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Sou conhecido mais como Beto Palhano. Nasci em Campina Grande, mas, nessa época, minha família morava em Recife. Então, eu nasci e logo me levaram para Recife, onde vivi por sete anos. Tenho algumas lembranças da minha infância lá, porque existem coisas que nos marcam, às vezes, lembramos de relances. Lembro que morávamos em Piedade e, certa vez eu estava em casa, brincando e correndo com meu irmão mais velho quando de repente, escorreguei em um tapete e bati meu rosto em um centro de mármore e me cortei, até hoje tenho essa cicatriz. Lembro do sangue – na época, meu pai era o responsável pela Escola Juraci Palhano, vem a memória como um flash eu no ônibus com a minha mãe cuidando de mim, porque meu pai estava trabalhando, o sangue descendo, eu chorando… Essas coisas marcam.

Lembro que morávamos em um bairro que tem praia próximo. Íamos a pé para a praia, terra quente. Estudei sempre em escolas bem religiosas, tenho gratidão por isso, por ter sido bem instruído nesse aspecto desde o início.

Em Campina foi um tempo muito bom. Morávamos em um bairro que foi construído pelo meu tio e meu pai. Durante o dia, esse bairro era um canteiro de obras onde todos trabalhavam, muitas casas sendo construídas ao mesmo tempo. Mas a noite, só nós morávamos e estávamos ali em nossa casa. A única casa pronta era a nossa. Então, o bairro das nações era como se fosse uma fazenda. Na época, a minha brincadeira era com cavalo, tomava banho em açude, dava banho nos cavalos, brincava de polícia e ladrão nas casas ainda em construção eu, meu irmãos, primos e amigos, mantenho algumas dessas amizades até hoje. Detalhe: Nas brincadeiras, eu sempre fui polícia (risos) e continuo sendo.

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Tenho um pai exemplar, ele é um homem íntegro e que cumpre sua palavra. Ele soube nos educar e sempre fez de tudo para nos dar a condição de estudar bem. Me lembro que meu pai tinha muita dificuldade para pagar as mensalidades das escolas, porque ele, como construtor, tinha períodos que era muito bom e, em outros, passava muito tempo sem receber nada. Aquilo que ele tinha adquirido em um tempo, tinha que vender para viver com a família. Por exemplo, na minha infância, adolescência e juventude foi um período bem difícil para ele financeiramente.

Graças a Deus, eu sempre gostei muito de estudar. Nunca insistiram para que eu fizesse um trabalho, uma atividade escolar, eu sempre fui muito atento a isso. Já meu irmão mais velho, nunca gostou de estudar. E, na sua adolescência, ele foi reprovado um ano, contudo, naquele ano ele ganhou um carro, porque foi um período que meu pai tinha uma condição muito boa. Eu nunca tirei uma nota vermelha, mas passaram-se 15 anos e nada, veio o vestibular, a Universidade e nada também, assim por diante… mas eu entendo e sempre entendi que realmente era uma situação complicada que ele enfrentava naquela época.

Minha mãe era aquela dona de casa. Uma mulher generosa, maravilhosa, amiga, sempre estava junto da gente. Nós somos muito unidos como família. Eu cheguei a me casar e continuei morando vizinho a eles. Até hoje, temos um contato muito forte de família. Somos aquela família que gosta de comemorar datas, gosta de estar junto seja em Natal, Ano Novo ou Aniversário. Sou muito ligado aos meus pais.

Somos quatro filhos. Eu tenho três irmãos. A mais velha é a Carmem, tem o Luiz Carlos e a caçula que é a Patrícia. Crescemos sempre bem amigos. Pensando aqui, com a minha irmã mais velha eu acho que nunca briguei… Como Patrícia era a mais nova, ela tinha que fazer o que eu queria (risos). Afinal de contas, eu tinha os dois mais velhos – a Carmem e o Luiz que mandavam em mim. Eu precisava mandar em alguém. Eu e meu irmão gostávamos de jogar juntos e tínhamos as divergências de irmãos normal, mas, quando crescemos e amadurecemos, o nosso relacionamento só melhorou.

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Eu e a minha esposa, Lucerna, morávamos no mesmo bairro antes de nos casar. Como falei anteriormente, sempre gostei de jogar, eu praticava todos os esportes e, em nosso bairro, conseguimos fazer um campo de vôlei e um de futebol. Eu tinha grande amizade com os meninos que moravam lá. Praticamente todos os dias, estávamos juntos jogando futebol e vôlei, então, Lucerna foi morar lá e começou a se envolver com a nossa turma. Lembrando que, nessa época, não éramos crentes ainda e fazíamos algumas festas nos fins de semana chamadas “assustado” (risos), mas, o que era isso? Nós íamos para uma casa de um dos amigos, íamos para a sala, colocávamos uma lâmpada escura e colorida, e ouvíamos aquelas músicas internacionais ou de forró. Não tinha bebida, nem drogas, apenas dançávamos e nos divertíamos, eu era um bom dançarino (risos). Eu dançava de tudo que você imaginar.

Era uma “briga” para as meninas dançarem comigo (risos), mas ela era esperta, me pegava para dançar já no início e não queria me soltar. Na verdade, eu estava nas festas para me divertir e não queria nada sério com ninguém.

De fato, a maior dificuldade que eu tive em me converter era achar que eu era certinho demais. Eu não dei trabalho aos meus pais, nunca mexi com drogas, nem cigarro. Eu era atleta de vôlei e vivi bem a minha juventude.

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A minha amizade com Lucerna começou nesse tempo das festinhas. Me lembro que ela fez uma festa na casa dela, nós ainda não namorávamos, mas ela sempre me cercava e fiquei sabendo que havia um interesse da parte dela. Na festa, ela fez uma faixa com uma música de Wando e a frase dizia: “Você é luz…” (risos). Nessa noite, dançamos juntos o tempo todo, mas não namoramos ainda e acredito que o que mais a marcou foi isso. Se tivéssemos começado a namorar logo no início, quando nos conhecemos, talvez não tivesse dado certo, porque eramos muito novos. Eu comecei a namorar com ela com 14 anos, e ela tinha apenas 13 (risos), mas demorei para a pedir em namoro.

Passamos um bom tempo de namoro, seis anos é um tempo considerável. Nós nos conhecíamos muito e nossas famílias também se conheciam. Casei com 20 anos, eu não tinha na época uma condição financeira tão boa. Era jogador profissional do treze, mas, não tinha um contrato tão bom. Estudava engenharia civil, meu pai construía casas e eu gostava de cálculos, então, apenas decidi unir as coisas.

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Lucerna parecia estar atrás de mim em tudo. Primeiro, foi morar no mesmo bairro, depois, ela mudou de escola para estudar comigo, e ela fez um curso que talvez nem quisesse fazer de coração que foi engenharia civil, mas eu já estava um ano a frente dela. Vimos que não havia como ficar protelando o relacionamento. nos sentamos com a nossa família e falamos do desejo de casar, deixamos claro que não nos importávamos com as finanças, pois sabíamos como estavam as questões financeiras deles. Nossos pais apoiaram o relacionamento, mas, deixaram claro que não podíamos deixar de estudar. Isso era marcante e, de fato, fomos ajudados. Nosso casamento foi maravilhoso. Ganhamos tudo o que você possa imaginar, não tem explicação para o que aconteceu e vimos a mão de Deus já ali.

Nos amávamos muito e aprendemos a viver com as nossas diferenças, lembrando que não eramos crentes ainda. Lucerna era espírita. Eu acredito que se não tivéssemos nos convertido logo no início do casamento, talvez não estivéssemos mais juntos.

Casamos em 1991 e em 1993 nos convertemos. Ela se converteu e o que mais me chamou atenção foi a mudança nela. Nessa época, tínhamos saído de um apartamento que morávamos no residencial Santa Barbara e, como eu jogava e viajava muito, ela estava grávida do primeiro filho, o Vitor, então, passamos a morar em um apartamento perto da casa dos pais dela. Nesse período ela começou a ir a reuniões na casa de Ronaldo Correia e foi ai que ela se converteu. Lembro quando cheguei em uma segunda a noite em casa e ela me disse: “Beto eu me converti e agora sou crente”; fiquei bravo, briguei com ela. O engraçado é que todas as nossas brigas quem começava era ela. Lucerna era muito ciumenta e tem muita coisa ligada a vida espiritual que ela tinha. Lembro que eu disse: “eu nasci assim, vou morrer assim”. Eu estava com tanta raiva e fúria que nem me toquei que ela não revidou. Já tinha algo acontecendo ali…

Três meses depois da conversão dela, foi nítido a mudança. Era patente, porque sabemos que toda mudança tem um processo e é pelo conhecimento que você vai mudando. Nesse período, uma coisa que ficou patente foi o ciúme, que acabou. Ela tinha ciúme de uma propaganda na televisão que passasse. Contudo, me converti pela sabedoria de Deus nela. Tínhamos um fusca e, certa vez, eu cheguei em casa, cansado e ela me pediu para levá-la em Ronaldo Correia para o culto e falei: “Estou cansado, você sabe dirigir, vá!”, Ela disse: mas Beto, moramos tão longe de lá e eu vou sozinha, é perigoso. Mas eu insistia para que ela fosse. Após insistir muito, eu fui levá-la.

Quando chegamos lá, ela disse: “você já está arrumado, fica no culto“. Eu disse: “Lucerna, já falei para você não insistir. Eu lhe respeito. Fui para reuniões espíritas que você participava, nunca gostei daquilo, por amor eu ia. Mas por favor, não me chame para esse negócio de crente”. Ela insistia e nada. Ai ela disse: Beto, gasolina está tão cara, você ir para casa e, depois, voltar novamente para me pegar… ali ela matou a questão (risos). Fui para aquela reunião e só precisei ouvir aquela palavra, até pensei que Lucerna tinha falado alguma coisa com o ministro, mas, logo no começo Ronaldo Coreia havia dito que aquele ministro não era de Campina tinha chegado a pouco e já ia pregar e ali pensei: “então, não deu tempo dela falar com ele antes”.

Aquele ministro falou a minha vida, só não falou o meu nome. Ele disse: “você que acha que é tão certo, que faz tudo certo, nunca deu trabalho em nada. Você que é fiel a sua esposa…”, e foi falando… No final, ele disse: “você que não tem Jesus em seu coração, porque para ter, você precisa crer e confessar. E se você não fez isso, está na mesma condição espiritual do pedófilo, adultero e assim por diante…”. Quando ele fez o convite, antes dele terminar de dizer quem quer… eu já estava lá na frente, de joelhos, chorando e me entregando ao Senhor. Essa foi a melhor decisão que eu tomei na minha vida. Sempre digo que o homem é feito de decisões. A primeira e melhor decisão foi ter recebido Jesus e, a segunda melhor, foi ter me casado.

Eu sempre tive o cuidado e a responsabilidade de procurar fazer as coisas certas. Ser pai foi fácil para mim, não tive medo e nem dificuldade, até porque, quando Vitor nasceu, Lucerna se converteu no mesmo período e não demorou muito para eu me converter, ele era bebê ainda. Então, começamos a buscar o conhecimento da Palavra logo no começo. Fui pai muito jovem, eu tinha 21 anos quando ele nasceu; financeiramente não tínhamos uma condição tão boa, mas tínhamos pessoas que nos davam suporte.

Me lembro que esse foi o tempo (1993) que fiz o concurso para a polícia rodoviária federal e entrei no ano seguinte, em 1994. Esse foi um período de grandes mudanças. A minha conversão, me tornei pai do Vitor e entrei na polícia rodoviária, mas, até dentro da polícia, lembro que o salário era muito ruim, pior do que o do treze quando eu jogava. Eu sou grato pela vida da minha sogra que me ajudava com tickets de alimentação – os quais fazíamos as compras de casa e isso nos ajudou naquela época.

Recentemente, completei 23 anos de Polícia Rodoviária Federal (PRF) e meu trabalho é por escala, a minha é 24 horas por 72 horas. Atualmente, atuo no Ministério também e, claro, era muito mais fácil estarmos voltados de forma íntegra ao ministério. Principalmente quando assumimos a posição de pastor de uma igreja grande que tem se expandido, mas, como sempre procurei ser organizado, busquei separar bem as minhas atividades. Eu entrei na polícia rodoviária antes de entrar no ministério e, quando entrei, ainda cursava faculdade. Antes, eu dividia a engenharia com o futebol, agora, divido o ministério com a Polícia Rodoviária. Tudo na minha vida, vi como uma preparação. E tenho conciliado bem, graças a Deus, nunca atrapalhei as coisas. Fui um dos primeiros a me converter na policia; no começo não era fácil, mas depois, eles me respeitaram muito. A minha primeira ministração foi em um evento da polícia.

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Minhas principais referências são meus pais e a minha família. Tenho muitos tios e tem um tio que é muito intelectual, Juraci Palhano, na área de estudo e leitura ele me marcou muito. É um homem muito sábio. Você pode compartilhar com ele assuntos de politica, economia, geografia, história e essas coisas me marcam. A integridade da minha família é algo muito forte.

Me lembro que um dia Gilson Lima (uma referência), veio morar vizinho a mim, na casa que meu pai morava. Ele foi alugar a casa ao meu pai e, lembro que ele falou com meu pai sobre um contrato de aluguel, ao que meu pai respondeu: “contrato? Meu contrato é a minha palavra”. E Gilson ficou assutado com aquilo. Eu cresci vendo ele assim, íntegro e cumprindo a sua palavra;

Comecei a frequentar o Verbo em 1996; até ai eu não era membro de nenhuma igreja. Eu dizia que a minha igreja era em Ronaldo Correia, ia todas as segundas e esse trabalho me marcou muito. Foi lá que me converti. Quando cheguei no Verbo, não tinha conhecimento da Palavra. Patricia a minha irmã mais nova e seu esposo Giacome se converteram através de mim e de Lucerna. E eles foram para o Verbo primeiro que nós. Patricia começou a fazer o Centro de Treinamento Verbo da Vida (que depois se tornou Rhema) e Lucerna começou a ir às reuniões de oração. Um dia ela me chamou para ir a escola dominical. E a festa que os diáconos fizeram me marcou. Me senti um rei ali. Não lembro quem pregou, cantou, mas lembro da maneira que fui recepcionado.

Pr. Bud Wright, Guto Emery, Pr. João Roberto são referenciais para mim.

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Quando entrei no Rhema, entrei de forma avassaladora. Se eu pudesse entra na cabeça dos professores, eu entrava. Tinham dois mestres bem jovens que já ensinavam e eu também era jovem. E me via neles. E não era inveja, mas eu tinha o pensamento de que se eles chegaram, eu também poderia chegar. Sabia que eles fizeram por onde estar ali.

Gilson Lima se tornou um irmão, um amigo, éramos parceiros. O conheci em 2000 e, até a sua partida, usufruímos de uma amizade. Foi difícil lidar com a partida dele. Quando fui para Natal, eu ainda atuava na Polícia de Campina e a minha vida era bem corrida de lá para cá. Eram muitas atividades e meu contato com ele estava menor. Certa vez, Gilson foi ensinar lá e viu a minha correria e me pediu perdão, porque ele achava que eu tinha me afastado, mas entendeu que era a minha correria. Ele sempre mostrou uma força muito grande de viver. Mas, dias antes dele partir, o visitei e vi que ele decidiu se entregar. Até hoje, sinto a falta dele… ele me ajudava e me defendia além do que podia. Tinha dias que eu era o pastor dele e, em outros, ele era o meu pastor. Eu honrava a unção que estava na vida dele, mas não o via como um profeta, mas sim, como um amigo, um irmão.

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Sou um homem que tenta fazer de tudo para acertar. Busco ser correto em tudo que faço. Sou sério coma as coisas do Senhor, mas vivo brincando e rindo, quem não me conhece, pode não entender, mas sou muito divertido e de bem com a vida. Não perco o sono e a alegria por nada, porque descobri que a alegria do Senhor é a minha força. Isso me motiva, me motiva todos os dias. Tenho prazer em servir ao ministério, fazendo o que o senhor me mandou fazer. Tenho a consciência de que tudo que vivi foi um aprendizado para o que faço atualmente. E o agora tem sido um aprendizado para aonde o Senhor irá me levar.

Tenho um desejo grande de que, quando eu partir (se Jesus não voltar antes), as pessoas possam dizer: “aqui passou um homem de Deus”.

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Quando eu estava em Campina sempre dizia que nunca queria sair dessa cidade. Eu morava na melhor cidade, no meio do melhor povo, em um ministério maravilhoso, com igrejas muito boas, com pastores excelentes. Pessoas que me levantaram e acreditaram em mim. Trabalhava no melhor emprego, quando falei que ia embora, meus colegas de trabalho, que gostavam de mim, falavam que eu não devia ir; o próprio Gilson me deu uma palavra que eu tinha um povo para cuidar, mas não era em Campina, e eu não aceitava essas palavras, eu não via o que Deus queria para mim.

Em 2009, quando eu estava na Conferência de Ministros e recebi o convite para ir para Natal, foi algo sobrenatural, eu sabia que ia enfrentar muitas coisas, tinha uma casa própria boa, amizades fortíssimas, colegas no meio politico-acadêmico; a minha família é muito grande e tradicional. Havia uma raiz grande, mas o convite me marcou. Orei sobre isso junto com outros amigos pastores – Gerson e Helmiton – e uma irmã de oração estava presente e me falou: “o convite que você recebeu foi Deus quem fez e ele mandou lhe dizer que esse convite vai requerer mudança e promoção“. Eu comecei a rir. Ali eu tinha a certeza de que era Deus e, um ano depois, eu me mudei para Natal.

Atualmente, viajamos para Campina Grande para eventos e visita aos nossos pais, mas, ficamos dois/três dias e, depois, já estamos querendo ir embora. É impressionante o que a graça e o chamado fazem. Sei que isso não é natural, não é normal, quem me conhece não entende, porque sou muito ligado à família. Mas agora a minha família é em natal. Estamos no início de uma longa caminhada.

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