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Tenho 28 anos. Nasci em São Paulo e vivi lá até os 3 anos. Depois, toda a nossa família foi morar no Japão. E lá eu cresci. Minha infância foi legal, brincava de vídeo game com os amigos japoneses. Mesmo morando lá por muito tempo tenho características estrangeiras, cabelo meio black e, isso acaba sendo estranho lá, às vezes, os japoneses menosprezavam, mas eu encarava a situação e vivia com eles da melhor forma.

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Tenho um irmão mais velho que é casado e mora em Minas Gerais. Já tem filho, agora sou tio. Meu pai é 100% brasileiro, de Caruaru, sangue nordestino, muito bom (risos) a minha mãe é descendente de japonês e paulista.

Meus pais foram para o Japão com o objetivo de ficar por um, ou dois anos lá. Para trabalhar e juntar dinheiro, depois voltar para o Brasil. Mas no começo eles sofreram muito, pois não sabiam falar nada em japonês, nem obrigado, nem arigatô e nem saionara. Isso foi bem desafiador para eles. Para adaptarem-se a língua japonesa.

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Eu tive dificuldades também, e via a cultura japonesa não apenas na rua, na escola, mas até mesmo dentro de casa, e chegou uma idade que eu já tinha esquecido o português e isso criou uma dificuldade para as conversas entre eu e meus pais. Meu irmão tinha que traduzir e ele não entendia muito também o português.

Às vezes, na escola, tinha eventos estranhos, tipo: jogar feijão e expulsar demônios… e meus pais eram crentes e diziam: “você não vai participar disso”. Eu ficava de fora e meus amigos não entendiam, era tudo coisa de cultura.

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Quando eu tinha 12 anos, meu pai abriu a igreja e se tornou pastor.

Ser filho de pastor no Japão é desafiador, as pessoas olham para você como referência e, filho de pastor tem que ser exemplo. Eu senti essa responsabilidade, mas não era ruim, meu pai me chamava para perto e me ensinava a ser um cristão verdadeiro.

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Conheci a palavra revelada em 2011, quando o missionário Jusciê foi pregar em nossa igreja. Foi tão bom ver aquela alegria dele. O jeito expressivo dele achei muito interessante. Ele me chamava para perto, para conversar, me animava a fazer o Rhema e eu fui. Lá na Escola conheci a Yuki, mas não nos falávamos muito. Apenas olá e tchau.

Ela começou a congregar na minha igreja, fomos conversando, ela por ser de outra cidade, tinha dificuldades de adaptação a nossa cidade. Eu procurei ajudar e Deus agiu. Deus é bom. Começamos a namorar.

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No primeiro ano do Rhema começamos de fato o nosso relacionamento. Os nossos conselheiros foram Jusciê e Joanice. Era desafiador para mim, pois eu estava em um cultura e, em uma terra diferente. Não era apenas a questão de conquistar a Yuki, mas toda a família japonesa dela. Eu cheguei lá na casa dela. Para mim eles não falaram, mas para ela disseram: “ele é brasileiro”. Lembro que fiquei três horas de joelhos. Na cultura japonesa quando você vai pedir a mão de uma mulher em casamento, você não pode sentar perto deles, mas fica ajoelhado no chão é como se ele fosse o rei e eu o escravo (risos), fica ajoelhado até acabar a conversa, eu nem sentia as pernas mais, mas tinha que vencer aquilo senão iam pensar que eu era fraco.

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Casamos em fevereiro e logo começamos a falar sobre a vinda ao Brasil. Oramos, sentimos paz e seguimos essa direção. Fomos guiados e foi muito bom.

Vir para o Brasil para mim foi uma aventura, experimentar novas comidas, a cidade é diferente, mas deu para se estabelecer e se adaptar e, foi legal conhecer as pessoas, são receptivas, amorosas.

Em Campina Grande as comidas são bem diferentes, comi muita coisa diferente, mas já me adaptei, acho engraçado as expressões nordestinas, como: “mulesta”.

Estar servindo no Centro de Operações do Ministério em alguns momentos foi um privilégio, as pessoas aqui são benção, só estar perto deles, receber a palavra, respeito cada um, cada trabalhador, posso aprender com cada um, com o jeito de cada um.

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A Yuki é uma mulher que mesmo não sendo brasileira me traz paz. Ela é ousada, cozinha muito bem, aprendeu a fazer feijão e outras coisas. Ela é calma e me ajuda muito quando estou inquieto com alguma coisa.

Em casa falamos em português e japonês, mas também nordestino(risos). Nós desenvolvemos muito nesse tempo aqui. Inclusive o idioma.

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Tenho grande sonho e desejo levar essa palavra aos japoneses, vê-los recebendo a palavra da fé. Impactados e transformados pela palavra de Deus, alcançar vidas, servir, dar apoio e ajuda aos missionários. Ir aonde as portas se abrirem, compartilhando a bagagem que recebemos.

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2017 vamos estar servindo na monitoria da Escola de Ministros. E quem sabe abriremos a escola no Japão… que eles sejam alcançados lá. Não sabemos o tempo certo de ir embora. Pessoas nos perguntam: “quando vocês irão embora?” Não sei Deus é quem sabe.

Queremos aproveitar tudo na igreja, na escola, centro de cura, onde pudermos estar para aprender e crescer espiritualmente vamos estar.

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Henrique é divertido, às vezes, conto uma piadinha meio sem graça (risos). Sou alegre, ousado, intrépido e, com fervor e paixão pelas almas. 

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