Meu nome é Leandro Lima, mas todo mundo me chama de Léo, não é de Leonardo, é de Leandro (risos). Tenho 34 anos cronologicamente, mas, na mente e no coração, ainda sou um adolescente. Sou natural de Aracaju (SE), mas passei a minha infância e começo da adolescência no interior da Bahia por conta do trabalho de meu pai. Até que, com 14 anos , precisei me mudar novamente para a grande cidade em busca da minha formação no ensino médio.

Desde cedo eu já sabia o que queria ser e onde queria chegar e, em função disso, morei com familiares que, até então, não tinha tanto vínculo, mas o impulso por crescer na vida me levou a cortar o cordão umbilical do seio familiar em busca de um sonho, que encontrou com o sonho de Deus para minha vida.

Sempre fui muito sociável na minha infância e adolescência, no sentido de trazer pessoas para perto, promover a comunhão, praticar esportes. Acordava às cinco horas da manhã, quase todos os dias, para garantir o momento de atividades físicas com meus amigos.

A origem da família da minha mãe veio do meio evangélico, como os avós, os tios, que já acompanhavam essa raiz, diferentemente da família do meu pai. Durante as férias na minha infância, fui criado indo para a escola dominical na igreja, enquanto estava na casa dos tios e compartilhando o período com meus primos, e depois voltava para a realidade natural, do ano todo, em que não congregava e não tinha vínculos com igreja local qualquer, mas a semente da Palavra foi sendo plantada e, no tempo certou germinou e deu fruto. Aos 12 anos entreguei minha vida a Jesus e o reconheci como Senhor da minha vida. Aos 14 anos retornei a Aracaju (SE) e passei um tempo sem congregar pois não tinha uma referência de local próximo à casa, até que conheci a Igreja Verbo da Vida com 16 anos de idade, foi um dos melhores encontros que tive, marcando a minha vida e minha história. É um privilégio fazer parte deste Ministério.

Desde pequeno as pessoas me perguntavam “Leandro, quando você crescer, trabalhará com o que?” e eu sempre respondia: “Vou trabalhar de terno e gravata!”. Era o sonho da minha vida acompanhar a história da família dos meus pais, que tinham vínculos jurídicos.

Meu pai tinha um sonho de seguir a área do Direito, assim como seguiu alguns de meus primos e outros membros da família. Ele não realizou esse sonho, mas estava ali, indiretamente, me inspirando a viver seu sonho, não impondo sua vontade, e isso me animava. Hoje, sou bacharel em Direito pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e, o mais interessante de tudo isso é que em busca do meu sonho, eu encontrei com o sonho de Deus para minha vida; um chamado nos cinco dons ministeriais e transcultural, fora do país.

Até hoje, para meu pai e minha família, processar a respeito dessa minha escolha de obedecer a Deus e não exercer a função é um pouco desafiador, afinal o histórico familiar e as expectativas da minha família eram de que eu fosse aquilo que eles sempre quiseram ser e não puderam.

Conheci a Igreja Verbo da Vida na minha adolescência. Na época, eu morava na rua de trás da igreja e passava na frente dela todos os dias para ir à escola, mas nunca a tinha notado ali, era como se não existisse o prédio. No dia do meu aniversário de 16 anos, meus pais saíram do interior e foram para a cidade para passar o dia comigo. Neste mesmo dia, fomos jantar em um restaurante que ficava na mesma avenida da Igreja, quase na esquina e, caminhando rumo ao local, passamos na frente e naquele dia eu vi Deus usar minha mãe comigo ao dizer “Por que você não vem visitar essa igreja? “ e, depois disso, todos os dias eu passava pela frente e o Espírito Santo me perguntava a mesma coisa, até que em um domingo eu fui e havia uma missionária pregando, dando uma Palavra inspiradora e naquele dia me reconciliei com o Senhor, fui batizado no Espírito Santo e permaneci lá até minha ida à Argentina.

Pouco tempo depois que cheguei à igreja, alguns jovens me convidaram para ir à Marcha para Jesus, que estava ocorrendo na cidade, como eu não conhecia muita coisa e não estava tão envolvido, fui. Em um dos trios-elétricos do evento, o departamento de música da igreja estava tocando e foi aí que avistei Cristiane, mais conhecida como Cris, hoje minha esposa, que estava ministrando a música no local e despertou minha atenção.

No domingo seguinte, já passei a vê-la na igreja com outro olhar. Um breve tempo depois, em um acampamento de adolescentes, começamos uma amizade, que foi onde nos conhecemos de fato e começamos a nossa história. Ficamos muito amigos e bem próximos, e começou um sentimento em que eu me perguntava: “Uau, que coisa é essa aqui dentro?” e não vimos mais sentido em continuar apenas em amizade, já que tínhamos tanta coisa em comum.

À medida que fomos nos conhecendo eu tive a convicção de meu chamado nos cinco dons. Sempre fui muito de ensinar e de gostar de ler, então me imaginava como professor do Rhema – conciliando com o lado jurídico. No decorrer do tempo, Deus foi encaixando seus planos e seus sonhos em mim.

Devo tudo o que conquistamos aqui ao Senhor, em primeiro lugar, e em segundo a minha esposa. Uma mulher incentivadora, forte, apesar de meiga, há uma força extraordinária por dentro. Onde estamos hoje e vamos chegar onde devemos, graças a sabedoria que ela tem em edificar o nosso lar, sendo uma esposa e mãe exemplar, inspiradora, que ama e teme ao Senhor acima de qualquer coisa. Uma mulher em que eu decidiria me casar todos os dias da minha vida. Ela foi a minha melhor escolha depois de Jesus. Eu não seria e nem estaria onde estou se não estivesse ao lado dela.

Em 2012, no aniversário da igreja, nossos pastores convidaram Simon e Adriana Potter para estarem ministrando, sendo a primeira vez que estaria vendo um missionário da Palavra da Fé, ensinando. O tema de abertura do evento, é algo inesquecível para mim, “Você é um Missionário!“, e aquilo foi extremamente impactante. A igreja estava cheia, mas parecia que só tinha eu e Simon naquela sala, como se ele estivesse falando a história da minha vida.

Ao final, Deus o usou com uma palavra de sabedoria dizendo que Ele tinha uma nação preparada para mim. A partir daí, sabia que Deus tinha uma nação para mim, só não sabia como e quando, mas o chamado ardia com convicção. Quando disse a Cris, já minha namorada na época, me expressando até com uma certa preocupação por conta do namoro, acerca de meu chamado missionário, fiquei interrogando se ela me acompanharia e seguiria comigo. Abrimos juntos nosso coração acerca de missões, mas ainda não tínhamos dito um país específico, mas ambos já sentíamos algo por um, até que, nesta conversa, contamos juntos até três e dissemos o nome da nação que tínhamos uma leve impressão. Juntos e ao mesmo tempo dissemos: ARGENTINA! Daquele dia em diante, construímos nossas expectativas para cumprir o propósito de Deus naquela nação.

Estávamos intensos em cada detalhe, servindo na nossa igreja local e, aproveitamos este tempo para crescermos como um fruto amadurecendo. Lembro que, cursando a Escola de Ministros em 2009, na época itinerante em Aracaju, na aula de oração, a professora começou a soltar palavras como “nações, missões”, e naquele momento tive uma visão em que, naquele ano, estava tendo uma etapa de muitas decisões em nossa vida. Naquele mesmo ano estaríamos nos formando na universidade, passei em um concurso público com aumento salarial de mais de 100%, já estávamos casados e querendo ter filhos, tudo contribuindo para nos fixarmos e criarmos raízes naquele lugar e, foi aí, que Deus começou a lembrar acerca do chamado que Ele tinha anunciado antes.

Por conta de estarmos tão envolvidos, estava algo confortável e tudo estava pronto, mas Deus tinha algo para que fizéssemos em outra nação. E no dia 17 de agosto de 2009, às 19h45 que Deus falou comigo, especificamente, e eu disse SIM. Nove meses depois já estávamos na Argentina.

 

Hoje sou pai. Sempre quis ser pai e sempre gostei muito de criança, apesar de não ter muita habilidade. Quando peguei minha filha no colo pela primeira vez, ali eu nasci como um pai e tenho desfrutado de cada fase dela. A vejo como um presente de Deus e não há outra descrição para isso. Por simplesmente conviver com ela, eu fui entender o amor de uma forma ainda mais sublime e podendo entender o amor de Deus para conosco.

Ela é doce, uma menina de personalidade forte, mas muito amável. Ela sabe o quer. É argumentadora, a veia jurídica da família (risos). Não se contenta em ouvir apenas o não, não no sentido de teimosia ou rebelde, mas ela quer entender o porquê das coisas. Ela ama se socializar e que pessoas se sintam bem. Cada vez que recebemos alguém de fora, ela tem o prazer de receber e de fazer com que se sintam em casa, além de tomar a frente sempre e querer apresentar a igreja a todos que chegam.

Eu sou uma pessoa extremamente minuciosa e detalhista. Eu me cobro muito. Não trabalho e não funciono na desordem. Eu me defino como alguém que ama pessoas e não conseguiria viver em uma ilha deserta. Gosto do povo, ouvir as pessoas, estar no meio da galera. É quem eu sou. Faz parte do meu nome também, Leandro significa “o homem do povo”.

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