Sou Higor Felipe Domingos, tenho 31 anos e sou natural de Bauru–SP, nasci na Beneficência Portuguesa, um lugar de Bauru, em 1º de Janeiro de 1987. Eu sou o caçula de quatro filhos; Fábio, é o mais velho, tem o Fernando e a Ágata. 

Meu pai é João Irineu, minha mãe, dona Ramona. Cresci em um lar evangélico, sempre dentro da igreja. Com 7 anos, saímos de Bauru e nos mudamos para Recife, mas quando a minha mãe se separou do meu pai, em 1999, eu estava com quase 13 anos, e voltamos para São Paulo, onde eu passei a minha adolescência. Estudei, concluí o ensino médio e tinha muitos amigos, era um cara bem acolhido pelo pessoal da cidade, um cara bem conhecido, onde chegava fazia amizade, estava sempre fazendo festa, dando risadas.

Sempre gostei muito de carros, esportes de velocidade, esportes náuticos, pratiquei wakeboard, fazia trilha de jeep, trilha de quadriciclo, sempre fui bem agitado, foi uma época muito legal.

Comecei a fazer faculdade de Comércio Exterior, tranquei e voltei para Recife em 2010 atrás de oportunidade. Meu pai já era empresário aqui em Recife, então, vim para trabalhar com ele e aprender algo mais. Comecei a trabalhar com meu pai a princípio, morei com ele por um tempo, mas, em seguida, fui morar sozinho. Desse passo, abri a minha empresa, comecei com uma consultoria de eletricidade de alta tensão, depois, nasceu a metalúrgica, que, hoje, atende grandes construtoras aqui de Recife e região. 

Quem me notou foi a minha esposa, Dany, ela veio atrás de mim (risos). Nós começamos a conversar, ficamos amigos, passamos a conhecer um pouquinho um do outro. Na realidade, eu conhecia os pais dela, mas não sabia que eles eram os pais dela, já tinha um laço de irmandade com o meu sogro e não sabia. Depois de um tempo, a gente começou a conversar, gerou uma amizade muito legal. Somos pessoas completamente diferentes, se ela gosta de quente, eu gosto de gelado, se ela gosta de doce eu gosto amargo, ela gosta de comédia, eu gosto de ação… bem diferentes mesmos, mas, temos o mesmo propósito.

Entre namoro, noivado e casamento, foram 11 meses. No início do noivado, começamos a trabalhar juntos, houve uma demanda na empresa, já que íamos casar juntamos a parte financeira. Gosto de falar que nós estudamos para casar, não nos aventuramos.

Quando casei com a Dany, eu encontrei uma nova família. Quem ficou mais feliz foi o meu sogro, seu Erivaldo. Eu lembro que, quando pedi ela em namoro, ele me disse: “Rapaz, estou mais feliz do que ela, eu já gostava de você antes dela”, achei isso muito legal, esse acolhimento. Eu tenho dois cunhados, Daniel e Davi, os conheci muito novos e me acolheram muito bem. A minha família estava toda em São Paulo, só tinha o meu pai e os meus dois irmãos aqui na época e, tinha poucos amigos, ainda tenho poucos, mas são amigos verdadeiros, assim, eu ganhei uma nova família.

Quando eu trabalhava com o meu pai, não existia um bom relacionamento profissional, nem afetivo. Entendi que era confortável para mim estar trabalhando com ele, mesmo com os conflitos, porque eu não tinha a responsabilidade de estar a frente de um negócio. Porém, descobri que poderia fazer também, não é só por dinheiro, mas porque entendi que eu precisava sair da empresa dele para não perder o meu pai. O Rhema me mostrou isso, estudando a Palavra.

Meus sogros têm 30 anos de casamento, isso nos inspirou muito a ter um bom casamento, a falar desse casamento para outras pessoas e servir de exemplo, porque depois que a gente casou, tanto para a Dany, quanto para mim, chegaram pessoas pedindo aconselhamento para os seus relacionamentos. Por termos uma base sólida, tanto de estudo quanto de exemplo dos pais delas, nós conseguimos ajudar outros casais.

Dany, foi um presente de Deus manifesto na minha vida. Eu creio que, como um amigo afia o outro, ela veio como esposa me afiar. Como pessoa, esposa, amiga, parceira, ela é a obra perfeita de Deus. A nossa união, foi uma mistura de duas pessoas completamente opostas com um único proposito. Eu sei que ela me viu, mas não viu os meus defeitos aparentes para todos, ela viu o que, de fato, há de valor em uma pessoa. Existe um preconceito, uma curiosidade, até um tradicionalismo das pessoas, eu lembro que, quando a gente começou a namorar, até mesmo amigos nossos chegaram para ela e disseram: “Você tem certeza mesmo que você vai casar com ele?”, “você realmente quer isso para o resto da vida?”, mas foi isso que ela quis, a gente conversou sobre isso, digamos assim que não é algo que possa se esconder. Higor não é algo que possa se esconder, nem se omitir, mas existe uma força muito grande dentro dela que vê, eu acredito que são os olhos de Cristo, que vê propósito da minha vida. Meu amor por ela foi crescendo e se tornando incondicional. A partir do momento que você vê uma pessoa que abre mão de tantas regalias, porque eu tenho algumas necessidades, eu tenho algumas restrições de locomoção, tem alguns lugares que a gente não pode ir. Ela fechou muitas portas por estar comigo, mas, conseguiu enxergar pelo menos uma que pode abrir várias outras, que é o propósito, é nesse sentido que eu falo que ela abriu os meus olhos.

Dany: Eu nunca vi “a tampa e a panela” tão boa quanto nós dois. Completamente diferentes, a panela maior e a tampa é menor, mas é exatamente assim. São os diferentes que mais se encaixam, é impressionante.

Higor: Não é porque a tampa é menor, é porque a tampa é compacta (risos).

Dany: É estranho acreditar que duas pessoas que são tão diferentes funcionam tão bem juntas, mas isso é porque a gente consegue sempre tirar o lado bom dessas coisas e ver tudo com leveza. Para mim, nunca foi difícil ter que abrir mão de algumas coisas por conta da dificuldade dele. O que ele me proporciona, por tanto amor e por tanta consciência de quem a gente é em Deus, me fazem não sentir falta de nada. 

Eu fui diagnosticado aos quatro anos de idade por uma junta médica, ainda em Bauru no Centrinho da USP, com uma Condrodisplasia. A princípio, procuraram saber mais a parte genética do que o problema que ela ia causar ao longo dos anos, porque eu era muito pequeno. Mas, perto dos 18 anos, minha família me levou em outra junta médica na UNESC, mas não havia mais o que fazer. Hoje, eu sou diagnosticado pelos médicos com Displasia Espôndilo Epifisário. É muito raro. Apenas uma pessoa em cada cinco milhões tem essa doença. O médico me disse que só conhece três casos no Brasil.

Quando eu era criança, não havia muitos sintomas. Eu brincava, jogava bola, jogava basquete. Eu adorava jogar bola. A medida de fui ficando mais velho, o desenvolvimento ficou cada vez mais retardado por causa da degeneração das articulações posteriormente diagnosticada. A instrução dos médicos na época era: “Deixa ele completar 18 anos, que é a hora que para a fase de crescimento aí vemos o que fazer”. As minhas pernas começaram a ficar tortas a partir dos meus 13 anos, existem médicos que dizem que era para ficar torta e outros dizem que foi forçado isso. Eu gostava muito de andar de bicicleta. Então esse esforço físico dos meus 13 aos 18 anos,  pode ter acarretado isso. Quem vai saber?

Todo mundo cuidava de mim, mas eu sempre quis ser o “cara desenrolado”. Assim, com 13 anos, eu e meus amigos cruzávamos a cidade de bicicleta. Ia pra escola de bicicleta, voltava, ia para casa dos amigos, tudo de bicicleta. Eu gostava muito.

Eu sempre gostei muito de exercício, esportes. Fui campeão de supino em São Paulo, 140 Kg, com 16 anos. Fazia academia, Jiu-Jitsu, natação. Tudo isso, de certa forma, acelerou um processo degenerativo, mas eu estava acelerando outro processo, o psicológico, cuidando da minha saúde mental. Sempre fui muito ativo. Aos 18 anos, minha vida mudou da água para o vinho. Quando fiz 18 anos, ganhei um carro, era o Honda Civic do “Velozes e Furiosos” da época. A velocidade que eu gostava na bicicleta, passei para o carro.

Hoje, pra me divertir eu gosto de tocar bateria, passar um tempo com minha esposa, assistir um filme ou algo assim e, fazer um churrasco para os amigos.

Ela é descrita como uma doença degenerativa das articulações do corpo, progressiva, ou seja, com o tempo ela vai desgastando as articulações. Quieto ou não, parado, em repouso ou não, desgasta do mesmo jeito, principalmente as partes inferiores, quadris, joelhos e tornozelos. Por isso, há a deformidade, dificuldade de locomoção, dores.

Eu digo que não sinto dores, quem sente é o diabo, eu não sinto mais nada. Eu me recuso a falar isso (risos). Mas, existe muitas dores. Quando eu cheguei aqui na igreja, que eu conheci os pastores, fui falar com o pastor Edgley, que é ortopedista, mostrei os meus exames para ele, o pastor disse:  “Rapaz, como é que você está andando?”. Ele me indicou um outro médico especialista. Esse médico me examinou, perguntou no que eu trabalhava, eu disse que era na área de construção civil, e disse: “Uma pessoa com esse raio-x aqui ela não fica nem em uma cadeira de rodas, porque ela não ia aguentar a dor”. E eu disse pra ele que sou casado, sou ativo, sou baterista, trabalho em obra, dirijo, tenho uma vida normal, na minha cabeça não existem impossibilidades.

E o médico me perguntou o que eu queria no consultório dele. “Você já tem o seu milagre, vai viver Sua vida”. Nenhum médico no país trata esta doença, não existe um procedimento a ser feito, existe se eu for para fora, algum tratamento internacional, mas aí tem que passar por outra junta médica. Quem vê uma radiografia minha fala “Ah, esse cara não anda ou pelo menos está em uma cama com muita dor”. 

O fêmur, o osso da coxa, ele é ligado a bacia, essa ligação chama-se acetábulo, e tem uma cartilagem que auxilia no movimento. Ou seja, essa cartilagem não existe mais, não existe mais há um bom tempo, então está osso com osso há um bom tempo e está desgastando. Para a medicina isso é o mesmo que um carro andar sem rodas, sem suspensão nenhuma, arrastando no chão. É isso que prejudica a locomoção, mas eu sou meio casca grossa (risos). Eu me recuso a parar por causa da dor.

Depois que eu conheci a Palavra, depois que estudei no Rhema, descobri que existe um porquê de eu estar de pé até hoje. Os médicos já falaram pra mim: “Com 30 anos você não vai estar andando mais” e eu andando. Aí eu fico “Tá vendo satanás? Tá andando aqui. Sarado e curado! Sarado e curado! Sarado e curado!”. Eu vim descobrir o que é crer e confessar. A boca falar do que está cheio o coração, você ordena as coisas com o poder do Nome de Jesus, então eu fui descobrindo isso ao longo do tempo e, hoje, colho os frutos disso, entende? Não foi da noite para o dia que eu entendi.

Eu dirijo tudo, até moto. E meu carro não é adaptado. Manobro muito bem, até com carroça! 

Minha esposa é muito discreta, não gosta de chamar atenção, mas sempre digo a ela que é impossível não chamar atenção andando comigo, as pessoas acompanham com o olhar quando a gente passa e não me incomodo. Uma vez, alguém na rua passou por mim e disse: “Nossa, mas ele só tem as pernas pequenas” Aí eu fiquei olhando pra ela assim…

Mas, isso não me incomoda. Não se pode negar que é engraçado ver um cara de 1,33 m de altura manobrando um carro com 6 metros, colocando de ré ainda e, quando o cara desce…

Eu sou técnico em áudio também. Quando tem o evangelismo, eu organizo a montagem de tudo – do cerco, palco, iluminação, microfone, teclado, bateria, tudo. Eu sou o cara que organiza. Coloco a mão na massa só para montar a minha bateria, pois preciso me economizar, sabe?

Quando eu era criança, o meu irmão Fernando, era baterista e meu pai sempre falou para mim: “Não, você tem que ser o cara que canta, porque fica na frente e você pode tocar sozinho”, mas eu sempre disse: “Não pai. Quero uma bateria!” e, meu pai nunca me deu uma bateria. Já me deu violão, guitarra, mas, eu queria uma bateria. Então, quando a gente entrou nessa fase do evangelismo mesmo, já com 25 anos, eu comprei uma bateria. Sou roqueiro, existe uma fatia de pessoas que a música congregacional não atinge, arde no meu coração alcançar os metaleiros.

Temos alguns projetos para chegar nessas pessoas do Heavy Metal Gospel, fazendo versões de músicas que Eliezer canta, tipo “De fé em fé” a gente já toca na versão Hard Core. Aprendi a honrar uma visão do meu pastor Humberto. Foi através dele que aprendi sobre honra, sobre estar firmado na Palavra. Sobre a igreja local, o serviço, o amor, o evangelismo. Esse amor pelas pessoas, pelo serviço e pela obra, acredito que aprendi ao longo do tempo com meu pastor.

A primeira palavra que vem quando eu penso em quem eu sou é ALEGRIA. Sou um cara legal, não sei muito o que falar de mim, mas, se você estiver precisando de alguma coisa, eu posso lhe ajudar, lhe servir. Higor é serviço. Tento ser um bom marido, um bom cunhado, um bom filho, uma boa pessoa sempre pronta a ajudar, suprir necessidades. Não que eu tenha uma cara que aparentemente vai suprir. Se você estiver precisando trocar uma lâmpada e olhar para mim pode me descartar, mas lhe digo: “Se tiver uma escada, eu posso tentar, sabe? Mas, deixa eu chamar um amigo meu que é grande ali que troca”. Basicamente isso.

Eu nunca quis ser alto. Ia dar muito trabalho se eu fosse alto, pequeninho é bonzinho, cabe em qualquer lugar, sabe? (risos). A única coisa que eu queria era não sentir mais dor e, creio que já estou livres dessas dores em nome de Jesus! Também não faço uso de analgésicos, eles são muito fortes e isso acarretaria em outros problemas.

Muitas pessoas do Ministério são meus referenciais: Bispo Guto, Apóstolo Bud, Mama Jan, pastor Humberto, ah, e o pastor Junior, ele tem puxado a gente. Assim como o pastor Euzébio que me acompanha já faz uns seis anos, bem de perto, desde o momento que eu falei “Cara, eu vou com você”, não sabia nem para onde estava indo, mas eu falei. “Eu posso levar meu banquinho?” e, a gente começou uma trajetória (risos). Eu cresço através dos exemplos dessas pessoas… pastor Tarcisio, que é meu vizinho, meu pastor batera! Rapaz, também me espelho no Martin Luther King, no irmão Kenneth E. Hagin, a gente aprendeu muito através dessa visão do Ministério Verbo da Vida.

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