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Tenho 20 anos. A última vez que estive no Brasil foi há dois anos. A minha mudança para o Camboja aconteceu, na verdade, em mais ou menos uma semana. Esse foi o tempo que eu tive para escolher ir. Foi tipo: “Decide se vai ou não. Porque se for, vamos agilizar a documentação”. Então, eu disse: “Está certo, vamos embora”. Assim, preparamos os documentos e, em menos de um mês, fomos embora eu e a minha mãe, Jussara.

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Cheguei ao Camboja com apenas 13 anos. Era Agosto e o meu aniversário é no mês de Setembro. Então, pouco tempo depois de chegar lá, eu completei 14 anos.

No começo, foi um pouco difícil. Eu cheguei lá sem falar inglês, precisava começar  a estudar e, na escola, as aulas eram todas em inglês. Então, tive que estudar inglês por um ano inteiro e ir para a escola para fazer as classes mais fáceis, como: informática, teatro, essas coisas… Apenas para colocar em prática aquilo que eu aprendia. Mas, em relação a adaptação foi fácil, nunca tive problema com nada, me adapto bem com ou sem amigos, isso não me atrapalha. Então, foi fácil me adaptar.

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Tenho poucos amigos. Eu me dou bem com pessoas mais novas. Não tem muita gente da minha idade que lida bem comigo, porque eu sou do tipo de pessoa que leva a vida muito na boa. Meus melhores amigos são cinco anos mais novos que eu. Eu gosto disso, porque eu posso ajudá-los, sei como é viver na idade deles fora do seu país. Ajudo eles com conselhos e tudo mais. Eles sempre voltam a mim pedindo conselhos. Meus amigos também são filhos de missionários, eles são do Canadá, Estados Unidos, Austrália, China.

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Eu a descreveria minha mãe, Jussara como uma guerreira. Ela sempre lutou muito duro para me dar o melhor. Olho para trás e vejo a dificuldade que era e o quanto ela lutou para que eu crescesse.

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Sonho em viajar pelo mundo e fazer aquilo que Deus quer para mim. Estou aberto para Deus e já disse a Ele: “Para onde você me mandar, eu vou!”. Não gosto de fazer planos, mas, como minha mãe diz: “Não pode ficar parado”. Então, eu vou caminhando para fazer e, se algo mudar no caminho, muda. Porque não importa o que seja, eu vou fazer o que o Senhor mandar.

Eu acho que repetição me irrita. Não é nem a rotina, mas o pensamento de ter uma vida básica e só trabalhar e ganhar dinheiro, trabalhar e ganhar dinheiro… Para mim, isso me deixa um pouco desconfortável. Também nãos gosto de repetição do tipo, eu estou no computador e você me diz uma coisa, eu só chacoalho a cabeça. Aí você acha que eu não ouvi e repete o que disse, eu já olho meio assim. Aí você diz de novo e eu digo: “Já ouvi!”. Quando mainha faz isso, eu vou me irritando a cada vez que ela repete (risos).

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Já visitei alguns países. Uns 13 eu acho. Camboja, Itália, Suíça… Na Ásia, o Vietnã. Na África do Sul, Uganda. Também já estive na Áustria, Alemanha, Inglaterra e Canadá.

O Camboja foi o que mais me chamou a atenção, por ter chegado lá e já ter levado um choque. Por mais que eu tenha me adaptado rápido, eu ainda levei um choque cultural. O Canadá também me chamou atenção. Eu tinha essa ideia de que país de primeiro mundo não precisava de missionário, quando vi como é que estar lá e como nesses lugares existem muitas pessoas mortas espiritualmente, eu disse: “Nunca mais eu falo uma besteira dessa na minha vida” (risos). Missionários são necessários em países assim, porque a verdade é que todo país precisa da Palavra de Deus levada pelos missionários.

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Tenho boas lembranças da minha infância. Uma delas me marcou, eu tinha uns três anos, mal andava direito e me disseram que é muito raro se lembrar de coisas nessa fase. MAs lembro que minha mãe juntava latas de leite, dessas de alumínio e a gente fazia umas pirâmides bem massa; quando ela terminava de construir, eu pulava em cima e derrubava tudo e ficava rolando nas latas, rindo muito! Essa é a minha lembrança favorita!

Minha avó é um apoio para mim. Ela foi de grande ajuda para minha mãe e para mim também. Sempre que minha mãe estava ocupada, era ela quem tomava conta de mim.

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Quando penso em missões, a primeira coisa que me vem a cabeça é minha mãe. Antes de chegar no Camboja, eu tinha a ideia de ter uma vida normal e, agora, isso não entra mais na minha cabeça.

Eu queria estudar engenharia, ganhar dinheiro e ter uma vida boa. Mas, chegando no Camboja, mesmo ainda sendo uma criança, eu olhava para o povo e os via sempre sorrindo, felizes. Eu me perguntava: “Para quê que eu quero ter uma vida tão boa, enquanto eles não têm tanto assim na vida e são felizes?”. Então, depois de entrar no campo missionário, minha mente foi mudando e mudando. Eu não quero mais ter uma vida normal.

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Primeiramente quero aprender bem o inglês que é uma língua que você pode usar em qualquer lugar do mundo, sempre vai ter alguém que vai lhe entender. E, se você tem um chamado específico para algum país, aprenda a língua do país também, porque isso foi o mais difícil pra mim.

Sou um rapaz muito tímido! E tive muito problema para fazer amizades, passei uns três anos sem ter amizades no Camboja, então, a língua afeta muito na comunicação e nos relacionamentos.

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Foi complicado viver a minha adolescência em um país no qual muita coisa é liberada. Com 14/15 anos me envolvi com amizades ruins, comecei a fazer pequenas besteiras.

Até o dia em que eu “acordei”.

Eu estava  em um acampamento da escola, depois de ter conversado um monte de besteira; deitei na grama, olhei para o céu e disse: “É essa vida que eu quero pra mim?” Eu tinha 16/17 anos. Desde aquele momento, comecei a mudar. Fiz mais amigos e passei a influenciá-los para o que era correto.

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Gosto muito de música. Ouço em grande parte da minha vida. Gosto de Rock e Heavy Metal. Mas, para mim, qualquer música vai. Não sendo clássica e jazz, pois estas já acho o ritmo muito lento.

Para orar, eu ouço músicas de bandas pouco conhecidas que você acha que não são cristãs, tipo Twenty One Pilots. As letras deles são bem profundas. Procuro músicas com mais letras e gosto de músicas que eu escuto e me dá vontade de adorar; aquelas que me fazem querer orar. Aí eu paro a música e vou adorar.

Esse meu gosto pela música me faz querer aprender também. Então, estou me ensinando. Estou aprendendo sozinho bateria e baixo.

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