Meus pais são filhos de japoneses. Nasceram no Brasil, mas foram registrados no Japão. Eu nasci em São Paulo (SP), em Bastos, a “cidade do ovo”. Uma colônia japonesa que tem cerca de 30 mil habitantes. Hoje a maioria não é mais de japoneses, pois muitos voltaram para o Japão ou se espalharam pelo Brasil. Meus pais foram comerciantes, mas eu não quis prosseguir nessa profissão. Vivi no Brasil até o início do meu casamento com Márcia, que conheci lá mesmo, em Bastos. Fomos ao Japão por causa de uma dificuldade financeira que tivemos, quando tentamos abrir um empreendimento. Chegando lá, senti muita diferença em relação à situação do Brasil… o nível de segurança de lá, por exemplo. Isso fez com que eu não quisesse voltar mais. Na carreira profissional, eu sempre fui de não parar. Quando fomos ao Japão, eu não queria ser um operário, apesar de ter tido essa experiência como funcionário de empresas no país. Logo que cheguei, eu vi pessoas trabalhando de tradutores e perguntei como seria possível eu ser um tradutor. Me disseram que eu precisava aprender japonês. Assim, fui primeiro trabalhar como funcionário de uma empresa, num lugar onde todos falavam japonês, para treinar o idioma. Lá, eu me aperfeiçoei, pois antes falava japonês muito misturado com o português.

Depois de um tempo, como ainda não tinha alcançado meu objetivo profissionalmente, eu já estava preparado para voltar ao Brasil, mas Márcia não queria. Então, ela mesma ligou para uma empresa para mim ir trabalhar lá. Era justamente um local onde eu queria trabalhar. Depois que Márcia marcou essa conversa, eu falei com o contratante e deu certo. Comecei a trabalhar lá, num cargo para cuidar dos funcionários, como Recursos Humanos. Fiquei um ano nessa função e, como eles viram que eu gostava de trabalhar e crescer, quando a empresa abriu uma agência de empregos, me chamaram como sócio. Passei de funcionário para empresário, como eu desejava. Nessa época, ainda não tínhamos o Senhor. Eu fiquei desgastado pelo trabalho, pois eu fazia tudo pela força do meu braço. Hoje sei o quanto precisamos de Deus e somos limitados. Precisamos do Senhor em todas essas coisas. O próximo passo profissional foi abrir uma empresa por conta própria, para dar assistência aos brasileiros com assessoria, serviços de despachos e traduções. Temos essa empresa até hoje. Um curiosidade é que antes de me converter, eu já preferia contratar cristãos, porque eu percebia que eles eram pessoas responsáveis e agiriam de forma correta no trabalho. Quando falavam que eram cristãos, eu os contratava na hora. Foram esses funcionários que estiveram sempre em oração por mim e minha família, para que nós fossemos alcançados pelo Evangelho.

Eu segui o budismo desde criança, pois meus pais eram muito ligados a essa religião. Meu pai era um líder budista. Após casado, quando Márcia e eu chegamos no Japão, continuei firme naquilo que eu cria. A maioria dos japoneses é budista, mas muitos não são praticantes. Lá, os jovens de hoje em dia não têm mais religião. Eles estão sem Deus. É uma terra onde se tem a oportunidade de apresentar o nosso Deus, a quem eles desconhecem. Na época em que eu era sócio da empresa da qual já falei, eu tive contato com muitas pessoas. Levei muitas para o budismo, que era a religião que eu praticava. Era aquilo no qual eu cria e eu queria que as pessoas aprendessem. 

Antes de me converter, já no Japão, houve uma primeira situação que me marcou. Foi quando eu escutei um louvor em um restaurante no qual eu trabalhava. A música dizia: “Eu amo você”. Quando você está no Japão, é possível que sinta uma falta de conversar, de ser amado, por você não estar no seu país. Vem um sentimento de solidão. Hoje não tem mais tanto, mas naquele período em que chegamos lá, passamos por bastante preconceito, pois lá nós somos estrangeiros. Éramos isolados. Eu tinha uma necessidade de ser amado, de ser abraçado. Quando eu ouvi aquela canção no restaurante, pensei: “Quem pode nos amar em um lugar tão gelado?”. Procurei bastante de quem era aquela música, fui nas lojas de CD’s, mas nunca mais encontrei qual era aquela canção. Para mim, tudo aquilo foi sobrenatural. Essa situação aconteceu 10 anos antes da minha conversão.

Em 2003, quando nossa filha passou por um problema de saúde, ainda bem pequena, Márcia ficou abalada e buscou consolo na igreja evangélica. Ela aceitou Jesus, mas se nessa fase eu tivesse ficado sabendo que ela estava buscando auxílio em outra religião, eu não teria permitido. Como pode? Nós dois éramos líderes budistas e ela buscando força em outra religião? Depois de um tempo, ela me contou. Tivemos um conflito muito grande e ficamos à beira de uma separação. Eu ficava pensando sobre como as pessoas as quais liderávamos nos veriam depois disso. Antes, eu via a Bíblia como algo tão infantil…  Imaginava como as pessoas poderiam crer naquilo. Um dia, chegou um juiz na nossa cidade e estava pregando na região. Então eu pensei: “Como pode um juiz acreditar nisso?”. Aí eu fui na igreja para ouvi-lo. Minha intenção era poder contradizer minha esposa dizendo que ele cria errado. Mas o interessante é que eu cria no budismo, só que enquanto eu pregava essa verdade relativa, dizia: “Hoje estou pregando a verdade, mas se surgir uma verdade absoluta, vou deixar essa verdade relativa e seguir a absoluta”. Eu não achava que isso iria acontecer, mas dizia.

Muitas pessoas cristãs nos procuravam, oravam por nós e diziam que éramos preciosos e amados. Sei que cada semente dessa foi me convertendo aos poucos. Quando eu fui para a igreja pela primeira vez, para ouvir aquele juiz, logo que cheguei, ouvi aquela música marcante que eu havia conhecido no restaurante. A música que falava sobre amor. Eu já fiquei quebrantado desde aquele início e, durante a Palavra do juiz, eu chorei em todo o tempo. Comecei a ouvir e o meu coração estava arrebentado por dentro, mas o meu orgulho não me deixou aceitar Jesus naquele primeiro culto. No segundo culto, eu não resisti e aceitei. No momento da conversão, eu tive uma visão aberta. Vi pessoas precisando de socorro e tive a sensação de que elas precisavam de mim. Eram pessoas passando fome. Aquilo me marcou tanto, que pensei que Deus iria me mandar para a África, só por ter visto pessoas passando fome. Missões ficou em meu coração desde aquele dia. 

Congregamos naquela igreja por um tempo, mas um dia fomos convidados para visitar uma igreja missionária. Lá, o pregador ministrava com muita ousadia para o povo japonês. Naquele dia, desejei pregar com essa mesma intensidade para aquele povo. Congregamos em outras igrejas também, mas acabou que ficamos com várias doutrinas misturadas em nossa mente e ficamos confusos. Uns falavam que algo podia e outros que não podia; alguns que algo era e outros que não era. Assim, começamos um trabalho independente. Pensamos em somente estudar a Bíblia, por nós mesmos, e convidamos nossos amigos para se reunirem conosco. Assim formamos uma igreja. Quando minha esposa estava fazendo um curso de japonês, ela conheceu o casal Jusciê e Joanice Arcanjo. Eles nos falaram sobre o Rhema e nós aceitamos. Fomos da primeira turma. Nos formamos em 2015 e, nesse período, Jusciê congregava conosco. Logo nos tornamos associados ao Ministério Verbo da Vida. Em 2017, viemos à Sede do ministério em Campina Grande, onde participamos da Conferência de Pastores. Viemos conhecer e percebemos que era um ministério grande, estruturado. Vi tudo o Deus está fazendo aqui. Sempre pensei assim: se tem um rio que já está correndo, preciso estar junto para correr na mesma velocidade. Jesus está muito próximo de voltar e a palavra que me veio naquela conferência foi sobre velocidade. O Rhema havia sido um enxerto da Palavra de Deus em nossos corações e, naquela conferência, nossos corações despertaram para decidirmos nos tornar oficialmente do Verbo da Vida. Até aí, éramos uma igreja sem placa. Mas, finalmente colocamos o nome da igreja na frente no templo. Estamos em Yamanashi,  que fica numa província vizinha a Tóquio. Jusciê e Joanice estão em Aichi e o Jefter em Tóquio. Estamos bem no meio. Temos sido honrados pela visita de pessoas do Ministério que têm ido ao Japão. Temos recebido da Palavra e das unções que têm ido lá. Um boa terra está sendo cuidada naquele local e sei que vai produzir ainda mais. 

Falando sobre minha família, minha esposa é muito perseverante. Uma mulher forte fortalece o seu esposo. Márcia é uma mulher sábia. Temos diferenças de opinião, mas nos completamos. Já a minha filha, ela é um milagre. Márcia teve um início de câncer e os médicos queriam tirar o seu útero, mas nós falamos que não queríamos que tirassem porque queríamos ter filhos. Ela nasceu e foi um milagre. Devido o choque cultural, por ela ter uma família brasileira e estar no Japão, minha filha cresceu e ficou bastante tímida. Ela também não conseguiu ficar tão desenvolvida na igreja. Melhorou destas coisas depois que começou a fazer o Rhema, especificamente, depois da disciplina de Escatologia, que a marcou muito. Ela começou a cantar até mesmo no louvor da igreja e as pessoas se surpreenderam com o crescimento dela. Hoje, ela tem feito o seu melhor para Deus!

Nosso sonho envolve a obra de Deus. Aquela visão aberta, que eu falei, é justamente o que estou vivendo. Essa missão que carregamos hoje, no Japão, se refere àquele povo que vi na visão e que está perecendo pela falta de conhecimento da Palavra. O alimento que o Japão precisa conhecer é essa Palavra. Precisamos apresentar esse Deus e avançar. Queremos ver os japoneses avivados. Quando os japoneses seguem algo e são fiéis, eles mergulham mesmo, com intensidade. Hoje estou vivendo uma graça para pregar em japonês nos lugares onde somos convidados. Mesmo com o meu japonês que ainda não é perfeito, eu prego. O Japão é o lugar onde devo lançar as redes. Cremos num grande avivamento naquela nação. Um avivamento de poder, da Palavra da fé, de cura, de milagres! O Japão precisa desfrutar desse poder!

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