Meu nome é Rafaela Külkamp Eyng, tenho 33 anos, nasci em Lages, Santa Catarina. Minha infância foi boa, criança feliz que tinha tudo e que os pais a vestiam igual uma princesinha, nós viajávamos bastante também e tínhamos um certo conforto. Foi uma infância muito boa e agradável. 

Eu tenho uma irmã mais velha que se chama Esther, ela tem 35 anos, hoje ela mora em Londrina, Paraná, e tenho um irmão mais novo o Gabriel, ele tem 23 anos e mora com meus pais em Sinop. Meus irmãos são meu suporte, meu porto seguro, a minha família toda é o meu suporte. Eu sei que posso perder tudo, mas sei que nunca vou deixar de ter o  amor deles, são verdadeiros amigos  e os amo muito, mesmo tendo nossas diferenças. 

Minha irmã e eu brigávamos muito na infância, mas aquela coisa de irmãos, também pelo fato de termos idades próximas uma da outra. Já com meu irmão mais novo nós sempre nos entendemos muito bem, ajudamos e apoiamos um ao outro, somos grandes amigos!

Algo que era engraçado é que sempre gostávamos de brincar, fazer pegadinhas, assustar uns aos outros, e minha irmã sempre foi muito séria, então ela não gostava, nem um pouco! Uma vez ela estava lavando louça e eu fiquei incomodando ela, até que eu abri a porta do freezer e acabei acertando o rosto dela, ela caiu com tudo pra trás! Contando parece até filme de comédia ou desenho animado! Já o meu irmão gostava de me assustar, esconder ou fingir que perdeu coisas que ele sabia que eram importantes pra mim, só pra me ver brava! Mas, apesar de tudo sempre nos amamos muito.

Aos 12 anos de idade eu me mudei com minha família de Lajes (PR) para Mato Grosso, primeiramente, fomos para a cidade de Alta Floresta, onde moramos aproximadamente dois anos. Foi um período bom, porém difícil, pelo fato de que éramos de uma família bastante católica, inclusive tenho uma tia que é freira e, apesar do fato de que não éramos muito fervorosos na prática, nos esforçávamos pra seguir o que era ensinado. Desde criança eu sempre tive o sonho de viajar, rodar o mundo, conhecer pessoas e lugares diferentes, mas nessa fase acabaram acontecendo alguns problemas nos negócios do meu pai, e esse período em Alta Floresta foi bastante difícil. Mas, hoje eu olho e sei que nesse período foi Deus quem esteve nos dando suporte, cuidando da gente, sempre por um propósito maior.

Após isso nós nos mudamos pra Sinop, por volta dos meus 15 anos de idade, e eu era aquela adolescente bem revoltada com a vida, por conta de algumas situações que aconteceram nas nossas vidas, éramos uma família feliz, mas ao mesmo tempo tinham coisas que nos entristeciam muito. Então, mesmo sabendo que a minha família cuidava de mim e dava todo suporte, eu acabava rejeitando isso. Consequentemente, eu tinha muita dificuldade em aceitar que as pessoas me amassem e cuidassem de mim.

Conforme o tempo foi passando eu comecei a trabalhar com meu pai no negócio de leilões rurais e com isso a gente viajava muito, durante essas viagens eu me sentia realizada, e quando voltávamos pra casa eu me sentia frustrada, sabia que tinha algo a mais por trás disso, não sabia o que, não era crente ainda, mas sabia que tinha algo mais pra minha vida.

Aos 24 anos, me mudei pra Campo Grande (MS), estava namorando com um rapaz e foi através da família dele que eu conheci a Cristo de verdade, então as coisas foram se encaixando. Em pouquíssimo tempo, questão de um ano, mesmo não tendo muito entendimento, eu comecei a perceber que Deus tinha pressa em fazer coisas na minha vida, foi quando voltei pra Sinop e conheci o Verbo da Vida. Quando eu cheguei foi no mesmo período que o Verbo tinha chegado na cidade, foi onde eu me encontrei, foi um lar pra mim e aquela questão que eu tinha no meu coração de que eu gostava de viajar e fazer as coisas, foi crescendo.

Foi quando entrei no Verbo que comecei a ver sobre missões, vi que o pastor Bud e Mama Jan eram dos EUA e vieram para o Brasil pra iniciar esse ministério, e aí eu fiquei: “Como assim? Olha o tamanho disso, como as pessoas são qualificadas, são amorosas, existe isso? Como eles saíram dos EUA pra vir ao Brasil”, então eu comecei a buscar sobre isso, sobre como era um missionário. Foi algo que foi crescendo sozinho dentro de mim, não foi alguém que chegou e falou assim: “Oh, você tem um chamado missionário”, nunca ninguém falou isso no início pra mim, foi algo que tomou forma dentro do meu coração. 

Em 2012, numa Conferência de Ministros em Águas de Lindóia, que eu vi Gleison e Marina, que hoje estão em Londres como supervisores de toda a Europa, eles estavam para viajar. Eu comecei a ouvir aquele casal falando, aquilo foi com chama dentro do meu coração,  queimando  borbulhando, não conseguia nem ficar parada. E na mesma hora que começou a queimar eu ouvi uma voz dizendo: “Eu te chamei pra aquilo ali, te chamei para as nações!” Eu não tinha muito entendimento, então pensei: “Vou pra Inglaterra! Partiu Inglaterra!” 

Voltamos para Sinop, na época eu estava fazendo faculdade de Administração, gostava muito e fiz até o quinto semestre. Um dia na faculdade, eu comecei a chorar muito, após ter retornado da conferência e aquela voz dentro de mim falava: “Você sabe exatamente quais são as suas prioridades hoje? Você não está entendendo quais são as suas prioridades agora”. Eu não tinha entendimento sobre a vida com Cristo, eu não sabia como era aquilo, eu estava começando, aprendendo, eu ainda não tinha o Rhema, estava saindo de algo, de uma vida desestruturada,  tentando consertar algumas coisas, então estava tudo muito confuso. Minha mãe estava fazendo o Rhema na época, aí eu saí da faculdade e fui buscá-la no Rhema,

com a cara inchada de tanto chorar, lembro que a Kátia Simone e a Iracema chegaram a mim e perguntaram porque eu estava assim, e falei: “Não sei o que eu estou fazendo dentro daquela faculdade, não sei qual é o propósito de eu estar lá dentro”. Então a Katia olhou pra mim, deu uma risadinha e saiu.

E no outro ano, eu me matriculei no Rhema, mas ainda estava na faculdade, só tinha aulas à noite e no Rhema também. Quando tinha aula do Rhema eu ficava na faculdade até 19h50, corria para o Rhema, terminava o Rhema eu corria para faculdade, porque a aula ainda era até umas 23h. Eu ainda fiquei mais uns 6 meses fazendo isso, até que chegou um momento em que eu não consegui mais, tive que tomar uma decisão.  E aquela mesma voz falava: “Quais são as suas prioridades hoje?”

Não quer dizer que Deus estava tirando a faculdade de mim, mas naquele momento a prioridade era cuidar de mim, era cuidar da minha vida espiritual, era colocar realmente um propósito na minha vida e me dedicar a Ele, porque, até então, eu tinha muita dificuldade com isso. Deus sabe de todas as coisas, Ele conhece a maneira de cada um, e a maneira de lidar comigo era daquele jeito. Então, eu entendi que era tempo de parar um pouco a faculdade pra me dedicar a Ele.

Eu terminei o Rhema em 2014, e mais ou menos na metade começou a arder aquele desejo pelas nações, aquela chama pelas nações voltou a arder, foi quando eu entendi realmente que Deus estava me levantando, me moldando e trabalhando em mim para que eu fosse uma missionária, da maneira que ele precisaria que eu fosse. E me lembro que durante o Rhema, alguns professores falavam comigo sobre missões, alguns professores nunca tinham me visto na vida e eu também nunca tinha visto eles na vida, e paravam de repente pra falar: “Você já ouviu falar em país tal? Já ouviu falar de missionário tal? “E aquilo foi me instigando e me deixando mais curiosa.

Em janeiro de 2015, veio um convite pra eu ir para Uganda, que foi o primeiro país pra onde eu viajei, para o projeto Habana. Em meados de 2014, entrei em contato com o Daniel Barbanti, porque eu assisti a uma ministração dele no JPN e aquilo me instigou, achei incrível, porque olhei pra aparência dele e lembrei que muitas pessoas olhavam pra mim por causa da minha “casca”, a minha aparência, e falavam: “Essa menina não consegue fazer nada disso, essa menina não vai vingar, ela quer ser missionária? Jamais!”. Então, quando eu vi o Daniel, me identifiquei com ele, fui buscar saber e conhecer, e foi legal que ele respondeu muito rápido, ele percebeu em mim interesse no trabalho e na obra missionária, pra mim foi uma confirmação de Deus, ele me mandava fotos e vídeos do que eles faziam e quais eram as necessidades. 

Em fevereiro de 2015, ele me fez o convite pra ir pra lá. Eu fiquei: “Uau!” Mas, já sabia que dentro de mim havia o “sim”, Deus também havia dado o sim, da minha família e da minha liderança também. Na época, era o Rozilon que estava pastoreando, que pra mim foi uma das pessoas chave do meu ministério e do meu chamado, ele foi a primeira pessoa que acreditou em mim, se não fosse por ele, muita coisa teria sido diferente, então ele orou comigo, conversou, investiu em mim, sou grata demais a ele, ele é o meu pastor, meu mentor, meu “painho”, um grande amigo, até hoje ele acredita muito e investe em mim, sou muito grata a Deus por isso.

Na época eu precisava falar com ele sobre isso, pois até então eu nunca havia falado isso com ninguém. Nós conversamos e eu vi que os olhos dele começaram a brilhar, e que eu tinha o sim dele. Começamos a trabalhar, me aproximei mais dele e da Dayane, comecei a trabalhar mais, a conhecer mais os departamentos da igreja, conhecendo como funcionava, enquanto isso Deus trabalhava em mim mostrando quem Ele era, quem eu era nEle, então foi um trabalhar intenso.

Nesse processo chegaram o pastor Gilmar e Célia, outro casal que não me conhecia, mas eles acreditaram em mim. Houve uma oração na igreja por mim e eu via o olhar de espanto de algumas pessoas, que até hoje chegam e falam: “Eu não acreditava que você seria capaz de fazer isso!” Na verdade, no início, eu também não acreditava, mas não é pela nossa capacidade, mas sim pela de Deus, então eu somente obedeci.

O pastor Gilmar é uma pessoa que tem missões no coração também, é um líder excepcional, com um caráter e vida excepcionais, é alguém que investe na vida de pessoas, então eu não poderia ter tido duas pessoas melhores do que eles no meu ministério, pastor Rozilon e Gilmar. 

Hoje, trabalhar na Baluarte tem sido uma das maiores realizações da minha vida com Deus. Não estou aqui para dizer o que os angolanos devem fazer, e sim mostrar a eles sobre a capacidade que eles têm em ser tudo aquilo que eles sempre sonharam em ser; assim como tem sido comigo, assim será com eles!  Sou uma das representantes da Baluarte na Angola e minha função é como diretora administrativa. Responsabilidades? Muitas! Mas, estar aqui e ser um braço forte de apoio e suporte a Marcos, Jonnes e Leide, vai muito além de qualquer dificuldade que eu possa ter no campo, trabalhar com eles por essas crianças e suas famílias tem sido, a cada dia, o resultado de se viver pela fé, de ter convicção de quem sou e do que posso em Deus.

Sou muito grata ao Senhor por estar onde estou, creio que o que vim fazer não vai parar por aqui. A ONG BALUARTE será um farol no continente africano, e nós somos os engenheiros e mestres de obras que vamos colocar em prática todo o projeto de Deus para o povo africano.  Marcos, Jonnes e Leide são grandes exemplos de força, determinação, coragem, ousadia e muita fé! Estar caminhando com eles na Baluarte é uma grande honra para mim. Um dia eu “ousei” sonhar junto com Deus, e hoje eu vivo exatamente aquilo que um dia falei, orei e cri.

Daqui a 10 anos eu imagino estar casada, constituir minha família, pois família é plano de Deus, um dos mais lindos planos, mas principalmente quero continuar esse trabalho com crianças, porque eu lembro de coisas que aconteceram na minha infância e adolescência , coisas que me afetaram de alguma maneira e graças a Palavra de Deus muita coisa já saiu de mim, muito perdão já foi liberado, quando eu vejo uma criança ou adolescente sofrendo, sendo maltratado,  injustiçado,  eu vejo que isso não é o plano de Deus.

Jesus disse que das crianças é o Reino dos Céus, então como alguém é capaz de maltratar crianças, tão puras e verdadeiras? Isso é algo que me machuca e é algo que cresceu forte dentro de mim em Uganda, continuar trabalhando com as crianças, usar as experiências que eu tive, não para relembrar, mas para mostrá-las que há um pai que ama e cuida delas, que há uma vida melhor.

Quando eu estava em Uganda, o Espírito me mostrou algumas coisas a cerca disso para o meu futuro, uma dessas coisas era estar em um projeto, uma ONG, algo grande, pra muitas crianças, mostrando pra elas realmente quem é Deus, que elas podem não receber todo o amor e carinho da família, podem achar que a vida é só aquilo, mas o meu propósito é mostrar pra elas que há um Pai amoroso, que cuida, que protege e que nunca se esqueceu delas e nunca lhes faria mal! Então é isso, quero estar com a minha família constituída, cuidando das pessoas ao meu redor, buscando alcançar cada vez mais crianças e adolescentes.

Das referências que eu tenho, posso citar o Rozilon, pastor Gilmar, e principalmente os meus pais. Meu pai, por exemplo, não está dentro da igreja junto comigo, mas ele é uma pessoa que me ensinou valores que eu não encontrei por aí, me ensinou o valor do trabalho, o valor de uma vida, daquilo que nós temos e o que chega nas nossas mãos.  Minha mãe é o pilar da família, uma mulher de oração, se não fosse pelas orações dela, com certeza eu não estaria aqui hoje falando sobre as coisas que Deus fez na minha vida. Meu pai me deu toda a estrutura como ser humano, de caráter e mesmo eu não tendo sido criada desde cedo dentro da igreja, eles nunca tiveram grandes problemas comigo. Enfim, eles são maravilhosos!

A minha mãe é um amor puro, um amor em forma de pessoa, sei que nada seria da mesma maneira se não fosse por eles. Não foi tudo 100% maravilhoso, mas isso me deixou mais forte como pessoa, sou grata a Deus por eles, me ensinaram a ser forte e a acreditar em mim, mesmo que em alguns momentos a gente ainda fique desanimado, mas eles me dão toda segurança e suporte, são duas celebridades pra mim! O meu ministério toda a igreja poderia reconhecer, mas se a minha família não reconhecesse, não ia valer de nada, porque eles me conhecem, sabem quem eu sou, são dois dos grandes apoiadores, financiadores e incentivadores da minha vida e do meu chamado são os meus pais! 

Algumas pessoas que me fazem rir muito são os meus amigos e meu irmão. Tinha um amigo meu no ensino médio que chegava pra mim e dizia: “Loira, bú!” E eu ria muito, acho que sou alguém que ri muito fácil. Meus amigos e meus irmãos são grandes referências pra mim também, de quem sou eu, eles me fazem rir, me fazem chorar, eu amo todos eles. Da mesma maneira que não valeria nada se minha família não reconhecesse o chamado na minha vida, também não me valeria de grande coisa se meus amigos não reconhecessem, pois me conhecem mais de perto e conhecem cada lado meu.

E o que me faz chorar muito é ver pessoas, vidas valiosas pra Deus, sofrendo.

Como hobby, gosto muito de assistir filmes, muitas vezes, alguns amigos pedem indicações e eu faço uma lista, a pessoa fala: ”Não, você não assistiu tudo isso!” E eu digo: “Assisti! E talvez, umas cinco vezes cada um desses”. Adoro ver séries também, principalmente sobre coisas reais, que aconteceram, também gosto muito de histórias. Às vezes, vou em lugares históricos e gosto de imaginar o que aconteceu naquele lugar, buscar entender quem viveu ali e o que se passou, gosto muito disso! Também  gosto de ler, passear… não gosto de pegar sol, a minha cor denuncia isso!

Para mim, Rafaela é uma pessoa feliz, sorridente, que tem sonhos, uma criança crescida. Ainda tem sonhos de quando era criança, realizada de certa maneira, pois Deus tem feito coisas fantásticas, se não fosse alguém realizada algo estaria errado. Também é alguém que incentiva as pessoas, vê o potencial no próximo e gosta de ver as pessoas avançando. Muitas vezes, a gente tem dificuldade de ver o nosso potencial e o outro consegue enxergar melhor, às vezes, nos colocamos abaixo daquilo que realmente somos. Gosto muito de mostrar para as pessoas o potencial que elas têm e até onde elas podem chegar. Eu mesmo tenho um pouco de dificuldade com isso, mas tenho amigos e minha família que me ajudam a extrair isso de mim, aí eu vou e faço o mesmo com as outras pessoas.

 

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