Tenho 36 anos. Nasci em Belo Horizonte. Cresci lá, a minha família é predominantemente de Juiz de Fora-MG. Conheço bem a minha cidade, cada cantinho e consigo achar tudo lá (risos) tenho amigos, bons relacionamentos e eu achava que nunca sairia dali, esse era meu pensamento. Antes de me converter, eu achava que só sairia por uma proposta financeira muito alta, algo assim, mas, depois de me converter, aconteceu e foi por questão de chamado.

Há dois anos, acabei indo embora para Montes Claros, interior de Minas e estamos bem lá. De Belo Horizonte para lá são cerca de 450km de distância. Pelo tamanho do estado, até que Isso em Minas é uma distância curta.

Eu já estava querendo morar em uma cidade menor, estava ficando estressado com o trânsito de Belo Horizonte. A região metropolitana tem hoje cerca de 5 milhões de habitantes. Então, começou a ficar complicado o trânsito, em especial nos horários de maior fluxo, chegando a durar uma hora e meia, até duas, um percurso. O bairro que a gente morava tinha muito trânsito e parece que você vai perdendo um pouco a graça de estar ali.

Montes Claros é uma cidade com 400 mil habitantes, é uma cidade bem mais tranquila, mas com uma boa estrutura. Nesse ponto a adaptação foi muito fácil.

A minha família mora em BH. Meu pai se chama Paulo também eu sou Paulo Júnior. O nome da minha mãe é Rosa. Eu tenho três irmãs mais velhas. Sou o único filho e o mais novo. A distância de idade da minha irmã mais próxima é de 6 anos. Então, foi quase dois momentos de famílias diferentes. As minhas três irmãs têm idades muito próximas uma da outra. A mais velha tem 11 anos a mais que eu. Depois vem outra 8 anos mais velha e, por fim, a outra. Eu cresci, em parte, como filho único. Fui pajem de casamento da minha irmã mais velha! Todos são casados e moram em Belo Horizonte.

Minha irmã mais velha se converteu primeiro, porque não éramos de família cristã. Mas ela se converteu, e fez o Rhema. Seguiu o caminho dela em outro ministério. Foi pregando para a gente em casa o que aprendia no Rhema, e acabamos nos convertendo e começamos a procurar uma igreja. Fomos na Igreja Verbo da Vida e ficamos lá.

Meu pai foi muito importante na minha criação. Nos primeiros anos, quando eu não tinha muita memória, meu pai trabalhava muito e ele tinha pouco contato comigo. Certo dia, a psicóloga da escola o chamou e disse: “Você precisa ficar perto do seu filho, porque ele está ficando agressivo no Colégio” e aí meu pai começou a me chamar para sair, passamos andar de bicicleta juntos, ele começou a me levar no Mineirão e esse contato aumentou entre a gente. Isso eu tinha uns seis anos de idade. Até os 18, a gente ficou bem próximo, bem companheiros, trabalhamos juntos um bom tempo. Montamos uma empresa juntos até, mais ou menos, 2007, quando sai para fazer outras coisas. Foi um tempo muito bom e que tenho saudades. Hoje sou um conselheiro dos meus pais.

Minha mãe é super protetora e eu sou o filhinho dela (risos) tenho uma relação muito próxima com ela. Hoje, está um pouco mais difícil pela distância que moro, mas, sempre que posso, dou um pulo lá. Fomos para a igreja quase junto com eles. Eles ainda foram para outra igreja, mas não era a mesma visão e acabaram indo para o Verbo. Nós nos aprofundamos um pouco mais que eles, até pela idade deles, meu pai acabou de passar por um câncer e foi curado graças a Deus. Até então, sempre foram envolvidos na obra, monitores do Rhema, agora estão cuidando mais da saúde.

Sou casado com Natália, começamos a namorar no ano 2000. Namoramos por 10 anos. A gente se converteu pouco menos de um ano antes de casar. Como falei, nos convertemos em casa e demorou um tempinho para irmos para a igreja. Casamos em 2010, estamos fazendo 8 anos de casados. Mas a nossa história já tem 18 anos. A minha vida já é metade com ela.

O nosso namoro evoluiu para um casamento gradativamente e naturalmente. Talvez por isso, quando casamos sentimos pouco as diferenças do casamento, porque eu tenho amigos que namoraram, noivaram e casaram muito rápido e aí nos primeiros meses de casamento um grande percentual fala em separação. Porque as coisas pequenas que a gente acha que não terão influência, acabam tendo. E tem muita influência, desde o horário de acordar, de dormir, se você deixa o copo na mesa ou na pia, se você lava o copo e que horas que você lava, tivemos as nossas adaptações, mas foram mais leves, porque já nos conhecíamos muito, já estávamos acostumados com o jeito um do outro e já estávamos nos lapidando há um tempo. Quando começamos a namorar, ela tinha 16 e eu 18 anos, muito jovens. Não tínhamos muitos conceitos de vida, muitos deles construímos juntos.

Natália… defini-la, eu fico tentando fugir do lugar comum na resposta. Porque parece que todo marido fala a mesma coisa.

Seguramente eu não estaria aqui se a Natália não estivesse comigo. Se ela não fosse a companheira que é. Vejo relacionamentos e ministérios que não deslancham por causa da mulher. A Natália não é só uma mulher que não me atrapalha; é uma mulher que me ajuda. Que me empurra muito mais do que o povo percebe. Ela tem talentos complementares, tem um coração submisso. Em momentos que eu estava um pouco desanimado, quem tocava o barco era ela. Um dia desses, encontrei uma carta que ela escreveu para mim anos atrás, quando eu estava para baixo… Hoje, se ela falasse: “não quero mais”, eu não conseguiria sem ela. Eu não teria condições de continuar, não consigo ver a minha vida mais sem ela. Onde eu vou carrego ela junto.

Aos 36 anos eu entendo o homem de uma forma muito diferente do que eu entendia. O que se fala ser homem na sociedade: “Ah! Esse cara é homem” geralmente é atribuído a uma brutalidade, masculinidade exacerbada, e o interessante que isso não é ser homem. Uma vez eu ministrei para os homens lá na igreja e falei isso: “quem fala o que é ser homem é Deus”. Porque foi Ele que criou, qualquer coisa que saia do homem perfeito que Ele criou, não é ser homem. Então, um cara bruto e machão não é homem. Homem é Jesus Cristo.

Um dos maiores valores que acho que o homem tem é a submissão a Deus. Que é uma coisa muito difícil. Você vê hoje que a igreja brasileira é muito composta de mulheres, porque os homens têm muita dificuldade de se submeter. O maior problema é esse. Eles têm dificuldade de se abrir, de se aconselhar, de falar que está errado, porque você precisa se arrepender para falar que está errado. Então, admitir o erro é difícil. Tem muita gente que por causa dessa coisa do machão, fica travado e não consegue se submeter a Deus. Por isso, a submissão a Deus é um grande valor.

Existem problemas de homens cristãos dentro de igrejas que causam até divisões, dificuldade de liderança, por falta dessa submissão; e a submissão a Deus vai levar a tudo. Aliás, ela trará todo o resto. A submissão do homem trará o amar incondicionalmente a mulher, o respeito, e talvez por isso, a submissão seja o valor principal do homem.

Acho que a minha maior conquista é alcançar essa submissão; vencer algumas coisas no meu próprio caráter que pareciam invencíveis.

Porque todo o resto de conquista, de alcance ministerial, tudo isso é fruto da obediência.

Então, chegar a humildade de reconhecer que eu necessitava da graça de Deus é algo precioso para mim.

Tenho um sonho de ser arrebatado… (risos)

Mas antes preciso cumprir algumas coisas que Deus tem para mim, pode parecer piegas, mas realmente eu não tenho outro objetivo mais. Eu larguei todos os meus outros sonhos na vida para fazer o que Deus colocou em meu coração.

Antes de me converter eu queria ficar rico. A maioria das pessoas quer, mas não quer, mas no meu caso, eu queria meeeeesmo. (risos)

Eu cheguei a quase ir para a África, abrir uma companhia aérea em Guiné Bissau em 2010. Mas, graças a Deus, não deu certo.

Eu tinha vários sonhos de consumo, sonho de viajar o mundo. De fato, ainda quero. Engraçado que eu comecei a viajar melhor depois que eu me converti (risos) Algumas vezes, sem dinheiro nenhum.

E, aí percebi que, na verdade, Deus corre atrás dos nossos sonhos. É burrice eu correr atrás dos meus sonhos. Eu não vou conseguir completar isso. Jesus falou: “Se você quiser ganhar a sua vida, você vai perder, mas se você perder, por minha causa, você vai achar…”

Então, eu comecei a vivenciar isso.

Eu tenho pouco tempo de convertido, relativamente. Me converti em 2009, mas mergulhei de cabeça, fiz o Rhema, depois, imediatamente a Escola de Ministros e logo fui para o tempo integral na igreja por conta própria, o pastor Marcelo não tinha me chamado.

Eu falei: “pastor, vou ficar aqui”.

Ele falou: “ué, fica”.

E eu fui ficando, ficando… depois de um ano e meio de trabalho voluntário, experimentando milagres financeiros. Na minha cabeça pensava: “eu vou viver pela fé, não sei se vou ter alguma coisa na vida, mas eu sei que preciso fazer isso”. No início foi difícil, foi um peso. Que é a dor de você renunciar algumas coisas, existiam algumas dores e o diabo te ajuda a ficar com essa dor. E ele te fala: “Você fracassou”. Mas eu fui vendo Deus fazendo as coisas. Trazendo as coisas que eu queria. Mesmo depois que eu já havia esquecido, mesmo quando eu não pedia, as coisas foram acontecendo.

Eu ouvi de Deus o chamado para Montes Claros. Eu ouvi o nome da cidade e eu nunca havia pisado lá. E ouvi enquanto o pastor Marcelo me falava que Deus havia falado com ele sobre essa cidade, ates mesmo de falar o nome, e enquanto ele ia me explicando isso, eu ouvi: Montes Claros. E então, o pastor me falou que me levaria para lá. Eu estava na casa dele nesse dia, tinha ido lá, era início de 2016 eu estava apresentando alguns projetos da área de comunicação e do Livres e ele me disse: “não é nada disso”, e fez a proposta para Montes Claros. Em 3 meses, nos mudamos para lá e alugamos casa do jeito que estava em nosso coração.

Tudo o que a gente quis, acabou acontecendo, mas da forma que Deus quis.

O que me faz levantar todos os dias de manhã é conseguir erguer uma grande igreja na cidade, conseguir fazer um grande projeto para o Verbo da Vida no norte de Minas. Conseguir levar o Rhema pra lá. Eu sei que é passo a passo, é um processo, e é pra isso que eu estou correndo. Todo o resto é acessório.

Tenho uma memória muito boa. A minha vida começou aos 4 anos. quando eu aprendi a ler, dos 4 aos 12 eu era um menino muito recluso. Não tinha muitas amizades, não saia muito. Nesse tempo, meu principal hobby era ler. Eu fui muito incentivado para a leitura, as minhas irmãs que me ensinaram e, por ter aprendido muito rápido e gostar muito de ler, gastava muito tempo com isso. Eu brincava sozinho e lia. Acho que nessa época, li uma enciclopédia inteira.

Dos 12 aos 16 anos foi uma fase muito ruim da minha vida. A minha adolescência foi ruim, eu era antissocial, me sentia excluído, e ainda eu era baixinho, magrelo, feio… Era esquisito (risos). Acho que até os 17 foi uma época realmente bem dura na minha vida. Muitos conflitos interiores.

Aos 18, conheci a Natália e as coisas começaram a melhorar. Eu já trabalhava desde os 16 anos, e aos 19 eu abri a fábrica com meu pai e fui ajudá-lo, estava entrando na faculdade. Esse foi um tempo de muito trabalho, estresse, foram anos que eu não vi passar… Quando eu vi, estava com 26 anos.

Depois disso tudo, foi a minha conversão, que já foi o início de uma guinada, mas a partir de 2010, foi de fato a reviravolta.

De lá para cá é realmente novo nascimento. Aproveitei a experiência e os dons do passado, mas nada que eu construí no passado ficou. Absolutamente nada. Mudou tudo. A única coisa que permaneceu foi meu relacionamento com a Natália. Nem empresa, vários antigos amigos se foram, muitos dessa época, perdi o contato. É incrível, mas eu tenho contato com amigos lá da infância e início da juventude, e alguns são meus amigos até hoje. Porém, não são tantos.

Tenho referências na minha vida e ministério. Pastor Marcelo Carvalho é um deles, sem dúvidas. Foi a única pessoa que me pastoreou até hoje. Ele me pegou para discipular, um menino difícil. Eu sou muito questionador, não tinha medo e não tinha o respeito do jeito que alguns têm. Por exemplo, teve um dia que ele estava ministrando (ele conta isso até hoje e ri da minha cara) eu confrontei ele sobre coisas que ele estava pregando. Fiz isso várias vezes com ele. E eu louvo a Deus pela vida dele, porque ele teve paciência.

Ele poderia ter me enxotado, mas eu nunca fiz isso para afrontar. Sempre que ele me ensinou eu aprendi, ele me trouxe para perto, me amou e foi paciente comigo. Ele me lapidou, me levantou e eu sei que ele poderia ter me descartado lá atrás. Eu teria ficado descartado, eu era um bebê espiritual. Por tudo isso ele é uma grande referência.

No ensino tem Thiago Freitas, Marcos Honório Jr. Que são amigos pessoais mesmo. E uma grande referência, mesmo tendo visto apenas uma vez, é o pastor Bud Wright. Ele nem soube da influência que ele acabou tendo na minha vida. O vi apenas uma vez em uma aula de campo da Escola de Ministros, ele não chegou a ir em BH enquanto eu estava lá.

Lembro quando fazia o Rhema e comecei a pegar outros livros para ler e comecei a fazer uma confusão na cabeça e falei: “quer saber? Até eu entender o que eu estou fazendo aqui eu só vou ler livros indicados pelos meus professores”; e fiz isso até o final da Escola de Ministros.

Depois que acabou a Escola de Ministros comecei a ler Philip Yancey, Randy Clark, C.S. Lewis, entre outros. Livros bons, mas que na época eu não tinha maturidade para ler. Assim acabei absorvendo muito a visão do Verbo da Vida.

A ideia de criar a Editora Reinar foi pra atender uma demanda crescente no ministério, de publicar os livros de nossos ministros, e dar visibilidade à Palavra da Fé para fora dos “limites” do Rhema. Como sabem, não somos uma concorrência à Rhema Brasil Publicações, e sim um parceiro, um auxílio. Somos uma visão complementar, objetivando expandir a influência de nossos ministros pelo Brasil. Então, começamos publicando livros que estavam “na gaveta”, cujos assuntos eram lacunas em literatura no nosso ministério.

A partir daí, começamos a fomentar uma produção de conteúdo que ainda não temos em abundância na Palavra da Fé. Acho que esse é o principal critério. Não interessa, para nós, escrever “mais do mesmo”. Escrever livros sobre Realidades ou sobre Justiça de Deus, doutrinários, como já temos do Hagin, por exemplo. Mas procuramos produzir conteúdo de qualidade, que vai desde doutrinários até devocionais, testemunhais… Em um futuro próximo, até romances e poesias (risos). O céu é o limite!

Sou grato a algumas pessoas, aos meus pais pelo esforço, sei que eles foram pais em uma época muito difícil. Vi a dificuldade que meu pai teve para manter e criar 4 filhos. As minhas irmãs, minha família de maneira geral.

Sou grato aos meus sogros, eles nos ajudaram em momentos muito difíceis.

Aos meus amigos fora da igreja, acho que as vezes, o crente se converte e vai para dentro de uma bolha, mas graças a Deus eu não fiz isso. Porque muitas vezes, foram amigos meus de fora da igreja que representaram Deus pra mim.

E olha que eu fazia parte de um ciclo muito ateu. Hoje, acho que nenhum deles mais é ateu. Parte certamente por causa da minha influência; é claro que daí para congregar em uma igreja evangélica é um salto muito grande. Mas tem um que congrega, outros “namoram” mas ainda não decidiram. Maioria tem boa formação em diversas áreas, algumas que até dificultam o aceite pleno do Evangelho, infelizmente. Mas essas eram pessoas que, quando eu não tinha ninguém para contar, eu contava com eles.

Sou grato ao pessoal do Verbo em Belo Horizonte pelo apoio dado quando estávamos lá.

Quem sou eu? Que resposta difícil… Não sei quem sou mais não…

Sou uma pessoa difícil, polêmico, acho que eu sou meio anestesiado com alguns tipos de relações humanas. Não consigo ter uma relação na qual eu não possa falar com você algo que eu estou pensando. Alguns podem entender isso como afronta ou confronto. Eu tenho zero medo de confrontos. Mas não é por maldade, chatice, só acho feio eu ter alguma coisa que eu não goste e eu não possa falar com você; se vejo algo que eu posso te ajudar, converso com você, busco abrir teus olhos de alguma forma.

Fiz isso a vida inteira e fui muito mal interpretado por isso. Eu acho que eu sou muito ingênuo, às vezes. Sofri muito no início da igreja por causa de ingenuidade. Por achar que estava tudo bem e não estava. Por isso, acho que Deus me preserva de algumas coisas. O fato de eu não ter algumas maldades, malícias.

Apesar disso, sou uma pessoa que sabe ler bem as pessoas, mas quando é em relação a mim, não sei direito.

Eu não sei o que as pessoas pensam de mim, eu acho que ninguém me conhece. Eu não tenho um conceito muito formado e elevado sobre mim sabe…

Me surpreendo muitas vezes com o que as pessoas falam de mim tanto positivo quanto negativo. Talvez por isso, tenho dificuldade de me definir…

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