Meu nome é Luciana de Menezes Ramos. Eu tenho 27 anos de idade. Sou de Olinda, Pernambuco. Nasci em Recife; e sempre morei na mesma região com meus pais e com meu irmão. Eu era, na minha infância, a gordinha nerd da escola, que usava óculos, que estudava e que tirava nota boa. Então, eu sempre fiquei muito para escanteio, de uma certa forma. Como eu tinha problema no nariz, eu tomava muito remédio de corticoide. Por isso, eu engordei e sofri com isso durante a infância.

Comecei a ir para a igreja porque uma vizinha me levou. Era uma igreja batista. Eu ia, mas não tinha verdadeiramente a comunhão com Deus. Era uma coisa legal para fazer no domingo, porque tinha salinha e brincadeira. Então, eu ia. Sempre fiz tudo muito cedo. Quando era criança, pulei uma série; entrei na faculdade com 16 anos; sempre tive amigos mais velhos do que eu por causa disso. Acho que acabei tendo que amadurecer muito rápido por causa dessas coisas. Meu pai não é crente ainda. Minha mãe e meu irmão são. Sempre fomos uma família muito família, de sentar junto e tomar café junto; sempre tivemos esse ambiente muito casa.

O nome do meu pai é Edson. Ele foi carteiro a vida inteira; então, ele saía muito cedo para trabalhar e chegava à noite. Por causa disso, a gente não tinha muito contato. Porém, eu lembro de uma coisa do meu pai. Ele sempre, antes de trabalhar, mesmo que eu e meu irmão estivéssemos dormindo, entrava no quarto, para dar um beijo na cabeça da gente. Às vezes, eu acordava e sabia que ele tinha estado lá. Isso foi uma coisa que me marcou. Ele não é aquele tipo de pessoa que fala muito ou que abraça muito, mas ele é aquele provedor. No que você precisar, ele está lá para suprir. Eu sempre tive um pai provedor e presente, mesmo com esse jeito quieto dele. Nos momentos em que ele precisa falar, ele fala. Uma coisa que eu lembro muito do meu pai foi quando eu passei no vestibular, pois eu estava em casa e ele estava trabalhando. Eu lembro que ele chegou e saiu falando para todo mundo que eu tinha passado. Ele não entende muito bem esse estilo de vida que eu levo, pois, como eu sempre fui muito estudiosa, na cabeça dele, eu ia ser aquela pessoa que ia terminar a faculdade, fazer um concurso público e viver a minha vida com emprego certo. E desde que eu saí da faculdade, nunca foi assim! (risos) Mas, graças a Deus, ele apoia. Mesmo ele não sendo crente ainda, ele apoia! Ele chega para mim e fala: “Filha, se é isso que você quer, então vá!” Eu fui para Campina Grande e ele me apoiou. Ele comprou muitas coisas para mim, para a casa. Então, meu pai é essa figura.

O nome da minha mãe é Waldezita, mas todo mundo chama ela de Zita. Ela é aquela mulher forte, que mata e morre pelos filhos. Ela tem aquela coisa bem leoa mesmo; ela é aquela pessoa que resolve tudo. Eu sempre aprendi muito com ela. Eu comecei a ir para a igreja antes dela; depois, eu saí e ela entrou. Ela orava por mim e tem sido uma serva fiel na igreja. Ela me apoia nas minhas doidices e loucuras pelo Evangelho. Minha mãe faz aniversário bem perto de mim. Quando eu fui para Londres pela primeira vez, fui antes do meu aniversário e do dela; então, passei ambos aniversários fora. Eu lembro que eu chorei, mas eu disse para mim mesma: “Eu aguento!”

Temos hábito de, no final do dia, nos juntarmos para tomar um café e conversar. Esse ano meu aqui foi uma das coisas difíceis para mim e para ela. Já aconteceu dela ligar para mim e perguntar: “Filha, quando você pode vim aqui?”, só para termos esse tempo. Ela me apoia. Ela me aplaude. Ela vai comigo para as coisas. Ela veio para cá, para passar uma semana comigo. É uma das mulheres que eu mais admiro, pois ela é verdadeira, íntegra e está sempre disposta a ajudar as pessoas. Ela não mede esforços para fazer nada por mim e pelo meu irmão. Ela se gasta mesmo!

Na minha adolescência, por causa dessa questão da infância, de ser a gordinha nerd e tudo mais, eu achava que amizade verdadeira era algo que não existia. Eu achava que amigo mesmo era somente Jesus, pai e mãe. Porém, graças a Deus, o Senhor me ensinou que é melhor ser dois do que um e que um amigo afia outro amigo. A partir disso, eu comecei a me abrir para as pessoas. Eu tenho amigos importantes que marcam a minha vida. Não somente dentro da igreja, mas fora também. Eu gosto de valorizar pessoas que não são cristãs, que não são de dentro da igreja, pois, de uma certa forma, nós estamos acostumados a viver nesse ambiente. Então, acabamos nos esquecendo de outras pessoas que passam pelas nossas vidas. Pessoas que também nos amam. Eu tenho amigos da faculdade, do mestrado e que eu conheci na época da escola que eu levo no meu coração. Hoje, eu sei que existem níveis de amizade. Há pessoas que serão meus amigos de conversar sobre besteira, de ver filme e de brincar. Há também aquelas outras pessoas que são mais aquela conexão do Espírito mesmo; pessoas que vão orar por você e com você e te apoiar. Eu aprendi a realmente entender o lugar de cada pessoa na minha vida. Eu não sou aquele tipo de pessoa que tem uma melhor amiga da vida e que só quer estar com ela e que não tem mais amizade com ninguém. Pelo contrário, eu acho que podemos aproveitar o melhor de todo mundo.

Se eu puder destacar, eu destaco a vida da Karol Araújo. Quando eu ia para igreja, eu era bem esquisita, bem roqueira; eu usava meião preto, batom roxo e brinco em forma de espada. Eu tinha por volta de 13/14 anos nessa época. E Deus falou para ela ir lá e falar comigo; desde então, a nossa amizade nunca foi baseada em afinidade, mas nós nos afiamos mesmo pelas coisas de Deus. Começamos a ser amigas pelas coisas que fazíamos juntas e não por outros motivos. Ela é uma pessoa com quem eu consigo abrir meu coração e contar meus sonhos; então, se eu puder destacar alguém, eu destaco ela. Mas tem outras pessoas com quem eu aprendo muito também. Há uma amiga da faculdade, o nome dela é Rafaela. Ela é completamente diferente de mim. Ela é cristã, mas é completamente diferente de mim. Ela gosta muito de política e é muito engajada; eu aprendo muito com ela, pois eu não sou assim. Nós vamos aprendendo e conhecendo melhor as pessoas e aprendendo a aproveitar o melhor delas.

Campina Grande não era algo que estava nos meus planos. Eu queria, em 2017, já ter ido para Londres. Porém, Deus não nos deixa sem saber das coisas. Então, eu sabia que eu iria passar um tempo em Campina. Eu estava esperando somente como as coisas iriam acontecer e o dia que a notícia iria chegar. Ano passado, pastor Gleison falou comigo; eu lembro que eu chorei bastante, pois esse não era o meu plano e eu sempre fui muito planejada. Eu tinha a minha vida inteira já planejada quando eu fui fazer o vestibular. E está sendo tudo completamente diferente do que eu tinha planejado. Eu conversei com o meu pastor e, graças a Deus, tive todas as liberações. Tive a liberação no meu coração. Senti paz e fui; hoje, eu posso dizer, enquanto eu estou me preparando para ir embora, que eu sou muito grata por esse tempo. Eu vivi coisas, fui esticada e fiz conexões.

Eu gosto de dizer que o treinamento, em Campina vai muito além das aulas da Escola de Missões. Ninguém pode chegar lá e pensar que só vai assistir aula e aprender o que viu nas aulas. É muito mais do que isso! Eu estou muito feliz pois vivi coisas que eu não imaginava; então, eu posso dizer, hoje, que eu sou uma cristã melhor por causa desse tempo. Eu também tive a oportunidade de morar sozinha, tendo que me virar e crer. Em alguns momentos, não foi fácil. Foram momentos em que o diabo pressionava, dizendo que eu não ia conseguir. Depois de tudo, no dia da formatura, eu acordei com o olho inchado, parecendo que eu tinha levado um soco! Quando eu me olhei no espelho, eu disse: “Hoje não, diabo!” Eu comecei a dançar dentro de casa. Então, eu sou muito grata por esse tempo. Eu acredito que, debaixo de uma direção, não há lugar melhor para estar. Para 2017, não havia lugar melhor para estar do que Campina Grande. Eu tinha que estar aqui!

No meu coração, eu tenho o desejo de ir para a Inglaterra, para servir o pastor Gleison e Marina lá. Eu já fui para lá uma vez e estou indo em janeiro, para passar um tempo com eles. Voltarei para o Brasil, pois eu quero dar aula no Rhema e me preparar para quando Deus me mandar ir. Hoje, eu já entendo mais. Quando Deus falou para mim sobre o Reino Unido, eu achei que fosse para morar lá para sempre. Eu já entendo que, talvez, não seja para sempre. Isso, de certa forma, dói no meu coração, mas eu entendo. Deus já tem colocado outros lugares no meu coração também; eu não sei como vai ser, mas quem chega na minha casa acha que está dentro de uma mini Londres. Eu tenho tudo de lá! Eu tenho realmente o coração para servir o pastor Gleison e Marina, servindo com as coisas que eles têm feito lá. Eu sou feliz e grata, pois, quando Deus falou sobre o Reino Unido, eles ainda não estavam lá. Eu orava para que Ele mandasse alguém, pois eu sabia que eu não seria a pioneira naquele lugar. E minhas orações foram ouvidas. Quero servir o Corpo de Cristo, entendendo o tempo certo e as estações.

Outro sonho que eu tenho é realmente formar uma família. A família foi a primeira célula, o primeiro grupo de relacionamento que Deus criou. Como eu tenho uma formação familiar muito boa, e, portanto, tenho esse sonho de casar, ter filhos e viver as coisas de Deus. Não tenho a exigência de casar com um ministro, mas eu quero me casar com um homem que ame ao Senhor e que me respeite e me ame. Também quero viajar muito e conhecer muitos lugares e muitas pessoas.

Eu acho que uma realização foi ser mestre aos 24 anos, pois era algo que eu desejava. Eu sei que é algo que eu não tenho usado na minha vida, pois eu decidi viver para o Evangelho, mas era um desejo que eu tinha de ser pesquisadora. Eu vivi dois anos dentro de uma universidade, estudando. Eu queria isso e consegui realizar. Outra realização é de ser uma mulher jovem e bem decidida das coisas que eu quero fazer, não me deixando ser levada e não me envolvendo em relacionamentos somente porque o tempo está passando. Conseguir ser firme e segura no que Deus tem para mim e não ficar tateando é uma realização para mim.

Eu comecei a estudar inglês com nove anos de idade. Eu passei dez anos dentro de um curso de inglês, porque depois do curso básico, eu comecei a estudar para certificados internacionais. Eu sempre estudei muito e assisti filmes e ministrações para assimilar mais a língua, pois eu entendo que não é só estar dentro de uma sala de aula. Com quase 24 anos, eu fiz minha primeira viagem internacional. Para mim, ficar imersa na língua foi algo difícil, pois as pessoas não falam como o áudio do CD e o dia-a-dia é mais complicado. Então, eu tive que me acostumar no começo.

Eu lembro que meu pastor chegou para mim uma vez e disse: “Lu, semana que vem, vai vim um ministro americano, e você vai interpretar ele”. Eu fiquei em pânico, pois eu nunca tinha feito isso na minha vida, mas foi maravilhoso. O ministro chegou mais cedo e conversou comigo, para eu me acostumar com a voz e a forma de falar dele. Ele me ajudou muito. Eu entendo que não é só traduzir, mas você realmente tem que pegar as coisas pelo espírito. Eu lembro que, quando eu conheci Elia Nicholas, eu falei: “Senhor, essa mulher com aquele poder todo! Será que eu consigo?” Mas, graças a Deus, hoje, nós temos uma conexão. Para mim, o meu maior momento foi quando eu comecei a ouvir uma música e eu comecei a entender sem pegar a letra nem nada! (risos) Em alguns momentos, Deus fala comigo em inglês. Quando eu tinha nove anos de idade, eu não entendia que essa seria uma ferramenta que Deus usaria para o meu chamado, mas, graças a Deus, eu tenho tido a oportunidade de servir a Deus com isso. Às vezes, achamos que estamos fazendo coisas aleatórias, mas isso é um motivo de muita honra, tendo a oportunidade de servir a Deus com isso. Eu já tive a oportunidade de interpretar Elia Nicholas várias vezes; traduzi, inclusive, o Brad Flook.

Como eu falei, eu sempre fui muito planejada; então, tinha minha vida planejada para anos. Quando eu entrei na faculdade, meu plano era me formar com 20 e entrar para as Forças Armadas com 21. Depois de 8 anos servindo na Aeronáutica como fonoaudióloga, eu faria meu mestrado e, depois, iria para o campo missionário. Agora, estou aqui, depois de sete anos de formada; não trabalho na minha área e não entrei na Aeronáutica. Já fiz o meu mestrado e já fui para o campo. Eu aprendi que nós sofremos menos se deixamos Deus fazer. Antes, eu queria ser muito planejada e ficava muito chateada se as coisas não iam da forma como eu havia planejado. Deus tem me ensinado a viver cada estação.

Eu comecei algumas coisas muito cedo e eu tinha pressa, pois, como tinha começado algumas coisas cedo, achava que tudo tinha que ser rápido. Hoje, com 27 anos, com as experiências que eu já tive, sabendo que tem muito mais pela frente, eu entendo que tenho que viver cada estação. Então, 2017 foi na estação de Campina Grande. Em 2018 já é outra estação, e eu vou viver o que Deus tem para mim. Eu já não estou mais me planejando com tanta antecedência. Estou esperando cada direção de Deus e vivendo cada fase, aproveitando o melhor de cada uma delas. Já que eu entrei nisso de cabeça, eu quero receber tudo desse tempo e viver tudo que está proposto para esse tempo. Antes, eu ficava pensando muito e acabava não vivendo tudo que havia para mim no presente, mas, hoje, eu consigo ver que coisas que eu vivi anos atrás me prepararam para o que eu estou vivendo hoje. Então, eu aprendi a viver cada fase e a me lançar com tudo em cada fase.

Eu tenho, como referenciais, pessoas de perto e de longe. De perto, meus pais são referências de integridade e de caráter. O meu pastor Cleone é um homem que, realmente, é um homem de fé e que cumpre sua palavra. Ele cumpre o que fala. Andrea é uma mãe! Ela pega nos dons de um jeito lindo. Eu amo demais os meus pastores. Um outro casal que é referência para mim é pastor Gleison e Marina. Eles são exemplos de missionários; para mim, é segurança estar associada com eles, estando debaixo da liderança deles pelo tempo em que eu estarei com eles. Eles são íntegros, obedientes, submissos e esforçados. Eles creem no que Deus está fazendo. Uma outra referência que, agora, eu tenho oportunidade de estar mais perto é Elia. Eu sempre amei o jeito em que ela se move nos dons. Hoje, eu tenho a oportunidade de estar perto dela. Já viajamos juntas, e, hoje, eu conheço a mulher além do púlpito, além dos momentos de oração. Tem gente que diz que, quando eu estou interpretando ela, nós nos movemos como uma coisa só, mas eu sei que isso é por causa de uma conexão de Deus mesmo. Para mim, é uma honra imensa poder estar perto dela e saber que ela é aquela mulher de Deus no cotidiano também. Eu a admiro demais.

Das pessoas de longe, que eu não tenho muito contato, Mama Jan também é uma referência. Que mulher! Não tem como não tê-la como uma referência e ver tudo que um passo de obediência dela e do apóstolo Bud fizeram acontecer no Brasil e no mundo. Isso é imensurável. Nosso apóstolo e Suellen têm se lançado no coração para fazer as coisas para Deus e são pessoas que eu admiro. E esse ano, aqui, em Campina foi muito bom para observar. Eu gosto muito de ver como as pessoas são além do púlpito, pois nós admiramos a unção e as palavras que recebemos, mas tem muita coisa por trás do que é ministrado. Tem uma vida! Existe uma vida que precisa dar suporte para aquilo que é falado.

Luciana é uma mulher jovem que ama rir e que entende que, quando você descobre quem Deus te chamou para ser, você vive a vida de uma forma muito mais leve. Eu descobri isso! Ser essa pessoa me poupa de muita coisa, de muita chateação. Eu aprendi isso com Deus; então, eu sou completamente feliz com a minha vida e com quem eu sou. Eu amo rir! Acho que a alegria é algo de dentro. Eu digo que existe o feliz e a negação. Você pode estar feliz ou infeliz, mas não existe “inalegre” ou “desalegre”, pois a alegria é realmente algo de dentro.

Eu nasci para cumprir os sonhos de Deus para a minha vida, tendo a convicção de que, independente do que eu venha a perder no meu caminho e do que eu tenha que deixar ou largar, não existe nada que se compare ao selo de aprovação de Deus. Eu não busco reconhecimento humano; isso até vem de uma certa forma. Não adianta eu ser super conhecida e fazer muita coisa, mas Deus não se agradar. Não ser o que Ele queria. Eu quero realmente dar o passo certo e seguir as direções. Não existe nada que seja mais importante do que fazer o que Deus quer. Eu estou feliz, pois eu estou fazendo o que Deus quer. Eu entendo, hoje, que não é um lugar ou uma posição, mas é realmente estar no lugar que Deus quer. O lugar da benção não é um lugar físico, mas um lugar de obediência.

1 COMENTÁRIO

  1. Luciana, você é uma benção. Uma jovem sorridente, doce, quando louva que voz potente… de uma simplicidade imensa. A unção Deus da sua vida é visível.

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