Me chamo Rafaella, tenho 30 anos, nasci em Recife-PE. Eu gosto muito da minha cidade pelo contexto histórico, gosto quando faz sol, mas quando chove também. Chove raramente e, por isso, é sempre histórico. Comecei a andar de bicicleta e estou curtindo a minha cidade mais agora. Eu e meu marido estamos nessa estação. Acho que não curtia muito a cidade, pela vida corrida, sempre de casa para o trabalho e igreja. A parte turística do Recife antigo estou curtindo mais agora. Eu nasci em Recife, mas fui criada em Olinda-PE. Morei lá uns 23 anos. Nessa época eu era da Igreja em Rio Doce. Ainda criança, meu pai me levava para comer tapioca, aproveitava bastante. Depois que cresci, vou a uma praia um pouco mais distante. Amo as praias da Paraíba.

Em casa, gosto de tocar violão. Para relaxar a cabeça, me envolvo com a música. Amo dormir também. Às vezes, cozinhar. Gosto de fazer uma coisa ou outra. Estar com a minha família é precioso. Porque temos tantas atividades na semana que, às vezes, passamos meses, sem esse contato mais próximo e sem horários. Nos feriados, gostamos de ir para Gravatá, Pernambuco. Gosto de ter o meu momento com o Senhor, poder adorá-lo em um ambiente tranquilo.

Sou casada há quatro anos com Fábio Rosendo. É muito divertido o nosso casamento. Namoramos por dois anos, noivamos e ficamos mais dois anos e depois casamos. Ele não é daqui, é do Rio de Janeiro, depois veio morar aqui e nos conhecemos na igreja. A gente tocava junto; nos conhecemos tocando, ele toca contra baixo e, nesse contexto de música, nos conhecemos e acabamos nos apaixonando. Foi maravilhoso. Nos casamos e mudou tudo, uma mudança que agregou muita alegria tanto para mim quanto para ele.

As pessoas falam que existem crises no inicio do casamento por causa da adaptação, mas não passamos por nada disso. Sempre procuramos nos entender, ele me entende muito, me dá suporte e eu procuro entendê-lo também. Ele é um homem de Deus, super tranquilo. É muito cuidadoso com os mínimos detalhes. Moramos perto da igreja e ele não quer que eu vá a pé para a igreja sozinha, é cuidadoso. Isso não é só comigo é com outras pessoas, ele é cauteloso, e é algo que me completa muito. Fabio também é muito perfeccionista e isso em excesso, se torna um defeito. Com ele tem que ser assim… ele é teimoso também… (risos)

A música sempre fez parte do meu contexto de vida de maneira muito forte. Quando eu era criança, sempre gostei de cantar (não lembro bem disso), mas a minha mãe falava que eu amarrava uma fralda na cabeça com uns dois aninhos e ficava jogando o cabelo e cantando. Tudo o que tinha música me chamava atenção. Meu pai tocava bateria em uma banda de rock e acho que peguei um pouco da influência da música dele. Sérgio, meu pai, também era surfista (risos). No café, ele batia nas xícaras e fazia algum barulho sempre com ritmo, colocava discos em inglês e aquela influência de músicas americana e britânica já foi fazendo parte do meu cotidiano, essa época não éramos cristãos. Já com meus seis anos, eu comecei a compor as minhas próprias músicas, porque enjoei de ouvir músicas da Xuxa ou da Angélica; eu não gostava e fui fazer as minhas músicas. Fazia as músicas que eu gostava, pegava meu caderninho e ia escrever quando chegava da escola. Meu único irmão, Vitor, montou uma bateria artesanal com as latas de tinta da construção que sobravam e eu pegava um pedestal de madeira com vassoura, pegava algo que parecesse um violão e ia cantar e tocar, essa era a nossa diversão. Tínhamos o nosso palco, escrevíamos músicas juntos, gravávamos no gravador, era tudo com muita alegria.

Aos 13 anos, ganhei meu primeiro violão. Mas só aos 17 eu o peguei para estudar mesmo. E a partir desse tempo passei a tocar violão, cantar e me envolver com música na igreja.

A minha mãe, Ana Paula, é a coluna de oração de sustentação de nossa casa e da minha vida. É um referencial para mim em tudo. Me emociono ao falar sobre ela. Ela luta pelos seus filhos, mas o que ela faz por mim, outras mães nem fariam. Nos mínimos detalhes ela me impressiona, sempre falo dos meus planos e projetos e ela os cobre com orações. Às vezes, ela diz: “minha filha, passei a noite orando por você”, ela é implacável na causa que ela abraça. Ela não canta, não é envolvida nessa área, até fez parte do coral, é afinada, ela é muito especial.

Com 15 anos, comecei a ministrar o louvor na igreja, lá em Rio Doce-PE. Começamos eu e Karol Araújo. Gostávamos de cantar juntas, tocando e adorando ao Senhor, eram momentos que estavam formando o espírito da gente para o propósito. Foi criado o grupo Celebrando a Verdade, gravamos CD. Compus a canção: “Como eu Poderia Fugir de Ti?”

Essa canção eu compus em um dia que eu havia chegado em casa muito cansada e estava passando por muita pressão. Porque eu não trabalhava com o que eu gostava, estudava fisioterapia na faculdade, trabalhava para pagar a faculdade, aquele corre corre, eu sabia que precisava estudar, fazer uma faculdade, mas eu não me encontrava ali e aquela pressão de não saber direito o que fazer.

E comecei a meditar nos olhos do Senhor que estão sobre mim (ver Salmos 139). A gente não pode fugir da presença, não importa aonde estejamos. E ali, bem triste, peguei meu violão e a canção começou a sair. Eu queria chorar e, normalmente, é assim que nascem as canções, às vezes, triste, começo a adorar ao Senhor e as coisas vêem como consolo…

E eu fiquei cantarolando a canção em casa. A parte que mais me toca é aquela que diz:

“Mesmo que eu pareça estar desgastado por fora…”

Eu estava muito desgastada e angustiada, meu Deus… e escrevi: “…por dentro eu sou mais forte…”, baseada naquele texto que Paulo fala em Coríntios. Eu sempre pego texto na Bíblia para me inspirar.

Eu acredito que quando estamos passamos por um processo de dor, paramos mais para ouvir o que está por dentro, nos apercebemos mais dessas coisas, ficamos mais sensíveis e conseguimos extrair de fato, o que o espirito quer para a gente. Ficamos mais sensíveis ao espírito, e, hoje, estou me treinando a estar atenta e sensível a Ele. Estou muito feliz nesse tempo e no que o Senhor tem conduzido hoje, tantas coisas aconteceram na minha vida, rompimentos e estou vivendo uma nova história junto com meu marido. Ele saiu do grupo há pouco tempo, para seguir fazendo outros projetos para o Reino. Está liderando a comunicação da igreja, ele sabia que precisava seguir fazendo outras coisas. Estamos felizes por termos o nosso “paistor” Humberto cuidando de nós e ele nos tem como filhos mesmo. Somos filhos espirituais e essa conexão é tão forte… Quero fazer para o Senhor as coisas de forma melhor quando eu estou bem do que quando passo pela dor.

Ouço um pouco de tudo. Eu tenho uma playlist para academia, com músicas especificas. Tenho as músicas de adoração, de inspiração. Existem alguns músicos que me inspiram: Darlene Zschech é aquela pessoa que quando ouvi pela primeira vez, me identifiquei por causa do inglês, pelo propósito, por causa de missões que ela faz e eu sou apaixonada. Sempre a ouvi, desde adolescente e ainda escuto até hoje.

Brooke Fraser que é um referencial musical muito grande. Ouço muito a banda da Bethel Church, Steffany Gretzinger, Israel Houghton. Além de Jason Lee Jones, ele é uma inspiração muito grande. Quando esteve aqui, anos atrás, pela primeira vez em nossa igreja eu não tocava teclado e ele impôs as mãos sobre mim, ali tivemos uma grande conexão, intensa no espírito. Com uma semana comecei a tocar uma música no piano, foi algo sobrenatural. A partir daí, comecei a estudar e coisas que eu tentava aprender há uns três anos, com aulas, professor, parecia estar travado antes, mas, depois da imposição de mãos dele, algo aconteceu realmente e comecei a tocar e até agora tenho tocado, em momentos de oração aqui na igreja, tenho feito com muita alegria.

Então, 90% das músicas que ouço não são brasileiras (risos). Hoje, estou curtindo muito Séo Fernandes, o som que ele faz. Laura Souguellis, porque existe uma conexão entre nós. Essa geração que tem se levantando no Brasil tem sido muito boa, mas gosto também de Fernanda Brum. Gosto dessa adoração profética no Brasil. Não gosto de músicos que pareçam muito estrelas, artistas, isso não mexe muito comigo. E não dou atenção.

Eu sou fisioterapeuta, me formei em 2010. Queria fazer medicina na verdade. Quando criança, adoeci e quase morri e acho que por isso desejava essa área. Eu não era crente na época e fiquei tão grata à medicina; fiz vestibular para a área, mas, não passei e acabei fazendo fisioterapia. Me formei e trabalhei em UTI especificamente com fisioterapia respiratória. Exerci por dois anos, amava a UTI porque eu podia cuidar e falar de Jesus para os pacientes. Eu ia mais por essa parte do cuidado espiritual dos pacientes.

Depois, eu sai dessa área e resolvi empreender, isso foi uma coisa meio doida da minha cabeça. Faz uns dois anos, meu pai queria abrir um negócio para a família e pensamos em um restaurante, abrimos em novembro de 2016. Lembrando que Fabio já trabalhava na igreja e acabei me sobrecarregando. É uma área que toma muito tempo. Vi que não daria para exercer essa área. Hoje, estou no ministério em tempo integral e estou muito feliz.

Eu sabia que ia viver isso, sonhei com isso e estou muito feliz…

Eu tenho o sonho de ter um filho, um grande sonho… Talvez daqui há uns dois anos. Estamos planejando.

Quero ser mãe.

Minha maior conquista aos 30 anos é olhar e poder dizer: “agora eu estou fazendo o que está no coração de Deus, no tempo certo, na hora certa e associada com as pessoas certas”.  

Eu sou uma pessoa de paz, de alegria. Acho que 99% do meu tempo eu prezo pela paz e alegria, onde eu estiver, mas principalmente, em casa com meu marido, porque isso dará base para a Palavra frutificar.

Sou muito extrovertida, meio doidinha (risos), desprendida de coisas bestas, não tenho paciência com besteiras, picuinhas, não dá tempo, eu não tenho tempo para perder com ressentimentos. Mas se é para engolir sapos para tudo ficar bem, eu engulo abro mão de algo para que você fique bem. Me sinto bem assim. Sou tranquila, não me estresso com as coisas. O que me faz rir é ver todo mundo bem. O que me deixa triste é ver que e alguém não está legal.

Aprendi inglês mas nunca fui aos Estados Unidos. Admiro os americanos pela forma de pensar e agir. Mas é desafiador estar ajudando nos cultos bilíngues, na tradução da igreja. A primeira vez foi bem desafiadora, interpretei Jason Lee, a equipe dele pediu uma interprete experiente e aí vou eu, “a experiente” (risos)

Sai pegando material, lendo, estudando, estudei inglês quando era adolescente, mas a música me ajudou demais, foi fundamental, falo inglês sozinha em casa comigo mesma.

Escuto outros falarem, treino desde os 16 anos, mas estudo por mim mesma.

Sou muito grata a minha família. Meus pais, meu irmão e meu marido. Se não fosse eles, eu não seria quem sou, não seria feliz…

Gratidão e honra são palavras tão fortes… Pastor Humberto e Cristiane são pessoas que eu sou eternamente grata, eu amo a vida deles, de fato, eles são como pais para mim. Estão atentos se preciso de algo, então, eu honro a vida deles.

O pastor Junior e Rebeca, ela é como uma mãe para mim. Ela é aquela companheira. Pastor Junior acreditou e conduziu para que coisa se concretizassem em nossa vida. Tenho uma mistura de sentimentos tão grande. 

Pastor Edgley e Claudinha, amo demais. Nesse tempo dos cultos bilíngues, ele tem me ajudado demais.

Quero seguir amando e adorando ao Senhor, servindo aqueles que Ele me guiou nesse tempo e sendo feliz.

 

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