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Tenho 27 anos, sou natural de Cachoeirinha, cidade vizinha de Porto Alegre-RS. Mas Porto Alegre representa para mim mais uma casa do que era antes. O fato de ter crescido e ter a familiaridade com o lugar, acho que hoje a vejo de forma até mais romântica, poética. Ir para Campina Grande e ver as diferenças culturais me mostra uma Porto Alegre ainda mais com cara de lar do que antes. Mas Campina Grande acabou se tornando uma casa para nós também, pelo fato de termos morado lá um tempo.

Em Porto Alegre, morei em um bairro bem afastado da cidade e era um bairro que estava começando, conseguimos um pequeno lote para fazer a nossa casa, mas, quando chegamos lá, só tinha mato. Lembro que até os 6 anos, morávamos em uma casinha de madeira com dois cômodos. Tinha uma cozinha bem pequena e um quarto igualmente pequeno e, nessa época, eu já tinha uns quatro irmãos, então, era um tempo em que vivíamos de forma bem precária, difícil. Lembro dos meus pais construindo uma casa de tijolos na parte da frente. Nos mudamos para ela ainda inacabada.

Quando eu tinha 12 anos, meus pais se separaram e ficamos com a minha mãe. Por ser o filho mais velho, acabou vindo uma responsabilidade sobre mim em algumas coisas. Isso me deixou mais responsável, comecei a trabalhar cedo (aos 13 anos), mas não reclamo, acho isso muito bom, me amadureceu.

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Essa necessidade de amadurecer rápido vai ser útil na missão e no chamado que Deus tem para minha vida.

Lembro-me do esforço da minha mãe para fazer as coisas darem certo, ela ficou muito tempo sozinha. Ela contava muito comigo, criamos uma cumplicidade. Alguns acham que ela colocou muitas expectativas em mim, mas, na situação que estávamos, ela não tinha muito o que fazer.

Tenho muita admiração pela minha mãe. Os meus irmãos, vi todos crescendo. Errando, acertando, não concordei com boa parte das escolhas que que fizeram em suas vidas, mas temos muita amizade. Apesar das brigas infantis (que eram frequentes), mas éramos sete pessoas na mesma casa. Éramos uma legião, por que éramos muitos, uma grande família (risos). Tenho a visão de família com muita gente, muita gritaria, muita correria, isso é família mesmo. É todo mundo junto, mas foi uma vida de muito estresse, por isso, decidi com a Jana ter uma família pequena (risos).

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Tenho muito carinho pelas famílias que eu desenvolvi no meio cristão. Foram várias fases diferentes e, em cada uma delas, tive bons amigos. Na própria infância, na Igreja Adventista tinha um amigo, o Roger que era como um irmão. Depois na Batista tive o Calebe que era um amigão.

Porém há quase 10 anos tenho um amigo que é como um irmão, fizemos até o Rhema juntos, na turma pioneira de Porto Alegre; o Patrício Spader, meu padrinho de casamento e eu também sou padrinho dele. Hoje, ele é co-pastor da igreja Casa da Fé na cidade de Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre, amo a vida dele e de sua esposa Karen Korb.

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Conheci Jesus quando morava em Cachoeirinha e, quando conheci o Roger, meu amigo, além da família dele e alguns amigos que iam para a igreja nos sábados e domingos. Eu ficava fascinado por ver as pessoas indo à igreja, sempre achei legal o meio cristão, era um ambiente que me atraia. Cheguei perto deles e pedi para ir com eles. A mãe do Roger me levou junto e me tratou como um filho muitas vezes, a partir dali, fui me apaixonando por Jesus e por tudo o que a Palavra ensinava. Fui batizado e aquilo para mim era o ápice da conversão. Foi uma experiência muito boa. Então, me tornei o único cristão na família e, por isso, tive algumas dificuldades, porque eu preguei para eles a vida inteira.

Todos eles visitaram a igreja em algum momento. Então, todos foram apresentados a Jesus. Alguns confessaram, apesar de não ter seguido. Mas sabe, eu posso cumprir o meu chamado missionário, saindo do país, sabendo que fiz tudo o que estava ao meu alcance. Eu sei que o meu trabalho não foi em vão. Sei que o Senhor tem um plano para eles. Eu sei que existem outras pessoas que serão Jesus para eles, de outras formas. Sei que pessoas irão regar aquilo que eu pude plantar. Tenho muita paz em meu coração. Estou indo, mas não estou os abandonando. Fiz o meu melhor no tempo em que estava com eles.

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Sou casado com a Janaina. Lembro que eu trabalhava em uma empresa de não-tecidos industriais, especificamente na área de estoque e expedição. Eu trabalhava lá há dois anos e ela chegou depois. Ela começou a trabalhar no escritório. Nos vimos em um intervalo de almoço certo dia, ela bonita, mas não evidenciei interesse, por ela trabalhar em um setor um pouco mais sofisticado, e eu estava sempre sujo, trabalhava com um uniforme horrível. Nem achei que ela fosse ter interesse e não queria me enganar. Mas ela teve interesse, se aproximou, me chamou para ir à igreja dela. Passamos uns meses conversando e começamos a namorar.

Eu estava cursando o primeiro ano do Rhema, ela congregava na Igreja Bola de Neve. Ela conheceu o Rhema e, no ano seguinte, foi fazer o curso. Logo, veio congregar no Verbo da Vida. Eu ainda estava na Batista, mas mudei para o Verbo assim que casamos. Ela morava mais perto da igreja, unimos os motivos e nos unimos, com o desafio de criar uma família.

Tivemos as nossas dificuldades como todo casal jovem, mas a Janaina me fez amadurecer muito mais. Sou muito feliz em tê-la conhecido e tê-la como minha esposa. Ela inclusive foi determinante nas direções que a nossa vida tomou.

Lembro que eu já dizia a ela que queria vir morar em Campina Grande por um tempo e, uns dois anos depois que casamos, voltamos a conversar e ela me ajudou na decisão. Ela é bem atenta e tem uma boa percepção. Quando ela decide algo, assim como eu, está decidido. Isso promove um dinamismo em nosso casamento, porque não relutamos em seguir o caminho que escolhemos.

A Janina representa para mim um porto seguro em muitos aspectos. Ela é centrada, sensível, forte, e muito decidida. É bom fazer escolhas com ela, porque ela pega junto. Bem, ela é o amor da minha vida. É alguém que posso contar, uma pessoa sincera, em quem posso confiar.

Temos muita cumplicidade, amizade e confiança um no outro. Não há espaço para aqueles ciúmes bobos. Estamos muito seguros um no outro.

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Antes, Campina Grande representava a base do ministério. Não tínhamos tantas informações sobre o Ministério, mas, é onde estava acontecendo tudo. Porque tínhamos poucas informações, a gente pensava que a cidade era um lugar perdido no meio do nada. Achávamos que eram pessoas com estilo de vida bem diferente do nosso, mas estávamos enganados.

Campina é uma cidade em constante evolução. Alguns, ainda pensam como cidade pequena. Mas a cidade é grande. Hoje, representa uma segunda casa, um lar, ficamos tão à vontade, conhecemos a rotina, os bairros, eu acredito que agora temos dois lares.

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Nossos próximos passos são dar seguimento aos projetos quanto ao Reino Unido. Estamos tendo um tempo com o nosso povo aqui em Porto Alegre e a nossa igreja. Estamos apresentando o nosso projeto a todos. Tem sido um tempo precioso. Ficamos em Campina por dois anos, a igreja aqui está diferente, tem novas obras abertas e vamos conhecer cada uma delas, somos um corpo e fazemos parte disso.

As pessoas que nos conhecem, sabem que somos uma prova viva de que Deus, pegam junto conosco quando colocamos os nossos projetos nas mãos dele. É possível largar tudo e servir ao Senhor, dá certo.

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O próximo passo é seguir para Londres e servir com todo o nosso coração, toda nossa força, empenho e vontade. Queremos servir ao Gleison e Marina e tornar a vida deles mais fácil. De lá, vamos para onde Deus mandar, o chamado de Deus não é estático. Queremos estar onde o Senhor nos mandar e ficar o tempo que for preciso ficar.

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Em nosso chamado, primeiro tínhamos Campina Grande no coração, especificamente para fazer a Escola de Ministros. No tempo em que estávamos nos preparando para a Escola, nos víamos muito com o Gleison e a Marina, talvez não fosse eles exatamente, mas o que eles representavam. Um tempo depois, refletindo sobre isso, compartilhei com a Janaina e ela também compartilhava do mesmo sentimento. Ela tinha o Reino Unido no coração.

Compartilhamos isso com o nosso pastor, e ele nos aconselhou a permanecer orando e seguindo na Escola e foi isso que fizemos. Fomos tendo mais clareza, entendemos que Porto Alegre seria apenas uma passagem.

O tempo foi passando, entramos em contato com o Gleison, conversamos com os nossos líderes, e também com a coordenadora da Agência de Missões, Suellen Emery, e decidimos ficar mais um ano para fazer a Escola de Missões. Ano passado foi um tempo de maior clareza e foi um acréscimo, temos mais discernimento do nosso chamado hoje.

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Eu me emociono facilmente. La no Rio Grande do Sul, tem um supermercado que faz propagandas emocionantes todo final de ano, eu choro com todas (risos).

Choro e, às vezes, engasgo, vi em casa o filme ‘Procurando Dory’ e tenho um choro fácil. Quando ministro, dificilmente não choro.

A mesma facilidade que tenho para chorar, tenho para rir e dou risada de coisas ridículas mesmo. Dou muita risada vendo Chaves na TV. Quer me fazer rir, me coloque para ver Chaves.

Sou curioso e sempre estou pesquisando de tudo um pouco. Incomodo-me quando não sei nada sobre determinado assunto. Tenho uma paixão. Quem me conhece sabe que gosto muito de cinema. Muitas pessoas vem conversar comigo sobre filmes, porque eu entendo não como um profissional da área, mas como entusiasta. Quando eu era solteiro, tinha vezes que ia ao cinema umas quatros vezes em um mês. Gastava boa parte do salário nisso (risos).

Depois que eu conheci a Janaina as coisas mudaram, porque ela me ensinou que existem mais coisas que filmes. Hoje vejo menos, pela correria e o ritmo de estudos que temos, e, claro, hoje considero mais a parte ministerial. Mas ainda gosto muito de cinema.

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Eu procuro conviver facilmente com as pessoas. Faço amizades facilmente em qualquer lugar. Se estiver em uma fila vou sair dali sabendo de onde aquela pessoa veio, quantos irmãos têm. Faço amigos facilmente, mas, algumas pessoas têm dificuldades comigo, porque acabo invadindo um pouco o espaço (risos).

Normalmente, faço amizades com os introvertidos, porque ninguém chega neles e dai eu acabo chegando.

A vida me ensinou muitas coisas. Aprendi que preciso fazer as coisas darem certo. Acabo tendo dificuldades em desistir, às vezes, só desisto quando o senso comum diz: ‘chega, já deu‘, mas não sou de desistir.

Uma coisa que é muito forte em mim: não gosto de ver injustiça. Por isso, acabo me metendo no que não é da minha conta. Quero ver tudo bem dividido, não quero ver alguém tomando muito refrigerante, por exemplo, e o outro tomando pouco, acredito que é minha empatia apurada.

Não gosto de ver pessoas sendo desprezadas.

Na infância passei por certos tipos de desprezo, as vezes pela pobreza as vezes por cor, me vi sendo deixado de lado, principalmente no meio escolar. Não me afetava tanto, porque meus melhores amigos estavam nas igrejas que eu congreguei.

Como trabalhei com estoque muito tempo, eu gosto de organizar as coisas. Não gosto de ver coisas bagunçadas se eu puder arrumar. Quando vejo as coisas tortas, gosto de arrumar; pode até parecer “TOC”, mas não sou tão obcecado assim, só procuro fazer direito (risos).

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