1

A família é muito importante, é responsável pela nossa construção. Tenho 19 anos de idade e perdi meu pai quando tinha apenas seis anos. Ele era jovem ainda e tinha excelente saúde, mas enfartou de repente. Cresci sem a presença de uma figura masculina em minha casa, mas tenho boas lembranças dele. Meu pai era maravilhoso, um homem bom, um pai amoroso, alguém que se importava com a família, era um bom esposo. Crescer sem ele foi difícil, ainda mais sabendo quem ele era.

2

A minha mãe foi a responsável por me educar. Ela é meu exemplo e graças a Deus que ela soube conduzir tudo muito bem. Com a perda do meu pai, passamos por muitas situações ao longo desses 13 anos. Tenho 6 irmãos por parte de pai (meu pai teve outro casamento) e tenho um irmão por parte de mãe, ele é mais velho, tem 25 anos e, hoje não, mora mais conosco (minha mãe também teve outro casamento). Com isso, cresci morando com mainha e meu irmão, e me vi forçada a amadurecer diante de muitas situações que enfrentamos. Hoje, minha mãe casou novamente e moramos eu, ela e meu padrasto.

3

Maria da Guia, minha mãe, é uma mulher forte. Ela é batalhadora, guerreira e isso não é clichê. É um exemplo de força pra mim. Quando estou desmotivada com alguma coisa, lembro dela e isso me dá força, porque sei o que ela já enfrentou. Sei pelo que ela já passou e isso me motiva diante de qualquer coisa que eu precise enfrentar. Ela é corajosa, perseverante.

O que marcou a minha infância foi a morte do meu pai. Foi o fato mais marcante. Eu ainda era uma criança e não entendia nada. Ele era meu herói e se foi de repente.

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Antes de eu nascer, minha mãe já era muito ligada ao espiritual, só que ao contrário. Ela ia para centros de umbandas, e foi visitar um desses quando já estava grávida de mim, mas ainda não sabia. Lá a mãe de santo falou que ela estava grávida, e ela aquilo foi um choque. Ela falou: “Meu Deus eu descobri que estava grávida numa situação dessa”. Foi ai que ela decidiu mudar de vida, sair dessa prisão e começou ir a igreja. Graças a Deus, minha mãe conheceu o Senhor e eu nasci logo depois. Cresci na igreja, desde cedo já era muito envolvida com o serviço. E ou muito grata a Deus por isso. Sou feliz por ter conhecido o Senhor cedo e ter a minha vida centrada nEle.

5

Hoje, vejo a minha geração muito intensa em tudo o que faz. E apesar de muitos ainda não terem descoberto onde colocar toda essa força existem os que tem decidido colocar toda essa intensidade no lugar certo e esses tem influenciado outros a fazerem o mesmo. O lugar certo é: no Senhor. Acredito demais na minha geração. Acredito que podemos fazer mais do que temos feito, que somos fortes para marcar esse tempo. Creio que não seremos conhecidos como uma geração corrompida, mas sim, como uma geração que atenta para as coisas eternas do reino.

6

Gosto de ficar sozinha em casa e, quando estou meio pra baixo, me forço a dançar. Gosto de escrever, mas é algo que faço quando estou bem. Eu não consigo fluir quando não estou bem, existem pessoas que não estão bem e transformam as situações em um texto, mas eu não sou assim. Também gosto de estar com pessoas, com os meus amigos e eles me fazem sorrir, é fácil me fazer sorrir.

O que me faz chorar… A injustiça, a desigualdade.

8

Desde sempre tive essa visão de ajudar o próximo. E se for preciso tirar algo de mim para suprir outro, eu farei. Jesus é o maior exemplo de amor. A forma como Ele viveu, o amor pelas pessoas… Todo tempo ele esteve rodeado por elas e, tudo o que ele fez, as envolvia. Ele ajudava, tocava com palavras ou atitudes, e sabemos que amar sempre foi a sua prioridade.

Devemos nos importar com o que Jesus se importa. E, certamente, Ele se importa com os sentimentos, corações, necessidades e fragilidades das pessoas. Tudo o que fizermos, precisa envolver o amor pelo outro.

9

Eu tive algumas experiências em visitar o “Lar do garoto” (Abrigo para menores infratores em Campina Grande-PB). Penso que as vezes a gente só atenta para o nosso ponto de vista. Vemos que a pessoa errou e logo somos rápidos em sentenciá-lo da pior maneira possível. É claro que se existiu uma plantação, virá a colheita devida… Mas precisamos atentar também para as situações que os fizeram lançar aquela semente, e ter olhos de compaixão sobre essas pessoas. Tenho tido a oportunidade de conversar com eles e vejo que eles foram criados em lares totalmente desestruturados. Não tiveram boas referências, dentre tantas coisas que influenciam na construção de alguém. Existe outro lado que precisa ser conhecido e eu tenho aprendido a enxergar também por essa outra ótica. Por que elas são assim? Por que fazem o que fazem? Como eu seria se fosse criada assim? Será que eu não teria o mesmo fim? Mas eu não tive o mesmo fim, porque alguém esteve comigo, me instruindo, me aconselhando. Então, por que eu não posso fazer isso com eles? Desconstruindo, através da Palavra, tudo aquilo que um dia foi construído…

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Se eu tivesse bem muito dinheiro… eu queria abrir escolas e hospitais, coisas que pudessem dar assistência à pessoas esquecidas. De quilombos, tribos… Tive a experiência de ir a lugares assim em 2014, aqui na Paraíba. Visitei um chamado “Caianas dos criolos” que me marcou profundamente, vi a necessidade das pessoas de lá, a falta de amparo, de cuidados naturais mesmo, as crianças e os idosos totalmente esquecidos.

Lembro de algo que aconteceu quando fui visitar um senhor, o que mais me doeu, é que eles vivem do que produzem, do que colhem, e nessa época de seca muitas vezes, eles não tem o que comer. Chegamos na casa desse senhor que tava vindo do roçado e eu falei: “oi vô tudo bom?” e ele respondeu: “minha filha, Deus é muito bom, você não sabe o que eu peguei ali agora. Duas espigas de milho” Aquilo foi muito duro porque, duas espigas de milho era o que ele tinha conseguido produzir, e ele estava feliz. Eu sempre lembro dessas pessoas. Se pudesse, as ajudaria, se tivesse recursos, era uma das primeiras coisas que faria.

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Quero cursar contábeis. É uma área tive contato, e me identifiquei. Trabalhei com a parte burocrática em uma empresa. Assim que terminei o ensino médio, queria fazer algo na área de saúde. Meu sonho era ser médica, enfermeira, e, quando estive de frente com o mercado de trabalho, percebi que não era nada disso que eu queria. Nesse tempo tenho me descobrido em outra coisa. Se der, quero fazer psicologia também. Mas de inicio, quero fazer contábeis depois vou vendo (risos).

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Se pudesse dizer uma palavra que rege a minha vida seria: ‘superação’. Porque eu sempre me deparei com situações nas quais precisei ir além de mim mesma. Vejo a minha necessidade constante de me superar. E sempre tenho feito isso.

Sei que é difícil lidar com percas, mas, as vezes, perdemos. Acredito que não existe nada que o tempo não trate. Sempre irão existir as marcas, cicatrizes, mas o tempo ameniza. Sempre é difícil perder, mas existe cura.

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É difícil se auto-definir, mas vamos lá…

Eu sou uma aprendiz. Estou sempre em busca de aprender algo novo. Acredito, com todo meu coração, que tenho muito ainda a ser ensinada e sempre estou disposta a isso. Tem tanto a ser mudado, construído entre o que sou agora e o que vou ser amanhã… Gosto de enxergar outras paisagens, outros horizontes. Sou alguém que gosta do novo, e também gosta de se adaptar a ele. Me atrai tudo o que me confronta a um novo processo de adaptação.

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