Meu nome é Rodrigo de Andrade, tenho 32 anos, sou pernambucano de Recife, onde moro. Entrei na faculdade de medicina com 20 anos, trabalhei na Atenção Básica, fiz residência durante três anos e agora, atuo como anestesista, que é minha especialidade.

Aos nove anos de idade, nem eu e nem minha família éramos cristãos, mas eu tive uma experiência bem interessante. Fui alugar uma fita VHS e nesse dia, quando virei à esquina de casa, uma mulher foi atropelada por uma moto. Lembro que foi a maior correria, a pessoa que estava comigo se apavorou porque a mulher estava sangrando muito na cabeça e eu não senti nenhum tipo de desespero, tive vontade de ajudá-la e de alguma forma prestar socorro. Foi nesse momento que algo despertou muito forte em mim, ali eu soube o que queria fazer.

Eu venho de um lar desestruturado. Por causa disso, não tive pai presente e referencial de pai. Tenho irmãos por parte de pai, mas não os conheço. Eu sou a prova de que, independente de onde você veio, Deus pode lhe restaurar, transformar sua vida e lhe fazer um vencedor. Dentro da igreja também construí vínculos duradouros com meus pastores e amizades que fiz, Deus realmente trouxe a família dEle pra mim. 

Reencontrei meu pai e nós saímos juntos. Uma porta maior de relacionamento foi aberta, acho que agora Deus começou a restaurar o meu relacionamento com ele. Já não tenho mais nenhuma mágoa, sou bem tranquilo, a gente está com um canal aberto e sinto que ele percebe isso. Eu podia muito bem ter um sentimento contra ele, mas Deus nunca permitiu que isso se formasse em mim.

Eu tinha um amigo que estudou comigo no colégio e que foi morar nos Estados Unidos. Lá começou a usar drogas e ficou muito desequilibrado.  Daí ele foi pra um culto com Benny Hinn lá, e aceitou a Jesus. Ele disse que quando aceitou Jesus voou uns 30 metros na unção, caiu e quando levantou, estava transformado, não quis saber mais de droga nenhuma. Ele mudou de vida e me ligava toda semana falando de Jesus, depois de um tempo já nem aguentava mais. Teve uma época que ele pagou cursinho pra mim, enquanto eu estava tentando passar em medicina, ele me abençoou e isso me impactou. Nesse mesmo tempo, eu era metaleiro e gostava de ouvir muito rock, comecei a ouvir Oficina G3, que um outro amigo me mostrava, e aquelas músicas começaram a mudar  a minha mente, porque eram músicas que davam vontade de conhecer a Deus, a Jesus e, ao mesmo tempo, muito boas musicalmente. Isso foi algo progressivo, eu aceitei Jesus em casa, sozinho.

De tanto ouvir as músicas comecei a ler a Bíblia sozinho, tentando achar algo para criticar e acabei encontrando Jesus em meio a isso. Lembro que li o livro do Josh Mcdowell, ‘Mais que um Carpinteiro’, que contava a história de um paleontólogo e historiador que procurava meios científicos para dizer que a Bíblia era falsa e, ele estudou tanto que descobriu que ela não foi modificada, que os originais foram preservados e que se você comparar os escritos existem provas que Jesus foi visto ressurreto. Conheci Jesus não através da igreja, mas eu e Deus mesmo, ali, e Ele se revelou a mim. 

Minha família não tinha muitas condições, então estudar medicina era como um sonho impossível. Não tinha nenhum médico na minha família, minha mãe trabalhava em um telemarketing, mas eu segui acreditando em Deus, confiando, mesmo sem ser crente ainda. Demorei cinco anos para passar em medicina. O ano em que me converti foi o ano que passei em oitavo lugar pela Universidade de Pernambuco (UPE), e também na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde decidi estudar. Foi nesse ano que tive o equilíbrio emocional para poder estudar. Quem me discipulava era Joyce Meyer, eu a ouvia todo dia de manhã. Eram poucas vagas e muito difícil passar, mas foi nesse ano que consegui, o ano que o Senhor restaurou o meu espírito, a Palavra foi limpando as minhas emoções e eu fiz a prova bem tranquilo.

Eu fazia parte de um movimento evangelístico na faculdade, evangelizava e depois discipulava. Havia um grupo, uma vez, que eu tinha alcançado e evangelizado, nós estávamos fazendo uma reunião, o ‘intervalo bíblico’ como chamávamos, e havia cartazes sobre outro grupo que fazia isso. Minha esposa, que na época nem nos conhecíamos, vinha de Maceió, sempre às quintas-feiras, para tentar o Mestrado, era exatamente o dia que fazíamos a reunião. Ela viu esse cartaz e se interessou em ir, ela queria ter relacionamento com Deus e ouvir a Palavra enquanto estava nos intervalos livres da pesquisa, porque ela perdia cultos da igreja dela lá em Maceió. Ela foi para reunião e não tinha ninguém, nesse dia eles não fizeram a reunião e nós estávamos na lateral do Jorge Lobo fazendo a nossa reunião. Ela passou e perguntou se a gente sabia onde ia ser a reunião, porque ela viu a gente com a Bíblia e com um livro de Kenneth Hagin, ‘Amor o Caminho para a Vitória’, havia pregado sobre fé e agora, ia pregar sobre o amor. Eu disse onde era e ela falou que não tinha ninguém lá, então disse pra ela que ali também falávamos sobre a Palavra e se ela quisesse poderia ficar. Ela ficou e nós nos conhecemos, começamos a conversar.

Eu falo para ela que estava buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e as outras coisas foram acrescentadas, coisas vieram correndo de Maceió ao meu encontro (risos). Eu havia terminado um relacionamento há uns seis meses e não estava querendo namorar ninguém, só servir a Deus,  aí ela apareceu, do nada e era exatamente o que eu havia orado e pedido a Deus.  Foi maravilhoso, a gente começou a se conhecer e depois de seis meses começamos a namorar. Nós nos casamos em 2012 e, agora em 2019, vamos fazer sete anos de casados.

Nora é minha auxiliadora, uma mulher fiel a mim que está comigo todo o tempo e me ajuda em tudo. Sempre que tenho um desequilíbrio para algum lado ela me coloca no prumo, ela é meu equilíbrio e, como a bíblia afirma: “A mulher é a glória do marido”. Ela é maravilhosa, uma mulher de Deus, uma mulher que não se preocupa com holofotes, ela se preocupa em estar servindo e fazendo a vontade de Deus. Ela representa muito pra mim, sem ela seria bem mais difícil. É o amor da minha vida.

Durante os seis anos de faculdade eu nunca pensei em ser anestesista, tive uma matéria muito curta e ninguém tinha muito contato com anestesista, até porque o anestesista não é muito visto e fica meio escondido. Eu pensei em fazer cardiologia, ortopedia também por causa do Pastor Edgley e porque uma época estagiei na área, mas sempre pensei em fazer cardiologia. O caminho seria assim: dois anos de clínica médica, dois anos de cardio e depois mais dois anos de hemodinâmica, seis anos da faculdade mais seis anos de cardio.

Mas, uma vez eu estava estudando na biblioteca e tive uma visão. Me vi anestesiando, com a máscara de oxigênio, colocando gás anestésico em uma pessoa. Naquele momento, começou a crescer em mim um grande amor por essa área e ali Deus me revelou que essa seria a área que mais contribuiria para o meu ministério, porque o anestesista ele não tem tanto vínculo com o paciente, quem tem mais vínculo e acompanha o paciente é o cirurgião e, Deus me mostrou que com isso eu teria uma maior flexibilidade de horário. O anestesista é chamado a todo momento, surgem oportunidades e ele aceita se quiser ou não, então eu tenho essa flexibilidade de estar ou não estar.

Um cardiologista, por exemplo, como eu queria ser, se um paciente enfartar e ele estiver pregando, tem que parar e ir lá. Claro que existe o vínculo de amor e relacionamento que a gente desenvolve com o paciente, durante a cirurgia, mas não é o mesmo de uma profissão clínica ou cirúrgica. Hoje, eu amo e não me vejo fazendo outra coisa. 

Percebi que a medicina seria uma porta e já recebi muitas palavras e profecias sobre isso. Em muitas nações você não pode entrar por ser um missionário, por exemplo, mas se você vai e diz que é médico eles autorizam a entrada. Me vejo indo a muitos países, chegando com assistência médica e a Palavra. Uma vez, estive em contato com um pastor da Índia e ele pediu para ir lá pregar a Palavra e ao mesmo tempo para ajudar na parte médica que é bem carente. Tenho muita vontade de ir para a África e alguns outros países. 

Rodrigo é um cara apaixonado por Jesus, que se disfarça de médico para alcançar pessoas. Sou um cara apaixonado por jovens e adolescentes, creio que Deus tem para cada pessoa uma marca para deixar nessa terra. Têm coisas dentro de nós, plantadas por Deus, que deixarão marcas na vida das pessoas, eu quero liberar tudo que Deus colocou na minha vida, quero me desgastar para cumprir os planos de Deus. Rodrigo é um cara que está em tempo integral pra Jesus. Quando estou no hospital, sou um ministro de Cristo, e essa também é uma oportunidade de alcançar pessoas para o Reino. Esse  é o tema de um livro que estou escrevendo de devocionais para jovens, eu também me vejo fazendo isso, escrevendo livros, eu quero deixar a minha marca aqui na terra. 

 

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