Nasci em 1983, em São Paulo, e com apenas cinco anos fui morar em Caruaru-PE. Aos 9 anos, perdi a minha mãe, ela morreu de leucemia, meus irmãos, Anderson tinha 7 anos, Abel tinha menos de dois anos, eu sou a irmã mais velha. Por volta dos meus 15 anos, chegamos na igreja, meu pai Edimilson, viúvo nessa época, conheceu alguém que nos levou para a igreja, mas eles não deram continuidade ao relacionamento, nesse mesmo ano na igreja, Pastor Isaac e Sayonara tinham assumido a igreja em Caruaru..

Tenho algumas lembranças da infância em São Paulo, lembro dos meus pais bem apaixonados, lembro do meu pai brincando com a gente, dançava, cantando músicas internacionais.

Eu era muito tímida, triste, carregava comigo a ausência da figura materna. Sayonara foi a minha figura de mãe, era meu referencial, lembro que eles sempre me davam oportunidade, liderar os jovens, cantar no louvor, mas para mim tudo era desafiador…

Sempre amei ao Senhor e fui católica praticante, no domingo ia para a igreja, fiz primeira comunhão, a vida religiosa sempre foi familiar para mim. Conhecer Ao Senhor verdadeiramente foi a melhor experiência para mim.

Não compreendi muito a perda da minha mãe, acredito que pela pouca idade que eu tinha. Quando recebi a notícia estava na casa de uma tia e a pessoa soltou: “Olha, Silvia faleceu…” Nem entendi muito, só vim entender bem quando cheguei na minha casa e meu pai estava agarrado com o caixão chorando muito, ali comecei a lidar com aquilo, sabia que era a mais velha, que teria que cuidar dos meus irmãos mais novos. Eu tinha 2 avós que cuidavam da gente, mas a responsabilidade começou cedo, comecei a trabalhar, não tinha muita expectativa para vida acadêmica.

Mas, a igreja foi me abrindo os olhos para outras coisas. E veio a universidade, o curso de enfermagem.

Meu pai sempre foi uma pessoa muito íntegra, tímido também, sempre se esforçou para cuidar de nós. Ele é bem calado, ele sabia lidar com os meninos, mas comigo era um pouco diferente acho que pelo contexto feminino. Um homem bondoso, hoje é pastor, casou com Olivia, que eu chamo de “mãedrasta”. Ela foi quem nos ajudou, em especial na fase de adolescência, e de certa forma tentou suprir a ausência da mãe, tanto que no meu casamento parecia que ela que ia casar. Ela estava animada e feliz como se eu fosse uma filha.

O meu relacionamento com os meus irmãos é de muita unidade. Eles sempre olharam para mim como uma referência. Tudo o que eu fosse fazer, era observada por eles. Um está concluindo o curso de enfermagem o outro cursou contabilidade.

Também tenho outros irmãos por parte de pai, o Davi e o Alisson, que é filho da Olivia, mas considero meu irmão. Temos uma família bem grande agora.

Diego, meu esposo, fazia parte do louvor, mas eu estava tão envolvida nas coisas que não prestava atenção. Nessa época, eu também estava bem envolvida na viagem missionária para a Bolívia com a liderança. Então, não tinha muitos olhares para ele, mas quando eu voltei dessa viagem, Diego começou a me olhar de uma forma diferente. Eu observava aquilo e pensava, Diego tem tudo aquilo que preenche os requisitos de um homem cristão. Queria escolher para mim a pessoa certa, o melhor que Deus tinha para mim…

Pra mim ele é o homem mais íntegro e fiel que já conheci, e pensei: não posso deixar esse homem passar de jeito nenhum. Via a conduta e o caráter dele, e eu sempre tinha o cuidado de não me envolver com alguém que me fizesse sofrer e que não tivesse o mesmo propósito que o meu.

Tínhamos o maior cuidado de apresentar ao pastor Isaac  e ao meu Pai a pessoa certa, não só para ele, mas para o Senhor também. E fui pesquisar um pouco sobre ele. Após 8 meses, vi que era a pessoa certa, vi que era a pessoa que eu queria e me apaixonei.

Como toda a nossa adolescência sempre foi muito envolvida com a igreja não tínhamos esse peso de ver o casamento tão desafiador, lembro que na época, eu também cursava a faculdade, estava inserida na congregação na Vila Padre Inácio, eu fui auxiliando na estruturação de todos os departamentos, eu já era missionária e nem sabia… foi tudo muito leve, pois estávamos envolvidos nas coisas do Senhor e acredito que por isso houve acréscimo. Faltando uns dois meses para casar, não tinha casa, não tinha nada e pensei: “meu Deus como vai ser isso? A gente Lhe honrou, como vai ser isso? Pai, nos dá esse presente… e Deus me falou: Filha eu vou bancar a festa, porque Eu Sou o seu Pai”.

Ai o presente chegou por completo, casa, mobília, festa de casamento e lua de mel. E acredito que tudo aconteceu por causa da graça e da bondade do Senhor sobre nós.

Estávamos perto de casar e percebemos no espírito um manto pastoral sobre nós, e o Senhor estava nos preparando para aquela igreja e ali ficamos por um bom tempo. Em cada fase de namoro, noivado e casamento percebemos a graça de Deus.

A chegada da nossa filha Leticia foi uma surpresa, porque eu me programava para ter filhos em um tempo mais distante, mas quando a gente casou uns três meses depois eu engravidei e nem sabia, o pastor Cid e Fabiana nos chamou e disse que tinha uma surpresa, perguntou como estava o casamento e respondemos que estava tudo bem. Só que os pastores já sabiam que iríamos assumir uma igreja e nós não sabíamos de nada, quando eles vieram com esse desafio, eu não estava bem, estava meio melancólica, e disseram: será que você não está grávida? E ai quando fiz o teste realmente eu estava grávida. Foi no período de conclusão da faculdade e ali eu percebi que era para que o senso de paternidade viesse mais forte e para a própria igreja isso seria muito importante, pois cuidamos da igreja como a filhos e eles nos honraram e amaram como pais.

Leticia foi muito amada por todos, a primeira neta, sobrinha e bisneta. Ela é muito determinada, em alguns momentos muito independente, inteligente, tem um raciocínio muito rápido. A convivência na igreja a fez se formular rápido. Minha filha é uma líder nata, tanto sabe lidar com crianças quanto sabe com adultos. Percebo que ela sabe se moldar de acordo com a idade, acredito que a convivência na igreja a ajudou nisso. É carinhosa, cuidadosa comigo e com o pai, ainda estou descobrindo muitas coisas nela e fico cada dia mais encantada…

Quando temos um tempo de descanso, gostamos de ir à praia, de dormir, de passear perto do mar, amamos descansar nesse lugar…

Enfermagem na minha vida… Inicialmente eu ia ser professora, mas quando estava cursando vi que não era aquilo, desisti. Eu sempre orava: Senhor, eu quero que a minha profissão lhe sirva também, me dirija…”

A minha vida sempre foi mais guiada pelo espírito do que por mim mesma. E eu falava: “Senhor, me direcione para o curso que devo fazer”.

Percebi que a direção era para a área de saúde, fiz inicialmente o curso técnico de enfermagem, gostei, depois fiz faculdade e, amo a minha profissão.

Um sonho… sei que o Senhor vai realizar, é envelhecer junto com o Diego, ver meus filhos crescerem e curtir os meus netos. Acho que aquilo que não pude fazer a minha mãe ver, acho que é isso… Acredito que se a minha mãe visse minha família teria muito orgulho. De conhecer meu esposo, minha filha e a mulher que me tornei…

Tenho alguns referenciais…

Meu pai é uma referência de calma, leveza, de saber lidar com situações de dor…

Pastor Isaac e Sayonara foram referenciais dentro da minha formação na fase de adolescência e juventude pode me influenciar e mudar a direção da minha vida. Acredito que a direção que eu iria tomar na minha vida não era muito boa. Mas, eles me ensinaram muito a vida cristã e a fé genuína. Hoje, tenho a família que tenho e, eles têm parte nisso.

2018 já estamos programados para ir para Portugal. Sabemos que lá será a porta de entrada para muitas outras coisas que Deus tem para nós. Ao seu tempo, tudo vai caminhando, vamos seguido a voz dEle.

Fomos lá em 2016 e quando voltamos Diego me falou: “Leila daqui a seis meses temos que entregar a igreja”. Começamos a orar e, às vezes, as pessoas não entendiam, decidimos seguir a voz do Espirito e discernir o tempo de sair de uma estação para entrar em outra sem causar danos a nós e a igreja. Identificamos que precisávamos nos preparar e viemos para Campina Grande, sou muito grata, fomos muito amados e acolhidos nesse lugar… Vamos levar boas lembranças.

Tem sido um tempo bom de treinamento em Campina, mas seguiremos para Portugal e sabemos que tem muitas outras coisas que Deus está nos esperando para entregar lá.

Sou uma pessoa que ama ao Senhor, que ama as pessoas. Sou mãe quando preciso ser mãe, sou brava quando preciso. Me gasto com tanta gratidão ao Senhor,  e para levar outros a enxergarem o quanto Deus é bom.

Eu hoje olho para mim e vejo que Deus fez tantas mudanças, tantas transformações. Ele me mostrou uma Leila que eu não conhecia. Cada ser humano em Cristo tem dons e talentos, que precisam ser achados e liberados.

Muitas pessoas fizeram parte da trajetória da nossa vida. Pastor Gilmar e Celia, Cid e Fabiana, sou feliz por ter sido abençoada com cada liderança que ao seu tempo pode trazer uma porção de Deus para nós. Nossa bagagem veio pelas instruções dessas pessoas.

Pastor Isaac e Sayonara me acharam e me levantaram eles são meus pais espirituais, me indicaram como professora do Rhema em 2009. Sou grata a todos por ter nos mentoreado na hora certa.

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