Meu nome é Priscilla Fontenele, tenho 41 anos, nasci no Rio de Janeiro, mas morei a maior parte dos meu tempo em Brasília, com a minha mãe, Ilza Zorzin. Quando ela engravidou do meu pai, foi com ele pai para o Rio, lá descobriu que ele era casado e deixou ele. Em Brasília, me formei em Administração, casei e tive minha filha.

Fui criada sem pai, precisei me ajustar em muitas coisas com a minha mãe, quando meu irmão nasceu, eu tinha 12 anos, e ajudei a cuidar dele. Depois, vi outro irmão nascer, mas ele viveu somente 16 dias, foi uma fase bem traumática. 

A minha vida é marcada por sucessões de milagres, de coisas sobrenaturais que aconteceram e continuam acontecendo. Não tem como a gente desistir, tudo que Deus fez até agora, nos chamando e nos atraindo. A nossa vida está, totalmente, ligada às coisas do Senhor. Atualmente, eu trabalho na coordenação do Rhema, faço manuais de procedimento, sou envolvida com a parte de treinamento, de qualidade, de atendimento, de vendas e também atuo na comissão de construção da igreja.

Em 2007, Deus me deu um sonho. Eu sonhei com uma menina, ela estava em um lugar na Espanha, fazendo uma tradução da Bíblia para uma língua que eu não conhecia. No sonho ela falava assim: “Hoje sou eu que estou aqui e amanhã serão vocês”. Então como precisamos sair de Brasília para um tempo de treinamento, fomos para João Pessoa (PB), passamos dois anos lá.

Muitas pessoas falavam que a gente precisava fazer Escola de Missões, não tínhamos condições financeiras nem de fazer Escola, nem de nos mudar. Mesmo assim, diante das impossibilidades e, em obediência, nós viemos quando Deus levantou um mantenedor que nos trouxe para cá.

Desde o começo do nosso relacionamento, assim que comecei a namorar Carlos, ele era usuário de drogas. Em um determinado tempo, eu me afastei do Senhor e comecei a me envolver com outras coisas.

Para se ter uma ideia, em nosso primeiro encontro, ele me levou a um lugar, lá em Brasília, chamado Península dos Ministros. Era um lugar, bem isolado, aonde as pessoas iam para usar drogas. Foi um baque, mas como foi uma conquista difícil de meses, eu pensei em não desistir tão fácil. Eu ficava com aquela dúvida, em questão, se ficava com ele ou se ficava firme na igreja, voltar ou não voltar para igreja, foram anos turbulentos.

Certa vez, o Senhor falou comigo de uma forma muito clara e eu, mesmo sem conhecer essa palavra da fé, comecei a declarar coisas sobre ele. Durante muitos anos, as pessoas diziam que ele não tinha jeito que ia me levar para o fundo do poço e eu falava que tinha a convicção de que ele seria transformado.

Como a gente já tinha uma vida conjugal, eu falei para ele que a partir daquele dia não ia ter mais sexo: “A partir de hoje vai ser ‘assim, assim e assado’, se quiser casar comigo vai ter que aceitar Jesus, porque eu não vou casar com um homem ímpio”. Ele disse que eu estava ficando doida, que tinham feito uma lavagem cerebral em mim. Eu tinha muitas convicções e comecei a declarar a Palavra dizendo que ele ia, de um dia para o outro, largar as drogas. Só que, quem usa cocaína por 10 anos, largar de uma hora para outra, sem abstinência seria complicado. Além de droga, ele bebia e usava cigarro comum. Eu determinei que iria orar, por 30 dias, e que ele se converteria e deixaria o mundo das drogas para trás, foi o que aconteceu!

As minhas convicções que me faziam permanecer. Às vezes, ele me ligava com aquela voz de louco e eu perguntava onde ele estava, mas ele não sabia dizer, saí muitas noites procurando por ele, lutei por ele, Deus falava no meu coração, que ele ia ser um ministro de Seu, um homem de Deus.

Fomos para uma igreja, conhecemos um pastor e ele perguntou quando seria o casamento,  Carlos falou que seria em três meses. “Como daqui a três meses?” falei. No dia seguinte, eu disse a Deus: “Pai, se for algo que estiver nos Seus planos, mostra-me! Deus faça alguma coisa porque não dá para casar sem fogão e geladeira!”.

No outro dia, encontrei uma tia, contei que ia casar dali a três meses, já de cara ela disse que ia me dar o fogão. Fui para uma reunião de oração, quando contei que havia recebido o fogão de presente, as irmãs disseram que eu acabara de ganhar a geladeira. Daí em diante, todos os dias quando a gente chegava em casa tinha um presente, ganhamos ornamentação da igreja, lua de mel, vimos a mão de Deus agindo sobre nossas vidas.

Sentia muita falta do meu pai, durante muitos anos, o meu relacionamento com Deus era difícil, porque como não tinha uma figura paterna, eu era a pessoa que resolvia as coisas em casa, pela minha mãe, pelo meu irmão. Tanto que, quando eu me casei, queria mandar no meu marido. Porém, a simplicidade e o amor com que ele me trata e me conduz, me rendeu. Se eu tivesse casado com alguém muito duro, talvez, eu não tivesse me rendido.

Em muitos momentos, eu ouvia a voz do diabo falando que eu não tinha um pai. Eu respondia que tinha. E aí, essa consciência da paternidade, vinda para minha vida, foi tão forte que não tinha nada que me fizesse desistir. Passei por situações complicadas em João Pessoa. Uma vez, eu descendo a escada, escutava a voz do diabo dizendo: “É simples, só é você dizer que desiste!”, eu falei que não dizia. Durante muito tempo ouvi isso, mas hoje não me atinge, pois sei que toda minha condição vem de Deus, quando satanás gerava aquela dúvida eu repetia que tinha um pai!

Eu vinha orando para encontrar meu pai. Quando tinha 12 anos, eu encontrei as cartas dele para minha mãe, até então eu achei que ele tinha me abandonado. Comecei a mandar cartas para os programas de TV. Não tinha Facebook né? Em 2001, eu tive uma visão, vi meu pai numa cadeira de rodas.

Assim, em 2002, o Espírito Santo falou comigo para colocar o nome do meu pai, Márcio Luiz Pereira dos Santos, no convite de casamento. Muita gente falou muita coisa, porém eu sabia o que estava fazendo. No dia 5 de dezembro, eu conheci meu pai, meu pai já não andava, não falava. Cheguei ao hospital e ele tinha passado a noite acordado, o abracei, não importava porque ele tinha desaparecido, eu o havia encontrado, as enfermeiras saíram do quarto e foi emocionante. Disse a ele: “Pai, isso aqui é a prova que eu te honro, quanto a mim o senhor não tem nenhuma culpa, eu já te perdoei”, foi muito lindo!

Temos uma filha, a Nicole, ela é incrível! Eu não quero que ela realize nada que eu não realizei, não posso nem contar os milagres senão o povo vai dizer que sou chata! Nicole é uma menina de fé, eu tenho um livro de oração, Deus já me falou coisas sobre Nicole muito fortes, coisas que dizem muito sobre o caráter e o chamado dela.

Todos os dias, nós fazemos o momento das amigas, onde ela fala tudo que aconteceu no dia dela, e eu falo do meu, é um momento em que ela pode se expressar, genuinamente, sobre os sentimentos. Um dia ela me contou de uma visão, um lugar muito grande, com muita gente doente, ela pegou o microfone e disse: “Em nome de Jesus, diabo, você não é páreo para Deus!” e todos foram curados na mesma hora. Nessa época, ela tinha de 6 para 7 anos, glória a Deus!

Outra coisa que me marcou foram as decisões de fé. Ano passado, perdemos nossos patrocinadores, eu estava trabalhando numa empresa e saí. E a Nicole disse que queria uma festa surpresa, respondi que ela orasse e cresse. Só sei que uma irmã chegou para mim e contou do desejo de fazer uma festa surpresa para ela. No final da história, ela tinha escrito todos os detalhes em seu livro e a festa foi, de fato, conforme ela imaginou: as cores, os doces, a princesa. A Nicole é muito decidida, aquilo que ela aprende, ela fala. Uma vez ela me disse para tirar o “SE” da minha lista, “fé é certeza, porque eu creio, vai acontecer” fiquei sem palavras!

Minha mãe é como um pai, além de ter me criado sozinha, foi uma fortaleza. Ela não teve apoio de ninguém e suportou tudo, ela é fundamental. É uma mulher que não desiste. Ela perdeu um filho, não dá nem para falar, não tem nem um nome para chamar uma mãe que perde um filho, é uma guerreira, ela continua de pé. Além dela, tenho outras referências como um amigo muito especial que é o pastor Luiz Agostinho da Igreja Odre Novo, de Brasília, e aqui no Ministério é Juliana Borba, ela me inspira e tem me ajudado em vários aspectos.

Fomos criados em Brasília, nós temos a convicção de onde queremos chegar, nosso próximo passo é estar na Europa, onde queremos ajudar pessoas, nós vamos pra lá dar suporte. Meu sonho é que o meu chamado seja tão forte e evidente, que eu possa influenciar pessoas. Se a minha influência for tão forte, quanto tenho declarado, essa será a realização dos meus sonhos. Amanhã, você compra um carro, viaja, compra jóias, perfumes, isso é tão passageiro em relação ao que você pode causar na vida das pessoas.

Tenho este sonho: estar na Europa daqui a cinco anos. Uma vez sonhei me vendo em um castelo pessoas falando línguas que eu não conhecia, tinha a bandeira da Espanha, pessoas com roupas de várias nações, eu sinto que devo buscar o amor e a fé com refugiados.

Eu sou grata a Deus, a minha fé, a minha mãe, ao meu marido (que me suporta em amor), a minha filha, aos amigos que financiaram nosso ministério, ao Ministério Verbo da Vida que acreditou em nós, pelo Guto e pela Suellen Emery, pela Klycia Gaudard (que abriu as portas para nos ouvir), pela Juliana Borba e tantos outros amigos. Muitos outros amigos que nos acompanham, pela vida e por tudo que Deus fez até aqui!

Sou uma mulher forte! Pareço muito com a minha mãe – na força de fazer as coisas acontecerem – mesmo passando por todas as circunstâncias, sempre fui muito esforçada, estou sempre querendo resolver as coisas, sou alguém que teve muitos desafios, mas não desisti. Sou alguém que gosta de pessoas, gosto muito de ler e tenho muita fé na provisão de Deus. Amo ajudar pessoas!

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