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Eu nasci em Campina Grande-PB e tenho 21 anos, gosto da minha cidade e, quando tenho um tempo livre, costumo ir ao Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP). Também vou ao Açude Velho ou, às vezes, à academia fazer musculação. Quanto a vida profissional, estou cursando a faculdade de Direito no quinto período. Sempre falei que eu queria estudar nessa área. Mas falava sem entender bem, eu era pequena, então, mainha e painho que me contaram. Fui crescendo e comecei a “me entender por gente” (risos), passei a desejar estudar Direito, foi mesmo algo que brotou em meu coração. Também sei que tem relação com meu chamado; percebo essa convicção que Deus quer me usar nessa área e que é uma ferramenta que eu preciso carregar comigo.

A área do direito é bem diferente das outras, porque é muito ampla. Digamos que eu posso ir “da água para o vinho” na mesma área. Na verdade, tudo é direito. Dentro disso, quero ser juíza, mas o meio do caminho ainda não discernir bem, exatamente por essa vastidão.

No Direito, o que é mais fascinante e, ao mesmo tempo mais decepcionante (desse jeito paradoxal mesmo),  é o potencial de mudar a vida das pessoas. Aliais, não apenas o potencial, mas a forma de mudar. Porque é tão paradoxal? Porque ao mesmo tempo que você vê que tudo pode funcionar, que as coisas poderiam ser bem melhores e que os problemas poderiam ser solucionados, do outro lado você se depara com a prática, com a vida natural, com a praxis e percebe que existem coisas totalmente contrárias ali; as quais, infelizmente, não funcionam. E o que deveria funcionar, na verdade, às vezes, até dificulta e prejudica a vida das pessoas; outras vezes pode até matar pessoas, segregá-las, enfim, parece ser frustrante, mas preciso desmistificar algumas coisas.

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Quando penso na área criminal, por exemplo, acho que poderia enveredar para pesquisar na área, pois, assim, eu poderia usar a psicologia (que também gosto muito), além de analisar o sistema carcerário; que também é um tema do meu interesse, e é muito carente de soluções.

Acredito, antes de tudo, que Deus tem um propósito comigo nesta área do Direito e Ele uniu as coisas do jeito que queria, contudo, também acho que o meu pai ter sido um policial federal tem influência na minha escolha. Não no sentido dele ter me guiado, mas ele me ajudou a formar muitas opiniões e a ver realidades que outras pessoas não têm acesso como eu tive, por ser filha de um policial.

Tenho duas avós, Vovó Lau e Luisa, meus avôs já partiram para o Senhor. A convivência com Vovó Luisa (mãe do meu pai) diminuiu um pouco depois que meu avô morreu, porque ela foi morar em Recife e, mesmo eu indo lá algumas vezes, é meio “bate e volta”, sempre vou muito rápido e quase nunca dá para a gente se ver. Mas cada avó tem seu valor. Aprendi com elas que você não precisa necessariamente estar perto das pessoas, tentando influenciá-las… Por vezes, só o fato de você existir e viver a sua vida cotidiana corretamente, já abençoa e transforma a vida das pessoas.

Particularmente, essa é a experiência que eu tenho com vovó Lau. Claro que com vovó Luisa também, mas ela está mais distante. Mas com a vovó Lau é uma convivência diária, algo mais intenso. Além disso, ela me criou junto com meus pais. Às vezes, eu e ela sentamos para conversar e é sempre incrível ouvi-la. Sou muito abençoada só pelo fato de saber que tenho ela todos os dias.

Vovó Lau é um exemplo. Mesmo com 78 anos de idade, ela acorda cedo todos os dias e vai trabalhar (ela nem precisava), mas ela tem uma vida intensa e vive como se não tivesse 78 anos. Isso já me ensina muito. Ela não precisa trabalhar pela necessidade do dinheiro, mas porque ela gosta e por amor, ela sabe que não é um trabalho comum, é algo do chamado de Deus. Vejo o esforço que ela faz lidando com a questão da saúde e eu não sou apenas ensinada, mas estimulada, encorajada.

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Outra figura essencial na minha vida é Mainha, quem muitos conhecem como Sylvia (risos). Ela é tudo para mim… A força dela é impressionante. As pessoas falam que “Sylvia é uma leoa”, mas no dia a dia, só a gente sabe o que isso significa. Tem coisas que eu nem me imagino na situação e já fico “desesperada”, situações que olho e penso que se fosse eu, naquela situação, já teria desistido. Mas ela não. Na verdade, ela não se move da posição dela. Não sei explicar, porque é sobrenatural. Ao mesmo tempo que ela tem essa força, ela tem a sensibilidade de olhar para as pessoas e não julgá-las pelo que está vendo. Mainha é muito guiada pelo Espírito e sensível a Ele, meu Deus…

Às vezes, as pessoas notam isso no púlpito, mas, em casa, é algo ainda maior. Por vezes, estamos passando por algo e externamos com certos comportamentos… Por exemplo, Daniel, meu irmão mais novo, está se comportando de uma certa forma eu e Filipe (meu outro irmão) julgamos o motivo ser “X” e, naturalmente, até aparenta ser aquilo, mas mainha tem um olhar diferente. E ela nos diz: “minha gente, perai, parece ser isso, mas não é”. Então, quando lidamos da forma que ela falou, tudo se transforma. Mainha sempre sabe como lidar.

Óbvio que está envolvido nisso a questão dela ser a mãe, e existir o seu amor intrínseco por nós. Mas sei que, após tudo o que passamos com todo o processo com painho, algo foi aguçado nela, melhorado, não sei explicar com palavras…

Eu sei que a medida que vamos crescendo, vamos nos tornando mais independentes em relação aos pais, isso é um processo natural da vida. Mas eu tenho uma consciência da relacionada ao meu chamado a a vida em si, a honra aos pais, essa consciência é de que eu sempre vou dar meu suporte a mainha. Nunca quero deixar de apoiá-la.

Existe também um respeito maior por tudo o que passamos e que foi gerado dentro de mim por ela, por tudo o que ela, especialmente, passou. Já havia, mas aumentou e isso me faz relevar algumas falhas dela como mãe, porque ela não é perfeita, ninguém é.  Atualmente entendo ainda mais o contexto dela.

A maior qualidade dela é a sensibilidade e o maior defeito é o que é também uma qualidade, mas, às vezes, se torna ‘defeito’, porque ela é muito firme. Meu Deus do céu. Ela é tão firme, mas tão firme que, quando ela pega uma coisa, só solta com aquilo finalizado. Mãe, te amo viu? (risos)

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Titia Sâmia é outra guerreira (risos). A minha família é engraçada, porque é formada de gente muito forte… Não apenas mainha e titia, mas painho também; meus avós, a história deles… Mas titia é, literalmente, uma guerreira. Gosto de uma frase que diz assim: “há que endurecer, mas sem perder a ternura jamais”, isso encaixa com ela. Sâmia é firme como mainha, mas com sua personalidade.

Admiro o fato de que ela não perde a ternura, a sensibilidade. Ela passou por um processo bem difícil em relação a saúde, mas, vejo que as nossas maiores superações são aquelas que nós fazemos nos momentos que a gente têm o direito de não fazê-las. É quando temos o direito de estar “sofrendo” aquilo, mas escolhemos superar, que, então, crescemos. Vejo que titia passou por isso, foi muito duro, mas ela ultrapassou limites. Se superou. Eu sei que foi difícil e é justamente por isso que, agora, vejo que ela só melhorou, ficou ainda mais firme. Ela se fortaleceu. Mas não perdeu a sensibilidade de olhar para as coisas, até mesmo as que a machucaram. E é admirável ver isso nela.

Outra coisa admirável é vê-la fazer algo que está em seu coração mesmo quando algumas pessoas a estão criticando. E a vi dizendo: “eu creio, é isso aqui” ou “eu acho que isso deve ser feito desse jeito. Vou fazer assim e pronto. Porque é o que está em meu coração”. E ela não abre mão. Eu acho isso muito massa!

Certa vez, alguém falou para mainha e para titia que elas eram as leoas dos últimos dias… Acho que isso define elas. Tem coisas que as pessoas deixaram de se importar. Existem princípios e posicionamentos que simplesmente não fazem a mínima diferença para as pessoas, mas, elas estão lá, segurando essas coisas, cheias de convicção. Isso é muito sério!

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Tenho também dois irmãos: Filipe e Daniel.

Filipe tem a idade mais próxima a mim. Ele é aquele irmão que tem muitas opiniões parecidas com a minha. Mas ele é equilibrado. Por mais que, algumas vezes, ele venha com algumas ideias novas e, por vezes “absurdas”, gosto de sentar com ele para construir conhecimento (risos). Conversamos muito sobre planos futuros, ele nunca tem aquela posição intransigente e isso me dá segurança, tanto para conversar com ele, como também, para me deixar ser moldada por coisas que vem dele. Admiro muito o foco dele. Se ele colocar na cabeça que amanhã ele vai dormir no Japão, ele vai; nem que seja em uma cabana lá no meio do nada, Filipe é muito persistente, da maneira dele.

Daniel, o caçula, é bem diferente de nós. Ele é o milagre da família porque, naturalmente, meus pais não podiam ter mais filhos. Penso que ele foi programado por Deus. Pois é impressionante como, depois da morte do painho, Daniel ajudou a “segurar a barra” em casa. Olhar para ele me dava força, falo em relação a mim mesma, momentos que eu me sentia sozinha e Daniel chegava do nada, ficava brincando e até “aperreando” (obvio que ele não entendia).

O Espírito Santo ministra muito para mim através da vida dele. Daniel é inocente, tem muita facilidade de ficar com raiva (risos), se aborrece por qualquer coisa, mas, no meio da briga do aborrecimento, você só precisa fazer uma coisa: parar tudo, olhar para ele e dar uma risada; pronto, ele já se desarma (risos). Meu Deus, isso me ensina muito. Ele tem o coração de uma criança. Você pode ter feito a pior coisa com ele, mas, se fizer o mínimo de esforço, as coisas se resolvem e, assim, aprendo a como devo resolver conflitos. Claro que, algumas vezes é necessário corrigi-lo em algumas coisas e, por vezes, somos mais intensos na correção. Mas ele é carinhoso, amoroso… Tem situações que a pessoa não “dá a mínima” para ele, mas ele está querendo brincar, ir ao cinema com a pessoa e eu digo: “Daniel, se valoriza!” (risos), Mas ele é uma criança ainda, é puro.

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Se eu ganhasse cem milhões de reais, eu quitaria todas as dívidas da família, ia resolver as pendências. Compraria uma casa em Campina, um apartamento em Nova Iorque e outro na Europa. Sairia para fazer uma viagem por um ano pelo mundo. Daria um dinheiro para Filipe fazer investimentos. O sonho de mainha é abrir um hospital do câncer, eu ia abrir esse hospital, especificamente para crianças.

Não tenho um sonho uma ambição da vida, algo distante… Tenho vontades e percepções sobre o futuro o que, para mim, são sonhos (risos), mas meu atual sonho é me formar e ter uma carreira bem sucedida na área jurídica, serei juíza de direito.

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Na minha opinião, as boas associações são importantes para fazer a gente não cair em nosso “mundo imaginário”. Para nós não nos “fecharmos na nossa bolha”. Quando estou pensando em uma coisa, até assuntos bíblicos, que estou começando a desenvolver uma ideia sobre aquilo, logo já busco uma pessoa de confiança para trocar ideia; faço isso para não ter uma falsa percepção sobre as coisas. Vejo as associações como essa oportunidade de ter um segundo olhar sobre tudo. Não apenas a respeito dos assuntos do mundo no geral, mas também, para ver o lado do outro. Afinal, se estou analisando aquilo a partir do meu ponto de vista, da minha realidade, da minha cosmovisão, sou tendenciosa, mas, quando submeto aquele assunto a outro crivo, vou ter outra visão, a partir de outra realidade. Isso é muito significativo, principalmente pelas coisas que estou vivendo. Por causa do Direito, não posso me dar ao luxo de ter uma visão unilateral sobre as coisas. E pensar: ”é assim e acabou-se!” “preto no branco” e ser taxativa.

Precisamos do calor humano. Às vezes, nos fechamos muito no mundo das ideias, do estudo, da faculdade, mas, eu recomendo sair de casa um pouco, vai no museu (risos), dá uma respirada. Talvez você pense: “como?’ Chama os amigos! Isso ajuda muito.

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A música é minha companheira eterna. Eu acordo e durmo ouvindo música. Quando não estou ouvindo, estou fazendo música. A melodia tem o poder de mexer com as emoções. Por eu ter esse conhecimento e saber fazer isso, produzo emoções. Quando eu estou triste, coloco uma música alegre e quando estou alegre? Também (risos). Mas, escuto de tudo, absolutamente. Gosto de alguns ritmos brasileiros, toco guitarra, teclado, baixo, mas os instrumentos com os quais me identifico mesmo é guitarra e violão. Meu primeiro contato com a música foi com aulas de violão com a professora Patrícia, ela me deu o básico, as primeiras noções eu era bem novinha, tinha uns 8 anos. Ganhei inicialmente uma guitarra do meu avô, (pai do meu pai), depois eu ganhei um violão de uma irmã da igreja. O sonho de painho era que eu dominasse o violão primeiro e guitarra só depois. Mas foi bom, porque acabei aprendendo os dois.

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A pessoa que me inspira em tudo e é a minha principal referência é a minha mãe. Além dela, meu pai foi outra grande inspiração e minha vó Lau (risos). Cada um pela história que têm comigo, me sinto segura e privilegiada em ter esses exemplos dentro de casa. Também considero Guto uma referência muito grande, e não falo apenas o Guto de hoje, depois que assumiu a liderança do Ministério, mas sempre, porque a nossa família sempre foi próxima e eu o conheci desde pequena. Tanto ele quanto Suellen, são exemplos de superação, amor a Deus e amor ao serviço no Reino. Eles são exemplos de uma família bem construída de acordo com a Palavra de Deus.

Existe uma coisa que vale para tudo na minha vida, a qual considero minha essência, esta é o desejo de agradar a Deus. Apesar de nem sempre conseguir. Sou sonhadora, porém, firme no que penso. Por vezes, sou muito dura comigo mesma, mas, sou assim para não ter que ser dura com os outros. Sou alguém em constante transformação. Às vezes, isso é ruim, mas também é bom.

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Se eu pudesse escrever uma carta para meu pai, hoje, aos 21 anos de idade, seis anos após a partida dele eu diria:

Pai eu te entendo, sei que não posso ficar com raiva por você ter ido embora… acho que, no final das contas, foi uma escolha sua. Eu sei que, às vezes, isso parece muito frio para as pessoas e até parece julgador. Eu sei que você estava sofrendo, mas poxa! Por outro lado vejo a falta que o senhor faz… Essa falta, por vezes, é gritante! E, às vezes, ela quer tomar uma proporção devastadora. O que impede que isso aconteça é Deus. E, é por isso que eu não julgo pessoas que estão sofrendo quando alguém morre. Algumas até se desesperam. Eu entendo-as pai. Porque eu sei que, sem Deus, não dá para lidar com essas coisas. Sua perda é irreparável, naturalmente falando, e, realmente só o espiritual me supre. Pai, sei das suas falhas e sei que o senhor era um ser humano. Entendo que o senhor nunca queria demonstrar essas falhas para a gente em casa. Via seu esforço para não mostrar seu lado ruim, mas, mesmo com suas falhas, eu o amo, o amava e continuarei amando. Até suas coisas ruins me ensinam, eu aprendo com elas, acredite. Elas deixaram lições valiosas para mim.

O senhor realmente foi um guerreiro! O senhor foi meu exemplo de ministro, de homem de Deus, de pai, mas, muito além de tudo isso, foi minha inspiração de ser humano. O seu impacto na vida das pessoas e a abrangência da sua vida nos outros foi enorme. Sei que a unção proporcionava isso, claro, mas não era só a questão do senhor ir lá, orar pelas pessoas e elas serem curadas, tem haver com sua humanidade enquanto cuidava delas… o senhor olhava para pessoas desacreditadas e tinha empatia por elas e essas pessoas o amavam verdadeiramente. Sua vida e suas ações me ensinaram que o bem que se faz aqui nunca vai embora. O senhor não está aqui fisicamente, mas constantemente, me encontro com partes suas – no shopping, na rua, na igreja, no supermercado, e até em congressos de direito, quando pessoas vem e me perguntam se eu sou sua filha e me contam algum testemunho sobre como elas receberam de Deus através de você. Histórias de quando o senhor orou por elas, as ajudou e acho que sempre vou ter experiências assim, porque sua história ficou marcada não só na minha vida, mas na vida de muitas pessoas… Te amo!”

1 COMENTÁRIO

  1. Fazia muito tempo que eu não via tanta sabedoria junta.Estou muito feliz por compartilhar toda essa narração de Larissa filha de minha sobrinha Silvia ,que se revelou uma jovem de 21 anos com sabedoria suficiente prá ler e ler tudo que ela escreveu sem ficar entediada.Parabens A Mana LAU como ela chama,A Sílvia e à vc minha doce criança.Que Deus olhe sempre por vcs.
    Bjs .👋👋👋👋👋👋👋👋💋

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