disse em certo momento, referindo-se aos médicos:”Mainha, é milagre que eles querem? É milagre que eles terão. Nosso Deus é um Deus de milagres, ele será curado e sem sequelas”.

O que eu sei é que Deus tirou meu neto da morte. Não sei como serão os próximos dias. Mas, diante de tudo que vivemos, não me diga que é impossível esse menino falar. Pela medicina, eles pedem para esperar para ver as sequelas, mas eu acredito em Deus com todas as minhas forças. Eu acredito que ele andará de bicicleta, correrá nos corredores daquela igreja como meus filhos correram. Eu acredito!

Benjamim vai falar, eu já o ouço dizendo na plataforma da igreja: “Quando eu tinha 2 meses e 19 dias, Deus me tirou da morte, porque Ele é bom”. Eu tenho convicção.

O que ele vai enfrentar a partir de hoje são pedrinhas, diante de tudo o que já enfrentou. Ele é um guerreiro. Existe algo muito grande para ele fazer. Benjamim lutou pela vida, mais do que nós os adultos, porque desistir seria mais fácil para nós. Fomos a voz da fé para ele. Mas ele usou sua força como bebê. Nunca vi Deus fazer um milagre pela metade. Ele passará por dificuldades para se reabilitar, mas as dificuldades dele não serão maiores do que as de satanás quando esse menino começar a falar seu testemunho.

Benjamim é forte, curado, guerreiro e valente.

Eu creio em um Deus de milagres!

12 COMENTÁRIOS

  1. Nao tem como nao se emocionar acompanhado toda trajetória do guerreiro Ben um menino que é testemunho de um milagre. É um exemplo de fé que marcou a vida de todos aqueles que serve a um Deus maravilhoso.E grande será o caminho a ser percorrido por Ben a pregar essa palavra de fé onde desde do ventre da sua mãe foi escolhido para anuciar as boas novas. Para toda a família muita sabedoria o melhor de Deus. Um forte abraco Elaine Benning (Ievv Vila Popular c- Olinda)

  2. Cada um com sua luta, mais o bom e sabermos que Deus nunca nos desampara, Ele é DEUS o mesmo de ontem hoje e sempre. Muito emocionante, isto é pra aumentar nossa fé e sentir o quanto DEUS é poderoso e grande, o segredo é viver a palavra e confiar. louvo a DEUS por tudo que ELE fez e vai CONTINUAR fazendo em nossas vidas.

  3. Meu Deus que testemunho impactante. Essa família tocou o fôlego de Deus com a fé deles. E o testemunho de BEN será usado para a transformação de vidas, de multidões. Deus é o mesmo, Ele não mudou. Milagres seguem aos que crêem.

  4. Sempre amei Fabiana e desde a primeira vez a conheci, considerei como uma irmã. Hoje ela é um exemplo de mulher de fé , e de que a Palavra não é apenas pra se ouvir , e sim praticar . Deus não mudou tua história Fabiana , Ele ampliou . Amo vc minha irmã, amiga e autoridade de Deus na minha vida .

  5. Quero aqui agradecer a todos que oraram e continuam orando pelo meu neto, Benjamin. Passamos por essa circunstância e saímos fortalecidos no Senhor. não foi fácil, mas a bíblia não diz que é fácil, mas que é possível. nos agarramos a palavra que temos aprendido, e o Senhor nos deu a vitória.
    Agradeço ao ministério Verbo da Vida, que é uma família maravilhosa, que nos ajudou em todos os momentos. Agradeço especialmente ao nosso apóstolo GUTO e sua família, que pegaram juntos conosco em todos os momentos, e à todos os pastores e igrejas que enviaram ofertas para o tratamento de Benjamin.
    Aos médicos que fizeram um trabalho maravilhoso, e ainda estão fazendo. em nossa residência estamos com uma FONO, uma TO, e uma FISIO, ajudando a recuperação completa do nosso BEN. Ele está bem, sendo bem assistido, e peço que todos continuem orando especialmente por Renata que foi muito atingida na alma (mente) com tudo o que aconteceu. desde criança que ela é do Senhor, que serve à Ele e casou de acordo com a palavra com Caio, hoje nosso pastor auxiliar e que também acompanhei todo o seu crescimento na palavra. Gloria a Deus pelo conhecimento da palavra, foi o que nos sustentou e sustenta sempre.

  6. Muito emocionante! Chorei lendo do início ao fim. Que Milagre! Deus é maravilhoso. E vocês são verdadeiros filhos de Deus. Que família abençoada. Que família guerreira. Amém, Amém e Amém

  7. Aquilo que parecia impossível, aquilo que parecia não ter saída, aquilo que parecia ser minha morte; mas Jesus mudou minha sorte, estou vivo, estou aqui!

    Fiquei sabendo dessa luta através dos meus primos que pertencem à mesma igreja de vcs. Fiquei sabendo desde o comecinho e o Espírito Santo me levou a estar clamando por Bejamim em todo tempo. Ali estava eu, sem nem o conhecer e sem nem conhecer a família, fiquei muito impactada, chorava e clamava pela vida dele o tempo todo e pela família também.
    Talvez por ter passado por um momento difícil também com minha filha assim que ela nasceu com seis meses, onde enfrentamos a morte de frente também, pode ser que tenha sido isso mas, creio que era Jesus em todo tempo me convocando para estar aposta juntos com todos outros guerreiros, guerreando pela vida e pela vitória de benjamim.
    E a oração era: surpreende Pai, e mostras que ainda És o mesmo Deus!
    E depois de tudo, só nos resta GLORIFICAR O NOME DO NOSSO DEUS!

  8. Faço parte deste milagre com toda igreja verbo caruaru.. Vo pai ie mãe valentes hoje vivemos um milagre graridao ao senhor é a palavra. Obrigado semhot

  9. Chorei muito o tempo todo em que estava lendo esse lindo testemunho, sem palavras.😭🙏😭🙏
    Diante disso o meu problema é tão pequeno, que sinto até vergonha pela minha fraqueza. Deus tu és fiel!
    Eu te agradeço pelo milagre que tu operaste e irá continuar operando na vida dessa criança.
    Glorias a ti senhor JESUS!

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