Meu nome é Juliana de Andrade Honório Volotão, tenho 36 anos e cresci em um lar evangélico, meus pais são Marcos e Eunice Honório. Sou natural de São Paulo, mas nos mudamos para o Rio de Janeiro quando eu tinha 5 anos, meu pai foi iniciar uma igreja. Minha vida sempre foi na igreja, lidando com as pessoas na igreja, servindo. Eu pareço muito com meu pai, sou mais fechada, introvertida, sempre servi nos bastidores. Auxiliei em todos os departamentos da igreja, possíveis e inventados (risos).

Acho interessante as pessoas falarem que “o Rhema mudou a minha vida”, mas no meu caso, não foi assim, porque eu já cresci na Palavra da Fé, o Rhema fundamentou o que eu já ouvia antes. E com certeza impactou a minha vida sim!

Tenho três irmãos, Priscila, Junior e Carol. Posso olhar hoje para nós e vejo que não sofremos nenhum dano por sermos filhos de pastor, estamos todos engajados envolvidos servindo com amor ao Senhor, servindo as pessoas, servindo o reino.

Como fomos para o Rio de Janeiro muito novos a gente não tinha amigos, era só nós quatro. A gente brincava junto. Eu brincava muito com o Junior, porque temos a idade mais perto, jogava bola com ele, brincava de lutinha com ele, e ele não aceitava a perder de jeito nenhum (risos). Carol é a mais nova e Priscila a mais velha, mas sempre fomos muito unidos. Sempre fomos muito cúmplices, parceiros, um sofrendo junto com o outro, mas também quando um era exaltado todos os outros eram. A gente não tinha sobra financeira, mas também não tínhamos falta de nada, Deus sempre nos supriu em tudo. Crescemos com a casa sempre recebendo muita gente, Junior nunca tinha espaço no quarto dele, todos os cantos da casa tinham colchonetes muitas vezes. Meu pai é sério, mas em casa ele sempre foi muito brincalhão com a gente, minha mãe com aquela brabeza dela, mas sempre muito protetora, faz de tudo por nós, dava o que tinha e o que não tinha para realizar o nosso sonho. Hoje, esta cada um em um lugar diferente, a gente aproveita os eventos do ministério para se encontrar.

Teve um período que o pastor Bud ficou muito tempo lá em casa, eu já estava querendo que ele fosse embora. Ele sempre foi muito correto em tudo. Ele reclamava porque meu pai me levava todo dia para a escola de carro e queria que eu comprasse um jumento (risos). Têm muitas historias boas desse período com ele.

Eu e o Leonardo, meu marido, nos conhecemos muito novos na igreja, acho que nos conhecemos desde sempre (risos). Mas, nunca houve interesse de nenhuma das partes. Em um retiro, em 2007, ele começou a se interessar por mim. Antes do retiro ele já mandava mensagens do nada pra mim. Quando a gente começou a namorar, meus pais não estavam no  Rio. Ai eu chamei eles no Skype e contei pra eles. Quando eles chegaram, Léo foi lá em casa, meu pai chegou e fez “vocês querem falar comigo?” e eu comecei a falar, mas ele disse “a sua parte eu já sei, quero ouvir a dele”. Quando eu comecei a namorar eu não sabia se eu ia casar com ele, mas também não entrei no relacionamento pra ver qual era, tinha um propósito. Eu sempre cri que ia casar com alguém que amasse o reino e seguisse os princípios e, eu via tudo isso no Léo, até porquê eu conhecia ele há anos.

Começamos a namorar em Maio de 2009 e casamos em Janeiro de 2011. No dia do casamento, eu cheguei pontualmente, mas quem atrasou? O Léo (risos). Ele teve uma disenteria com o nervosismo e ainda tinha ido buscar a avó dele que era cadeirante. Tinha muita gente, mas o casamento foi suprido em tudo, lindo, uma benção, emocionante mesmo. Foi o Junior, meu irmão, quem celebrou o nosso casamento. Eu olho para a minha casa e o que eu comprei foi 1 TV e 1 ar condicionado, o resto ganhamos, Deus supriu.

Depois de um tempo de casados, aconteceu um adultério. Quando tudo começou, meus pais estavam no Chile. Eu sempre soube o homem de Deus que eu casei, eu não queria falar para as pessoas o que estava acontecendo, porque não queria expor o Leonardo, não queria que as pessoas perdessem a influência dele, porque o adultério marca uma pessoa, não queria que o Leonardo fosse marcado e que as pessoas parassem de admirá-lo e se travassem de receber dele, porque eu sabia que isso ia passar. Então, quando estourou e todos ficaram sabendo, os meus pais estavam na minha casa. Eu pedi para eles irem para a casa da minha Irma porque isso eu tinha que resolver sozinha. Meus pais nunca falaram comigo para eu me separar, mas você via no olhar da minha mãe a vontade de que eu saísse dali, mas eu precisava me afastar para que pudesse tomar a decisão sozinha e me manter firme nisso.

Muitas pessoas me aconselhavam a colocá-lo para fora de casa, até mesmo os meus sogros, mas eu sabia que ele estava cego. Foram dias bem difíceis, mas foi o momento de praticar a Palavra. Hoje, eu falo com meu pastor, a vida toda eu fui certinha, fiel, sempre vivi na igreja, mas ai eu tinha que ter logo um testemunho desse pra contar (risos). O meu castelo ruiu. Mas, eu decidi permanecer firme, ver a minha família reconstrudaí. Olho para o Leonardo, para o nosso casamento, vejo que os sonhos estão sendo reconstruídos, Deus tem restaurado a nossa vida. Me lembro de tudo que a gente passou, datas, horas, eu sei relatar tudo o que eu vivi, mas, eu digo, valeu a pena pelo o que eu vivo hoje em Deus.

Nesse período, voltamos para o Verbo da Vida no bairro Campo Grande, porque antes congregávamos no Verbo em Madureira. Eu estava decidida, mas quebrada completamente. Muita gente tinha me crucificado, me culpado pelo adultério do meu marido, além de tudo que eu já estava vivendo. Foi quando encontramos o Pr Claudio que pegou junto com a gente em tudo, até o final. Sempre ligávamos para o pastor Claudio e Marcela, eles estiveram com a gente em todo tempo. Sou muito grata a eles.

E esse adultério gerou um filho. Foi algo bem complicado porque tivemos que entrar com a solicitação de exame de DNA e a justiça foi bem demorada. Nesse tempo eu engravidei, mas tive um aborto espontâneo. No mês que saiu o resultado do exame de DNA era exatamente o mês que eu estaria dando à luz. Quando era pra eu estar sendo mãe, Leonardo estava se descobrindo pai, sozinho. O pecado foi dele, mas eu decidi permanecer do lado dele. Então, a consequência eu decidi sofrer junto.

Hoje, nos assumimos o Isaque. Foi bem ruim no início, era como remoer a ferida. Mas, o relacionamento do Isaque comigo e o Léo é sobrenatural, se você me ver com o Isaque vai achar que é meu filho, mas com o Léo você tem certeza porque é a cara dele (risos). De fato, Deus restaurou todas as coisas. Estamos vivendo algo sobrenatural. Valeu a pena.

Leonardo é a pessoa que acredita em mim. Ele sempre acreditou no meu chamado quando eu não acreditava, ele sempre acreditou no meu potencial, é o meu maior incentivador. É a pessoa que me completa. Eu precisei abrir mão de muitas coisas para estarmos onde estamos hoje, ele sempre esteve na minha retaguarda me apoiando, me incentivando. É um homem de Deus com um coração enorme, que me dá raiva ás vezes (risos), pensa demais nas pessoas, é isso que eu amo, ele ama servir. Ele ama me ver servir ao Senhor. A gente ama servir, servir ao pastor Claudio, independente de títulos, o nosso coração é para servir.

Hoje, vivemos um misto de emoções. Sabemos para o que Deus nos chamou. No dia do nosso casamento, recebemos uma palavra e Deus vem reavivando essa palavra na nossa vida. Assumir a direção da Escola de Ministros no ano passado foi algo sobrenatural e desafiador, mas também foi maravilhoso servir e ver as pessoas sendo transformadas.  O meu sonho é servir, seja como diretora, como conselheira, não tem apego no meu coração. Se é para ajudar alguém, ver o outro crescer, eu estou feliz.

Depois do aborto, nos assumimos o Isaque, e isso é um investimento de tempo, de dinheiro, ai nos adiamos o nosso bebê. Depois veio a Escola de Ministros, adiamos de novo. O aborto foi um trauma, mas isso passou. Agora, que acabou a escola via que estava chegando o dia de ser mãe, de realizar esse sonho, ver o Senhor cumprindo a promessa de Deus na minha vida.

Eu me vejo uma pessoa firme nas minhas convicções, por mais que as circunstâncias se levantem eu continuo crendo. Eu amo servir, esse é o meu propósito.

2 COMENTÁRIOS

  1. Lindo seu testemunho Ju, sempre ti admitirei como pessoa, uma guerreira. Infelizmente foi muito pouco tempo que passamos morando uma bem pertinho da outra, mas o suficiente pra ter você como exemplo de determinação e esperança em vê um lar, uma família transformada e restaurado pelo poder da palavra de Deus!
    Parabéns por ser essa mulher tão dedicada a servir independente das circunstâncias! Deus continue abençoando sua vida , seu lar!🙏🏽🙌🏼

  2. Amo esse casal, mulher de fibra minha amada irmã Juliana, sei que os propósitos de Deus vão ser realizdo9s na vida deles, pois conheço o coração cheio de amor e vontadee de servir que eles tem, é tempo e colher!!!!

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