Nasci em Caturité, na Paraíba, numa família com sete irmãos. Eu vivi minha infância lá na região rural e meu sonho era trabalhar no Exército. Quando eu completei 15 anos, fui para o Rio de Janeiro (RJ) e tive que alterar a idade para poder viajar. Cheguei lá e quando eu fiz 17 anos já estava me apresentando ao Exército, mas eu queria servir e o comandante disse que eu era pequeno, pois teria que ter um metro e 65 centímetros, mas eu tinha um metro e meio.

Cheguei a quase chorar nos pés daquele homem porque queria muito servir. Ele me perguntou porque tanta vontade e eu respondi que queria ir para a guerra. Ele ficou admirado porque muitos homens o imploravam para não servir no Exército, mas eu, daquele tamanho, queria ir para guerra. Eu era muito jovem e do Cariri, não tinha muita consciência das coisas.

Mas eu não entrei no Exército, não passei. Então fui trabalhar na cidade. Eu não tinha um estudo bom e nenhuma profissão. O que chegava de trabalho para mim eu tinha que abraçar para me manter. Mas eu não tinha nada a reclamar, mesmo não sendo ainda cristão, Deus já cuidava de mim.

Passei cinco anos no Rio de Janeiro e vim fazer uma visita à família em Caturité. Foi quando me aproximei de Dulce e começamos a namorar. Eu estava com 20 anos e ela também. Sou uma pessoa de responsabilidade, nunca gostei de coisas erradas.

Quando encontrei com Dulce, vi a mesma coisa nela e a gente deu certo. Foi quando eu disse que iria mais uma vez ao Rio de Janeiro juntar dinheiro para nos casarmos. Assim, eu fui, ganhei mais dinheiro e voltei. Trabalhei em padaria, feiras, casas comerciais, como balconista, enfim, várias coisas. Eu superava os funcionários que tinham estudo porque  as pessoas tinham confiança em mim. Sempre zelei pelo caráter. 

Passei um ano no Rio, voltei e casamos. Tivemos dois filhos abençoados. Célio e Dulcinéia, que hoje moram em Brasília (DF). Depois que casamos, eu e Dulce ainda moramos 22 anos no Rio de Janeiro, só viemos quando nossos filhos nasceram e ainda eram crianças. Graças a Deus deu tudo certo, foram criados e casaram ainda aqui na Paraíba. 

Temos cinco netos. Minha filha foi para Brasília após o casamento. Meu filho teve um primeiro casamento que nos deu um neto e que hoje estuda nos Estados Unidos. Nosso filho está casado novamente, morando também em Brasília. Está planejando, com meu genro, – que é um engenheiro muito inteligente – desenvolver um novo negócio.

Fico muito feliz porque meus filhos não são daqueles que ficam “olhando a banda passar”. Eles “caem para dentro”. A Palavra de Deus diz que devemos fazer a nossa parte. É só agir com honestidade e simplicidade que as coisas acontecem. 

Dulce e eu fizemos o Rhema em 2001 e 2002. Fomos 100% de presença. Chegamos ao Verbo da Vida em 1998, após 7 anos congregando em outra igreja no bairro do Catolé, uma congregacional dirigida pela missionária Dione Fernandes. Na Igreja Verbo da Vida Sede de Campina, nós já trabalhamos em vários departamentos, dentro da igreja e em evangelismos. Ainda fazendo o Rhema, nós já servíamos bastante. Quando chegamos lá começamos visitando novos convertidos.

Era a equipe de Recepção aos Visitantes. Fomos os primeiros integrantes da equipe, junto com o irmão Amilton e Joseane França. Nessa época, batemos na porta de pessoas muito diferentes inclusive me lembro de uma vez, que quando eu cheguei em frente à casa eu esfriei. Era uma mansão tão grande que até o chão brilhava. Ficava pensando: “Quem é que mora aqui? Um governador?”. Uma mansão enorme, num terreno grande, com uma grama bem verde e uma piscina cheia de crianças com alguém lá cuidando delas. Tocamos a campainha e eu pensei: “Se eu estou aqui trazendo um recado que Deus mandou e fazendo um serviço d’Ele, eu estou com medo de quê?”

Quando entramos, conhecemos o dono. Nos apresentamos e ele nos levou para a cozinha.  Começamos a conversar e a trazer ensinamentos próprios para o novo convertido. Dali a pouco, de repente, o homem começou a chorar. Falou: “Vocês estão vendo esse homem aqui, estou chorando porque depois que eu conheci esse sistema da Palavra de Deus, fui abalado, pois eu sou um drogado e bêbado.

Meu carro é importado, mas às vezes eu saio e volto de táxi, porque não sei mais onde deixei o meu carro”. Ministramos a Palavra e oramos por ele, que chorou mais ainda e falou que tinha sido Deus quem havia nos mandado ali. Sei que depois daquilo Deus mandou outras pessoas para alimentá-lo. Mas eu fiquei pensando sobre se eu tivesse decidido não entrar, intimidado com a riqueza que eu tinha visto… aquele homem estava muito pior do que eu. 

Dulce e eu combinamos muito. Para onde eu vou, ela topa. Quando vamos evangelizar, a gente vai cedo e só volta bem depois de acabar, no fim de tudo. Nós já evangelizamos por muitos anos também nos hospitais, nos presídios e nas ruas; tanto no Grupo Vida, quanto nós dois sozinhos saindo para evangelizar. Quando eu saio de casa para evangelizar, eu peço a Deus que coloque um anjo na nossa frente. Peço que o Espírito Santo convença as pessoas e nos ensine como tirar vidas das trevas para a luz.

Nossa estratégia é a seguinte: batemos nas portas e quando alguém atende nós cumprimentamos e nos apresentamos. Falamos que estamos levando a Palavra de Deus. Costumo também perguntar se a pessoa já conhece algo da Palavra. Alguns dizem que já ouviram falar, outros que já conhecem ou ainda que já são cristãos. Com aqueles que não são cristãos, nós iniciamos uma conversa rápida de no máximo 15 minutos, explicamos que todos precisamos de Cristo e precisamos sair da prática do pecado. Explicamos a eles que é necessário se apegar às práticas divinas.

João 3.16 diz que Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu filho unigênito para que aquele que n’Ele crê não pereça. Também costumamos ministrar João 10.10 e, no evangelismo, eu pergunto se a pessoa quer ter vida em abundância ou quer parecer e, claro, as pessoas dizem que querem a vida.

Tenho pouco estudo na área de leitura e escrita. Não vou dizer que conheço muito bem a Bíblia toda, mas aquilo que é necessário para o evangelismo, eu tenho na ponta da língua. Lembro que na mesma semana em que eu me converti, fui logo atrás das cidades vizinhas para evangelizar. Hoje, quando chega ao final de uma tarde de evangelismo do Grupo Vida, da igreja Sede, por exemplo, eu olho a ficha da gente e temos lá mais de 70 almas salvas.

Eu não vou dizer que sou muito sábio na Palavra, mas o Espírito Santo me usa. Se eu tivesse estudado eu sei que saberia ainda mais. Eu e Dulce somos semianalfabetos. Eu não sabia praticamente nada quando aceitei Jesus, mas na mesma semana em que fui salvo, eu li o Novo Testamento todo, sobrenaturalmente.

Pastor Raul Agra é uma inspiração de evangelismo para nós na igreja. Ele até parece ser quieto, mas quando chega nos campos, ele vira menino, corre daqui para acolá, ministra que é uma beleza e nos dá força. Ele se alegra com a salvação dos perdidos e temos que aprender isso também, pois não podemos virar as costas para aqueles que estão perdidos. Levar a Palavra é melhor do que um prato de comida quando estamos com fome.  

Eu e Dulce somos duas pessoas, mas nos tornamos uma só. O que faz o nosso casamento duradouro é um estar sempre disponível para, se preciso, ceder para com o outro. Nós sempre dialogamos para entrarmos em concordância e conhecermos a vontade um do outro. Dulce facilita a minha vida em tudo e, quando ela precisa, eu faço o que eu posso por ela.

Até o que eu não posso eu faço, mas porque eu quero ver ela realizada, porque ela estando realizada, eu também estou. Um precisa amar o outro, principalmente nas batalhas da vida. 

Já passamos por momentos difíceis no nosso casamento. A pior fase foi logo no início, por causa dos nossos primeiros bebês. Dulce passou por dois abortos, porque ela tinha um problema no sangue. Nós éramos muito jovens e não sabíamos muito bem como cuidar da saúde. Esse problema, na época, nos deixou arrasados e Dulce ficou tão debilitada que cheguei a ter que carregar ela nas costas. Foi um teste de fogo. Além de cuidar dela, eu também tinha que trabalhar e o local do emprego era a 100 quilômetros de distância da minha casa.

Tive que me virar, mas superamos. Estamos com 51 anos  de casados, mas para mim parece que foi ontem. Somos simples. Eu e Dulce não ganhamos muito, ganhamos pouco, mas Deus multiplica e dá para a gente se alimentar, se vestir, para passear e às vezes até para mandar para nossos filhos. A minha esposa é uma pessoa que, se eu pensar direitinho, ela quase não tem falta porque o que eu desejo ela faz, ela desenrola e é uma pessoa fácil de se pedir perdão.

Ela pode não ser muito desenvolvida para falar em público, por exemplo, mas ela busca mais a Deus do que eu. Busca por mim e por toda a família. É uma pessoa que fala a verdade e eu posso dizer que eu tenho uma esposa sem faltas. Na idade que ela está, não era nem para ela fazer tantas coisas quanto ela faz, mas ela faz de tudo em casa. Dou glória a Deus e nós vamos chegar aos 100 anos de idade juntos e as pessoas vão ver isso aqui na igreja.

O meu sonho é um dia conseguir comprar um carro, de duas portas mesmo, para que a gente possa vir para a igreja e para os trabalhos do Senhor. Eu vou começar a levar casais para a igreja que não têm como ir. Se eu pudesse, eu iria também estudar mais, porque gostaria de andar com a Bíblia “na palma da mão” e desenrolar ela de ponta a ponta.

Me fez falta não tem frequentado a escola como eu deveria, e eu nem podia porque há 70 anos não tínhamos muita opção de estudo onde morávamos. Mas graças a Deus que me ensinou a falar da Bíblia ao ponto das pessoas entenderem e eu não gaguejar muito (risos). Mas não vou negar que é difícil. Sei que precisamos estudar a Palavra, porque um leigo vai saber a verdade como? Se não levarmos a Palavra para ele? 

Nossa alegria é cuidar das coisas de Deus com excelência e não deixarmos mais nada a desejar diante dos nossos líderes. Quando estamos ali nos banheiros e nos bebedouros servindo, ficamos satisfeitos quando todos saem bem servidos, alegres e mais cheios do Espírito Santo até do que nós, que estamos servindo.

Enquanto estamos deixando tudo limpo e as pessoas perguntam se podem pisar, eu digo: “Claro que podem, pois nós estamos treinando vocês para pisarem num chão muito mais perfumado, na eternidade”Eu sou um homem de caráter. Não gosto de mentira ou de andar com pessoas erradas. Se eu fiz algo de errado, volto atrás para fazer novamente. Gosto de conviver com pessoas que têm esse mesmo caráter. Eu sou pequeno, mas nunca atentei para o meu tamanho, me vejo grande, me sinto como se eu tivesse dois metros de altura. 

 

 

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