Tenho 33 anos e nasci em Fortaleza – CE. Vim de uma família com 4 irmãos, mas só convivi com um deles. Meus pais se separaram quando eu tinha 4 anos e, quando isso aconteceu, minha mãe, Kátia, voltou comigo para Natal- RN (pois ela é de lá). Ela casou de novo e foi aí que decidiu ter o seu quarto filho, Pedro Henrique, o que foi criado comigo.

Minha mãe sempre nos educou para que fôssemos independentes. Nos deu uma consciência financeira também, nos fazendo atentar para trabalhar desde cedo. Quando eu era adolescente, não tinha um bom relacionamento com ela e nem com meu padrasto. Não me lembro de passeios, momentos em família.

Na minha vida, as coisas mais marcantes começaram mesmo depois que eu conheci Jesus. Depois disso, o Senhor começou um processo nos meus relacionamentos, inclusive com meus familiares. Eu comecei a entender a forma deles em expressar amor por mim. Isso aconteceu principalmente entre mim e minha mãe.

O Senhor me ensinou a me colocar no lugar dela e compreender as suas atitudes. Hoje, apesar de morarmos bem longe, nos falamos todos os dias e ela conta tudo para mim. Como mãe e filha, temos um relacionamento melhor hoje do que antes.

Meu irmão mais novo e eu sempre tivemos um bom relacionamento. Parecemos mãe e filho, por causa da diferença de idade e também porque minha mãe trabalhava o dia todo, então, até os primeiros passinhos dele foram comigo. Eu curti muito a sua chegada. Quando eu conheci Jesus tinha 21 anos e comecei a levar meu irmão para a igreja. Pedro aceitou Jesus com 12 anos e crescemos juntos no Senhor.

Mas quando eu ainda tinha meus 10 anos de idade, comecei a perceber um talento na música. Notei que eu era diferente das outras crianças, um pouquinho mais afinada (risos). Eu tinha uma professora de artes que também me incentivava a cantar nas festividades da escola. Nunca fui tímida, quando tinha algo que envolvia música no colégio, eu sempre estava lá. Antes de entrar na faculdade até tentei montar uma banda, mas não deu certo, graças a Deus (risos)

Assim, quando me converti, converti também o meu talento. No início, eu não queria cantar, não me sentia digna. Mas Deus foi tratando isso aos poucos, especialmente depois de Marcel entrar na minha vida. Eu estava com um ano de convertida quando o conheci. Começamos a namorar e ele sempre me perguntava porque eu não queria usar esse talento. Deus foi me trazendo maturidade e eu me convenci. Quando cheguei na igreja em que Marcel congregava, ele já estava mais desenvolvido na vida cristã, já era líder do louvor e dos jovens. Ele foi uma das pessoas que mais me discipulou.

Hoje, não me vejo “não cantando”. Quando for na glória, todos iremos cantar e esse é um ministério eterno. Entendo também que cantar é uma enorme responsabilidade. O Senhor habita em meio aos louvores e essa é uma maneira de se pregar a Palavra.  

Depois que Deus trabalhou sobre a música comigo, começou a falar sobre Missões. Marcel já tinha várias profecias de que ele seria envolvido com isso no futuro. Com um ano de namoro, começou a passar pela minha cabeça: “Marcel já recebeu tantas palavras sobre missões e eu nunca recebi”. Eu queria um profeta que falasse algo sobre isso para mim. Deus é tão misericordioso que começou a levantar pessoas para falar que eu também iria para as nações.

A nossa primeira viagem missionária para a Alemanha foi através de um projeto transcultural de uma igreja que fazíamos parte. Foi em outubro de 2011 e viajamos no total de 25 pessoas. Passamos cerca de 15 dias no país. Fizemos evangelismo de rua, louvor e usamos várias estratégias para chamar atenção. Quando se juntavam muitas pessoas, o pastor ministrava em inglês e outra pessoa o traduzia.

Lembro que nessa viagem, quando cheguei em Frankfurt, me veio uma percepção sobre a situação espiritual daquele lugar. Era uma direção para a intercessão e comecei a chorar. A primeira semana na Alemanha foi toda assim, com um peso de intercessão. Quando eu vi a quantidade de pessoas Muçulmanas que já moravam lá naquele ano eu fiquei admirada. Chegamos a evangelizar alguns deles nessa viagem. Vi muitos alemães que haviam se convertido à religião daqueles Muçulmanos e aquilo tudo foi mexendo comigo por dentro.

Uma das experiências desses dias foi que encontramos um homem afastado da igreja e ele me disse que se as igrejas de lá tivessem a alegria que nós brasileiros tínhamos, ele iria voltar a frequentar uma delas. Foi muito interessante ver a importância da maneira com que nós brasileiros fazemos igreja. Há uma liberdade que experimentamos no Espírito e, de alguma forma, eles perderam. Voltei dessa viagem com a certeza de que precisávamos fazer mais por aquela nação.

Depois dessa primeira experiência, passamos a receber diversos relatos de que igrejas estavam sendo fechadas por falta de pastores. Começamos a receber convites e sabíamos que precisávamos nos capacitar para voltar para lá. Falamos sobre isso com nossos pastores na época e eles nos incentivaram a fazer o Rhema.

Nós começamos a cursar na escola e, logo no início, Deus começou a tratar conosco sobre Campina Grande-PB. Eu estava estudando para um concurso e não haviam vagas para Natal-RN, mas haviam vagas em Campina. Estávamos com expectativas para virmos através do concurso, mas não foi assim. Começamos a orar sobre em qual tempo viríamos e Ele nos guiou sobre o momento exato. Viajamos em Maio de 2012, terminamos o Rhema em Campina Grande e, após isso, fizemos a Escola de Missões. Deus nos providenciou tudo de forma sobrenatural.

Quando voltamos para a Alemanha a fim de morarmos, tivemos algumas dificuldades de adaptação, pois o clima é muito diferente. Lá os dias são cinzentos e mais curtos, são no máximo 7 horas de sol. Além disso, a gente foi com um visto voluntário, trabalhávamos dirigindo vãs, geralmente transportando idosos, ou enfermos. Era um trabalho muito puxado e isso também não foi fácil. Os primeiros choques foram esses. A língua também foi um desafio. Nessa fase, tivemos que nos agarrar na Palavra com a convicção de que o Senhor havia nos chamado.

No entanto, não tive dificuldades no campo missionário com essa nova etapa de ser mãe. Na Alemanha, existe uma assistência excelente para o parto, além disso, minha mãe pôde ir lá me acompanhar no último mês de gestação. Nem percebi que não estava no Brasil (risos).

Marcel, para mim, é um exemplo de pessoa mansa, misericordiosa, humilde e que não gosta de confusão. Ele é muito temente a Deus e é intenso em viver segundo os princípios dEle. Ele também pode ser definido pela palavra “abraço”. Gosta de abraçar todo mundo e eu já fui muito consolada por esses abraços. Sei que nossos amigos e outras pessoas podem testemunhar que já desfrutaram desse consolo da parte de Deus através da vida dele.

Quanto à Alemanha, a minha expectativa é que mostremos ao povo que Deus é um Deus que perdoa. Ainda há pessoas que levam uma carga de culpa naquele país e isso é uma percepção que Deus nos deu sobre esse povo. Minha oração é ver as pessoas rendidas ao Senhor e que Ele nos mostre àquelas que têm sede e fome para podermos falar a verdade que liberta. O Senhor nos levou para a Alemanha para encontrar os que têm buscado a Ele.

Há muitos relatos de que as igrejas de lá estão frias, mas sabemos que essas pessoas não têm o entendimento de que a Igreja é elas. Uma congregação não é feita só pelo pastor. Queremos levar essa consciência de que a Igreja somos nós. Queremos que elas entendam que Deus é galardoador e que Ele não tem Se negado a Se derramar sobre a Alemanha. Estamos crendo que o Senhor trará um novo avivamento sobre a Europa, pois existe uma geração inteira que, apesar de estar num país cristão, ainda não ouviu falar do Jesus que nós conhecemos.

 

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