Tenho 22 anos, sou de Campina Grande. Fui para a África com 18 anos e morei lá por dois anos, retornei a minha cidade e agora moro em Belo Horizonte. Mas sempre dou um jeito de, periodicamente, vir a minha Terra. Eu sai de Campina, mas ela nunca vai sair de mim. É uma cidade bem peculiar. Existem pessoas que vêm para morar, porque é um lugar maravilhoso, calmo, não existe aquela correria de grandes centros. Outras, vêm para minha cidade para um tempo de treinamento seja no Rhema; Escola de Missões; Escola de Ministros ou até para servir o ministério. Essa é uma cidade de treinamento e fui treinado aqui em algumas dessas escolas. Há uma unção especifica em Campina Grande por causa do Ministério Verbo da Vida; existe uma influência nesse lugar que a Palavra trouxe para essa cidade.

Sou filho único por parte de mãe; por parte de pai tenho 3 irmãos. Família é a base de tudo, pessoas tem invertido as posições, como se a família fosse primeiramente a igreja e depois a família de casa, mas não é assim, começa primeiro em casa. Se a família não está bem, dificilmente  as coisas vão fluir. As pessoas podem nos abandonar, mas a nossa família  sempre estará ali. Posso viajar para qualquer lugar do mundo, mas a minha casa está lá; meus pais estão disponíveis para me receber. Meus avós, me recebem da mesma forma, como seu eu ainda morasse lá. Mas voltar para visitar é diferente.

Minha mãe… Lane Dantas é uma guerreira. Se separou do meu pai quando eu ainda tinha sete anos, mas ela sempre esteve presente em casa. Cuidado, treinando, não conheço ninguém igual a ela. Minha mãe é chefe de cozinha e, quando eu estava na África, surgiu uma vaga em um restaurante para uma chefe de cozinha – eu estava no Congo há 8 meses – a senhora dona do restaurante viu alguns pratos que a minha mãe fazia e minha mãe foi trabalhar lá. Para mim foi um alívio tê-la perto. Ela passou um ano comigo, foi um suporte incrível. Ela conheceu as realidades de alguma forma, mas eu a poupava de algumas coisas desconfortáveis que eu passava. Até porque eu precisava aprender com aquelas coisas. Era uma etapa na minha vida que eu precisava passar e que me deu suporte para o que estou vivendo agora. Não havia abundância e, hoje, entendo o que tudo aquilo significava. Deus nos ensina a saber viver bem, tendo em abundância ou na escassez, devemos saber lidar com isto. O tempo na África me ensinou muito sobre a importância de termos suportes enquanto fazemos a obra do Senhor. Minha mãe também gosta de música e me apóia muito no meu chamado, foi ela quem me mostrou o caminho.

Moisés Freire, meu pai, também é músico. Ele canta rock, toca guitarra; toca e canta muito. Mas ele nunca me deixou cantar outra coisa que não fosse para Deus. Ele tem o coração cheio de amor e, mesmo não estando presente fisicamente, por causa da separação; sempre se fazia presente de alguma forma. Ele me liga para sair e comer uma pizza, ver um filme, conversar. Sempre esteve por perto. Claro que senti uma falta, porque o desejo de todo filho é ter seus pais juntos e perto, mas Deus foi o meu suporte. Fui buscando ser suprido nas minhas carências e vi o cuidado de Deus sempre. Minha mãe fez um papel excelente.

A primeira vez que eu cantei foi aos cinco anos de idade. Antes mesmo de eu nascer, minha mãe recebeu uma palavra que eu cantaria, viajaria por muitos lugares e essas sementes foram plantadas em uma terra fértil e foi molhada com a palavra e outras sementes da fé. Nasci e me envolvi com música. Se via um filme, prestava atenção na música. De repente, entendi que Deus estava me levantando para levar a Palavra através das canção. Pessoas tentam rotular a música, mas ela tem ritmos diferentes, para diversas classes. Alguns dizem que a Palavra vem em primeiro lugar e a música é algo secundário, mas, se nós somos uma igreja da Palavra, cantamos a Palavra. Há um mesmo valor na musica e na mensagem pregada. Cantamos a Palavra.

Muitas pessoas não gostam de ouvir uma pregação, porque não entendem a unção; acham chato, acham que é uma palestra. Claro que, quem entende, ficará por horas ouvindo uma boa pregação. Mas, a música poderá atingir a todos os gostos e camadas. Ela pode alcançar as vidas que não querem ouvir a Palavra. Porque ela tem gera um sentimento. Ela possui melodia e mexe com as emoções. Se ouvimos uma melodia triste, produzimos sentimentos de tristeza, se ouvirmos musica alegre, alegria se manifesta. Isso é próprio do ser humano. Por isso, a música é uma excelente estratégia para que a Palavra entre nos corações das pessoas, quebrantando-os.

Sou tenor. É uma voz pouco comum. A música gospel é muito rotulada. Eu escuto muitos grupos de fora do Brasil e, em uma radio, é fácil saber o que é gospel. Música é arte e arte é de Deus. Ele é o maior criador da música. Gosto músicos americanos como: Kim Burrell, Tamela Mann, Hillsong… Aqui no Brasil não ouço muitas, por causa desse rótulo dado à música gospel. Nem era pra existir isso, mas creio que novos trabalhos estão vindo por ai. Ouço Fernanda Brum (não só porque é a minha madrinha) ela vem em uma linha pop rock, mas com mensagens muito proféticas; declarando coisas que vão acontecer. Há uma mensagem mais profunda em suas canções do que outras. Gosto de ouvir Preto no Branco, uma inovação que está crescendo por aí. Muito bom o trabalho deles.

Meu maior sonho é trazer uma boa condição para a minha família. Às vezes, as pessoas sonham em ser famosas, chegar longe. Entendo isso, porque quanto mais isso acontece, mais longe a Palavra vai chegar, mas, hoje, quero levantar a minha família, que me levanta, me apóia e abraça.

Já realizei alguns sonho. Eu tinha o sonho de ir para a África, fui aos 18 anos, e só tinha feito o primeiro ano do Rhema. Os missionários são preparados antes de ir para o campo, mas fui preparado dentro do campo,. Hoje, largo alguns valores e me apego a outros.

Outro sonho era me levantar na música. Uma promoção de Deus, porque são tantos anos ralando, abrindo show de pessoas, pedindo para cantar. Eu orava, pedia que as portas fossem abertas, me preparava para isso. Lembro de orações que fiz ainda no Congo,  eu orava para gravar um CD no Rio de Janeiro. Orava para ter uma associação com Fernanda Brum, antes de tudo, por que? Porque ela atua na música e tem muita experiência, e, ao mesmo tempo, tem uma palavra profética, era uma parceria que eu sonhava. Essa parceria me atribuiu muitas coisas. Não quanto a fama, mas aprendizados espirituais.

O lançamento do CD foi algo que eu e a minha equipe de oração geramos há muito tempo. Tínhamos uma nota que viria a Fernanda Brum, mas eu não a conhecia. Mandei um e-mail para a produção, passou um tempo e não tive respostas. Um tempo depois, vi uma foto do Jânio Cesar com eles (Fernanda e o Emerson Pinheiro, seu esposo), liguei para o Jânio, falei para ele do meu propósito e ele falou que era quase impossível, porque nem é comum vermos situações assim, ela ir a um evento assim. Mas ele falou com ela e a resposta foi sim. A Fernanda disse que Deus falou com ela para vir. Eu estava crendo em tudo, porque precisava de recurso. Trouxemos 10 pessoas do Rio de Janeiro para esse evento.

Cremos para tudo. Eram 10  passagens, traslado, hotel, e demais despesas. Entre eles, a Fernanda Brum, seu esposo, Emerson Pinheiro, meu produtor com esposa e filho. A Perlla e seu esposo. Precisávamos de recursos para tudo e Deus proveu milagrosamente.

A Palavra tem poder, pessoas não entendem quão poderosa é a Palavra. Eu declarava que seria um sucesso, eu não esperava na igreja tanta gente, minha fé pensava em no máximo 4 mil pessoas ali e já seria a igreja cheia. No final da tarde do evento, já víamos muita procura de pessoas. A entrada foi um kg de alimento. Vimos que precisava tirar as cadeiras da igreja, não imaginava quantas pessoas tinham ali, quando cheguei a noite a fila dava volta na igreja e, precisava de uma logística. Contactamos Samu, bombeiros e quando entrei a igreja estava superlotada. Pensamos em fechar as portas pelo limite até de segurança.

Tinham todas as denominações lá, eu fui pessoalmente convidar o pastor Daniel Nunes, líder da Assembléia de Deus na cidade; ele me atendeu e com amor e, com isso, apoiou o evento. Inclusive cantei várias músicas pentecostais que nem estavam no repertório, mas eu abracei o povo que estava lá.

Foi tremendo. Um trampolim. Pessoas pensavam que eu permaneceria aqui depois do evento até pelo sucesso que foi, mas eu sabia que era hora de seguir. Por saber que, para a plataforma da música se expandir, eu precisava seguir. Já tinha cantado para 80 mil pessoas na África, mas em eventos abertos, em igreja nunca tinha visto tanta gente reunida assim.

Foi a maior lotação da Igreja Sede e vi isso como um carimbo de Deus, afinal, é Ele quem promove, não é um talento ou dom apenas, é Ele. A glória é dEle. Confiei no Senhor e conseguimos o que eu precisava, até a prefeitura me ajudou.

Após a imposição de mãos que recebi dela, no lançamento do meu CD, muitas coisas foram mudadas. Lembro que eu declarava que o CD seria conhecido internacionalmente e, de uma hora para outra, houve o lançamento e recebi o convite para ir aos Estados Unidos. Deus moveu as coisas, abriu portas lá, passei vinte dias ministrando, conheci lugares maravilhosos.

Nunca imaginei, em toda a minha vida, morar em Belo Horizonte. Tem gente que sonha em morar lá pela musica, mas eu não tinha essa visão. Eu já tinha visitado e rodado pelo Nordeste com meu trabalho e o campo é grande no Brasil. Eu precisava avançar no sudeste. Deus falou comigo: “vá embora para o sudeste”. Pensei: “Vou para o Rio de Janeiro, porque Fernanda e Emerson estão lá, tem pastor Edimilson na igreja do Verbo em Pedra…“, eram pessoas que eu tinha alguma aproximação. Pensei em ficar no verbo e dar suporte à igreja de Emerson e Fernanda sempre que possível, esse era o meu plano. Deus não me mandou ir para o Rio, mas sudeste. Eu que decidi que seria lá. Mas eu não agendei nada por lá, fui de carro, conversei com Guto Emery, fui parando pelas igrejas, comecei por Maceio, Aracaju, Salvador, demorei um mês para chegar em BH. Lá eu tinha eventos marcados. Ministrei e, na segunda ia embora, mas em BH acabei agendando outras coisas e fui ministrando nesses lugares. Como não tinha agendado nada no Rio, foi aparecendo convites e fui aceitando.

Tive um sonho em BH. Nele o Senhor me mostrava que eu estava abrindo uma porta com as minhas mãos, e dava em um lugar que eu não imaginava. Acordei e fiquei pensando. Já faziam 20 dias que eu estava lá; eu falava com pastor Marcelo, estava hospedado na casa dele. Falava: “pastor apareceu outro convite, mas assim que concluir vou embora”, e ele dizia: “fique a vontade”. Fui ficando, marcava a data para ir embora, a noite fui a uma igreja e lá, pastora Juliana me deu uma palavra; ela falou exatamente o que eu precisava ouvir. Ela disse: “Você está querendo abrir uma porta que não sou eu que estou abrindo, seu lugar é Minas Gerais, fique aqui”. Mais claro, impossível.

Deus quer falar e nos direcionar para a vontade dEle. Às vezes, estamos desapercebidos e não ouvimos sua voz e creio que, quando não é uma direção de Deus, não será bom, mas, se Deus estiver envolvido, vai acontecer. Se não, Deus te dará um plano e propósito, você larga o seu e pega o do Senhor. Eu tinha meu plano, mas Deus disse não.

No dia seguinte, sentei com o pastor Marcelo e falei: “Pastor, Deus falou comigo para ficar aqui e esta sendo muito difícil para mim”. Ele respondeu: “eu já sabia só estava esperando Ele falar com você”. Logo depois, recebo uma ligação. Uma senhora falou: “você vai ficar ai? Eu tenho um apartamento e vou mandar mobiliar para você e você terá um lugar para morar”. Fora a assistência que o pastor Marcelo e sua família já estavam me dando. De repente, Fernanda Brum vem para BH cantar em um evento e me chama para cantar com ela. Quando cheguei e contei para ela, Fernanda diz que Deus também havia falado com ela para eu ficar em BH.

Ouvi a voz de Deus e obedeci também falei com pastor Edimilson que me apoiou e as famílias em Belo Horizonte me apoiaram. Hoje, meu pastor é Marcelo Carvalho, minha igreja é o Verbo da Vida em Belo Horizonte.

As pessoas me conhecem muito pela minha vida pública. O ministro de música, para alguns; o artista, missionário; mas sou uma pessoa muito tranquila. Às vezes, pessoas ao meu redor se importam com algumas coisas, mas eu não me importo com nada. Estando em paz, está tudo bem. Sou feliz, seja no muito ou no pouco. Nas restrições ou na abundância. Restrições foi o tempo na África e vejo Belo Horizonte como o tempo de abundância. Sou grato ao Senhor por tudo. As portas que estão abertas para mim me tornam mais confiante em Deus.

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