Sou de Campina Grande. A minha cidade é maravilhosa, antes era conhecida pelo clima friozinho, mas hoje em dia está bem quente, a gente se orgulhava do clima, é uma cidade muito festiva, principalmente em junho. Minha cidade é mais importante pela Palavra da Fé que é plantada neste lugar…

Sou uma mulher muito caseira. Na maioria do tempo, gosto de estar em casa, quando saio, vou para a igreja, mas às vezes, gosto de ir em alguns lugares na cidade. Um deles é essa doceria que estamos agora para a entrevista, não é à toa que sou gordinha (risos). Gosto muito de massa.

Amo a leitura. Em casa, leio bastante. A leitura me ajuda muito. Gosto muito dos livros de Kenneth Hagin, acho que já li quase todos os livros dele. São livros marcantes e edificantes, mas o último livro que li foi “Jornada para a Liberdade” de Dione Alexsandra e esse livro mexeu muito comigo, chorei muito ao ler, com os testemunhos relatados, vendo ali tantas histórias das pessoas e da autora também, foi comovente e como já sou fácil de chorar, imagina?… Me coloco no lugar da autora, sou emotiva, sou aquela que, se alguém sofre, eu sofro com ela também. Acho que o fato de conhecer a autora é mais emocionante ainda… Sempre fui assim, eu me compadeço da dor das pessoas, por vezes, até me anulo, para ver as pessoas bem.

Há quase 30 anos trabalho na Embrapa. Recentemente, dei entrada na aposentadoria. Mas, após ser aposentada ainda ficarei um tempo trabalhando lá. Não gosto de ficar parada. Mas sei que estarei ali por pouco tempo, porque quero mesmo é me dedicar a minha casa, poder viajar sem tempo para voltar, estou esperando esse plano de demissões voluntárias. Estou aguardando…

Eu tenho uma história de família bem forte. Perdi minha mãe quando eu tinha apenas 4 anos, e não lembro dela…  Minha família me contou que a minha mãe fez uma cirurgia e teve uma hemorragia e no hospital descobriu que era leucemia e ela não voltou mais para casa.

Fui criada sem mãe… Meu pai foi um bom pai, me deu o necessário para viver bem, mas nunca foi de sentar, dar um cheiro, abraçar, essas coisas ele não fazia. Sempre me dava o que eu precisava, estudei em boas escolas, mas ele nunca foi de me dar carinho e, talvez por isso, eu sinto essa carência e a senti ao longo de toda a minha vida.

Minha mãe partiu deixando quatro filhos. Eu era a caçula. Ficou eu com apenas 4 anos, um irmão com 6 anos, outro com 12 e o mais velho com 13 anos. São: Amauri, Ligia (que partiu para o Senhor recentemente) e tem Alberto que mora em outra cidade.

Após a morte da minha mãe, meu pai casou mais uma vez, mas não deu certo o casamento, durou menos de um ano. Ele logo se divorciou. Mas logo casou mais uma vez. Me recordo que quando ele se casou novamente eu tinha apenas 6 anos.

Desse terceiro casamento, ele teve mais filhos: Leonardo, Alexandre, Isaias e Eveline. Tenho um bom relacionamento com os meus irmãos, crescemos juntos.

Morei com meu pai e minha madrasta até os 18 anos, quando me casei. Fui casada por 13 anos e me separei quando estava gravida da minha filha caçula. Com ele tive 3 filhos. Fabricia, Thiago e Morganna.

Não era crente nessa época em especial quando meus dois filhos mais velhos nasceram e não tinha sabedoria na criação. E isso refletiu na vida deles, a mais velha, Fabrícia engravidou aos 16 anos, foi difícil para mim essa situação, fui avó de Lucas, seu filho mais velho, com apenas 36 anos eu já era uma avó, tão jovem…  

Eu não tinha mais o marido e era pai e mãe da família, isso pesou muito. Fabrícia continuou estudando e eu ajudando na criação dele. Lucas sempre foi como um filho para mim, ele é uma benção, me deu muitas alegrias, ama a música, ele me surpreende, muitas vezes. Desde as coisas mais simples, como me levar para comer uma pizza, por exemplo, isso me marca muito, percebo que ele quer me ver bem.

Thiago, ainda não é cristão. Ele é pai de quatro filhos. Hoje tenho seis netos, 4 de Thiago e 2 de Fabrícia, mas tinha sete, perdi uma neta, Luma, ainda pequena, ela era filha de Fabrícia também.

Morganna, a filha mais nova é uma benção para mim. Ela foi criada sem a presença do pai, quando me separei estava grávida dela. Mas aos 9 anos ela se converteu e a nossa mudança começou ai. Foi ela quem nos incentivou a ir para a igreja. Lembro quando minha filha se converteu na Assembleia de Deus, ela participava do grupo soldadinhos de Cristo. E, graças a Deus,  através dela, eu conheci o Senhor.

Nessa época, também conheci uma amiga que era do Verbo e ela me convidou para ir a igreja eu fui e gostei demais, logo fui fazer o Rhema isso em 1999. Eu ia para sala de aula e Morganna para a salinha das crianças cuidar do berçário, ela era bem novinha tinha uns 10, 11 anos por ai. Depois que fomos para o Verbo da Vida começamos a crescer em Deus juntas eu e Morganna, e isso nos uniu muito, somos amigas e temos muitas coisas em comum no Senhor.

O tempo passou, ela foi fazer o Rhema e eu fui monitora dela, fomos fazer a Escola de Ministros juntas. Ela sempre foi uma boa filha. Sempre gostou de estudar e o que eu não tive, dei a ela. Lembro dela ainda pequena quando ia comprar material escolar e, na época, tinha uns fichários e ela queria o melhor fichário. (risos) e eu dava, ela sempre gostou de coisa boa. Eu fazia isso por ela. Morganna se formou em enfermagem e fiz por ela na formatura tudo o que pude de melhor. Nada faltou e me alegro por isso.

Lembro que quando eu trabalhava no grupo familiar, um departamento da igreja eu sempre falava sobre família cristã e dizia: tenho quatro filhos, Fabricia, Thiago e Morganna e Lucas, meu neto, que criei como filho e hoje vejo a diferença quando os observo, porque esses mais novos não me deram trabalho. Esses dois saiam com a turma da igreja e isso me tranquilizava. Mas eu creio na minha família completa servindo ao Senhor.

Sou uma mãe muito doadora, acho que até demais. E, talvez por isso, gostaria de receber mais dos filhos, me refiro a carinho, não a coisas materiais. Eu tenho aprendido a lidar com essa carência. Há uns dois anos, tive um começo de depressão. Talvez o me doar tanto levou a isso, a ter expectativas e não as ver ser atendidas. Às vezes, sinto falta apenas de um abraço acolhedor. Talvez por isso, quando Lucas me leva para sair, me surpreendo tanto e me alegro. Isso me deixa feliz. Se pudesse voltar no tempo, diria mais “Não” e quando dissesse “não” o sustentaria com mais firmeza, isso eu faria. Seria mais firme.

Como avó de seis netos… Lucas nem considero como avó (risos), tem Matheus filho de Fabricia que está sempre aqui em casa. Amo demais, tem dois deles, filhos de Thiago: Luiza e Pedro que estão comigo em minha casa, precisei cuidar deles nesse momento, porque vi que precisava agir pela ausência da mãe deles, precisei cuidar dos meus netos e ensiná-los o caminho do Senhor. Eu tenho procurado levá-los no caminho certo, conduzindo para a igreja, para os eventos, os colocando no coral das crianças, quero que a Palavra de Deus seja implantada neles, faço qualquer coisa para que eles sirvam ao Senhor e cresçam no caminho certo. Se depender de mim, todos estarão na igreja, essa é a minha maior riqueza. Ver todos servindo ao Senhor. Quero ver todos os filhos bem, vivendo bem, porque eles estando bem, eu estarei bem. Não existe família sem o Senhor. Sou prova disso. Encontrei sentido para a minha vida, quando recebi Jesus.

Tenho alguns sonhos… Um deles é falar em público. Sou muito tímida e isso me impede de falar para as pessoas. Sei que vai chegar esse dia de estar livre para ministrar para as pessoas, porque eu travo até mesmo para orar em público e eu amo orar, falar com o Senhor…

Lembro que quando fui a primeira vez em uma igreja ao chegar lá na hora do culto, o pastor me chamou para fazer uma oração lá na frente. Eu travei, não saiu uma palavra. Acho que essa experiência me marcou muito.  Quando sai da igreja, a pessoa que me levou ainda disse: “É, a gente tem que estar preparada…” Isso foi marcante… Eu nem sabia o que era igreja evangélica, nem o que era orar, lá na frente então, não tinha ideia o que era isso. 

Mas eu creio que já estou ficando livre dessa timidez, só em estar aqui na sua frente Dione, falando de mim, é uma conquista. Sei que o fato de conhecer você e a fotógrafa, Bárbara, talvez me deixou mais à vontade, mas creio que estou mudando… sou mais tímida quando não conheço as pessoas.

Atualmente estou auxiliando no Centro de Cura e lá tem sido um lugar para avançar e tirar a timidez, me fazendo ajudar outros e ser ajudada enquanto isso. Eu vou avançar!

Tenho algumas conquistas, mas tem uma que foi importante para mim, a formatura da minha filha Morganna, me marcou muito e é verdadeiramente uma conquista para mim, porque eu fui pai e mãe dela e isso é um marco, eu vi uma filha minha formada, foi uma alegria grande. Mas acredito que ainda terei outras conquistas.

Todos nós temos dias difíceis e em dias de grandes dificuldades eu choro… choro e oro, converso com Deus e com pessoas que confio, tenho um quarto de oração em minha casa e vou para lá. Ali eu me abro com meu Pai, falo o que estou sentindo e Ele sempre cuida de mim.

Deus é tudo para mim, sem Ele não me movo, não ando, não vivo… Estou aqui por causa dele. Ele é a minha força. Ele é tudo para mim. Tenho profundas e marcantes experiências com Deus.

Ele já me falou coisas bem claras que eu ria e chorava, porque eu sabia que era Ele. Era tudo o que eu precisava ouvir e só eu e Ele sabia, saber que Ele existe faz toda diferença.

Existe uma Suely antes e depois de encontrar o Senhor. Antes eu não vivia, sofria muito. Em especial na fase da minha separação foi terrível, eu sei que estou aqui hoje porque Deus tem um plano na minha vida.

Como não tive a presença da minha mãe, não tinha com quem conversar na época de adolescente, não tinha com quem me abrir, contar as minhas coisas e, com apenas 18 anos, me casei e 13 anos depois, quando me separei não tinha ninguém para me orientar, lembrando que nessa fase eu não tinha Jesus, lembro que ia para algumas festas, mas de fato, eu não vivia e sofri muito. Mas, quando recebi Jesus tudo mudou. Ele me preencheu, me tornei forte e vi essa força em mim bem latente em 2009, quando minha neta Luma morreu. Uma criança que foi dormir e não acordou mais. Se fosse antes de Jesus não tinha aguentado. Sem Ele não aguentava nada. Graças a Deus a minha força vem do Senhor.

Sou aquela mãe que se preocupa com o filho independente da idade que ele tenha. Hoje, Morganna está longe, morando em outra cidade, mas me preocupo, ligo, quero saber se está bem. Eu sei que ela está bem demais lá, mas mãe é mãe e eu sou assim… Eu sei que o Senhor está cuidando dela.  Nada vai faltar e sei que a minha filha está correndo a carreira dela. Lembro do dia em que ela veio me falar que ia embora e disse: “O que a senhora acha, mãe?” Eu falei: “Se foi Deus quem mandou, quem sou eu para impedir?” Fico feliz por saber que ela é uma menina guiada, sei que onde ela está Deus está guardando. O que me segura é saber que ela está bem, que os meus filhos têm saúde, que nunca faltou o pão para eles.

Mas, a minha vida não foi fácil… Passei anos na embrapa sem ser contratada, apenas prestando serviço e ganhando um salário mínimo. Fazia unhas para comprar leite para meus filhos, vendia jarros, e só quando Morganna nasceu tive um contrato e passei a ganhar um pouco mais. Tive uma vida sofrida, no entanto, hoje eu sou feliz por causa do Senhor. Por ver a minha família bem.

Existem coisas que me conquistam e não é necessariamente presentes, coisas matérias, mas atenção, zelo e cuidado valem muito para mim. Existem pessoas que eu admiro demais pela história de vida. 

Pastor Noberto, é uma pessoa que admiro, ele é meu pastor, me emociono ao falar dele. Gosto demais do pastor João Roberto também, mas com o crescimento da igreja o pastor João não conseguiu estar tão próximo, mas o pastor Noberto cuida de mim como uma ovelha e me sinto assistida por ele, eu o tenho como um pai, apesar dele não ter idade para isso, ele é uma pessoa que posso me abrir. Já tive dias bem difíceis, problemas e ele me ajudou a resolver…

Quando uma pessoa me trata bem eu fico feliz. Gosto muito de Sylvia Lima quando a conheci eu sabia que ela era uma pessoa importante do ministério, mas o cuidado dela, ao me abraçar e me chamar de “galega” me faz tão bem…

Tem também Dione Alexsandra, eu a admiro demais. Ela sempre está de alguma forma presente na minha vida, lembra do meu aniversário todos os anos e faz questão de se fazer presente, amo mais a presença dela do que os presentes. Eu a conheço desde quando ela trabalhava no grupo familiar, depois Dione se tornou a minha líder nesse trabalho e aprendo muito com ela até hoje. Sou grata por ela estar perto em tantos momentos. Ela me enxerga de maneira especial. 

Eu sei quem eu sou em Cristo hoje, mas antes me sentia um ninguém. Se uma pessoa me tratar bem, me conquista. E, por essa pessoa, faço o meu melhor, às vezes, até me anulo para isso. Sou doadora, se precisar de mim, eu vou ajudar. Só em saber que posso retribuir aquele carinho me faz bem…

Sou grata a algumas pessoas. A Netinha, minha madrasta por fazer parte da minha vida. Aos amigos que fiz na embrapa ao longo desses anos, pessoas que me ajudaram e ainda ajudam no dia a dia. Afinal, há amigos mais chegados que um irmão. Não vou citar os nomes, mas eles sabem que sou grata a todos eles.

Sou grata a minha vizinha Socorro, ela me ajuda, sempre presente em momentos bons e ruins. No livro de Provérbios lemos que: “Mais vale um vizinho que está perto do que um irmão que está longe.” 

Na igreja tenho bons amigos: Raphael e Manu, Graça Calado, Lourdinha Brasil, Rosa Varela, Dione, Pr. Noberto, são tantas pessoas que certamente vou esquecer alguns. Mas esses representam todos os demais. São preciosos para a minha vida.

Tenho alguns versículos marcantes que me acompanham em vários momentos, textos que foram Rhema para mim:

“Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do meu coração.”

“Se quiserdes e me ouvirdes comereis o melhor desta terra”

“Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós pedireis o que quiserdes e vos será feito”

Se você meditar e praticar esses versículos sua vida será mudada, assim como a minha.

A Palavra de Deus é a minha base e ela me sustenta em todas as situações.

3 COMENTÁRIOS

  1. TUDO QUE VOCÊ FALOU SOBRE AJUDAR AO PRÓXIMO SENTI ISSO DE PERTO. OBRIGADO PELOS CONSELHOS E APOIO DADO QUANDO PRECISEI. DEUS TEM O MELHOR PRA VOCÊ EM TODAS AS ÁREAS DA SUA VIDA COM CERTEZA MULHER ABENÇOADA.

  2. Oi Su… Acabei de ler sua história, meu Deus!!! Estou muito emocionada com tudo o que li e muito surpresa com a menção do meu nome! Minha doce e linda amiga e irmã em Cristo. Te admiro muito, te amo!

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