Tenho 30 anos. Nasci em Caruaru, morei lá até os 22 anos quando me casei com Guilherme fui morar em São Paulo. Eu gosto de Caruaru, gosto do clima, gosto do meu povo, da comida, Mas, só voltaria pela família e se Deus falasse conosco.

Atualmente, estamos morando no Uruguai, eu amo morar lá. Quando casamos e saímos de Caruaru, nos mudamos direto para São Paulo. Gostei muito de morar em São Paulo, não na metrópole, eu morava em Mauá. Gostei muito do interior de São Paulo. Eu estranhei muito a capital, o primeiro lugar que cheguei com Guilherme foi no Brás. Eu achei uma loucura aquilo. Demorei um pouco a me acostumar quando fui morar lá, mas quando fui para Mauá, lá é mais tranquilo. A população é quase a mesma de Caruaru, eu me sentia em casa, voltaria a morar lá “de boa”.

Eu amo demais o Uruguai. A primeira vez que eu fui para conhecer, só foi ruim a volta porque eu voltei, mas, meu coração ficou lá. Sabe aquela sensação de que você está deixando a sua casa? Foi o que eu senti quando voltei para o Brasil.

Guilherme já tinha ido várias vezes, mas eu fui a primeira vez para conhecer em 2016, pisar na terra, conhecer as pessoas. Eu cheguei a ir três vezes antes de morar. Mas, quando me mudei mesmo, teve aquele choque cultural, aquela diferença enorme, mesmo sendo países vizinhos, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mesmo assim, eu amo demais o Uruguai.

Estou morando lá há um ano e meio, já me adaptei. Costumo dizer que tenho facilidade em me adaptar. O que eu mais sinto saudade do Brasil é do povo e da comida. Somos um povo diferenciado. Os lugares que eu já fui fora do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile… O pessoal fala muito que nós brasileiros somos diferenciados. O povo Uruguaio é um povo diferente, não se comunica como nós brasileiros, não é um povo tão dado como nós, porém é um povo maravilhoso e que tem muitas qualidades. Da comida eu sinto falta de tudo, mas principalmente a do nordeste; do cuscuz, macaxeira, carne de charque (carne seca).

Nós estamos a cinco horas da fronteira, geralmente viajamos para lá para fazer compras de supermercado e assim encontramos comida brasileira.

O que eu mais gosto do Uruguaio é a seriedade deles, mesmo a gente sendo um povo que fala muito, eu gosto da maneira como eles vivem, eles são bem “na deles”, são muito íntegros e firmes nas suas palavras.

Eu sou muito grata aos meus pais por nos criarem na igreja desde pequenos, infelizmente hoje, eles não estão na igreja, nem minhas irmãs. Por decepções que tiveram com pessoas, eles se afastaram.

Meu pai nunca teve carro e eu sempre gostei muito de cultos de oração. Eu conheço a Palavra do Verbo da Vida tem uns 10 anos, antes disso eu era daquelas igrejas do “reteté”. Eu me lembro que da minha casa para a igreja precisávamos pegar ônibus e meu pai nem sempre tinha dinheiro para a passagem. Mas, ele dizia: “Vamos para o culto?”. E eu dizia: “Vamos!”. Então, ele me colocava no quadro da bicicleta para irmos para a igreja. Eu era criança, mas me lembro muito disso, isso foi gerando essa vontade, esse amor pelo Senhor dentro de mim.

Tenho duas irmãs, eu sou a mais velha de três: Taisy  e Tairys. Quando a minha irmã mais nova nasceu, minha mãe queria muito um menino, mesmo a ultrassom dando que seria menina, ela acreditava que na hora que nascesse o médico iria dizer que era um menino, então ela não escolheu um nome de menina. Quando minha irmã nasceu e a médica disse que realmente era uma menina, minha mãe não tinha um nome, então uma tia resolveu dar a ideia de juntar Taisy com Tamirys e saiu Tairys. Até hoje, ela diz a minha mãe: “Com tanto nome com T a senhora foi fazer isso comigo”. (risos)

Meu pai é Welington e minha mãe é Zenilde, lá na casa da minha mãe os nomes são tudo com Z: Zenaldo, Zenilde, Zeneide, Zenineide e só um que é Antônio. Minha mãe é uma mulher muito “braba”. (risos). É um “braba” que quem não conhece se assusta mas, ela tem um coração maior do que ela. Boa parte da minha família mora em Campina grande, tem gente que mora em Boqueirão, Serra Branca, toda a minha família por parte de mãe é daqui. Minhas duas irmãs moram em Caruaru, uma é casada e a outra é solteira, ainda não tenho sobrinhos.

Eu sempre tive o desejo de casar, mesmo não vendo em casa o modelo ideal de família Cristã que aprendemos no Rhema. Tanto que, quando comecei a fazer o Rhema, a matéria “Submissão e Autoridade” me confrontou muito. Queria muito casar, mas a minha cabeça era a de que nunca dependeria de um homem, me submeter a um homem, até que, glória a Deus, a Palavra chegou e hoje, eu entendo como precisa ser.

Tento a cada dia mais ser um exemplo de esposa, de dona de casa. Sou grata a Deus porque Guilherme é um bom marido, ele me apoia, ele me ajuda. Vamos fazer 7 anos de casado em Dezembro, me casei com 23 anos. Ele é um bom marido, paciente. Nós somos o oposto, às vezes, a pessoa não me conhece bem e acha que eu sou quietinha, mas eu falo mais que o “homem da cobra” (termo usado no Nordeste) e ele é muito sossegado, mesmo tendo esse jeito cômico e brincalhão, ele é meu equilíbrio, eu digo que ele é meu freio. Quando eu estou muito acelerada, ele é meu freio.

Nos conhecemos no Verbo da Vida no bairro Salgado em Caruaru-PE. Ele estava chegando de férias lá, pois estava passando um tempo em Belo Horizonte. Eu gostava muito da igreja do “reteté”, mas eu me choquei com a visão do Verbo da Vida no primeiro culto que eu fui, eu quis ir embora, vendo as pessoas rindo, aquilo para mim era uma heresia, falta de reverência a Deus. Eu brinco que assim como Gilson insistiu muito para Guto ir para o Verbo, eu tinha uma amiga que insistiu muito para que eu fosse. Ela me ligou muito para ir ao culto dos jovens, eu só fui porque ela insistiu muito. Nesse culto eu conheci o Guilherme e ficamos amigos, ainda bem que ela insistiu (risos).

Eu tenho muito orgulho do meu marido, do tempo em que eu o conheci até hoje, do esforço que ele fez para emagrecer. Mesmo a gente recém-casado, às vezes, eu achava que ele morreria por conta da gordura. Não tem nada a ver o que eu estou falando, né?! Mas, eu estou abrindo o meu coração. Às vezes, ele estava dormindo e eu acordava agoniada porque ele se sufocava demais, ele tinha dificuldade de respirar, roncava. Eu falava para ele: “meu filho, se cuide”. Mas, ele não tinha a consciência do quanto era gordo. Ele pesava 144 kg quando nos conhecemos, ele perdeu 22 kg para o casamento. Mas, depois que casamos, dos 22 kg que ele perdeu, ele engordou mais de 40 kg, ficando com quase 170 kg depois do casamento. No dia do nosso casamento, ele usou o tamanho de terno maior que tinha, eu nem sei como ele estava todo abotoado. Tem aquela foto tradicional que o noivo segura a noiva, quando a fotógrafa disse: “Coloque a noiva no braço”, eu lembro como se fosse hoje, os botões do terno abrindo, os botões saltavam da roupa. Ele ficou com muita vergonha, tinha muita gente vendo e ele não conseguia fechar mais o terno, precisou tirar. Eu falei para ele que não tinha problema.

Mas, eu não sei porque a gente casa e engorda, minha gente! E é com todo mundo isso. Eu não falava pra ele, mas eu tinha medo de ficar viúva. Ele não tinha consciência de que era muito gordo. Ele ministrou esses dias e até falou sobre isso, que Canronbert chegou a dizer que ele precisava se cuidar se não ele morreria. A partir daí ele emagreceu e, hoje, tem uma nova vida. Ele fez uma reeducação alimentar. O pastor Jorge, do Verbo da Vida em Vitória, no Espírito Santo, tem uma parcela muito grande nessa mudança, ele, o Renan e Rumana Veras. Eu me lembro que ele foi para um acampamento de Jovens lá, que Herênio também estava e, Herênio “descascou” ele. Quando ele voltou, ele me disse que faria uma dieta, mas eu já nem acreditava mais, a minha mãe estava lá em casa e eu até ri para ela. Eu tava igual Tomé, já não acreditava. Comecei a perceber que ele mudou a cabeça. Ele via as coisas e resistia, coisa que ele não fazia antes. A partir daí eu também comecei a mudar porque eu também estava gorda. Com 15 kg a mais. Quando eu comecei a ver a determinação dele, comecei a me determinar também e a emagrecer. Então, eu tenho muito orgulho dele, da força que ele tem.

A gente vai fazer sete anos de casados e estamos querendo ser pais, queremos ter gêmeos, já estamos declarando. Eu fico pensando, a gente sempre quis ter dois, então é melhor ter logo dois, vem tudo de uma vez. Tem muita gente que pensa em criar os filhos longe da família, é ruim, mas quando eu casei com Guilherme, já casei com a igreja, já fomos assumir a igreja em Mauá. E foi difícil, mas eu acredito que a graça que Deus me dá para cuidar de uma igreja, ele me dá para cuidar de filhos também. Então, estamos querendo, afinal, 30 anos a gente já começa a pensar nos óvulos (risos).

Eu sempre recebia palavras de que eu alcançaria muitas mulheres, a princípio eu não entendia como, eu pensava que seria ministrando para elas, na minha cabeça seria assim. Sempre gostei de arrumar a casa, a mesa, para mim a sua casa não deve ser limpa e cheirosa para a visita. Para mim o melhor é para minha família, a visita também tem que ter, mas o melhor é para minha família. Na minha casa era assim: a gente não podia sentar no sofá para que quando tivesse visitas o sofá não estivesse velho. Eu ficava pensando: “poxa vida” a pessoa trabalha tanto para sentar num sofá e não pode ter um sofá. Ou  a gente bebia no copo de requeijão porque a taça era para a visita. E eu pensava: “Não, na minha casa não vai ser assim não”. Me lembro que uma vez, eu estava sentada no sofá de casa assistindo coisas de casa porque eu sempre gostei e percebi essa deficiência nas famílias. Gente que estava ali, fazendo a mesma coisa, eu ainda não tinha a “A Dona de Casa no Uruguai” (@donadecasanouruguai).

Percebia pessoas que cuidavam da casa, mas de forma superficial, tinham um casamento destruído. Aí eu pensei em começar a fazer algo relacionado a dona de casa, não pensei no “Dona de casa no Uruguai”. Tanto que, eu nem me lembro o nome que eu comecei. Mas, o que eu quero é mostrar que uma esposa de pastor não é só glamour, ela limpa a casa, quando tem filho cuida deles. Eu não sabia que ia tomar uma proporção tão grande em pouco tempo, foi quando Deus tratou comigo e muitas mulheres começaram a me procurar falando como meus stories as ajudava a cuidar do marido e da casa porque elas já estavam sem ânimo. Elas falam “com você eu aprendi que ser crente não é ser careta, que ‘você é você’, porque temos a imagem de que a esposa do pastor ou de alguém na igreja, não são pessoas acessíveis, tipo ‘não me toque’. Mas, você é diferente”. Comecei a perceber que uma das maneiras que Deus tratou comigo a tempos atrás que eu alcançaria mulheres começou por aí também. Muitas mulheres começaram a me dizer que estavam voltando para a igreja, passando a arrumar a mesa que fazia anos que não arrumava, a cuidar do marido, casamentos sendo restaurados através disso.

Quando eu comecei a fazer stories eu ficava toda séria falando e Deus tratou comigo: “Por que você vai ser uma coisa que você não é? Seja você lavando uma casa, limpando um banheiro”… e quem já viu sabe que eu apareço assim mesmo, com cabelo amarrado, apareço lavando o banheiro, com a camisa de limpar a casa. Eu percebo que isso tem despertado as mulheres e, eu estou muito feliz com essa nova fase, de passar isso para elas. Lógico que a Palavra é importante, mas eu acho que transmitimos Jesus com a nossa própria vida. Não só com a bíblia na mão, através do nosso eu, da nossa maneira de ser, atraímos as pessoas. Para mim, mulheres que estavam com depressão entravam em contato comigo e eu chorava quando eu via uns directs de pessoas depressivas falando que quando viam meus vídeos, levantavam, abriam a janela do quarto… muitas me diziam: “eu sinto alegria porque eu vejo Jesus na sua vida“.

Eu sou muito caseira, até falo para Guilherme que eu sou uma mulher meio que anormal. Tem mulher que ama ir para o shopping, que desestressa fazendo compras.  Às vezes, ele diz vamos sair e eu quero ficar em casa. Para mim relaxar não é apenas sair, não é estar apenas passeando, fazendo compras, mas relaxar em casa também é bom e eu amo. A gente tem um dia da semana que é o dia da família, nesse dia a gente relaxa, a gente pode ir no cinema comer uma pipoca, mas para mim fazer uma pipoca e ficar em casa é o melhor. Muito melhor do que sair, mas se for para sair eu gosto de ir para a orla e tomar um mate (chimarrão), isso me relaxa. Mas, eu amo ficar em casa, eu sou muito caseira.

Tamirys é uma mulher simples, verdadeira. Sou muito de falar o que eu sinto, sem ficar fazendo arrodeio, eu sou muito na lata. Sou comunicativa, acho que um defeito, eu sou muito perfeccionista e como qualidade eu sou espontânea, sou original. O mundo precisa de pessoas espontâneas. Eu sei que nem todo mundo gosta de pessoas originais, às vezes, pode incomodar, por outro lado existem pessoas frustradas  porque não são elas mesmas.

Sempre quando eu tenho a oportunidade eu falo isso, eu sou muito grata ao meu pai, mesmo com tanta dificuldade, a gente não teve uma vida fácil. Quando eu tinha 9 anos de idade a minha mãe começou a trabalhar, uma irmã tinha 6 anos e a outra 3 anos. Então, eu, com 9 anos tinha a responsabilidade de cuidar das duas. E era difícil porque mainha não queria ir, mas ou ela ia ou iríamos passar necessidades dentro de casa. Mesmo com toda as dificuldades eu sou grata pela vida deles. Por meu pai me levar sempre à igreja, com ou sem dinheiro.

Também sou grata ao Ministério Verbo da Vida que nos apoia na missão, está sempre envolvido, perguntando, cuidando. A Guilherme, quando ele me conheceu, eu estava conhecendo o Verbo da Vida e ele acreditou em mim, eu era muito religiosa e batia muito de frente com ele, mesmo estudando no Rhema. Até em coisas que eu não acreditava em mim, ele acreditava, ele me apoiou e me apoia até hoje. Tanto no @donadecasanouruguai mesmo sabendo que a internet é uma ferramenta que pode trazer desgraça, afastar as pessoas, você pode ser motivo de escândalo se você não souber usar da maneira certa. Às vezes, eu ficava desanimada e falava que não ia continuar mais com isso e ele dizia para eu continuar, que as pessoas precisam ver isso. Ele é meu apoio, meu gás, meu parceiro.

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